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@euphoricaliy
Deo Suveera
em um segundo, você me olha com olhos sedentos como se eu fosse o Oceano inteiro
no outro, você me olha como se eu fosse salgada demais
você é injusto
é injusto como a sua rotina de café e cigarro tenha me arrebatado de forma tão absurda que eu preciso de bombinha
e eu já não tenho crise asmatica há anos
você me da tudo e tira tudo de mim
eu sou sua inteira
eu te vejo inteiro
mas não tenho nem metade
você é um caminho inteiro que eu já percorri mas continuo andando em circulos
sem chegar onde eu queria
você é bom pra mim
você é ruim pra mim
deixa eu tocar aqui?
deixo
deixa eu saber sobre isso?
deixo
mas falta, falta alguma coisa
qualquer coisa
não olha pra mim enquanto eu digo que estou desistindo de você
não me faz imaginar você olhando com esses olhos pra outro ser humano porque eu sou esse tipo de pessoa egoísta
a pior de todas
você vira de lado na cama e me faz sentir uma falta enorme de você
e eu peço vira o rosto pra mim
deixa eu ver o rosto que eu enxergo nos meus sonhos cada vez que fecho os olhos
deixa eu ver o quanto você é real e intocável
você é quem me coloca em apuros
mas é o meu porto seguro
inseguro
inconstante
instável
mutável
camaleão de garras
areia vermelha no deserto do atacama
me joga na sua cama
me faz ficar horas no banho tirando os grãos que não saem do meu couro cabeludo
e que, infelizmente,
sempre ficam um ou outro
eu preciso ir embora agora
mas te ver tão frágil vestido de azul claro é toda a ruptura da estrutura firme que eu demorei anos pra construir na pele de quem já se decepcionou antes
muitas vezes antes
você some com todos os medos que eu tinha de enfrentar alguma coisa maior do que eu
você é toda essa força que acaba com os meus vinte anos em vinte segundos
você me atingiu como se o sol tivesse colidido com a lua fazendo com que toda astrologia virasse pó jogado no mar
você veio como um soco no ouvido e eu ainda escuto o “pi” toda vez que você abre a porta
você construiu em mim tudo aquilo que eu demorei anos pra destruir
e você nem queria
você respira como se a sua existência não arrepiasse cada pelo no meu corpo e isso me deixa com o bruxismo atacado o resto da noite
você é lindo assim
suado
pelado
com a toalha de lado
segurando o cigarro
desculpa fazer poesia com tudo
é que eu te vejo muito além do que você é
mas você ainda tá no meio do caminho
ainda suspira em água doce
e eu,
já tão salgada de tanto nadar em mar aberto
declaro agora que você não pode mais jogar areia nos meus olhos
eu te olho e não me espanto, não há medo agora. o universo retornou ao momento em que tudo é paz. você está a um palmo do meu rosto e intimidade é apenas um país que acessamos sem dizer palavra alguma. o silêncio não nos fere e me sinto confortável em dividir minha vida e espaço com você. contigo, aliás, tenho vontade de ficar, ser de verdade, me abrir por inteiro. eu te olho e não tenho vontade de fugir.
não existe medo do amor e do sentimento avassalador que é a paixão que veste meu corpo neste instante, que suspende minha risada no ar sempre que falo o teu nome para os meus amigos, que me torna o “último dos românticos”, como você mesmo diz.
eu nunca me entreguei tão rapidamente a alguém assim. você me vira do avesso, derruba todas as minhas barreiras, transforma as minhas hesitações em certezas absolutas: eu te quero muito, mais do que ontem, menos do que amanhã. eu te quero para outras vidas, porque não é possível que eu tenha o privilégio de te gostar apenas nesta.
estamos indo rápido demais? estamos desafiando o tempo, os relógios, as agendas difíceis, as convenções sociais do que é aceitável no começo de qualquer relacionamento?
você me olha e diz que não, que estamos no tempo certo. e teu sorriso denuncia que a paixão é para os grandes, para os fortes, para aqueles que não têm medo de cair. mas não estamos caindo, baby: estamos, na verdade, flutuando sobre nossas vontades, eternizando em nossas vidas pequenos grandes momentos de felicidade.
com você e por você eu quero ficar. hoje, eu decido ficar.
Johan Deckmann
CHICAGO PD 9.02 “RAGE”
#rena
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