Muitas vezes na vida achamos que precisamos da validação e atenção dos outros para nos sentirmos bem consigo mesmos.
Deixamos de olhar pra nós mesmos e começamos a procurar o amor nos outros. E quando você se encontra numa situação de extrema carência é ainda pior.
Eu sempre fui uma menina insegura. Passei grande parte da minha infância e adolescência desejando atenção, validação, segurança e muitas outras coisas no externo, e no fim isso tudo sempre me causava um grande sofrimento interno, porque obviamente tudo se acabava muito rápido.
Amizades que nunca duravam, breves relacionamentos com pessoas aleatórias que eu escolhia para resolver uma situação de carência.. Analisando friamente, hoje vejo que grande parte da minha vida social foi uma mentira. É uma ou outra amizade que salva.
Acho que minha necessidade de atenção e segurança, a vontade de ser amada, de ser vista e de ser quista, tudo isso me levou a lugares péssimos. E as vezes isso se torna um grande pesadelo quando se soma a vida de uma garota jovem que sente sozinha na maior parte do tempo.
Um tempo atrás conheci uma pessoa que, num primeiro momento, me pareceu diferente de todas as outras que já me relacionei afetivamente. Com essa pessoa eu conseguia me sentir a vontade para ser eu mesma na maior parte do tempo, era como se eu estivesse "em casa". Era tudo muito bonito: as conversas, os momentos de prazer... Até que de repente, por um "não" que eu dei a ele, tudo se acabou.
E eu me senti como se, novamente, tivesse sido abandonada e tudo tivesse sido uma grande ilusão da minha cabeça. E eu duvidava se aquela relação que até então parecia perfeita realmente tinha existido ou tinha sido apenas um delírio da minha mente.
"Eu nunca tive isso! E foi tão perfeito, será que realmente aconteceu?" Era um questionamento frequente.
Aquele contato diário com aquela pessoa de repente morreu. Não havia mais mensagens, não havia mais encontros semanais, nada. Como alguém consegue deixar morrer algo que foi tão intenso e profundo?
Até mesmo eu, que costumo ter facilidade para rompimentos, não conseguia romper com aquilo, porque era intenso e gostoso demais para meu sistema nervoso central. A sensação da liberação de serotonina e de todos os demais hormônios do prazer era frequente com aquela pessoa.
E isso me impedia de agir de forma racional e enxergar algumas coisas. Depois do rompimento forçado e de muitos meses de terapia, eu fui compreendendo que não podia deixar a minha alegria depender de alguém. E com muita dificuldade tive que aprender a deixar aquele sentimento de saudade fluir e se esvair aos poucos..
Até que... um belo dia fui surpreendida por uma mensagem inesperada em uma madrugada. Era ele. A pessoa que por muito tempo era o motivo da minha felicidade reapareceu. [Aí estava o grande erro].
E inicialmente seguindo minha razão, tentei resistir aos pedidos de desculpas e o convite de um reencontro. Eu juro que tentei, mas no fim acabei cedendo. E o contato com essa pessoa retornou, com trocas de mensagens diárias novamente.
E novamente me vi vivendo o mesmo ciclo: eu estava viciada nele. Ou melhor, nos hormônios agradáveis que ele liberava em meu corpo a cada mensagem carinhosa recebida. O ciclo vicioso tinha retornado.
Esse reencontro inesperado ocorreu em Julho. Estávamos desde fevereiro sem nenhum contato. Um adendo: essa pessoa em questão foi a primeira a qual eu disse "eu te amo" de forma singela e mais verdadeira possível. Até então, eu nunca tinha dito essas palavras com tanto amor dentro de mim. Talvez tenha sido a relação mais intensa que já vivi.
Mas hoje, analisando de forma fria, acho que essa relação tem me causado mais danos do que qualquer outra coisa. Como algo tão bonito pôde se transformar em algo tão complexo?
Quando eu me tornei tão dependente da atenção de alguém? Como eu, que sempre evitei me apaixonar, fui parar em uma situação dessas? Quando eu vi, já estava dentro da rede daquela pessoa. É como se eu tivesse sido caçada e hipnotizada.
Essa é uma pergunta que eu tenho me feito frequentemente. Por algum motivo, essa pessoa me causou um grande colapso mental e hoje tento me desvencilhar dessa dependência emocional. Talvez seja uma soma de fatores que tenha causado isso, mas felizmente aprendi a ter algum nível de controle.
A falta de resposta dele já não me afeta tanto e consigo viver de uma forma menos dolorosa. Consigo entender que eu não tenho controle sob as ações do outro e o que posso fazer é apenas tentar dar o meu melhor, sem ultrapassar os meus limites.
Hoje vejo que gostar de alguém não precisa ser algo sufocante. Aliás, nem deve ser. Precisa ser algo saudável, que faça sentido em todos os âmbitos. Não tem que doer, tem que preencher. E infelizmente essa relação tem me causado dor e dúvidas.
Por que eu me sinto assim? Não era pra ser normal? Eu estou forçando demais? Eu estou ultrapassando algum limite?
Se está me causando tantas dúvidas, talvez seja a hora de deixar pra lá. Por mais difícil que seja. No fundo eu sei que estou tentando, não existe forçando nada, estou sendo 100% honesta e buscando respostas para minhas perguntas. Mas a atitude do outro já não é responsabilidade minha. E se me causa dano, talvez não seja pra mim.
E felizmente hoje tenho plena consciência de que não nasci para estar em relações que me trazem desconfortos. Essa época já passou.
Sei que em breve estarei voando mundo à fora e tendo verdadeiras conexões, porque hoje me priorizo e cuido da minha espiritualidade e saúde mental. Não necessito de atenção de pessoas que me tratam com indiferença.
Ter essa consciência é libertador e confortante. Saber da sua capacidade de abundância é a chave para criar relações saudáveis e duradouras.
Amanhã, caso não houver nenhuma mensagem dele, já não fará diferença no meu dia. Simplesmente porque o que ele pode me oferecer é pequeno demais pra grandeza do meu tamanho e do meu brilho.