mana, não. eu e a taylor
Era um momento importante estar em casa e descansar, passar mais tempo com a sua irmã, deitado no sofá, morto, sem coragem nem mesmo de comer e se pudesse, nem tomaria banho naquele dia (claro que tomaria banho), mas não queria mesmo sequer levantar do sofá.
Vestia o seu pijama, que era nada mais nada menos que uma calça de moletom e uma regata, enquanto sentia que cada segundo a mais naquele sofá, mais sua vida poderia se resumir apenas em sonos. Harry não queria realmente fazer alguma coisa, andava exausto por conta do trabalho e sua irmã parecia disposta a mudar aquilo, já que estava querendo arrasta-lo de sua casa de qualquer forma.
Apesar de gostar muito de seu bigode, ou quase um bigode, Harry não se sentia nem um pouco orgulhoso de não ter tempo de, sequer, se barbear. E o rapaz tinha as suas vaidades, gostava de ter o seu rosto de anjinho, mas ninguém precisava saber disso, já que o seu bom humor era um de seus sinais de que a vida merecia sorrisos.
Era tarde e havia prolongado sua hora de trabalho naquele dia por conta de uma mãe que supostamente esqueceu que era seu dia de buscar a criança e não o pai. Coisas assim aconteciam todos os dias, no começo incomodava bastante a loira perder alguns minutos de seu maravilhoso descanso, mas depois de algum tempo, tornou-se comum e se tornava cada vez menos incômodo já que quase sempre tinha planos para depois do trabalho e com esses planos, não havia como ficar infeliz. Pais costumavam ser desorganizados, mesmo depois de terem dois ou três filhos e Taylor compreendia que nem sempre a culpa era deles, às vezes era o trânsito, às vezes o trabalho, mas em alguns casos era somente a falta de organização e nesses casos, ela gastava mais algum tempo conversando com eles, dizendo que eles deveriam contratar uma babá ou anotarem essas trocas em suas agendas, como todo bom americano faz. Pensava em todas essas coisas enquanto dirigia até seu apartamento, as ruas de Nova York sempre eram horríveis e cheias de trânsito, mesmo depois de tanto tempo, a loira ainda insistia em dirigir sendo que ela gastaria bem menos chamando um taxi.
Estacionou o carro na garagem do condomínio, pegou sua bolsa, saiu do automóvel, trancou-o e seguiu até o elevador, entrou na caixa metálica, encostou-se com o ombro direito na parede gélida e ponderou sobre os lugares que poderia levar o irmão, já que fazia algum tempo que eles não saiam para se divertir e fazia ainda mais tempo que ela o havia visto saindo de casa para outra coisa que não o próprio trabalho. Quando as portas se abriram, desencostou-se e caminhou até a porta do apartamento, encaixou a chave a no local devido, girou-a e tão logo deparou-se com seu irmão largado sobre o sofá usando moletom.
— Mas Harry! — Soltou um tanto decepcionada com a visão de que o irmão não só estava deitado, ele também estava dormindo.
Caminhou até a ponta do móvel, pousou sua bolsa ali e seguiu até o centro, onde o rapaz estava adormecido e antes que suas mãos o tocassem, a visão encontrou algo inesperado em seu rosto, algo que ela havia visto numa rede social qualquer e que imaginou que tão logo ele se desfaria, entretanto ainda estava ali. O bigode de Harry estava tão alcançável, tão vulnerável que a primeira coisa que passou pela cabeça de Taylor foi que essa era a sua chance. Retirou-se da sala, foi até o banheiro, aparelho para barbeá-lo, retornou e preparou-se cuidadosamente, respirou fundo, fez a lâmina tocar o canto do lábio superior do irmão, todo o cuidado era pouco e parecia que o mais novo da família sentia o que ela estava aprontando, pois ele não se aquietava.
A adrenalina preenchia todo o seu ser e parecia ser obra do destino, estava na metade e acreditou que conseguiria terminar aquilo sem que ele despertasse, mas claramente estava enganada. Ao notar que ele começaria a se movimentar, deu um passo para trás, afastando-se do garoto e escondeu o objeto que a declararia culpada no bolso de sua calça jeans.
— Harry? — Sussurrou, tentando compreender se ele já estava desperto ou se ela poderia finalizar o que estava fazendo e deixar seu irmão mais bonito de novo.











