role reversal: who is the imbecile now? || Matthew&Nathan || Flashback
ᴀ ʀᴀɪᴠᴀ ǫᴜᴇ ᴍᴀᴛᴛʜᴇᴡ ᴛᴇɴᴛᴀᴠᴀ ᴄᴏɴᴛᴇʀ ᴇʀᴀ ᴄᴏᴍᴘʟᴇᴛᴀᴍᴇɴᴛᴇ ᴠɪsɪᴠᴇʟ em suas expressões corporais. Os lábios pressionados um contra o outro com uma força desnecessária, os olhos semicerrados, os movimentos tensos e a impaciência na voz eram as quatro características que mais podiam denunciá-lo naquele momento. Porém, seu orgulho era o que o mais acalmava: Não poderia explodir de novo, não na frente daquele cara insuportável. Sua respiração saía em intervalos relativamente longos e era extremamente devagar, o que poderia ser identificado como o grande autocontrole que estava tentando estabelecer sobre si mesmo. Ele só queria aquele ás de paus que o outro havia roubado, só isso. Sinceramente, não era pedir demais — e algumas pessoas até poderiam ficar confusas sobre o porquê do americano estar tão irado por causa de apenas uma única e estupida carta (não era ele quem tinha mais de vinte decks de baralho guardados em seu quarto?). A questão era que Nathan havia mexido com um dos símbolos de seu passado e de seu poder, e o pouco mais baixo sabia muito bem que o outro deliciava-se com o que estava fazendo — porque não bastava somente ter esmagado o ego do americano naquele refeitório; não, não, ele tinha que ir além!
Porém, a simples resposta numeral realmente deixou Reyes confuso, e, portanto, irritado. Normalmente, considerava-se “o grande manipulador de números” já que poderia reorganizá-los em sua cabeça para formar inúmeras probabilidades e situações tão facilmente quanto uma criança reorganizaria blocos de brinquedo na vã tentativa de formar uma casa. Mas aquele único número, dito sem razão alguma, deixou o bilionário levemente desorientado por poucos segundos, e não ser capaz de entender o motivo até que Braddock finalmente lhe desse a resposta não fez com que Matthew ficasse menos estressado do que antes. Por fim, deixou com que ele falasse, o empurrasse, o olhasse, o xingasse e o maltratasse da maneira que melhor preferisse, sem que rebatesse uma única palavra. Apenas o encarava de volta, tenso e quieto demais. Quando o francês atravessou o quarto, ordenando com que o outro saísse dele, Matthew admite que teve que se segurar para não voar no pescoço do maior (sua ira atingindo o pico quando foi chamado de “enorme decepção”).
Todavia, por mais que estivesse transparentemente com raiva das ríspidas palavras dirigidas a ele, continuava silencioso.
Depois de Nathan ter terminado o seu discurso, Matthew finalmente age. Seus olhos escuros desgrudaram-se da figura do rival, e percorreram lentamente todo o espaço do quarto do garoto, pousando no celular deixado pelo outro em cima da cama. Sorriu, abaixando-se para pegá-lo. Ao tentar ligá-lo, percebe que o aparelho está protegido por uma senha de quatro números. Assim sendo, a probabilidade do americano acertá-la era de uma entre dez mil. Suspirou, digitando quatro números aleatoriamente e, surpreendentemente, acertando qual era a sequência dos dígitos. ❝Você deveria colocar uma senha mais segura nesse seu celular, sabia?❞ murmurou, mais para ele mesmo do que para Nathan, sem tirar seus olhos da pequena tela. Seus ágeis dedos mexiam-se despreocupadamente, tentando encontrar alguma coisa interessante para que servisse de motivo de chacota em relação ao inimigo, mas preferiu bloquear o celular deste novamente e colocá-lo em seu bolso — faria uma melhor vistoria assim que chegasse em seu quarto. Então, já sentindo a vantagem estar ao seu lado de novo, Matthew relaxa, passando a caminhar pelo quarto do mais novo, seu sorriso anterior crescendo cada vez mais.
No final da curta caminhada, o americano pausa defronte a porta do banheiro, usando a mesma de apoio. Esta estava fechada, mas não era necessário entrar lá para causar algum estrago; a probabilidade de um cano do banheiro estourar no momento em que Nathan fosse utilizar-se da água da torneira nem era tão alta assim, mas é óbvio que o mais velho acabara de modificá-la. Porém, para que o outro não desconfiasse de seu ataque futuro, os olhos do americano estavam agora fixos na porta arrombada. Observando então a maçaneta quase solta, Matthew ri para si mesmo. ❝Poxa, Nate. Não fala assim comigo. Você me machuca, sabia? Eu também tenho sentimentos.❞ disse, cínico, colocando uma mão no peito e fazendo um biquinho. ❝Por favorzinho, eu só quero a minha carta de volta que você pegou.❞ pediu, mais uma vez, com a voz doce. Contudo, ao terminar a frase, suas falsas expressões mudaram-se radicalmente: O tronco é inclinado para a frente, em tom de desafio, o casual brilho malicioso toma lugar nos olhos e o sorriso canalha aparece novamente, exibindo a metade direita das duas fileiras de dentes. ❝É melhor você devolver, conselho de amigo: Vai que alguma coisa de ruim acontece. Tipo, sei lá, a maçaneta da sua porta cair, ou alguma coisa do gênero.❞
Nem é sequer preciso descrever o que aconteceu logo em seguida.
