O dia todo, todo dia.
As vezes com uma pequena pausa pra respirar.
Medo. Apreensão. Dor. Angustia. Medo de falar, de sair de casa, de voltar. Agonia. Medo da rejeição, de não se encaixar. Medo de dormir, medo de acordar. Medo. Medo. Medo. Dor, muita dor.
A ansiedade te dá a sensação de que seus pensamentos estão correndo na velocidade da luz em milhares de direções diferentes, trombando uns nos outros pelo caminho. As vezes, faz com que sua mente se desligue e você não consiga estar mentalmente presente nos lugares - o que não é um alívio, é assustador. As vezes a ansiedade faz você se sentir como se não controlasse seu próprio corpo. Te tira o fôlego, te faz tremer e se estressar, ficar com raiva sem motivos.
É como uma voz, lá no fundo da sua cabeça, dizendo que tudo está errado, que você é diferente e estranha, que há algo muito errado com você, que ninguém gosta da sua companhia, que estão todos te olhando, que você não tem talento nenhum e nunca será nada na vida, que talvez você não devesse se relacionar com ninguém pra não causar nenhum sofrimento, que você merece ser e ficar sozinha. A voz também diz que seus sentimentos são ruins e que isso te faz uma pessoa ruim, um fardo, um peso pra todos ao redor, e nessa hora você pensa em se isolar, as vezes se isola.
A ansiedade te faz achar que está incomodando, faz sentir medo de estar estragando tudo. Te faz sentir ódio por ser assim e afastar as pessoas sem querer. Te faz suar até na hora de iniciar uma conversa. As vezes te faz chorar de desespero por pensar que esse sentimento, esse sofrimento será eterno e igualmente cruel pra sempre. A ansiedade te deixa com medo de não saber o que falar. Te faz esconder o que há de errado, colocar um muro de defesa, uma armadura que protege de danos maiores. A ansiedade tira sua concentração em coisas importantes e foca em todos os problemas que você não sabe como resolver.
A ansiedade é capaz de enlouquecer com esse ruído insuportável de pensamentos vinte e quatro horas por dia na sua cabeça. É como se seu estômago estivesse sendo corroído por ácido, queimando, comendo tudo o que tem dentro de você. Te faz sentir um nó muito apertado que você não consegue desfazer. É como se sua mente estivesse pegando fogo. Pensando, analisando, planejando cada pequena coisa, por mais irrelevante que seja. O cansaço e a distração quase sempre tomam conta. Ter ansiedade é ter dificuldade pra fazer várias coisas, tomar decisões, escolher. Como se um grande letreiro escrito “MAS, E SE?” estivesse grudado no meu cérebro. As vezes a ansiedade te faz ficar acordada a noite, por várias horas. Como se fosse aquele barulho chato que aparece nos momentos mais inconvenientes e você não consegue desligar. Você passa pelo dia analisando e agonizando sobre todos os detalhes do que pode acontecer ou não. A ansiedade faz com que você se sinta inútil, deprimida, um incômodo. A ansiedade e as pessoas que não entendem te fazem sentir como um… brinquedo quebrado.
É como ter que segurar um objeto leve, como um copo de vidro nas mãos, quase não faz diferença quando você o segura. Mas aí você passa meses, anos segurando o mesmo copo. O peso não muda, mas uma hora vai criando feridas na sua mão e você até acaba esquecendo do quanto ele era leve, as vezes você simplesmente finge que ali e que você não está exausta, e as você deixa o copo cair.
Você respira, sente seu pulmão enchendo de ar, sente seu peito se movimentando mas ainda se sente sufocada. As vezes você até coloca a ponta do dedo no nariz pra checar que ainda está respirando.
Quanto mais você pensa, pior fica.
Quanto menos você pensa, pior fica.