querida, isto é exatamente o que parece agora: uma despedida. eu vou habitar outras ruas e vou sentir sua falta e quero poder lembrar seu rosto antes de ir. me encontra.
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querida, isto é exatamente o que parece agora: uma despedida. eu vou habitar outras ruas e vou sentir sua falta e quero poder lembrar seu rosto antes de ir. me encontra.
querida k,
eu escrevo sobre mãos e rostos e células pulsantes para saciar o desejo doloroso de te ter ao alcance da minha própria palma, sob meu olhar, próximo o suficiente. e eu sei que nada toca nada de verdade, somos sempre barrados por alguma camada minúscula que não permite que a biologia e a química em mim toquem a biologia e a química em você mas, querida, eu sou uma cientista, uma matemática, todos os cálculos, físicas e mecânicas existem no mundo com o propósito de aproximar e quando digo isso quero que entenda que, perdida em todas as fórmulas e variáveis do universo existe uma integral que me aproxima de você, um limite tendendo ao infinito onde nossa aproximação se torna possível, onde a química pode ir pro inferno e a física pode congelar no vácuo infinito o quanto quiser porque nesse limite, nessa conjunção de contas e vírgulas e números decimais eu te alcanço e você me alcança e é real. é real. é real.
eu quero que seja real mais vezes com você.
com muito amor,
da sua,
thamy :)
PS: quando chegar a hora vai me encontrar em uma esquina qualquer?
eu fico esperando você chegar de surpresa, sempre, em cada esquina, em cada rua. eu fico esperando você voltar.
uma vez você me comparou à uma estrela distante e acho que nenhuma analogia teria explicado melhor. eu sou uma estrela. eu sou esse corpo que só é bonito de longe e no vácuo infinito do espaço cuja alma está sempre em chamas. querida, como faço pra explicar que o fogo que brilha em mim um dia vai diminuir e morrer? mais cedo ou mais tarde, eu vou queimar tudo. eu vou queimar até o fim.
voltando nisso depois de todo o tempo que nos dividiu trago aqui um adendo, uma nova interpretação, um anexo: nesse momento, nesse segundo exato em que você me enxerga, eu estou me transformando em cinzas. o que você toca, o que você sente é só o eco surdo e abafado de quem eu fui, um fantasma de outra dimensão, inevitalmente preso ao passado. eu não existo mais. cada parte de mim já vaga fria e escura em algum ponto do espaço-tempo, além de qualquer salvação, distante demais da sua mão.
querida! querida!
estou indo embora de novo.
te deixar é meu pior pecado
e sei que é ele que vou ter que pagar no inferno
mas,
meu amor,
o inferno é aqui.
(espero um dia te reencontrar naquela esquina)
e eu ocupo a minha semana inteira, cada minuto de cada dia para evitar olhar esses espaços vazios onde poderia ter tudo o que sempre quis, mas só o que tenho é esse caos, esse desespero que corre pelas minhas veias pedindo velocidade, pedindo espaço, pedindo mais desse mundo, mais dessas ruas, mais dessa vida ...
eu quero mais, será errado querer tanto assim?
Meu bem,
a felicidade flutua triste em seus olhos.
será que alguém me lê? do outro lado dessas infinitas telas será que tem alguém? em algumas noites essa luz azul bate triste e solitária.
em todas essas cartas dedico minhas saudades mais honestas e bonitas, incluindo você.
uma vez você me comparou à uma estrela distante e acho que nenhuma analogia teria explicado melhor. eu sou uma estrela. eu sou esse corpo que só é bonito de longe e no vácuo infinito do espaço cuja alma está sempre em chamas. querida, como faço pra explicar que o fogo que brilha em mim um dia vai diminuir e morrer? mais cedo ou mais tarde, eu vou queimar tudo. eu vou queimar até o fim.
e eu poderia criar a cidade mais perfeita que jamais existiu, com ruas amplas e parques arborizados e mesmo assim não poderia caminhar por essas calçadas com você.
você ainda está comigo? querida, querida, me manda um sinal.
pintei esses dias de enigmas azuis na esperança de te dar uma visão celeste daqui
eu sou o ponto que ninguém jamais alcança, meu amor. o limite tendendo ao infinito de todas as equações e eu queria que existisse uma resolução melhor pra essa questão, mas não tem. a álgebra raramente erra nesse sentido. seriam precisos novos números para que existisse um encontro entre nós.
Nos apaixonamos pelo sonho de viver esse amor e, querida, eu nunca quis acordar.
mas era preciso, meu amor, era preciso.
a felicidade não me cabe, d, é o que eu tenho tentado te dizer com todos esses planos de fuga, viagens impossíveis, mundos distantes e jardins perdidos. a felicidade não existe para mim aqui. eu sou de outro lugar. minha alma quer ir pra lá.