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@dualiitys
( THE ONE AND ONLY ):
@dualiitys
Desde o dia do acidente com a Lux e seu desaparecimento por causa disso, Avita estava desiquilibrada, aflita e preocupada. Lux não havia mandado nenhuma mensagem para ela, algum sinal de que estava bem, total silêncio e esse silêncio estava matando Avita. Estava rezando para quem quer que ouvisse suas orações, para que sua querida amiga estivesse bem, não queria perder outra pessoa importante em sua vida, como seu pai. Em uma noite calma, quando estava tentando dormir em seu sofá, recebia uma mensagem no celular que Lux havia lhe dado. Ela ia correndo confirmar se era sua amiga e para sua sorte, era ela. Suas mãos tremiam com a notícia, encostando o celular na testa e soltando suas lagrimas de alívio, não perdendo tempo em responder a outra, ansiando por outra resposta rápida. Lux estava a chamando para visita-la e que mandaria a permissão da entrada de Avita na classe alta logo de manhã, cessando as mensagens logo em seguida. Colocava a mão na boca, respirando fundo para se acalmar, deixando as últimas lagrimas caírem de seus olhos. Ela odiava ir para a casa de Lux, era um lugar que lhe deixava desconfortável por muitos motivos, mas se sua amiga estava precisando dela, iria sem hesitar. Logo de manhã, ligou para o serviço no centro robótico, avisando sobre o chamado que recebeu de manhã e que não poderia ignorar. Se arrumava com suas roupas casuais formais, sua blusa de botões, saia até abaixo do joelho e uma sapatilha, deixando o cabelo solto, pois sabia que Lux não se incomodaria com sua aparência. Não se esquecia de arrumar também sua maleta de trabalho manual, colocava todas as coisas que achava necessária, não sabia ao certo qual era o problema dela, portanto decidia levar o máximo que conseguia e pegava sua bolsa comum, com seus documentos. Quando ficava pronta, descia de seu apartamento e logo na saída, havia um veículo preto a sua espera, ele era tão limpo que brilhava com a luz do dia, se sentia cega ao encara-lo, com certeza era algo de luxo só pela aparência. Entrava rapidamente no veículo, ajeitando sua mala no banco e ajeitando sua saia, ficava quieta no banco de trás, mesmo o motorista falando com ela para avisar de seu destino e Avita só escolhia ignora-lo até o seu destino. Em seu caminho ela pode ver a diferença da cidade até a parte da classe alta, isso era uma das coisas que lhe incomodava, a outra era a maneira como eles agiam, por sorte a Lux não parecia ser como os outros aos seus olhos, ela era carinhosa e divertida, Avita era muito feliz em conhecer a Lux, ela lhe dava esperança que o mundo não era preto e branco. Chegando ao seu destino, saia do veículo e o motorista lhe entregava a permissão que deveria ser mostrada também quando fosse entrar na mansão. Pegava sua mala e logo na entrada haviam muitos seguranças, onde ela era revistada da cabeça aos pés e sua mala também. Depois respondia um questionário simples sobre a visita e era liberada para entrar na mansão. Um guarda iria acompanha-la até a sala que avisaram para Avita esperar e assim o seguia, sem abrir a boca. Uma coisa que nunca iria mudar era a sensação que Avita sentia ao entrar na mansão. O lugar era majestoso com seu tamanho, quadros, moveis de luxo e seu chão impecável, nunca iria se cansar de andar por seus corredores admirando tudo em seus mínimos detalhes impecáveis. Sempre se sentia minúscula naquele local, sempre diminuída, aquele local transbordava poder e riqueza, tanto que pareciam que estavam a pressionando no chão. Finalmente chegando na sala, a avisavam para esperar até que a Lux chegasse, em seguida a deixando sozinha naquela sala enorme. Avita se sentava no sofá, colocando sua maleta ao seu lado e apoiando suas mãos sobre os joelhos. Mexia os pés, apertavas suas mãos umas nas outras, nervosa e ansiosa para ver sua querida amiga, imaginando como ela poderia estar. A única coisa que poderia acalmar seu coração naquele momento, era ver o rosto de Lux sorrindo para ela como ela sempre fez
Um sufocamento tranca-lhe a garganta, a faz sentir como se estivesse encarcerada nas paredes da própria residência, porém não há sentido sair quando seu corpo fora tão corrompido como sua mãe havia permitido que o fizessem. Sua mente estava conturbada, nublada. Memórias esquecidas pareciam deslocadas da linha temporal, ainda levando tempo para se adaptar a nova realidade da suposta imortalidade. A Vega engoliu em seco, olhos pairando sobre a pele íntegra de suas costelas no lado direito de seu corpo, a ausência de cicatriz sendo extremamente dolorosa. Lux costumava manter as marcas em sua pele para carregá-las como memória, mas essa Eva fizera questão de apagar, tomando o corpo de Lux como se fosse seu para tomar alguma decisão. Longe da matriarca, em pífios segundos redigia uma carta de urgência para uma pessoa especial, uma pessoa que devido a vidas corridas e difusas se viam de tempos em tempos e que ansiava por tê-la perto de si, pelos braços acolhedores e pelo cheiro de frutas que exalava de Dr. G’kar, talvez a única pessoa que fosse de fato, humana com a atriz. A carta era um convite permitindo sua passagem para o interior da Classe Alta, para que pudesse adentrar os portões da fortaleza onde morava, se escondia das câmeras inoportunas e dos drones com seus sistema, prezando por privacidade. A mensagem mandada para Avita era curta, mas problemática, um pedido de socorro, algo que não era tido como natural de Lux, mas o era. Poucas pessoas reconheciam e conheciam sua outra face, pois sempre era vista como o modelo a ser seguido, ou a vadia extravagante que não se importa com ninguém além de si mesma. Nem nem outro eram mentiras, mas não eram a verdade em sua totalidade.
