one more day || emmeline x oliver
Aquela sexta-feira estava sendo um dia demasiado estressante para Emmeline, que não havia conseguido parar um segundo que fosse. A maçã que havia trazido provavelmente já estaria murcha e enrugada em sua bolsa à essa altura e o estômago da jovem roncava em protesto, mas ela simplesmente não conseguira uma brecha nem para se alimentar. Os dias que se seguiam estavam impossíveis, e ela podia dizer que se o objetivo dos Comensais da Morte eram mata-la de exaustão, eles estavam sendo bem sucedidos. Feitiços errantes, azarações e maldições por toda parte e a maioria das pessoas sequer se lembravam de como haviam ido parar lá. Emmeline sempre amou sua profissão com todo coração, mas naquele dia ela só desejava ter escolhido qualquer outra coisa que fosse, algo menos cansativo, que exigisse um pouquinho menos.
Assim que conseguiu assinar a alta para o último paciente daquele dia, ela pode enfim respirar aliviada, não havia nada que ansiasse mais do que um banho quente e o máximo de comida tailandesa que sua lanchonete trouxa preferida pudesse entregar. Já estava liberando os botões do jaleco branco quando ouviu gritos vindos do térreo, havia lá qualquer confusão da qual ela simplesmente não desejava fazer parte, então continuou juntando suas coisas e se preparando para ir embora. Entretanto, o som de seu sobrenome sendo praticamente gritado na voz de uma das estagiárias a fez se sobressaltar e, respirando fundo, ela vestiu o jaleco novamente e se encaminhou para o foco da confusão, buscando saber do que se tratava.
Ela desceu as escadas apressadamente, o jaleco voava atrás de seu corpo enquanto seu nome era chamado por outras vozes e de maneira cada vez mais urgente, barulhos de frascos se estilhaçando também podiam ser ouvidos. O que estaria acontecendo de tão grave lá embaixo e porque ela? Se sentia exausta, sabia que precisava de algum descanso, mas assim que adentrou as portas que davam para o térreo e se deparou com a situação que se desenrolava ali, se sentiu tão revigorada como depois de uma longa noite de sono. Um homem alto, de físico avantajado - ela bem observou - encontrava-se completamente fora de si. Um buraco se abria do lado direito das vestes do desconhecido e sangue escorria pelo flanco, indicando uma ampla ferida. Ele tinha a varinha nas mãos ensanguentadas e parecia nem saber onde estava. Ao redor dele se acumulavam os frascos de possíveis poções tranquilizantes que provavelmente tentaram fazer com que ele ingerisse, claramente sem sucesso. Era por isso que ela havia sido chamada, Emmeline era sempre a responsável por esse tipo de caso, já que dominava técnicas trouxas que assustavam os outros curandeiros. “Vance, pode nos dar uma mão?” Pediu, um medibruxo amedrontado, que parecia ter sido atingido com algo no olho. “Tentamos estupora-lo, mas ele está consciente o suficiente para se proteger e não deixa ninguém tocar nele.” Antes que o colega pudesse terminar de explicar, ela já havia entendido. Correu para a caixa que guardava em seu armário, seus dedos rápidos e hábeis encaixaram rapidamente a agulha na seringa. Pensou que o homem deveria pesar, facilmente, mais de oitenta quilos, considerando sua altura, por isso puxou vários ml de Quetamina, um tranquilizante de ação rápida que o deixaria calmo, porém consciente. Com a seringa pronta, ela só precisava se esgueirar até ele e aplicar a medicação, a substância seria responsável pelo resto.
Com a varinha em punho ela deu a volta no hall, abordando o paciente pelas costas e, silenciosa e rapidamente, se deslocou até ele, pronta para se proteger se fosse preciso. Para sua sorte uma outra estagiária tentava, em vão, fazer com que ele bebesse alguma poção, prendendo sua atenção a ela. Assim que se encontrou perto o suficiente a agulha se enterrou na junção do pescoço com o ombro do homem e ela empurrou o embolo até que nenhum conteúdo do medicamento sobrasse na seringa. “Ah, a velha e boa medicina trouxa, sempre tão útil.” Comentou, se afastando rapidamente com a varinha ainda em punho.
Mais um dia normal no Departamento de Mistérios era mexendo com alguns artefatos um tanto quanto diferentes para os outros bruxos e alguns nem mesmo os inomináveis sabiam bem como funcionavam. Dentro da sala com os outros colegas, Oliver tinha a varinha em punho enquanto tentava guardar o que parecia ser uma aranha enorme - do tamanho de uma caixa - de volta em seu baú, embora aquilo se mostrasse em vão uma vez que a criatura - ou o que quer que aquilo fosse - se aproximava cada vez mais com as pinças estalando.
Os olhos azuis mal tiveram tempo de processar muito bem o que acontecia quando a dor tomou conta do seu abdômen, parecendo começar a sangrar por cima da camisa branca de modo que o bruxo teve que se afastar e por mais que apontasse a varinha para o ferimento, parecia que ele não melhorava. Conseguindo colocar novamente a criatura em seu lugar, os colegas se voltaram para o purista, correndo para perto no momento em que ele apertou a mão no ferimento para tentar fazer parar de sangrar um pouco e só o que ouviu foi “Vamos ao St. Mungus” para só depois sentir que aparatavam na rua em que ficava o hospital bruxo. A sensação de água gelada durou pouco segundos quando cruzaram o vidro da loja que servia de esconderijo para o lugar.
O que pareceu um segundo apenas, o homem se viu rodeado pelos medibruxos que tentavam em vão lhe acalmar enquanto ele teimava que estava tudo bem. Sentiu o tecido da camisa ser rasgado, o abdômen definido assim como o ferimento, ficando a mostra enquanto os bruxos ali tentavam segurar o grandalhão que parecia valer por três deles. Tudo o que o Arington queria naquele momento era sair logo dali e não seria uns medibruxos idiotas que lhe iriam estuporar... no entanto, ele pareceu se acalmar por um milésimo de segundo quando as iris azuis se fixaram na bruxa que chegou. Era linda, até mesmo morrendo de dor, ele tinha que admitir aquilo mas assim que viu uma agulha - Medicina trouxa? Que tipo de hospital bruxo é esse? - soltou irritado, tentando afastar o braço mas pareceu em vão no instante que sentiu a agulha e o corpo relaxar um pouco mais em seguida. - Por Merlim, o que é isso? - perguntou com a voz um pouco fraca, tentando ficar de pé embora parecesse que todo o seu corpo tinha dormido e não obedecia aos comandos do cérebro.









