Junhoe arregalou os olhos rapidamente fazendo uma pequena careta de assustado ao ouvi-la chamá-lo pelo seu nome completo, contudo seu objetivo ali não era tirar seu crédito, mas sim fazer a situação ficar mais leve para o garoto. Lembrava-se do quão assustado ficava quando levava sermões — especialmente porque seus pais faziam questão de traumatizá-lo para que os obedecesse — e não queria que o filho ficasse assim.
— Ok, ok, calma, Ahri. Vai me fazer brigar com o garoto sem nem ter comido nada. Eu já entendi que a culpa é dos meus genes — passou a mão pelos cabelos negros e comprimiu os lábios olhando diretamente para Junhee. Odiava lhe dar sermões, mas quando necessário, pensava em todas as palavras que deveria usar para que não machucasse o pequeno e tornasse aquilo uma experiência de aprendizado e nada mais do que isso.
— Junhee, me fala o porquê de você ter brigado na escola — seu tom estava mais sério, atraindo a atenção do pequeno para si. Ele se encolheu, colocando as mãos para baixo um pouco envergonhado, mas Junhoe não desviou o olhar nem por um segundo. — Seungyeon falou que a Hyejong gostava mais dele e ficou falando mal de mim ‘pra todo mundo, só que ela me falou que gostava de mim semana passada, e a gente acabou brigando. Eu ganhei, acho, ele ‘tá com um olho bem roxão — o pai, então, esboçou um pequeno sorriso e se virou para a ex. — Sou só eu que está tendo deja vu, aqui? Ok, ok, parei — voltou a controlar sua postura, se concentrando somente no garoto a sua frente. — Olha, está tudo bem em se defender. De verdade. Dá até um certo orgulho saber que você já consegue fazer isso, tendo oito anos, mas você tem que saber escolher suas batalhas, Junhee-ah. Não falam algo assim nas suas aulas de Taekwondo? Algo como ‘a sua força só pode ser usada para o bem’? Algo bem como super-heróis. Você quer ser legal como o Hulk, não é? Até ele escolhe quando lutar, você acha mesmo que ele entraria em uma briga e se machucando podendo ter ganho sem precisar disso? Sua mãe ficou triste porque você se machucou e causou confusão, e eu tenho certeza que a mãe do Seungyeon também ficou. E você pensou em perguntar para a Hyejong o que ela achava de tudo isso? — o garotinho negou com a cabeça fazendo um um beicinho adorável. — Eu aposto que ela deve ter ficado preocupada também. E vocês não queriam saber de quem ela estava gostando? Era só perguntar para ela — Junhoe esperou, até que o seu filho parecesse ter absorvido tudo que ele havia falado. — Você acha que fez bem, Junhee-ah? — o mais novo se mexeu, quase como se fosse argumentar algo, mas logo negou com a cabeça e recolheu os talheres afastando o bolo já comido. — Eu não mereço — o peito de Junhoe se apertou vendo aquela atitude de seu filho. — Tem um jeito de você merecer — os olhinhos do menor brilharam fazendo o coração do mais velho se acalmar. — Você tem que pedir desculpas a sua mãe, e amanhã ir falar com a Hyejong e o Seungyeon e resolver isso, sem soco e nem nada, só falar com eles, e depois peça desculpas a mãe do Seungyeon por conta da confusão que vocês dois causaram. Se você me prometer que vai fazer isso, eu, talvez, pense em te levar em algum lugar amanhã depois da escola. Sabe a aquela loja de brinquedos perto da construtura? Talvez, sabe? Eu sei que chegou o Professor Hulk lá — fez uma pequena dramatização, para que o garoto acreditasse veementemente na proposta e riu alto quando o garoto pulou para o lado da mãe a abraçando. — Omma, desculpa! Eu não vou fazer de novo.