Sentada em sua cama com Chanel, seu gato, em seu colo ronronando, o local parecia digno de um filme de terror, não fossem as luzes e os vidros que permitiam a entrada de luz. Mas a solidão perpetuava fantasmas que ela não conseguia lidar sozinha. Perpetuava seu próprio desespero diante de uma vida vazia e destituída de sentimentos verdadeiros, não fossem por Avita e alguns poucos, mal podia nomeá-los no momento. Talvez, era quase certo que na verdade, G’kar fosse a única em sua vida de fato que possuísse algum afeto genuíno pela atriz. Após mandar a mensagem, Lux acendera um cigarro, não se importando em utilizar-se do eletrônico: não supria suas necessidades pela nicotina, pelos venenos, precisava do usual e velho tabaco, cujo cheiro impregnava e misturava-se as ondas de perfume que envolvia seu quarto e a si mesma. A garrafa de whiskey pela metade, indicando que ela já não estava mais cem por cento em sua sobriedade, quando avisaram-lhe da chegada de Avita. Chanel pulou de seu colo com a presença do empregado e Lux apagou o cigarro antes de sair de seu quarto e descer pelo elevador até o térreo. Sabia como a melhor amiga não apreciava seus vícios torpes e nada sadios. O gato acompanhava a atriz, porém caminhava mais rápido e maior destreza em direção à sala, reconhecendo a figura familiar da doutora G’kar e como um verdadeiro felino, ansioso por receber a visita antes mesmo de Lux, possivelmente interessado em saber se Avita trouxera-lhe algum mimo. O gato pulou no sofá, na direção de Avita enquanto Lux aproximava-se, a aparência um tanto débil para quem sempre aparecia com cabelos sem fio algum fora do lugar, roupas impecáveis e pele em uma tonalidade invejável. Estava quase pálida nesse momento, os cabelos emaranhados e haviam algumas olheiras em seus olhos, indicando o descuido de Lux para com si mesma.
O sorriso em sua face era um que facilmente seria destruído, quase forçado. Apressou o passo em silêncio, sentindo o sufoco na garganta tornar-se mais intenso enquanto praticamente jogava-se no sofá ao lado de Avita, seus braços envolvendo o tronco da loira e colocando sua cabeça na curva do pescoço da G’kar. Lux não queria falar, queria apenas sentir a presença de quem sempre estivera ao seu lado e mais uma vez, estava ali para abraçar-lhe e permitir-lhe sentir-se em casa, finalmente. * ˙ ・★ — Você não faz ideia do quanto eu esperei para te ver e para poder ficar perto de você. * ˙ ・★ Ela suspirou, finalmente deixando algumas palavras deixarem seus lábios. Os empregados deixavam o local em pressa, sabendo o quanto Lux prezava sua privacidade e deixando a ambas e Chanel sozinhos no recinto. * ˙ ・★ — Tudo é tão surreal que eu precisava de alguém real perto de mim, pra variar. Alguém que não queira tirar algo de mim. * ˙ ・★ A dor é quase palpável nas palavras da Vega, não é apenas o drama adolescente, nunca fora apenas um drama adolescente em sua vida. Por mais que amasse tudo que tinha, trocaria tudo por um pouco de autonomia, tanto por sua vida, como pelo seu próprio corpo e nisso, invejava a loira, cuja qual buscava, sedenta pelo toque e pelo calor, pelo apoio.
A adaptação havia sido a pior parte, ainda assim, andar com pés que não lhe pertenciam parecia uma situação particular, muito mais do que estranha, mais superficial do que suas próprias atuaçãos diante das câmeras. A Vega... Não. A Ostara, esse era seu sobrenome agora, adentrava ao conhecido estabelecimento de Rose Club com botas de cano alto encontrando com o chão. Era completamente estranho entrar em um local e não ser confundida consigo mesma, quando utilizava o disfarce de Lucille. Olhares ainda se voltavam, claro, não era um corpo desfigurado e em um local como o Rose Club, tinha certeza que poderiam pensar que era uma das novas dançarinas. Ledo engano, estava ali justamente procurando por uma das mais requisitadas do estabelecimentos Haumea. Um copo de uísque em mãos e Eris aproximava-se do local onde sabia que Vênus estaria, no entanto sem encontrá-la. Frustrada, a morena virou-se caminhando entre homens e mulheres ludibriados de desejos, até sentar-se em um local afastado para que pudesse analisar todo o local, afinal de contas era para isso que esse corpo servia em prol dos Chancelers: inspecionar, investigar e adquirir provas concretas de algo que ela nem ao menos se opunha, como também não aderia, mas sentia-se extremamente impelida a conhecer, após o atentado à sua vida ao qual tinha estranhas ondas instintivas que havia sido orquestrada pelos mesmos que obrigavam-lhe a servir de símbolo. Ao longe, as íris castanhas notaram a movimentação dos cabelos dourados de Vênus, os movimentos conhecidos, mas que esse corpo jamais conhecera e desfrutara. Seus olhos permaneceram fixos, como tantas vezes o fizeram, a diferença é que esses olhos, não eram os seus.
