É absurdo o vazio que me invade quando analiso minha vida amorosa. Eu que sempre fui uma mulher de muitos amores, muita entrega, total intensidade, me vejo sempre vazia no final.
Minha intensidade me fere, me rasga e me coloca contra a parede, quando me questiona: de que adianta sentir tanto?
Perdi as contas de quantas vezes me senti trocada, traída, invalidada, sexualizada e abandonada.
Em um dos términos que já tive, ouvi de quem amava e tinha dado acesso a minha vulnerabilidade, que eu tinha chegado em sua vida já sendo estragada e quebrada. Essa frase me assombra até hoje.
Eu me questiono se realmente não sou estragada. Me questiono se sou mesmo a pessoa que julgo que sou, uma boa companheira, uma boa amante. Me questiono se toda a minha dedicação é positiva e se todo o amor que tenho para dar é bom.
Não sou uma filha da puta para ter tanta ferida causada por quem deveria minimamente me respeitar. Ou talvez mereça.
Só sei que me encontro de novo aos prantos com o sentimento de culpa. Uma culpa que não é minha. Ou talvez seja.














