“ O FOGO ILUMINA MUITO, POR MUITO POUCO TEMPO ”
: — ┋ ❝ Sentia a excitação tomar conta de cada célula de seu corpo, o fluxo sanguíneo aumentando tal como o ritmo de seu coração contra a caixa torácica. Encontrava-se em êxtase, e talvez ali, tenha se dado conta de que a promessa que fizeram era praticamente impossível de ser cumprida. A cada encontro Russell sentia-se mais necessitado, e menos inclinado a levar aquilo até o fim. As palavras do holandês fizeram com que o bastardo soltasse uma pequena risada. Analisando a sua fala mentalmente compreendia exatamente o duplo sentido que Elzemiek se referia, mesmo que inicialmente não houvesse pensado daquela forma. Havia apenas dito a verdade: não iriam sair daquele armário juntos, como haviam entrado. O príncipe sairia primeiro. - Sua mente é muito suja, Handsome… - Murmurou a última palavra próximo o suficiente do príncipe para soprar seu hálito fresco contra o rosto dele. Afastou-se delicadamente, observando a marca levemente avermelhada que decorava a face esquerda do holandês com um sorriso nos lábios. Ambos gostavam daquilo por igual, um sempre provocando o outro. Fosse de forma física, como Russell fazia; ou de forma verbal, como Elzemiek acabou fazendo. A provocação alheia levou um sorriso sádico aos lábios do australiano, a daemon tentou - em vão - o impedir de prosseguir. O bastardo ergueu a mão direita para a garganta de Elzemiek, os dedos correndo delicadamente por ali enquanto os olhos azulados não se desviavam dos castanhos do outro por sequer um segundo. A mão esquerda ainda se encontrava apoiada na parede, impedindo que o garoto escapasse por ali. Russell apertou os dedos contra a garganta de Elzemiek assim que teve os lábios tomados. Os dígitos fazendo cada vez mais pressão na pele fina do local. Tomava os lábios róseos do outro para si sem pudor algum, o rosto inclinando-se levemente para a direita, de forma que encaixasse perfeitamente os lábios aos dele. Sugou o inferior alheio, tomando o fôlego do garoto para si, os dedos apertando-se ainda mais na garganta de Elzemiek. Sentia o corpo todo se acender, queimar em desejo e luxúria, desejando mais do que nunca rasgar a camiseta de Elzemiek e toma-lo para si ali mesmo. Quem ligaria para os malditos sete minutos? Os dedos voltaram a fazer pressão na garganta alheia, a certeza de que o estava sufocando, agradando a parte mais obscura do australiano. “Você vai machucá-lo, Russell!” A voz da daemon berrou em sua mente e Russell se afastou de forma abruptada, jogando-se para trás. Sentia-se deslocado, os olhos observavam o holandês sem entender a lógica da reação alheia. Encarava Elzemiek com a respiração ofegante, analisando calmamente o corpo do outro em busca de qualquer sinal de ferimento. Precisava de uma distração, e quase como sendo atendido pelos Deuses, a pergunta que fizera a si mesmo ao entrar na sala voltou a sua mente. Russell tomou a postura, aproximando-se do outro. A respiração ainda descontrolada sento totalmente ignorada pelo australiano. O corpo estava tenso ao observar Elzemiek, sabendo que as palavras a seguir poderiam mudar o rumo de toda aquela noite, diria até toda a semana. - Porque você estava no sete minutos se não tinha certeza de que cairíamos juntos…? - Questionou sem rodeios, os olhos estreitos esquadrinhando a face alheia em busca de qualquer reação que o afastasse das sensações que o beijo de Elzemiek ainda causava em si.
“He loves to romance 'em, reckless abandon, hold me for ransom....”
「 — △ A privação de ar junto ao beijo era quase como um gatilho para que a excitação de Elzemiek chegasse ao seu ápice em poucos segundos, como um atalho que apenas Russell entendia e conhecia. Um atalho que só o outro tinha o direito e a coragem de se aventurar, os dedos do australiano em seu pescoço tiveram o efeito esperado, um gemido ruidoso saiu dos lábios do holandês contra os lábios de Russ, ele podia sentir o volume em sua calça chegar a um ponto que o incomodava, não deveria ter vindo de jeans, ralhou consigo mesmo enquanto deixava as mãos agarrarem as de Russ, o incitando a apertar seu pescoço com mais força, com mais vontade. Elzemiek arfou ao ter o lábio sugado, seus pulmões ardiam com a falta de oxigênio, mas o sorriso insano pintava seus lábios desprovido de qualquer pudor que um dia já apresentara na vida. Nem Deus poderia perdoá-lo pelo que estava em sua mente naquele momento. No entanto sem prévio aviso se viu desprovido da sensação que tanto gostava, os dedos de Russell e seus lábios haviam sido afastados de si e Elzemiek só pode olhá-lo confuso enquanto recuperava o folego com dificuldade, os dedos tateando a garganta com calma sentindo o ador nos locais aonde antes os dedos de Russell estavam, estava prestes a soltar uma frase provocadora quando a frase do outro o atingiu em cheio. O celular foi tirado do bolso constatando que restavam menos de dois minutos para que o tempo de ambos acabasse, a cabeça foi encostada na parede e os olhos fechados enquanto o holandês se recuperava da asfixia. ❝ Porque você estava? ❞ A pergunta saiu antes que uma resposta fosse dada. As vozes em sua cabeça sussurravam em conjunto ‘De novo não.’, o próprio príncipe pensava aquilo, de novo não, não queria discutir com o outro mais uma vez, não queria ter a companhia do outro arrancada de si por sua divina impaciência. ❝ Quer saber? Eu estava porque queria me divertir, feliz? ❞ As mãos foram jogadas para o alto enquanto os olhos encaravam Russell, as sobrancelhas levantadas. ‘NÃO FAÇA!’ Gritavam-lhe as vozes em conjunto, a quimera dizia em sua mente ‘Você não quer dizer’, mas ele continuou. ❝ Porque se importa? Não é como se estivéssemos realmente juntos, não é mesmo? Não é como se um dia vamos poder dizer que estamos juntos, porque isso... ❞ Apontou de seu peito para o de Russell antes do tom de voz disfarçar todos os sentimentos com um tom jocoso. ❝ Nunca vai ser oficial. Certo? ❞ Elzemiek se aproximou dessa vez sendo ele a empurrar o outro com força, ele queria machucar Russell de uma forma como nunca quisera antes. ❝ Não foi por isso que me fez fazer a estúpida promessa? Aposto que seu pai deve estar orgulhoso que não sai beijando o holandês louco em público, com certeza o meu deve estar ao saber que ninguém vai saber que o filho fode com um bastardo. ❞ A última palavra foi dita com asco antes que Elzemiek passasse por Russell abrindo a porta. ❝ Não me leve a mal, eu não posso mais fazer isso. ❞ Ele não falava sobre os sete minutos no armário, o outro saberia. Os dedos alcançaram a caixa de remédios enfiando algumas pilulas na boca antes de dar uma última olhada em Russell, a cabeça foi balançada e uma risada dada. ❝ Você estava certo a quem sairia na frente. ❞ Murmurou antes de se afastar não só do armário como também da sala.