@mayaeuterpe ♥ for a starter
Unhas pintadas de vermelho SANGUE batiam freneticamente na mesa de maquiagem disposta no interior de seu quarto. Fazia algum tempo que a estrela de Gallica I retornara ao seu país de origem, mas fazia tempo significativo também que se recusava a dar entrevistas e alimentar os holofotes que teorizavam sobre algum possível dano cerebral em Lux Vega. Os tablóides manifestavam sua enorme preocupação com o fato de que talvez a falta de oxigenação pudesse tê-la deixado retardada e por essa razão Eva não permitia as gravações, no entanto, era a pedido da própria atriz para evitar sair de sua casa. Naquele dia, porém, decididamente escolheu seu melhor vestido para atender a uma jornalista específica, cujo nome continha um sobrenome de peso tão grande quanto o seu, Enid Wyatt. Lux recusou-se, claro, de sair de sua casa, mas não era problema para a carruagem da mídia, que trazia todos seus apetrechos para a mansão da Vega, sedentos por palavras e pela aparição da atriz aos holofotes. Ele bebiam e comiam em sua imagem. Ela jazia sentada na sala, as pernas torneadas cruzadas, os pés envoltos por um salto magnífico e os cabelos negros adornavam sua face de maneira impecável, como se Lux jamais houvesse passado por uma situação de quase morte, nem ao menos possuía a cicatriz que desejava ter mantido: Eva fizera questão que ela fosse apagada de seu corpo, assim como fizera questão me mexer com coisas que deviam permanecer como estavam. Um de seus empregados avisou-lhe da chegada da imprensa em alto em bom som, enquanto ela olhava fixamente para as chamas na lareira acesa. * ˙ ・★ — Certo, hora de deixar a cavalaria entrar. Pode dar o meu aval para que adentrem e arrumem as parafernalhas, antes que eu desista. * ˙ ・★ E sem se importar com regras, havia um belo cigarro entre seus dedos, a fumaça rodeando sua cabeça, como se Lux deixasse por um momento seu eu verdadeiro transbordar.
@enidw ♥ for a starter
STARTER CALL! De um ♥ e ganhe um starter. (up to 4)
vendetta-hq:
C.2005169-33.2175.0. Lux Vega Argosia. White Siren. Humana. 26. Solteira. Filha de Evanline Vega Veillon e de Azai Smauel Argosia. Filha adotiva do Chanceler Magnus Veillon I. Classe Alta. Atriz. Diplomata não-oficial. Espiã do Governo. Posicionamento neutro quanto ao Governo. Bissexual. Sem passagem pela polícia ou manicômio. Transferência mental: consciência instalada em cartucho na base da coluna cervical. (Emeraude Toubia/Eiza Gonzalez)
Atriz no auge de sua carreira, Eva Vega sempre foi muito mais ambiciosa do que cuidadosa com a sua imagem nas câmeras de Gallica I. Apesar de toda a política retrógrada e da censura extremamente forte no país, a mulher conseguiu de todas as formas deixar claro as suas intenções em seus filmes, entrevistas e escândalos. As curvas voluptuosas e o jeito sedutor de Eva lhe renderam milhares de papparazzi e também gordos cachês que eram gastos em um ou dois meses devido a sua mania de luxúria. Contudo, tudo ia por água a baixo devido a um ou dois rumores de seu envolvimento com drogas, com homens casados que por mais que ela tentasse jogar debaixo do tapete, algo sempre surgia à tona para manchar seu estrelato e nenhum diretor mais lhe chamava para participar de filmes e nem ao menos, comerciais. Foi então que Eva decidiu usar a maior arma que possuía, como uma pessoa do gênero feminino. Foi através da manipulação e da sedução que ela envolveu Azai Argosia em seu abraço da viúva, não lhe deixando nenhuma escapatória. E assim, concebendo a sua primeira e única criança, que seria a chave para o seu sucesso e vitória. Assim, casou-se com Azai Argosia, membro do governo, responsável pelas finanças e dono de uma empresa de contabilidade em Gallica I. Braço direito do Chanceler Magnus Veillon I, ela agora possuía influência suficiente para ganhar poder, subindo de degrau em degrau, ainda que sua carreira como atriz estivesse destruída.
Nascida em berço de ouro e nomeada de Lux, a menina era tão logo vista como objeto de poder para Eva. Seu pai mal possuía tempo para gastar com a filha, sempre enfurnado com problemas do trabalho e com os esquemas do Chanceler, tanto que Lux passava muitos e muitos finais de semana na casa de Magnus, junto com a filha do mesmo, que possuía idade parecida com a sua. Porém, sua vida não era perfeita. Antes mesmo que ela pudesse pisar os pés em uma escola normal, sua mãe já a inscrevia em comerciais de televisão e concursos de beleza. Desde cedo, Eva construía para Lux o futuro que desejava ter tido para si mesma e assim, vivia através da vida da sua própria filha, controlando cada ação da pequena de beleza excepcional e carisma invejável. É claro que era Eva que sempre colocava na cabeça de Lux que ela deveria ser a melhor, se não a melhor, a excepcional. Qualquer falha era punida por dias de isolamento, sendo trancada em casa e afastada até mesmo dos próprios empregados. Se Lux quisesse ter algo, ela precisava da perfeição e com esse olhar, a garota cresceu sob os holofotes da mídia, tendo aulas de ensino básico e médio dentro de sua própria casa, pois sua fama a impedia de ter uma vida essencialmente normal. Sua únia amiga de verdade era a filha do Chanceler Magnus, Millicent. As duas eram inserapáveis e consequentemente, Lux confiava e possuía enorme vínculo com a garota. Contudo, não estava nos planos de Eva resguardar a saúde mental de sua filha. Ser mulher do braço direito do Chanceler não era suficiente. Ela invejava a mãe de Millicent e sonhava em ser a Primeira Dama de Gallica I. E foi então que Eva começou a planejar a sua vida, seduzindo Magnus aos poucos até fazê-lo trair a sua própria mulher.
