thornrosc:
Ao ser informado de seu noivado, Oleg não poderia exibir reação mais indiferente. Já esperava algo como aquilo, uma nova medida para garantir a ascensão dos Rasputin, apenas não sabia o momento certo. Era um hedonista, sim, mas um hedonista cumpridor de seus deveres. Sabia pouco sobre Zahara, mas conseguia sentir o ódio emanando em ondas sempre que se aproximava. Ria internamente do fato porque não tinha nada contra a garota; a bem da verdade tinha apenas boas observações a seu respeito, tendo acompanhado as lavadeiras em seus debates sobre conversas escutadas atrás das portas. A boa sorte de circular entre vermelhos e azuis, estando sempre em cima daquele muro sobre seu real papel na sociedade, lhe cedia alguns prós ocasionalmente. ❛ ——— Me esforcei? Ah, você quer dizer esta coisa velha? Estava mofando no meu armário, não é nada demais. ❜ Em uma reação exagerada, fingiu surpresa enquanto apanhava uma das pontas de sua capa. Dramático, como sempre. ❛ ——— De qualquer maneira, vejo isso como um pró. A maioria das pessoas compareceu ao evento pensando que seria preenchido apenas por um bando de herdeiros insípidos e em vez disso dão de cara comigo? Mind blowing. Nunca pensaram que poderiam ser tão sortudas. ❜ Deu de ombros. As reações da moça não poderiam ser mais curiosas, portanto focou-se na linguagem corporal de sua futura esposa, aproveitando-se da cobertura que a máscara lhe dava para analisá-la com maiores detalhes, provando a si mesmo sua inegável beleza. ❛ ——— Mesmo que eu não viesse, talvez ficassem satisfeitos com você. Está muito bonita, o suficiente para que sejamos um dos casais mais chamativos do baile. Satisfeita com a comoção ou quer mais, minha princesa do ébano? ❜
O falso descaso com que Oleg recebeu seu elogio, abanando uma das pontas de sua capa como se usasse aquele tipo de roupa todo dia, a fazia lembrar demais de si mesma. Era ridículo como, apesar de terem vindo de lugares diferentes e de culturas totalmente distintas, tivessem personalidades tão semelhantes em sua essência. O Rasputin gostava de plateia, dos aplausos e da atenção, assim como ela; a diferença é que Zahara ao menos tentava disfarçar a própria presunção. Era incomum e até mesmo um pouco frustrante não conseguir discutir com ele, ou discordar de suas declarações de alguma forma. O elogio não era exatamente esperado, mas ainda assim a ruandesa não conseguia fingir que não se agradava com toda aquela bajulação. “Princesa do ébano.” Repetiu, deixando as palavras escorregarem de seus lábios lentamente como que para zombar do termo, embora seu tom de voz denunciasse que ela se divertia. “Nunca estou satisfeita com a comoção, meu príncipe do gelo. Acho que mereço mais olhares.” Permitiu-se, finalmente, sorrir discretamente para o rapaz. Estavam em uma festa, afinal, e não era o momento para animosidades. “Podemos pegar uma bebida? A festa já começou há algum tempo e eu ainda estou lamentavelmente sóbria.”
















