as pessoas deviam pedir permissão
para deixar o cheiro na fronha
como quem entra num quarto
e tira os sapatos
antes de tocar o chão que era gélido
deviam assinar um termo
antes de sorrir na sala
como quem acende uma vela
num cômodo que não é seu
devia haver um aviso prévio
de que a pele tem boa memória
e que o corpo, distraído,
guarda sinais como se fossem
segredos ou cartas não enviadas
as pessoas deviam pedir licença
para deixar marcas no coração
como quem risca um nome
num banco de praça
ou num tronco de árvore alheia
porque depois vão embora
com a leveza de quem nunca ficou
e a gente fica —
com o lençol cheirando um nome
com o peito cheio de dedos
devia haver fronteiras,
formulários, registros,
avisos em voz baixa:
“posso te deixar saudade?”
“te dói se eu for?
um byte de Notas - 16/05/25


