Enquanto isso, Lux crescia sem nenhum guia de verdade. Seu pai, ocupado demais para lhe atender. A sua mãe sempre lhe manipulandoe a fazendo ser alguém que Lux nem ao menos sabia quem era. Sua personalidade era vazia e ela se tornou alguém amargo e ácido. Por trás das câmeras, nenhum colega de trabalho gostava de sua companhia, pois ela vivia de provocações, exigências completamente excêntricas e seus vícios eram muito bem escondidos e jogados pra debaixo do tapete por Eva, para que ela pudesse continuar sendo a “Luz de Gallica I”. Com tenra idade, Lux foi cotada para um papel de extrema importância, onde interpretaria uma espiã de Gallica I, infriltada em grupos rebeldes, chamada de “Sereia Branca”, após ter tido sua família massacrada por um grupo de Rebeldes e ter sido feita de cobaia para experimentos desse grupo, com ajuda de países inimigos da nação. Contudo, ao invés de ser manipulada, a personagem teria passado a trabalhar para o governo, tornando-se uma heroína para o país. Sem dúvida, não foi o trabalho mais complexo de Lux, contudo, foi o seu trabalho mais bem aclamado por seus fãs, pelo mundo e especialmente pelo governo de Gallica I, sendo que aos olhos de Magnus, ela poderia ser uma importante maneira de ganhar a aprovação do povo e de países vizinhos. Assim, trabalhando duplamente para o governo sob tutela de Magnus, ela passou a fazer propaganda de Gallica I durante entrevistas, durante eventos e reuniões nacionais. Sua imagem crescia e se difundia por Gallica, sendo Lux o rosto da mentira que era pregada pelos Chanceler. Após seu trabalho como a “Sereia Branca”, muitos outros diretores lhe chamaram para produções de enorme estima e crítica, chegando a ganhar um dos prêmios mais importantes de Gallica I de melhor atriz. Mal sabiam, porém, o quão intragável a jovem era quando não estava sendo gravada pela mídia ou observada por outras pessoas, capaz de derrubar qualquer um que ficasse entre ela e o seu sucesso.
Nada mais importava para Lux além de sua carreira e sua imagem, porém, um estranho vício crescia em seu interior. Vazia, destituída de emoções, ela buscava por riscos para que pudesse finalmente ter a sua adrenalina elevada. Não eram riscos como escalar montanhas ou pular de aviões, mas seus riscos envolviam drogas, bebidas e é claro, a mais fácil fonte de prazer que uma atriz de sua idade poderia procurar: o sexo. A falta de afeição de sua figura parterna era suprida pelo seu envolvimento com homens (e eventualmente mulheres), especialmente da classe alta, porém estes perdiam a graça e não lhe traziam mais tanta euforia como outrora o faziam, tornou-se ordinário. Porém, nenhuma dessas ações ela levada em público. Magnus vez ou outra passava o pano em algum escândalo que era deixado passar, justamente porque Lux estampava os outdoors do governo e eles não poderiam deixar tal mancha se espalhar, ou Gallica I seria considerada tão preta quanto qualquer outra nação inimiga e especialmente, isso seria um gatilho para os grupos rebeldes, já que ela representava tudo aquilo que eles se opunham.
Porém, a maior reviravolta em sua vida aconteceu quando seu pai levou um tiro na coluna vertebral. A perícia culpava os rebeldes, mas algo ali não lhe cheirava bem. Lux conhecia sua mãe, sentia que o dedo de Eva estava naquelas entrelinhas. Seu pai não morreu, contudo, ficou em estado vegetativo sem poder falar, comer ou ao menos respirar sem ajuda de aparelhos e nem a mais fina medicina podia reparar o estrago feito em seus nervos espinais. Dessa maneira, o desligamento dos aparelhos foi a melhor saída, levando à morte do homem. Posando como um mártir, seu pai saiu na mídia como mais uma vítima do grupo dos rebeldes, terroristas e Lux, como a atriz cuja qual teve o mesmo destino que a sua personagem mais famosa. Uma persona ativa contra o grupo que causava terror, sua imagem como heroína ficava cada vez mais forte no país e internacionalmente. Contudo, enquanto ela era tida como heroína, a verdadeira heroína era injetada em suas veias nas noites mais escuras.
Não demorou muito para que o caso entre Magnus e Eva ficasse às claras para a família, desestabilizando a única coisa boa que Lux possuía na vida: Millicent. As duas passaram a se afastar e o que era amargo, tornava-se corrosivo. Com a mãe enchendo sua cabeça com verdades distorcidas, ódio crescia no coração de Lux pela mulher que crescera ao seu lado durante muito tempo. Porém, não foi a gota d’água. Essa foi a morte da mãe de Millicent , apenas alguns meses depois do assassinato do pai de Lux. Porém, apesar de completamente desgostosa com sua mãe, era tarde demais para reaver seu vínculo com Millicent , pois não mais do que três semanas um casamento entre Eva e Magnus fora marcado, concretizando o plano da ex-atriz desde o seu início. Lux continuava sob a manipulação da mãe, conquistando ainda mais o seu ‘pai adotivo’, seduzindo-o para que a favorecesse e deixasse Millicent de lado. Uma vez que a Veillon a abandonara no momento em que ela mais precisava, nada mais justo do que a vingança ter o mesmo sabor. Lux afastou todas as pessoas que importavam para sua irmã adotiva, roubando a atenção de Magnus para si, mostrando-se a filha perfeita que Millicent não conseguia mais fingir após a morte de sua mãe. Induzindo a sua rival a tomar as mais obscuras decisões, Lux possuía um plano para tirá-la de seu caminho, dessa vez sem ajuda de Eva. O ódio construído pela matriarca fê-la tornar-se uma pessoa completamente inescrucupolosa e foi assim, deixando um pacotinho de drogas à espera de Millicent, com uma câmera escondida que Lux foi capaz de incentivar Magnus a colocar a própria filha em um manicômio, para o seu próprio bem, segundo as palavras da Vega. E durante um bom tempo, ela conquistou a afeição do pai adotivo, alçando asas dentro do departamento da mídia do governo e conquistando cada vez mais seu espaço como a musa, a heroína de Gallica I. Um lugar onde sua mãe jamais conseguiu chegar.
NOVIDADES!
