Relações
Eu fico pensando que conforme a vida vai passando e desde que eu me entendo por gente eu sempre me senti intensa. Então comigo eu não sei ser pela metade. Tem quem romantize essa intensidade, e eu as vezes ate acho bom, porém nos últimos meses não tem sido algo tão bom assim, tem sido um verdadeiro inferno para mim. E o que as relações tem a ver com isso? bom no contexto de amizades, eu acabo me policiando mais em ser quem eu sou, eu acabo ficando hipervigilante, me policio sobre o que falo e como falo, vou tentando filtrar quem sou, vou performando. E pra mim isso é muito estranho, porque no contexto das amizades eu pensava que era um local seguro para ser quem eu sou, de poder demonstrar o quanto eu amo, o quanto tenho carinho, de poder desabafar sobre quando algo da vida e do cotidiano atravessam o meu peito, e eu automaticamente pensava "aqui é um local seguro, então dá pra ser 100% eu, aqui não esperam nada de mim, me querem por inteira". Só que eu percebi que não é bem assim, porque na realidade ser assim também vem com um custo muito alto para o outro lado receber tamanha intensidade, é um peso muito grande e cruel. Então eu venho me dando conta que eu sempre estive só com essa minha imensidão e eu estou tentando canalizar isso para outra área onde eu não dependa de mais ninguém pra isso. Só que parte de mim fica muito triste com isso, pois assim ainda que a minha imensidão assuste no primeiro momento, cara é algo tao bonito, é algo tao único, tao eu. Não entra na minha mente, porque as pessoas próximas a mim, fugiriam disso, porque nao embarcam, nao mergulham comigo nisso, qual a porra do problema nisso? e sim, seria algo reciproco também, pois eu também estou disposta a mergulha na imensidão do outro, na casa do outro e não, eu não me importo com a porra da bagunça. Eu me importo é com a conexão, com a relação, com a gente. E nisso para que o outro não precise entrar na minha casa bagunçada, eu estou aprendendo a pedir para que o outro fique na porta mesmo, me espere do lado de fora, eu te recebo na porta da minha casa e fecho a porta atrás de mim para que a minha bagunça não seja um grande e terrível incômodo para você, e a gente mantém as coisas nas linhas superficiais. Porque afinal, Deus nos livre se eu entrasse na sua casa bagunçada e você entrasse na minha e a gente só ficasse ali, puts. E claro o mais importante, você estando na porta sem precisar entrar, você nem precisa tirar seus sapatos e já fica sempre pronto para ir embora, sem despedidas exageradas, e a gente vai se acostumando assim, a gente vai normalizando conter a emoção e deixando tudo o mais cinza possível para que você nunca se incomode :)


















