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A ausência
Eu sinto uma dor tão excruciante, é uma dor que me consome, que me atravessa, que me despedaça, que me corrói, que desfaz por inteira e me atropela.... É uma dor que me acompanha desde que me entendo por gente por não me sentir pertencer a um lar, um lugar, na realidade eu não pertencia, pois hoje eu estou construindo o meu próprio lar, estou pertencendo ao meu lar. Mas eu cresci sentindo essa ausência, a minha presença sempre pareceu ser só mais uma coisa no ambiente, eu não me sentia vista, validada, que tivesse valor. E crescer e tentar ressignificar esse tanto de dor, é tão dificil, tao cansativo. Eu cresci tendo a ausência de afeto e umas das coisas das quais eu mais tento é demonstrar afeto desesperadamente, como se eu necessitada disso, nao que o outro precise, mas sou eu que acabo dando aquilo que sempre quis receber, afeto, acolhimento. Como é ter um lugar que se mais nada no mundo der certo para voce, tu tem pra onde voltar? Lima Duarte diz justamente isso em um poema, "Triste de quem nasceu no asfalto e entre arranha-céus. Eles sim não têm pra onde voltar. Quem nasce no interior carrega um pedaço de casa por onde passa. E se nada der certo, eu volto para minha terra." Ter casa, ter lar. Não existe perfeição, mas é justamente saber que no meio do caos tem muito afeto, tem muito amor, é tanto amor que transbordar, é aquele amor que você senti de longe, pois ele vem acompanhado de atitudes, não é de palavras vazias. Eu me via sozinha muita das vezes e sem ter isso por perto, tudo parecia ser urgente naquele lugar de onde eu vim, menos eu. Eu não guardo mágoa, entendo que fizeram o que podiam dentro daquilo que tinham para oferecer, mas eu agora estou tendo que ressignificar e recolher justamente os pedaços que ficou por oferecer apenas o que tinham e não aquilo que eu precisava, eu entendo, eu perdoo, mas me dói como um luto justamente que nasceu da ausência, me manter longe é cuidar de mim e preservar o que sobrou, ainda que doa muito, talvez com a terapia algum dia isso melhore, pois vai, mas até lá eu sigo aqui no meu cantinho, construindo o meu próprio lar, faço isso por mim, por minha criança interior, eu quero cuidar de mim de um jeito que ninguém jamais um dia sequer cogitou em cuidar.
by Nikolett Emmert
Relações
Eu fico pensando que conforme a vida vai passando e desde que eu me entendo por gente eu sempre me senti intensa. Então comigo eu não sei ser pela metade. Tem quem romantize essa intensidade, e eu as vezes ate acho bom, porém nos últimos meses não tem sido algo tão bom assim, tem sido um verdadeiro inferno para mim. E o que as relações tem a ver com isso? bom no contexto de amizades, eu acabo me policiando mais em ser quem eu sou, eu acabo ficando hipervigilante, me policio sobre o que falo e como falo, vou tentando filtrar quem sou, vou performando. E pra mim isso é muito estranho, porque no contexto das amizades eu pensava que era um local seguro para ser quem eu sou, de poder demonstrar o quanto eu amo, o quanto tenho carinho, de poder desabafar sobre quando algo da vida e do cotidiano atravessam o meu peito, e eu automaticamente pensava "aqui é um local seguro, então dá pra ser 100% eu, aqui não esperam nada de mim, me querem por inteira". Só que eu percebi que não é bem assim, porque na realidade ser assim também vem com um custo muito alto para o outro lado receber tamanha intensidade, é um peso muito grande e cruel. Então eu venho me dando conta que eu sempre estive só com essa minha imensidão e eu estou tentando canalizar isso para outra área onde eu não dependa de mais ninguém pra isso. Só que parte de mim fica muito triste com isso, pois assim ainda que a minha imensidão assuste no primeiro momento, cara é algo tao bonito, é algo tao único, tao eu. Não entra na minha mente, porque as pessoas próximas a mim, fugiriam disso, porque nao embarcam, nao mergulham comigo nisso, qual a porra do problema nisso? e sim, seria algo reciproco também, pois eu também estou disposta a mergulha na imensidão do outro, na casa do outro e não, eu não me importo com a porra da bagunça. Eu me importo é com a conexão, com a relação, com a gente. E nisso para que o outro não precise entrar na minha casa bagunçada, eu estou aprendendo a pedir para que o outro fique na porta mesmo, me espere do lado de fora, eu te recebo na porta da minha casa e fecho a porta atrás de mim para que a minha bagunça não seja um grande e terrível incômodo para você, e a gente mantém as coisas nas linhas superficiais. Porque afinal, Deus nos livre se eu entrasse na sua casa bagunçada e você entrasse na minha e a gente só ficasse ali, puts. E claro o mais importante, você estando na porta sem precisar entrar, você nem precisa tirar seus sapatos e já fica sempre pronto para ir embora, sem despedidas exageradas, e a gente vai se acostumando assim, a gente vai normalizando conter a emoção e deixando tudo o mais cinza possível para que você nunca se incomode :)
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