E contudo, um lugar que foi também um precipício derradeiro para questões psicológicas e físicas. A pressão em Vega era tão absurda que o abuso de substâncias ilegais tornou-se diário na vida da jovem, assim como a dupla identidade para fugir dos holofotes por um tempo preciso, criando uma identidade secundária à que exibia às câmeras. Isso tudo, contudo, gerou grandes contas com quantias inenarráveis de dinheiro, fora de Gallica e foi o que lhe propiciou uma saída às pressas do país após ter sido fatalmente baleada enquanto realizava um discurso em prol dos Chancelers, causado por algum terrorista ou rebelde, conforme o que foi divulgado pela mídia (contudo, não é certo que foram cidadãos, mas há a possibilidade do próprio governo ter orquestrado o ato) . A mãe de Lux, então, ouvira ouvir falar de um determinado experimento na antiga Ásia, que prometia mudar a vida e dar imortalidade ou ao menos, uma vida mais longa aos seres humanos. A Vega saiu do país às pressas, sobrevivendo devido à rápida ação de médicos e enfermeiros do local e à tecnologia que manteve suas funções vitais funcionantes durante a viagem extremamente rápida a um país de milhas e milhas de distância.
O processo a ser realizado, além da recuperação de seu corpo físico, consistia em uma programação para coletar todos os dados e circuitos elétricos e sinápticos de seu cérebro, passando-os para um cartucho de memória infinita, o que muitos chamavam de alma. Os dados de sua mente foram armazenados como arquivos tanto no cartucho que seria instalada no base de sua cervical como em um satélite que orbitava o planeta terra, mantendo um backup de todas memórias novas que Lux viesse a adquirir com o tempo. O satélite para permanecer em funcionamento é mantido por altas mensalidades, as quais à Vega tem mais do que condições de manter. O procedimento, sendo experimental e com chances elevadíssimas de morte. Contudo, Lux não possuiu decisão alguma sobre o que foi realizado com sua mente e seu corpo, pois tudo fora decidido por Argosia, sua mãe, que viu ali a oportunidade de não apenas de salvar sua filha, mas de prevenir que situações como aquela, caso ocorressem novamente, retirassem-lhe a vida definitivamente e por consequeência, manter a jovialidade eterna da Vega. Jovem, sim, pois seu corpo ao envelhecer poderia ser substituído por um novo, porque enquanto ela viveria sua vida, novas tecnologias para clonagem estavam sendo desenvolvidas e combinada com o procedimento de armazenamento e backup de memórias, tornava-se uma forma de tornar seres humanos imortais, sendo a atriz a cobaia pioneira do experimento.
Ainda assim, a imortalidade não fora suficiente. Um banco de corpos ofereceu uma nova capa à Vega além de sua original, um rosto desconhecido, de origens parecidas com o seu rosto original e que continha feições parecidas, no entanto, capaz de passar-se por uma nova identidade. Isso tudo porque os chancelers decidiram que Lux poderia servir-lhes como algo além do símbolo heróico e puro que ela já servia, como forma de se redimir por suas infindáveis falhas em manter sua imagem pública. Como em momentos anteriores Lux já trabalhara como diplomata, sua segunda capa tomou o serviço de espionagem. Sendo o corpo possuidor de memória muscular e de treinamentos físicos, bastava que Lux obtivesse conhecimentos a mais e mantivesse treinamentos para manter a segunda capa intacta. Assim, a atriz poderia continuar com sua vida dupla com ínfimos riscos de descoberta e vivendo com o conhecimento de que é praticamente, imortal. A nova identidade, diferentemente da que Lux costumava usar antes de sua quase morte, fora chamada de Nerissa ‘Eris’ Ostara, uma mulher de classe média, cuja história foi detalhadamente criada pelo governo e passada à Lux, que deveria interpretá-la como se fosse uma personagem de seus filmes. Entretanto, manter duas história e dois corpos distintos sendo que ela nem ao menos fora capaz de decidir sobre o que fora realizado em si mesma é praticamente um contrato para o desastre e se tem algo que Lux conhece muito bem é como gerar o caos diante das frustrações e instabilidades de sua realidade.
Ainda assim, seu corpo pode ser ferido, mas sua mente sobreviveria (ainda que instável) e tudo que ela precisaria seria de um novo corpo para retornar à existência. Afinal de contas, essa gata possui muito mais do que sete vidas.
Encontra-se indisponível (OC).
* ˙ ・★ Jingle the fucking bells! You’ve got an enemy under your spell! * ˙ ・★ POV
As luzes das lâmpadas embutidas em sua mesa deixavam em evidência a face da atriz, coberta pela sua maquiagem impecável, exaltando ainda mais cada contorno afiada de sua face simétrica. Um cigarro entre os dedos e a fumaça envolvia-a como um véu acinzentado, formando sinuosas voltas ao redor de seu corpo, seu pescoço e sua cabeça. A coroa pesava nesse momento, após a festa. Algumas vezes pensava em sua própria beleza como uma espécie de maldição e não como uma benção. Lux sabia que todos a veneravam por seu corpo esbelto e por seu rosto que causava inveja nas jovens de Gallica I. Mas poucos viam o que havia por baixo daquela máscara de beleza e sensualidade, por baixo da simpatia e das palavras que proferia em prol do governo.
Ali, havia uma mulher que sabia muito bem esconder os próprios passos e desejos, que sabia como manipular, envolver homens e mulheres em seu dedo mínimo para alcançar seus objetivos vazios. A inteligência, a finalidade de cada ação sua não era vista por mais ninguém além de si mesma, nem mesmo por sua mãe, que era a mais cega de todas em relação à mulher que era obra de sua criação. Era subestimada, tomada como estúpida, volátil, fútil. Era, sim, todos esses adjetivos, mas todos eles eram usados exatamente para que ninguém se desse conta que a atriz não era um mero símbolo, nada mais além de alguém que fazia o que outros mandavam-na fazer. Lux andava na linha porque aquilo era o melhor para sua situação, para si mesma. Não apenas por sobrevivência, mas por poder. No fundo, a mulher também ansiava por ele, como todos que conhecia, apesar de sua impetuosidade, de sua ânsia por liberdade.
