[flashback] Living easy, livin' free || EmmettXGwen
Com seus dezoito anos, Emmett esperava que já não tivesse mais um toque de recolher. Infelizmente, as regras do Instituto Bradcliff não eram condizentes com suas expectativas, impondo que ele estivesse em seu dormitório às 23 horas. Ainda assim, nunca tinha sido excelente em seguir as regras. O relógio marcava uma hora da manhã quando o garoto saiu de seu quarto. Não tinha sequer tentado dormir, afinal, estava planejando aquilo já por alguns dias. Calçava os tênis mais silenciosos que tinha para evitar ser escutado e pôs-se a trilhar o caminho que julgava ser menos vigiado. Sabia que estava em risco de ficar um bom tempo na detenção, mas arriscava-se mesmo assim.
Dava-lhe um sentimento estranho andar por aqueles corredores que estavam cheios há tão poucas horas atrás, mas logo acabava se acostumando com a tranquilidade. Duvidava um pouco que fosse o único a quebrar os limites de horário, porém não chegou a ver nenhuma outra pessoa fora dos dormitórios. Considerou que talvez fossem ainda melhores que ele para burlar as regras. Não poderia dizer ao certo. Já estava há alguns meses no instituto e ainda se questionava sobre a capacidade dos mutantes ali, que, cada dia mais, parecia ilimitada.
Por mais cauteloso que fosse, ainda era possível ouvi-lo. Toda vez que algum de seus passos ecoava levemente, trocava o peso de uma perna para a outra e olhava para o lado como se estivesse esperando algum acontecimento sobrenatural. Mas tudo que ele tinha em resposta era mais silêncio. Respirando fundo, voltava a andar, como se nada tivesse acontecido. Mantendo esse ritmo, em poucos minutos já estava fora do Instituto e sentia-se mais confiante. Era-lhe curioso que estivesse nervoso, sendo que era costume seu agir daquele modo. Na sua primeira semana, faltou na maioria das aulas e não podia dizer que sua presença havia se tornado perfeita desde então, além das suas ocasionais visitas à floresta. que era a ansiedade por estar indo à um lugar pela primeira vez: o Rio Liffey. Ouvira alguns boatos sobre o local, o que despertara o seu interesse em conhecê-lo.
Ao adentrar a floresta, movia-se com mais exatidão, certeza. Por mais que conhecesse o Instituto muito melhor do que conhecia o caminho a seguir por entre às arvores, julgava que a probabilidade de ser pego ali era bem menor. Ouvira que alguns alunos gostavam de usar o local para treinar seus poderes, mas as razões de Emmett eram bem distintas. Ele simplesmente acreditava que aquele era um lugar melhor para pensar e sentia-se bem menos limitado ali do que em seu dormitório. Mas a sua motivação para ir até o limite das terras do Instituto era uma mistura de curiosidade e do seu instinto teimoso, desobediente. Era quase gratificante saber que estava quebrando mais de uma regra com a suas atuais ações.
Quando avistou o rio, não pode deixar de deixar escapar um pequeno sorriso de lado. Estava lá, tinha conseguido. Não havia razão para que tivesse se preocupado, chegara lá sem nenhuma interrupção. Olhando para o curso da água, não julgaria aquele lugar como perigoso se nada tivesse sido lhe falado. Inclinou levemente a cabeça para o lado e examinou o rio com atenção. Tentou usar seu poder, mas se havia alguma fraqueza a ser detectada, seus poderes não eram avançados o suficiente para que o fizesse. Não tinha certeza de que tipo de fraqueza um rio poderia ter, mas a fragilidade das pessoas vinha de formas tão inesperadas que ele raramente conseguia deduzir o que encontraria usando o próprio poder.










