There's no room for mistakes | Evangeline + Valentina
- Poderia, sem dúvida alguma. Mas, considerando a forma que você entrou no armário de vassouras, acredito que você estava com um pouco de pressa e não queria ser vista. Logo, você agiu da melhor maneira possível em uma situação limitada. – a professora diz com simplicidade e um dar de ombros. O tom frio e duro da aluna incomodava Valentina, porém, já havia percebido durante as aulas de Duelo e em suas observações que aquele realmente era o jeito da jovem. Parecia que ela exigia muito de si mesma.
Valentina, então, passa a se concentrar em cuidar da mão da garota. Depois de desenrolar o pano e ver como ele estava grudado no corte, ela toma uma decisão que seria extremamente dolorida para Evangeline. É pensando nisso e na forma menos prejudicial à menina que a mulher avisa que puxaria o pano na contagem até o número três. Exceto que não tinha realmente a intenção de fazer tal contagem. Por isso que, após o aviso, Valentina simplesmente puxa repentinamente o pano visando o menor sofrimento possível da aluna. Fazer aquilo de uma só vez era muito melhor.
- Pronto. – avisa, erguendo o olhar um segundo para o rosto da aluna. Valentina tivera a sensação que ela não iria gritar e estava certa, Evangeline fora forte o suficiente para não reagir de forma escandalosa e se limitou a cerrar o maxilar. Abaixando o olhar para o corte e ouvindo a respiração pesada da menina, a mulher vê que o machucado voltara a sangrar. – Isso não é motivo para se desculpar, querida. Sei que esse tipo de coisa dói muito. – inclinando um pouco o rosto e direcionando o olhar para a jovem, de forma que ela pudesse lhe encarar a face, Valentina emenda: – Agora vamos cuidar disso e logo logo a dor vai embora, ok?
Após esboçar um breve sorriso, a professora ajeita a postura e volta a focar o corte. Valentina, sempre com muita delicadeza e cuidado, usa o mesmo pano para limpar o sangue e, feito isso, coloca a peça sobre a mesa, ocupando a mão, em seguida, com o remédio que iria limpar a ferida. Era uma poção básica de primeiro socorros de cor âmbar, cujo líquido a mulher aplica sobre o corte; aquilo iria causar uma espécie de frescor e alívio em Evangeline, além de fazer a pele parar de sangrar.
- Agora só precisamos fechar o corte com um feitiço. – o remédio já havia praticamente evaporado e agora o corte não sangrava mais, estava limpo e tratado. Querendo acabar com aquilo rápido, isto é, eliminar a visão da carne viva, Valentina pergunta: – Você quer fazer isso ou posso eu mesma fazer?
Eve ouviu a resposta da mulher, mas desta vez não retrucou. Seus olhos claros focalizaram os escuros de Valentina por alguns breves segundos enquanto a mais nova pensava por que a professora estava sendo tão compreensiva e boazinha assim. Evangeline tem uma enorme dificuldade em aceitar que algumas pessoas simplesmente são bondosas e ponto final. Para ela, há sempre uma segunda intenção egoísta que está por trás da bondade.
"Isso não é motivo para se desculpar, querida. Sei que esse tipo de coisa dói muito." Disse a professora Bennet.
É, dói como o diabo. Pensou a aluna respirando fundo para recuperar seu equilíbrio psicológico. Neste momento, Valentina se inclinava para ela e dizia que iriam cuidar disso para fazer a dor ir embora. -- Claro. Pior do que isso aqui não pode ficar, de qualquer forma. Eve sibila e volta a olhar para a professora, tirando o foco visual do chão, onde antes estava.
Evangeline estava consciente de sua respiração enquanto a professora cuidava de sua ferida. Seus olhos azuis estavam um pouco arregalados, atentos a tudo que a bela Valentina fazia. As mãos dela eram tão delicadas e femininas. Teria a professora algum namorado ou noivo? Talvez. Talvez ela seja daquelas que vão para Hogsmead encontrar-se com seu amor. Amor. Esta é uma estúpida, sem dúvidas. Enquanto Valentina abria o remédio, Evangeline ousou conferir com o olhar a região abaixo do pescoço dela, onde parte sutil dos seios estava exposta. Não era muito, mas com o vislumbre que teve a jovem já pode concluir que sim, ela deve ter um namorado. Por que uma mulher como Valentina - bela, doce e tão atraente - seria solteira?
O alívio para a dor veio praticamente instantaneamente após a aplicação da poção. Evangeline ficou se perguntando que poção era aquela, sua mente queria descobrir sem precisar perguntar à professora, mas a pergunta de Valentina chegou aos seus ouvidos e a distraiu de sua tarefa. -- Eu mesma posso fazer, claro. Não é difícil. Apesar do orgulho expresso naquela recusa, Eve tinha um tom de voz leve. Ela recolheu sua mão devagar, trazendo-a para junto de seu próprio corpo. -- A senhorita me libera, por favor? Prefiro ter privacidade. Não querendo soar tão rude, completou: -- E também preciso trocar minhas vestes. O argumento de Eve era plausível, uma vez que suas roupas estavam respingadas de sangue.