Um trago, mais fumaça envolvendo-a como a nuvem cinzenta que existia em sua cabeça. A mansão era silenciosa, não fosse por seu gato, Chanel. O felino caminhava por entre suas pernas, escalando o vestido vermelho da morena para chegar até seu colo e ganhar um afago. As mãos esguias de Lux percorriam o pelo do animal, talvez a única criatura que de fato ela se importasse e que lhe devolvesse o sentimento. Era quase cômico o fato de que Chanel era tão ou igual Lux, já que todos os outros visitantes da atriz eram assustados pelo gato persa de pelagem negra. Chanel, porém, era muito mais livre do que ela jamais podia e também muito mais destituído de princípios, já que ele não media esforços para machucar pessoas que considerava uma ameaça. Um copo de uísque sobre a mesa era finalizado pela morena, que era acostumada ao forte gosto do destilado.
Álcool já não lhe fazia tanto o efeito desejado, precisava de muito mais do que três doses para começar a sentir-se relaxada. E era sempre um fardo participar dos eventos da Classe Alta, não que desprezasse a atenção que recebia, era até mesmo divertido quando haviam pessoas que não economizavam nos elogios a enfatizar seu talento e sua beleza, os flertes infindáveis, mas afinal, era tudo sempre igual, a bajulação era rotina, já não era mais algo que inflava seu ego, porque ela sabia exatamente o quão boa era naquilo que fazia publicamente. O que nunca soube era se seus jogos, de fato, são tão magnânimos como sua presença, se aquilo que se passa em sua cabeça deveria ser tão elogiado quanto seu corpo. Porque ela, na maioria das vezes, não sentia como se o fosse.
A campainha toca, quase quatro e meia da manhã. Chanel parece incomodado, ele mia, se agita no colo da morena e seus pelos se eriçam enquanto ele pula no chão, caminhando em direção aos andares abaixo de seu quarto, alertado de uma presença estranha. Lux, ainda vestida com os trajes da festa natalia exibe expressão surpresa. Dentro de uma das gavetas da mesa com suas maquiagens existe uma arma, carregada. Ela a abre e encara a arma por alguns segundos, mas não se move. Ela deixa que seus empregados atendam a porta enquanto encosta-se na cadeira novamente, sentindo o peso em seus ombros. Não havia motivos para a insegurança, mas então porque a morena parecia tão pronta para atirar em alguém? Ela respirou fundo, tentando retirar de sua cabeça a ideia de que um ladrão ou um assassino à sua porta seria muito mais interessante do que ficar sentada em uma cadeira, olhando para o próprio reflexo, fumando e escutando músicas ultrapassadas.
A adrenalina não é o suficiente para a morena, mas era uma fagulha do que poderia ter sido enquanto escuta os passos da empregada subindo as escadas.
— Senhorita Vega? — A voz da mulher ecoa dentro do enorme quarto da atriz. * ˙ ・★ — A porta está aberta, entre. * ˙ ・★ A morena exibe uma voz rouca, devido ao cigarro e ao uísque, um pouco afetada pelo álcool, mas não deixa transparecer em demasia. — Alguém lhe deixou uma encomenda. — A empregada replica. * ˙ ・★ — Eu não pedi nada, o entregador deve ter errado a casa. * ˙ ・★ Lux movimenta sua mão, a fumaça do cigarro entre seus dedos criando redemoinhos dentro do quarto. — … Aqui diz no bilhete que a encomenda é para a senhorita. — A mulher parece um tanto acuada ao falar com Lux, que respira. * ˙ ・★ — Certo, certo... deixe em cima da mesa e se retire, por favor. * ˙ ・★ Lux proferiu, encarando o presente sobre sua mesa.
O embrulho era simples, simples demais para ter sido obra de algum de seus conhecidos da Classe Alta. Ela tomou o bilhete entre seus dedos, antes de abrir a embalagem. Era melhor não colocar a carroça em frente aos bois, afinal, dada a sua posição em relação ao governo aquilo muito bem poderia ser alguma arma na intenção de ferir a Sereia de Gallica I. Seus olhos, então, começaram a ler a carta vagarosamente. “Olá. E não, esse daqui não é do papai noel [...] Passou mesmo pela sua cabeça que eu seria capaz de esquecer de te presentear numa noite tão mágica como essa? Por favor, meu maior desejo era que o natal chegasse logo e eu pudesse bancar o Papai Noel. [...] V.”
* ˙ ・★ — Certamente, não é dos mais inteligentes… * ˙ ・★ A risada feminina ecoa de maneira sarcástica pelo quarto.
Argosia usava luvas vermelhas enquanto manuseava o presente. Apesar da frase proferida, por justamente ser V, ela duvidava que houvesse a mínima prova que pudesse ligar o presente ao referido autor e acabar com aquela situação cansativa. A figura do Rebelde, mesmo sendo o assassino do próprio padrasto não era a coisa que mais lhe aterrorizava, mas sim o que a ideia que ele trazia podia causar entre os habitantes de Gallica I. Lux, diferente do que imaginavam, não era burra ou iludida pelas premissas do governo, ela sabia que se a população aceitasse a ideia de V, ao invés daquela que ela passava à população, seria o fim dos Chancelers. Era por essas e outras que longe dos olhos da mãe e dos governantes ela mantinha contas em diferentes países. Seus cachês, gordos e remunerações por missões extraoficiais, parte sempre iam para essas contas e não para o banco de Gallica I. Um seguro de vida, caso tudo desse errado, Lux ainda possuía outros caminhos. Assim como Chanel que retornava ao seu colo, após recepcionar com amargor V, ainda que não pudesse ter arranhado a figura (isso seria genuinamente delicioso!), Lux era sinuosa, uma dama da sobrevivência. É claro, se não morresse ao abrir o pacote.
