Ando escrevendo sobre você o tempo todo. Em post its, nas notas do celular e dentro da minha cabeça. Tentei esconder essa inspiração do computador por algumas semanas. Não queria perder o foco do trabalho ou ver mais um texto sobre você se tornar realidade. Me sinto a própria Taylor Swift: escrevendo minhas histórias reais sobre homens, que posteriormente serão lidas por alguém que vai ficar tentando adivinhar quem é o personagem principal. E ainda corro o risco de ouvir de um de vocês: “that’s what she does”, como a Taylor ouviu de um ex que não curtiu ganhar uma letra sobre ele. Mas não tô nem aí. Realmente, that’s what I do. E eu sei que não tenho vontade de escrever sobre você à toa. Você faz eu me sentir como em Fearless. “And I don’t know how it gets better than this You take my hand and drag me headfirst Fearless And I don’t know why but with you I’d dance In a storm in my best dress Fearless” Amava aquela nossa mania de enviar músicas um pro outro sem falar nada. Infelizmente, não pude te mostrar Fearless antes que você virasse as costas pra mim. Ando escutando outros sons incríveis também, principalmente Soul. Sei que você entenderia a energia única dessas músicas, assim como eu. Você colocaria minha playlist de Soul no carro e daria aquele sorrisinho de canto quando o aleatório entregasse alguma faixa do Marvin Gaye ou do Black Pumas. É uma pena não poder dividir esse prazer com você, nem poder ter contar que eu sonhei com os anéis de Saturno e acordei correndo pra janela procurando por eles. Você não acharia nada estranho, apenas incrível e curioso. Sinto muito sua falta (lembre-se que já conversamos sobre a diferença entre saudade e sentir falta). Você enxerga o mundo com a mesma sensibilidade exagerada que eu. Queria te contar que estou passando maus bocados comigo mesma e tendo insights muito malucos sobre os meus erros, porque sei que você saberia exatamente o que me dizer. Mas não quero conversar sobre isso por mensagem ou telefone. Queria te encontrar numa praia, num parque, numa cachoeira, no alto de uma montanha, num campo holandês de tulipas… Qualquer lugar onde a gente pudesse respirar um ar suave e descansar os olhos do caos da cidade. É que além de me dizer a coisa certa, você seria a única pessoa capaz de comentar sobre os reflexos do Sol na água e outros detalhes pequenos que eu queria que as outras pessoas também enxergassem. Preciso demais me sentir compreendida sabendo que alguém vê tudo que eu vejo. Não sei se magoei mesmo você ou se na verdade você só não estava nem aí, e por isso não disse nada. Senti que você apontou o dedo na minha cara sem me dar espaço para me expressar. E como eu vivo na defensiva, fiz o mesmo tentando revidar. Não queria ficar descalça sozinha, batendo numa porta trancada que você não ia abrir pra mim. Minha cartomante disse que eu estava apaixonada por você antes mesmo de tocar no baralho. Falei que era maluquice dela, que eu só queria que a gente fodesse com força até a exaustão. Mas eu estava mentindo pras cartas, me defendendo até das previsões do universo. Já se passou mais de 1 mês desde a última vez em que nos falamos, e eu continuo querendo escrever como me sinto quando estava contigo. Ainda ouço a playlist que eu fiz de “mantras” sobre você. Revelei seu nome para uma amiga enquanto estava bêbada, e aos sussurros porque me doía muito confessar essa falta. Sinto um medo enorme de que você me odeie ou me ache uma pessoa horrível. Quando a Lua tá brilhante demais, eu tenho vontade de te escrever “olha pra Lua”. Fico escutando Fearless e sentindo com toda a certeza do meu coração que com você eu dançaria em uma tempestade com o meu melhor vestido. Eu acho que eu me apaixonei mesmo por você, por mais bobo que isso seja. Não sei se naquela tarde da cachoeira em que uma libélula pousou na sua tatuagem de flor de lótus eu já estava apaixonada… Na nossa visita ao Mosteiro dos Jesuítas eu cheguei a cogitar nos meus pensamentos mais profundos se já estava, mas enterrei a possibilidade porque fiquei apavorada. Não sei em que momento minha ficha caiu, só que foi tarde demais. Sei lá também porque eu digo isso, porque se eu tivesse percebido antes, não teria nem ideia do que faria diferente. Talvez faria tudo mais errado ainda, consumida pelo medo de errar. É tanto “E SE” sobre nós dois ecoando na minha mente, que eu me sinto até culpada de não manter o foco em outras pessoas que têm potencial. Me pergunto se você melhorou do que te atormentava tanto, se continua rabiscando meu nome em algum dos seus livros ou se já mudou pro seu apartamento novo e adotou um cachorrinho caramelo rebaixado. Apesar de vários momentos bons que a gente teve, o milésimo de segundo que está sempre fixo na minha cabeça é o da primeira vez que eu te vi. Fico querendo voltar para essa cena o tempo todo. Aquele sábado continua sendo o melhor dia que tive com você. Me senti tão aberta ao amor e ao mistério naquela noite. O frio na barriga voltou quando percebi que estava esperando você me beijar e você só fez isso às 4 da manhã. E essas borboletas permaneceram no meu estômago por todas as semanas seguintes, por mais que eu saísse sozinha, conhecesse novas pessoas e ouvisse outras músicas. Depois do meu maior baque kármico, pensei que não ia me sentir tão curiosa assim sobre alguém nunca mais. Mas você me desperta alguma coisa que me tira do sério (até coloquei “You Give Me Something” como um dos mantras sobre você). Queria que o nosso encontro nessa vida fosse uma fita VHS. Pra eu ficar rebobinando, procurando onde eu errei. Infelizmente acho que não te encontrei nas oportunidades passadas, e nem vou te reencontrar nas próximas. Não consigo ficar tranquila pensando que o destino se encarregou de tudo. Sinto que você é uma novidade não planejada, saiba que estás colocando meu maktüb à prova de fogo. Essa sensação maluca é tão urgente porque, entre nós dois, ela vai acontecer uma vez só: aqui e agora. Somos um evento único na dimensão em que estamos, um pontinho muito pequeno na matriz. Então fico te imaginando em tudo que eu faço e em todo lugar que eu vou. Preciso te ver, preciso sentir a paz que você tem, preciso estar perto de quem compreende que ser frágil é lindo. Quero fazer cafuné nos seus fios de cabelos brancos. Quero te ouvir cantando músicas aleatórias do nada. Quero entrar no seu carro e ver sua prancha de surf branca no banco de trás. Quero acender um beck de camomila contigo. Quero te deixar comer o restante do meu lanche. Quero te fazer gozar no chuveiro. Quero sentir aquela paz imensa quando te ouço cantando True Colors na versão do Phil Collins. Quero esperar 37 minutos até você escolher um filme na Netflix. Quero conversar sobre sua Vênus em Câncer. Quero te dar os parabéns quando você completar 31 anos no dia 02 de Agosto. Quero conhecer tudo que você é, pouco a pouco e de uma vez só. Quero tanta coisa que não posso ter, inclusive acender um cigarro pra tentar te esquecer. Faz o meu celular tocar só mais uma vez, por favor. Mesmo não sabendo o que eu faria caso ele tocasse, era tudo que eu queria pra me sentir mais forte que o medo de ser eu mesma.
Gabriela Nogueira













