Segunda-feira. Foi então que a vi: o amor da minha vida. Do outro lado da rua, no mesmo horário e lugar de todos os dias. Eu sabia que entre as 18h25 e 18h32 ela passaria andando em frente à banca, sempre apressada, carregando uma bolsa e vários papéis. Já não sei mais quantas vezes a vi passar. Foi amor à primeira vista e à todas as outras também. Será que ela já me viu? Provavelmente nem sabe que eu existo e muito menos sabe o que existe dentro de mim, mesmo sendo ela tudo o que há em meu interior. Mas torcer pelo destino é inútil. Como ela saberia se eu sou incapaz de demonstrar? Eu gostaria de poder dizer tudo o que sinto. “Vai ser amanhã”, eu me digo, já sabendo que minto. Seria muito bom se ela ouvisse todas as palavras que eu nunca consegui dizer. Seria melhor ainda se ela sentisse o que nenhuma das palavras pode explicar. Sabendo da minha incapacidade de falar, já tentei dizer com o olhar. Pena que os olhos dela nunca encontraram os meus em meio à multidão. Os dias continuaram passando. Ela também. Todos os dias eu parava para vê-la passar. Afinal, era tudo que eu conseguia fazer. Os fins de semana eram verdadeiros tormentos. Nesses dias eu não a via. Parece bobeira, mas enquanto todos aproveitavam eu só conseguia pensar nas 18h25 da segunda-feira. Elas chegaram: a segunda, a minha musa e a desilusão. Desta vez ela passou, mas não estava sozinha. Havia alguém no lugar que eu nunca tive coragem de ocupar. A primeira lágrima escorreu quando vi que ele colocou o cabelo dela atrás da orelha como eu sempre imaginei que faria. Depois disso eu perdi as contas de quantas escorreram pelo meu rosto. Eu não conseguia enxergar mais nada. Quando recuperei a visão, ela (e ele) já tinham passado. Foi naquela segunda-feira que aprendi uma das maiores lições sobre o amor: amar não basta. É preciso demonstrar. É preciso dizer. Eu sabia o que fazer, mas não soube falar. Carrego o peso da culpa de ter ficado parado enquanto vi o amor da minha vida passar. Jean Carlo Barusso.