Ponderou duas vezes se deveria abrí-lo, mas se realmente houvesse algo que a destruísse agora, era melhor que fossem seus olhos a observar o presente e não os de algum técnico de perícia criminal. E sinceramente, sabia que dificilmente encontraria traço de DNA nos embrulhos ou no que estaria dentro da caixa. Apesar de prezar a própria integridade, ela abriu o embrulho, retirando de dentro do mesmo uma tela de uma foto digital. Em dois clicks, como um GIF, a imagem mostrava-a retirando o disfarce de Lucille, mostrando a verdadeira Vega. Os dedos cobertos pela luva vermelha apertaram o metal com força, enquanto a imagem sumia com uma mensagem. “Mais cuidado ou sua estrela poderá ser apagada. Dessa vez está salva.” E então, simplesmente sumira, como se houvesse sido deletada.
Em um ato de impetuosidade, tomada por uma calma raiva, ela jogou o objeto dentro da lareira que estava acesa, as chamas engolindo o metal e queimando os mecanismos eletrônicos da foto digital. Ela respirou fundo, amassando o cigarro em seu cinzeiro enquanto apoiava o queixo entre as duas mãos, observando novamente o próprio reflexo no espelho. Isso mudava a situação anterior. Seus pensamentos estavam conturbados. Se V conseguiu invadir sua privacidade, se alguém sabia de seus disfarces, isso significava problema. Não exatamente apenas para ela, mas para o próprio símbolo que matou seu padrasto. Símbolo contra símbolo. Lux talvez tivesse uma ideia do que fazer, combater uma imagem com a sua própria, uma batalha ideológica. Não que ela acreditasse no que V quisesse passar ou naquilo que representava, naturalmente, mas se sentia-se pessoalmente atacada e se ela não sabia quem era seu inimigo, talvez pudesse contra atacá-lo da melhor maneira que podia.
A melhor defesa é o ataque. Ironicamente, ela não tinha tanta certeza se causaria algum efeito na situação, afinal ela mesma ansiava por uma liberdade fictícia, imaginava aqueles que não possuíam nem um terço de seu império de luxo. Mas deixar aquilo sem resposta? Não era um feito de Vega, ainda que jamais soubessem que a situação era um feito seu, ainda que continuassem a julgá-la apenas a face do governo e não alguém capaz de maquinar ações em seu próprio favor. Lux era a personificação da paixão, muito mais do que uma fagulha de fogo, contudo, ela apenas usava esse calor em benefício próprio. E era isso que faria a partir daquele presente de V, afinal, quais seriam as provas dele além de uma foto que poderia ser falsa? Mais uma vez, seria símbolo contra símbolo. E ela sentia-se um pouco mais viva após o presente, contraditoriamente. Finalmente, algo que a tomava da conhecida realidade, um jogo que adoraria ter o prazer de jogar.
* ˙ ・★ SECRET SANTA: HECTO LASCIUS * ˙ ・★
A letra cursiva e sinuosa denunciava instantaneamente a pessoa que escrevera o bilhete. Ao decidir pelo presente do rapaz que havia sido sorteado em suas mãos, a ideia da atriz fora imeadiata e extremamente bem feita. Ao pedir para que seus empregados cuidassem das compras de uma pequena lista com os presentes, Lux escrevia a nota do presente que seria colocada entre as fitas e a caixa de mogno negro brilhante. Haviam dois compartimentos no interior da caixa de dobraduras douradas e insígnias com as letras do primeiro e último nome do rapaz, HL, o que denunciava o fato de que todo o trabalho ali era artesanalmente único. No compartimento que ficaria escondido, havia a grande graça do presente escolhido à dedo pela Vega. Uma caixa carmesim, dentro da caixa preta.
Essa, porém, na tonalidade vermelho carmim, contemplando por sua vez as iniciais de Lux em sua tampa, em dourado. Ao abrir a caixa vermelha, Hecto se depararia com uma quantidade de produtos... afrodisíacos. Eram importados de várias outros países, encomendados logo após o sorteio, dando tempo suficiente para que Lux organizasse o presente. Em seu interior, haviam os mais variados tipos de óleos, com sabores doces, principalmente apimentados. Haviam cremes com propriedades peculiares para serem usados durante o sexo, além disso, continha também em seu interior uma curiosa boxer na cor preta, com um controle capaz de induzir o prazer em indivíduos do sexo masculino, com intensidade do mínimo ao máximo. E por último, na caixa, continha um livro, um guia sobre sexo tântrico, uma ciência que era praticamente proibida no index, mas que, na concepção de Lux, era extremamente válido e útil.
Acima da caixa vermelha, havia uma divisória de madeira, criando um fundo falso na cavidade de mogno, escondendo assim o presente que marcaria de fato a personalidade da Vega. Acima da divisória, entremeado a tecidos de seda pretos e dourados, encontrava-se um perfume de preço exorbitante, com sua caixa ao lado. Era uma das essências mais cobiçadas pelos homens de Gallica I, não usadas nem ao menos pelos próprios Chancelers, porque Lux havia feito questão de pedir que ela fosse também, única, para a pessoa que iria receber seu presente. Dinheiro não lhe era um problema, as contas de Lux pareciam mais recheadas do que o peru de natal, portanto, aquela pequena caixa de presentes lhe custara menos do que toda a produção que usava na noite de natal.
Fechada a caixa de mogno preta, era envolvida com um simples laço na cor dourada e colocado dentro de uma sacola de papel da cor de ébano, discreta, deixada ao pé da árvore de natal até o momento da entrega dos presentes, com o pequeno bilhete da morena concluindo o presente.
