mergulho de cabeça e me dou por inteira sim. não sei ser mais ou menos, não sei ser pouco ou doar pouco. eu não sei ficar no raso e mesmo que eu tente, não tem jeito, eu caio, eu escorrego. por descuido ou por vontade. por queda ou empurrão. pelo certo ou pelo não…eu caio.
e falo alto. e grito. e olho e encaro. e olho de novo pra ter certeza. certeza que fui vista. certeza que fui notada. eu sinto. eu abraço. abraço apertado. eu choro. eu sorrio. eu sorrio de novo. e fico. mas sei ir. e não volto. bato a porta. a janela. o telefone. as asas e voo.
a verdade é que não consigo ficar nas beiradas. não sou de rodeios, nem de cantos e muito menos de beiras. tudo que lembra beira me irrita. beira de estrada, beira de mar, beira do precipício… não, beira não. beira é ponto parágrafo. beira é mais ou menos. é pouco. é raso. é quase.
e eu sou reticências. sou mais. a mais. sou muito. sou fundo. eu sou tudo.
tudo de mim, tudo que posso.
e não tem nada de errado comigo.
isso não me faz louca, isso me faz intensa.
e intensidade é privilégio nesse mundo onde as pessoas estão mais adeptas ao fingir que não viu, fingir que não sabe. fingir que não sente.
escolho sentir. e sinto. muito.