spurius
Ele nem dormia em uma cama confortável na maioria das vezes, seria demais sonhar em morrer em uma, na verdade devido as circunstâncias ele não poderia nem desejar uma morte tranquila, mas a verdade é que para ele isso não era realmente importante porque morrer não era um problema, ninguém nem iria notar, não haveria um funeral, ao menos se morresse bêbado não pensaria nessas coisas. Spurius ficou observando os movimentos dela com curiosidade, mal conseguia se lembrar da última vez que havia ganho algo, o que era estranho, então seus olhos ficaram presos no objeto por alguns segundos, a confusão era nítida em seu olhar.
– Como sabe? Como sabe que meu aniversário é hoje?– Nem ele se lembrava mais desse tipo de data, era mais fácil assim, há mais de vinte anos que ninguém lhe dava os parabéns ou ao menos se lembrava do aniversário e o homem ainda estava digerindo se aquilo era algo bom ou ruim, principalmente a parte de ganhar algo, mas para não ser rude, ele estendeu a mão e pegou o objeto.– Obrigado, de qualquer forma.– Spurius não sorria muito, então não havia porque fazer isso naquele momento, sorrir era algo estranho, e só acontecia quando ele estava realmente muito bêbado.
“você me disse uma vez.” as sobrancelhas quase se juntaram em confusão pela pergunta, pois lillia se lembrava bem do dia em que o homem tinha revelado o aniversário. e foi aí que ela entendeu: ele estava bêbado no dia. riu, negando com a cabeça ao que pegava o copo novamente para sorver a cerveja. “você estava bêbado. a sua sorte é que eu sou muito boa com datas e me lembrei, mas também é uma coincidência que esteja aqui logo hoje. não precisa agradecer, eu fiz porque, por alguma razão, eu gosto muito dessa sua bunda problemática.”
descansou novamente contra a cadeira, trazendo as mãos para o próprio colo. “você vai ficar mais tempo por aqui? talvez eu esteja precisando de alguém para cortar madeira.”
Só podia mesmo estar muito bêbado pra dizer algo como aquilo, revelar seu aniversário, provavelmente no momento ele preferiu acreditar que ela logo esqueceria, até porque ninguém nunca se lembrava e isso não era um problema, pra Spurius estava tudo bem assim, viver sozinho era o seu jeito de fazer as coisas e vinha funcionando bem. Isso não quer dizer que não havia gostado de ser lembrado.-- Eu estou quase sempre bêbado, e falo demais.-- Disse esboçando um sorriso bem discreto, o que não era habitual.-- Por alguma razão eu também gosto de você, baixinha.
Ele tomou mais um longo gole de sua própria cerveja.-- Vou ficar mais alguns dias, ainda estou resolvendo assuntos pendentes. Seria um prazer ajudar, amanhã mesmo só me diga o que vou precisar fazer.-- Por mais que não fosse uma pessoa muito amigável, ele quase nunca recusava ajudar alguém que estivesse precisando, e com Lillia não seria diferente, principalmente porque ela sempre era legal com ele.

