Merry Christmas, my delightful Hecto...
Siga as minhas instruções se quiser terminar a sua noite de natal de uma maneira extremamente entusiástica. Primeiramente, Hecto, abra a caixa contendo seu presente e aprecie a fragância designada especialmente para você. A partir de hoje, nenhum outro homem possuirá um cheiro como o seu, aproveite a sua exclusividade enquanto ela durar, meu caro Doutor...
Segundo passo, afaste-se de todos ao seu redor, você não vai querer olhos curiosos observando a segunda parte do seu presente, ah não... É privativo, então creio que será mais interessante se você descobrir a segunda parte sozinho. Melhor ainda se o fizer apenas em sua casa, mas caso não aguente de curiosidade... existe um local afastado de todas as pessoas do restaurante, no backstage dos músicos, vá até lá quando a orquestra começar.
Sobre a segunda parte do presente, bem... Um médico como você, uma pessoa extremamente metódica, talvez mereça alguns momentos para poder relaxar. Foi pensando nesse tipo de situação que eu encomendei alguns produtos que podem aliviar a tensão de seus ombros... e de todas as outras partes de seu corpo. Ademais, não pense que retirei a parte científica disso tudo. Tenho certeza que isso combinará com você, já que sexo, faz parte da ciência da vida e como tal, o prazer deve ser estudado. É por isso que lhe trouxe esse livro, que contém técnicas e saberes antigos sobre essa arte tão proibida e tratada como um tabu por muitos de nós. Acredito que você não faça parte desse grupo de pessoas que classifica o sexo como algo que não deva ser mencionado, então talvez você poderá aproveitar muito mais essa pequena caixa, sozinho ou com a companhia de alguma pessoa de seu agrado.
Desejo-lhe um prazeroso natal, Dr. Lascius,
Lux Vega.
( @hectolascius )
* ˙ ・★ CHRISTMAS PARTY: Lux Vega outfit. * ˙ ・★
O que você acha mais atraente no próprio corpo?
* ˙ ・★ — O que eu não acharia atraente em mim mesma? Eu tenho noção do meu próprio corpo, das minhas curvas, da minha pele. Eu aprecio meus seios, minha cintura, minhas coxas, minhas costas… I would definitely fuck myself. * ˙ ・★
Á : Is your muse loud in bed? (eu acho que é)
.... Depende. Mas se ela realmente está curtindo, a Lux realmente não segura as próprias ondas de prazer, ela esternaliza isso em sons. Mas ela também não faria se eles estivessem em um ambiente público, por exemplo, porque o que valeria então seria o mistério, o medo de ser pega. Ela se empolgaria em algum momento e logo em seguida. Mas se a casa dela não tivesse isolamento acústico os vizinhos todos iriam saber o que que tá rolando.
⚔ : Does your muse have any specific kinks?
Indeed!! A Lux, como falei na outra ask, é muito ligada nas sensações que ela está causando no parceiro(a), porque é um certo orgulho pra ela fazer ele ou ela chegar ao ápice de maneira extasiante. Então, ela sente extremo prazer em ver seu parceiro gemer ou chegar ao orgasmo. Ela também adora quando entremeado ao gemido o parceiro deixa escapar o nome dela. Além disso, ela também é chegada à um dirty talking, mas nada de chamar ela de vadia ou coisas do gênero. Dirty talking do tipo, as coisas que o parceiro vai fazer com ela até ela perder a noção do próprio nome, esse tipo de coisa mais sensual, porque ela é toda jogadora de joguinhos de sedução. Outro kink dela é múltiplos orgasmos, até o ponto onde ela não aguenta mais o peso do próprio corpo. Power play é um dos kinks favoritos da Lux também e um dos que ela sinceramente mais possui gosto. E sinceramente? Se você quiser ter uma Lux completamente embriagada de prazer, é preciso de certa selvageria. Ela é simplesmente desmancha em alguém que tem pegada, quando acontece um rough-sex. Nada de BDSM ou coisa e tal, mas algo natural mesmo onde as próprias mãos, unhas e dentes deixam as marcas, sem nenhum brinquedo, ela gosta do contato pele-a-pele.
☂ : How long does it take your muse to hit climax, usually?
Lux é bastante sensitiva, fisicamente falando. Se ela está no mood e o parceiro sabe exatamente como “dirigí-la”, não demora muito. No entanto, se a pessoa é extremamente frígida e sistemática, ela provavelmente não vai nem continuar: Lux não gosta daquilo que é mecânico, ela é uma pessoa movida à paixão e o parceiro tem que ser tão passional quanto ela para fazer ela chegar ao ápice. E a Lux é extremamente decidida: se ela não está curtindo, ela vai simplesmente largar a pessoa. Ela não finge orgasmo, porque ela é muito self-centered: ela precisa sentir prazer. Mas apesar disso, ela também se sente mal se o parceiro não está sentindo prazer, porque outra coisa que a leva ao ápice é ver a pessoa a quem ela está transando em êxtase tanto quanto ela.
“Please let me fuck you, I’ll be good, please.”
A morena teve que praticamente parar de respirar para segurar a gargalhada que desejava dar diante das palavras do rapaz. Era tão óbvio o desespero alheio que ela sentia dó do jovem fã. Ela, porém, sorriu ladinamente, seus dedos aproximando-se do queixo masculino e sentindo a barba por fazer raspar a sua pele. * ˙ ・★ — And where is the fun if I let you? * ˙ ・★ Seu rosto exibia uma expressão de decepção. * ˙ ・★ — Se é o que quer, você vai ter que me pegar. Isso significa, big boy, que eu não faço caridade… Conquer me, o que você seria capaz de fazer por mim para que eu possa conceder-lhe o seu desejo? Seduce-me. * ˙ ・★