A garota já havia se acostumado com a madrugada fria de Gwangju. Não conseguia dormir direito no sofá velho do apartamento, então na maioria das noites acordava cheia de dores, e não conseguia mais voltar a dormir. Realmente odiava aquilo. Naquela noite o desejo de comer sorvete a atingiu justamente na pior hora, mas não resistiu, teve de sair para matar aquela fome. Por sorte ali perto tinha um mercado, e o dono já estava familiarizado com o rosto da estudante.
Agora voltava para casa com um sorriso vitorioso no rosto, carregando o enorme pote de sorvete sabor morango como se fosse um bebê, e ainda tinha um pirulito de cereja na boca. Suas coisas favoritas do mundo. Agradeceu por serem baratas o suficiente para apreciá-las praticamente todos os dias. O uniforme do colégio permanecia no corpo, pois adormeceu de qualquer jeito, estava cansada demais para trocar de roupa e vestir uma das camisetas gigantes que usava como pijama. A camisa estava amarrotada, e a saia torta no corpo. Uma meia mais baixa que a outra, e os tênis desamarrados. Uma bagunça que fazia parte de Sunyoung, e ela não dava a mínima.
Chamou o elevador, e batucada as unhas cumpridas no metal de uma das paredes, impaciente. Já estava sentindo frio, e adoraria devorar todo aquele sorvete depois de um banho quente.O barulho anunciou a chegada ao sétimo andar, e um sorriso malandro apareceu no rosto. Finalmente ela pensou, e com o mínimo das portas abertas, pulou para fora da caixa de metal, mas não contava com aquele indivíduo no meio do corredor, ainda mais pelado. Bem aleatório. Já tinha visto muitas coisas estranhas, mas um homem pelado no meio do corredor do seu prédio era algo inédito. Ergueu uma das sobrancelhas, achando muita graça daquilo. Só não riu porque perdeu um pouco do seu tempo analisando o belo corpo. Se aproximou após ouvir o pedido de ajuda, um sorriso malicioso permaneceu no rosto. ‘’Olá vizinho… tem certeza que precisa só do telefone?’’ passou pelo homem ainda com os olhos em seu corpo, achando adorável todas aquelas pintinhas, na verdade até sentiu vontade de tocá-las, mas logo lembrou que não passa de um desconhecido. Apesar de parecer, Sunyoung não era nenhum pouco inocente. Abaixou-se na porta do seu apartamento para tirar a chave de dentro do tênis, pois não tinha bolso algum para enfiar aquilo. Levantou-se e destrancou a porta. ‘’ Entra, quer sorvete?’’ disse aquilo e entrou no pequeno apartamento, que até parecia grande pela falta de móveis. A sala não passava de um solar de dois lugares velho e desbotado e a mesa de centro estava cheia da bagunça da Sunyoung. cadernos, posters que ainda tinha que falsificar e além de outras coisas que eram difíceis de se identificar. A TV ainda estava na caixa. Tinha preguiça para instalar aquilo. Passou por ali e foi direto para a cozinha, onde deixou o pote de sorvete e voltou a colocar o seu pirulito na boca. Esperou que o rapaz já tivesse entrado. Ela fazia tudo sem cerimônia, não tinha essa de formalidade com ela.
Considerando que estava sozinho com a garota, sem outros olhares sobre o corpo majoritariamente nu, Woobin se permitiu relaxar ainda mais na pose. Não estava dando um show público, não estava sendo vulgar como certos profissionais que tinha conhecido, então tudo bem. Gostava daquela aprovação no olhar alheio, conseguia beber daquela sensação pelo tempo que perdurasse a observação que prolongava sem um pingo de vergonha nenhum. --- Telefone é a única coisa segura que consigo pedir. Não te conheço para saber se tem roupas minha aí, ou roupas masculinas no geral. --- Ele estava sendo explícito demais, mas era uma verdade. Desde que se mudou para o apartamento de Jae-hyung e ganhara a tão famosa independência, Woobin passava os dias livres em camas alheias, ou na própria, enfiado em alguma atividade privada e parcialmente encobertas pelas paredes finas de sua residência. Alguma peça sempre ficava, geralmente a camisa, uma boxer de vez em quando, uma marca para ser lembrado.
O gerente entrou logo atrás, os pés esfregados no tapete porque os próprios calçados estavam fora de alcance. Fechou a porta atrás de si, por educação e não aquela ideia estúpida de estar fechando o cerco numa nova presa. Pelo que tinha percebido, não precisava de muito esforço para chegar aos finalmente, sem nada de ‘predador sexual’ que o ato podia geral em olhares desavisados. No entanto, seu conforto se foi lá dentro, Lisenbroder em busca de algo que se assemelhasse à um telefone ou alguma coisa que dissesse ‘essa casa é habitável’. --- Eu adoraria, mas não posso tomar agora. Não desse jeito. Eu vou ficar com frio. --- E a toalhinha já começava a irritar, roçando nada prazerosamente na pele sensível . Não sabia nem como pedir um lençol sem parecer ofensivo, porque nem cama aquele lugar deveria ter. Mesmo designe de apartamento e era uma completa bagunça. Não se deixou levar pelo pessimismo, o sorriso sedutor abrindo, divertido. --- Uma toalha maior, talvez? Um lençol? Qualquer coisa que você tiver, por favor, ou eu vou ficar nu. --- Uma ameaça para sondar a reação, de ver até onde podia ir, e mantendo o tom de brincadeira na voz parcialmente séria. --- E o telefone também. Não quero atrapalhar a aluna dedicada que já está pronta para o dia letivo antes do sol nascer. --- É, aquilo não tinha passado despercebido.
E Woobin não seria aquela a deixar uma provocação passar.