Quando Matthew não correspondeu às suas provocações e olhares, Nathan soube que havia algo de errado; não que quisesse acreditar em tal fato, tentava, sempre que podia, ignorar que Matthew era inegavelmente inteligente e que provavelmente estava tramando alguma perversidade. Bufava esperando que o americano lhe desse atenção, que olhasse para ele prostrado ao ádito e visse que estava falando sério; esperava honestamente que o garoto rico e mimado tivesse alguma educação, que soubesse se retirar quando não fosse bem-vindo - como era o caso.
Ainda estava esperando à porta quando o assistiu pegar seu celular da cama. Sua expressão raivosa franziu-se um pouco mais, ele ergueu uma sobrancelha e, ao ouvir a adversão do outro, teve de chacoalhar a cabeça. — Mas que caralho? — inqueriu, elevando a voz em parte por irritação, em parte para chamar atenção à sua completa perplexidade. Tentou conter seu desespero enquanto observava o outro se intrometer em assuntos que não lhe cabiam, aquilo era seu pesadelo: invasão de privacidade. — Mas que bela educação que te deram — debochou com uma risada deplorável nervosa ao extremo, estava perdendo o controle. Diferentemente de Matthew, Nathan não tinha capacidade tão ampla de se refrear. O cúmulo foi quando o outro acomodou o celular pertencente à Nathan em seu bolso, a ideia de arrancar as calças de Matthew surgiu em sua cabeça como um raio, e não havia nada de lúbrico em tal pensamento. Um suspiro exasperado escapou por entre seus lábios. — O quê? Pretende vazar minhas nudes mais tarde? — Nathan tentou sorrir, mas acabou fechando os olhos: ele era tão puramente honesto em relação à sua raiva; ele tentava construir o papel de alguém que não tinha nada para esconder, mas não tinha certeza se estava sendo condizente.
Deixou que Matthew proseguisse, caminhasse, esperou que ele o respondesse e que se defendesse por alguns instantes: acreditava que, quando o americano passasse pela porta, pudesse recuperar seu celular de alguma maneira. Obviamente se agarrava à esperanças fúteis, mas se agarrar à elas era o que lhe restava, afinal, se Reyes não desistisse de recobrar sua carta, Nathan estava ferrado: ele não fazia a menor ideia de onde a estúpida carta pudesse estar. O francês acordou de seu curto devaneio ao ouvir o engraçadíssimo comentário do rival sobre sentimentos, teve de o interromper de imediato:
— Oh, o menino de madeira quer ter emoções — atropelou, e não foi certo em seu tom de voz, podendo ser tanto uma afirmação quanto uma pergunta, Nathan não tinha certeza. Esperou por uma retribuição de Matthew e o que recebeu foi um pouco acima do que esperava, um pedido e uma ameaça.
Foram poucos os segundos para que Nathan pudesse processar o ocorrido, mesmo assim não teve dúvidas quanto à origem dos fatos. Após a ameaça fulminante, Matthew não deu oportunidade para que Nathan correspondesse, simplesmente pôs em prática a tal perversidade que o francês recuzara-se em antecipar há alguns momentos antes. A maçaneta cedeu nas mãos de Braddock.
A cólera que tomou conta de Nathan quando o rapaz sentiu seu apoio esvair e seu peso querer levá-lo ao chão, fora de uma intensidade tão grande que a fúria se tornara visível para ele: seu escudo psíquico piscou em um tom sanguíneo de vermelho - não que alguém além dele próprio pudesse notar - e o francês perdeu a cabeça por um rápido instante. O instante, entretanto, não havia sido rápido o suficiente para conter a impulsividade de Nate e o simples vislumbre da própria aura feriu seu orgulho de forma tão dolorosa que sua defesa instantânea fora o ataque - como sempre. Nathan não viu quando sua mão tomou vida própria e arremessou, com todas as forças de seus músculos, a maçaneta em direção a Matthew. O francês só tomou consciência de si quando já recomposto, olhando para o rival, saboreando a sua expressão surpreendida e, logo, deixando que a surpresa recaísse sobre si mesmo: ele havia atingido o rival.
De repente, Nathan tinha uma respiração superficial e sentia seu rosto em chamas; havia se afastado da porta - só agora percebera - e estava a alguns passos mais próximo de Matthew: tratou de recuar. Era estranho, loucura; sentia-se como uma marionete da fúria, como se suas ações não viessem de seu cérebro, mas sim da energia que havia - desleixadamente - permitido acumular em sua alma. Não era um sentimento ruim. E tal percepção o horrorizava. Ele havia acertado Matthew! Não que já não o tivesse ferido antes… Mas eram situações diferentes; aquele momento foi particularmente constragendor e enfurecedor pois não havia passado de pura e patética falta de controle. Por fim percebeu que seus punhos estavam fechados, quase pediu desculpas - e isso foi o suficiente para deixá-lo novamente enfurecido, não a ponto de explodir, mas sabia que não devia nada à Matthew, nada além da carta, e isso o irritava. Além disso estava lutando contra um sentimento protetor e fraternal de perguntar se havia o ferido gravemente: inevitavelmente patético.
Nathan abaixou a cabeça e deixou que Matthew ganhasse a pequena disputa visual que notou estar travando. Direcionou seu olhar à porta deplorável… Era seu quarto! Seu celular! Crápula! Nem para usar o seu escudozinho da sorte. Não queria uma briga física, decidiu. Deu um suspiro longo e profundo - se preparava para um possível surto de Matthew Reyes, tinha de estar pronto para ignorá-lo com todas as suas forças dado que se recusaria a pedir desculpas. O francês olhou para o quarto e decidiu que agora teriade se lembrar da carta; alguns possíveis compartimentos surgiram em sua mente e o rapaz virou-se encaminhando-se para um deles enquanto resmungava baixinho e, esperava que, inaudivelmente: — Espere pela carta, connerie.










