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A woman stands in the doorway near a wall with hand-painted art. Hand painting, “vernacular art and architecture in West Africa” is extremely popular, especially in Ghana, Nigeria, Burkina Faso and Mauritania, 1987-88 © Margaret Courtney-Clarke
A jornada da mulher estelar
Alguma coisa me separou da escrita. O número 16 vem na minha mente. Seria a idade que comecei ou que parei de escrever? Acho que foi quando comecei. 1, o ego, 6, o amor. 7, 1+6, a espiritualidade. É. A espiritualidade. A espiritualidade é o que me faz ter vontade de escrever agora. É o que me impulsiona a desvendar camada à camada, mergulhar nas águas desta e das outras vidas para varrer as vasanas e os samscaras. É ela quem joga na minha cara os lados negligenciados desta história e que me faz ponderar os rumos daqui em diante.
Cansei de fugir da minha família. Cansei de viver dessa forma atropelada, afoita e sempre justificada. Também cansei de ser falsa, cansei de mendigar amor. Cansei de carregar o peso de ser quem eu não sou. Mas quem eu sou? Se nem eu me conheço dentro destas novas condições de leveza e não atropelo? Pois bem, me resta descobrir.
Mas para descobrir eu preciso me experimentar. E para me experimentar eu sinto que eu preciso de espaço para expandir, porque eu sei que eu vou expandir. Eu vou explodir, na verdade. Vou explodir e vai ter fogos no céu, vão ser tantas cores que por alguns segundos as pessoas vão se cegar. E vai ser tão bonito, tão bonito, que virar estrela não vai ser mais impossível para mim. O meu brilho vai ser intenso, e eu não vou precisar de muito esforço para quem me ver notar. Olhos vão cintilar, o cabelo vai voar com o vento e a minha saia vai levantar, mas não muito, o suficiente pra mostrar a minha panturrilha e um pouquinho do joelho pois eu logo a vou segurar. O sorriso será largo e fácil, os músculos do rosto vão aprender esse novo movimento e não vão cansar de repetir. Não será mais esforço sorrir. A roupa será vermelha, sempre vermelha. Vermelho é a cor que escolhi pra mim.
Mas ainda me resta percorrer este caminho. Eu imagino como é a linha de chegada mas o tortuoso caminho, o bosque de árvores secas, de choros, raiva e outras emoções reprimidas precisa ser atravessado. E eu vou precisar dançar com as emoções, ler recostada nas árvores, caminhar, um dia de cada vez, atravessar o bosque, me arranhar nos galhos, gritar, pedir ajuda! Tem alguém aí??? Alo??? Alguém me tira daqui! Vou precisar saber me acalmar quando ficar aflita. Vou precisar me ninar quando o choro estiver engasgado, quando eu me perder no caminho desta jornada e não conseguir desver o que foi visto. Vou precisar me recolher. Mas também vou precisar celebrar quando a tempestade passar. Eu vou precisar dançar nas noites de lua, movimentar os braços, o corpo, saudar a terra, os ciclos, a vida!, movimentar os quadrantes do quadril para liberar essa explosão que é viver! Pois é lá que estão os fogos, ou melhor, a bomba. Inerte. Intocada. Protegida. Protegida ou escondida? Escondida. Uma ogiva de energia sexual esperando ser ativada para virarmos estrelas. Estrelas na vida uma das outras. Pontos de luz e de orientação dentro dos bosques de arvores secas que é a história de cada uma de nós.
Que eu tenha força para continuar caminhando no bosque todos os dias. E que um dia eu possa ser a estrela de outras que desejam atravessar as árvores para dançar a dança da vida do outro lado.
Om
Traditional Girl Artist: S. Elayaraja. Oilpainting on canvas. (via Deccan Herald)
Shiva, Parvati and Their Sons Ganesha Murugan Publisher: J.B. Khanna Fine Arts, Chennai. (via Etsy: Easternimage)
capri / @anaelisabetaxx
Shot by Chris Colls for Lui, Spring 2020
ig | Julie de la Playa
photo by bluesonplanetmars.tumblr.com
Taken in a post office in Barcelona believe it or not. I’m a fan of the postal service. Take that as you will 😌
quote by Rachel Wiley
Par Femme