nesse post quero contar todas as identidades que um dia achei que eram as que mais me representavam, basicamente vou contar a minha jornada envolta da minha essência de gênero e sexualidade e como me relaciono com o próximo através dessa essência.
essa publicação tem o intuito de ajudar as pessoas que também se sentiram ou se sentem perdidas quanto a isso e mostrar que ta tudo bem você demorar para se entender.
uma menina lésbica: quando comecei a embarcar nesse mundo sexual da pré adolescência aos meus doze anos comecei a reparar que não sentia atração sexual por homens, por mais que já tivesse idea disso desde os nove anos nunca tinha parado para me ver antes como uma garota lésbica.
uma menina hétero: após contar para os meus pais sobre ser lésbica obviamente não aceitaram e passei a não me aceitar também, começando assim a forçar uma heteronormatividade, quando digo isso não é só na questão de aparência ou de como me apresentava para as outras pessoas, eu realmente tentava ser hétero dentro da minha própria cabeça, me forçando a pensar tendo relações como namoro e etc com homens.
uma menina bissexual: depois de muita luta o fracasso veio, por mais que não quisesse aceitar o fato de que me relacionaria somente com mulheres eu passei a aceitar que não teria como eu fingir não sentir nada por elas, então ainda assim queria poder ter o mínimo de esperança que eu me casaria com um homem para orgulho dos meus pais (mas ficaria as escondidas com mulheres).
uma menina assexual: nessa época estava cansada, não queria mais pensar se eu poderia ser hétero, bissexual ou lésbica, queria apenas paz. porém nesse mesmo período eu parei para pensar do porque era tão importante saber a minha sexualidade se mesmo se eu soubesse não gostaria de ter um relacionamento com alguém, não pelo julgamento mas pelo simples fato de eu não ter interesse em namorar.
uma menina panssexual: agora eu já estava com meus treze anos. fiquei bastante tempo falando ser assexual após perceber que não fazia sentido já que eu queria sim me relacionar sexualmente com as pessoas e isso não tinha relação com o fato de eu não querer ter um relacionamento romântico. logo conheci o termo panssexual e achei que ia ser melhor me descrever assim já que naquela época se espalhava o mito de que bissexuais não se relacionavam com pessoas trans.
um menino panssexual: e no meio dos meus treze anos veio o questionamento sobre gênero. sempre fui muito interessado em saber sobre essas outras formas de existir mas não sabia absolutamente nada sobre transexualidade, só tinha visto algumas drags na tv e tive um amigo trans aos onze anos de idade só que óbvio eu ficava mais conversando do que fazendo ele de enciclopédia para me explicar sobre transexualidade. desde de que me conheço por gente sempre parava para pensar como seria se quando eu tivesse nascido tivessem me designado um menino, sempre tive essa vontade de também ser um menino, até que tinha horas que criança mesmo eu me via como um menino e gostava quando as outras pessoas me viam como tal. então nessa época eu não parei pra pensar muito, só fiz uma conta no twitter com os pronomes ele/dele e o nome gabriel. depois disso nunca mais fui o mesmo, era tão bom ver as pessoas me tratando no masculino e saber que concerteza elas achavam que eu era um garoto cis logo elas realmente me viam como um menino. assim passei a me entender como um garoto trans.
uma menina panssexual: tudo que eu citei acima aconteceu no período da pandemia, então tudo isso basicamente se passou na internet, eu tinha pouquíssimos e amigos e os que eu tinha não sabiam de nada porque se eu contasse para eles poderia chegar nos meus pais novamente e dar mais problemas, então era uma vida dupla, na internet gay no dia dia hétero. mas a partir daqui começou 2022, entrei no ensino médio e mudei de escola, mas não tinha condições de pedir para as outras pessoas me tratarem no masculino além do medo eu ainda sentia muito indecisão enquanto a isso, passando um tempo lá dentro reparei que realmente não era um garoto trans.
uma pessoa queer: com o passar do tempo , dentro da escola conheci pessoas trans, de travestis a não binários. por mais que eu já tivesse visto um pouco sobre não sabia absolutamente quase nada, e por negligência da minha parte acabei errando o pronome de duas pessoas diferentes, com isso resolvi começar a pesquisar mais e logo voltei a questionar meu gênero, não fiz uma pesquisa aprofundada para que eu realmente me entendesse mas passei a reconhecer que gostava tanto dos pronomes femininos e dos masculinos, falando assim que no geral minha sexualidade e meu gênero eram queer.
uma menina lésbica arromântica: aqui foi um momento importante da minha descoberta de sexualidade, pois finalmente consegui me libertar da pressão se ser hétero e aceitando que não adiantasse o que eu fizesse não seria capaz de sentir atração sexual por homens, mas novamente deixei de lado meu gênero já que me sentia muito vago por usar o termo queer e que eu era só uma pessoa confusa achando que poderia ser trans. nessa época eu também me descobri arromântica, eu ja sabia disso a muito tempo só não sabia que existia um termo para definir a minha pouca vontade de ter um relacionamento romântico com alguém além de nunca ter me apaixonado por ninguém.
uma demigirl lésbica arromântica: dessas últimas semanas pra cá tenho questionado muito o meu gênero chegando a algumas conclusões precipitadas, uma delas foi o fato de eu ser uma demigirl, o que não durou muito tempo pois não tinha entendido direito o fato de eu ser menina e menino ao mesmo tempo e isso acabou ne confundindo.
chegando assim a finalmente minha identidade e como eu realmente me identifico, uma pessoa bigênero polissexual e arromântica. me sinto uma menina e um menino por inteiro, além de sentir atração sexual somente por mulheres, pessoas femininas e parcialmente femininas, também tenho dificuldade de sentir atração romântica pelo próximo.
como puderam ver é uma jornada longa e difícil de percorrer, mas terá um momento em que você vai se sentir bem consigo mesmo, agora eu realmente estou muito feliz com tudo isso, podendo me aceitar depois de tanta homofobia que sofri dos meus próprios pais, consegui seguir em frente. sei que nem para todo mundo vai ser igual, pode ser mais rápido ou mais demorado para você se descobrir verdadeiramente mas espero que isso possa ajudar vocês a perceber que não estão só <3