Mas como o quarto estava silencioso, Melanie o ouviu. Um minúsculo acesso de ira a fez entrecerrar os olhos. Ainda se sentia igual a um macarrão flácido, por isso aquele minúsculo acesso de ira foi o mais que pôde articular. MEL — Nossa, que romântico — disse em tom sarcástico. Chay levantou o braço com que se tampava os olhos e girou a cabeça para olhar Mel com cara de poucos amigos. CHAY — Não foi no sentido que você imagina. MEL — E qual foi o sentido que você quis dizer? CHAY - Quis dizer que não era dessa maneira que eu queria que fosse a nossa reconciliação. Queria que tivesse sido mais romântica, mais calma. Agarrou o travesseiro, socou várias vezes e desceu da cama de um salto. MEL — Você é incrível, Roobertchay. E eu sou uma idiota. Uma completa idiota. Eu sempre falo que "dessa vez será diferente", mas eu sempre caio na sua. CHAY - Oi? Jogando fumaça para todos os lado enquanto buscava, às escuras, sua roupa íntima. Onde estava o interruptor da luz? Sim... aquela mancha branca devia ser seu sutiã. Recolheu-o do chão com um movimento, mas, por algum motivo estranho, não conseguia colocá-lo. MEl - Isso mesmo, toda aquela história de brigar, conversar e deitar pra reconciliar, né? Não acredito que eu quase caí nessa. Nessa cena ensaiada, programada e que sempre, quer dizer, quase sempre, deu certo. Pois hoje não dará. CHAY — Faz o favor de te acalmar, minha filha! — exclamou, em um tom suspeito de estar reprimindo uma gargalhada. MEL — E uma merda, não penso me acalmar! — chiou. Assim que se estava rindo dela? Sentiu a ardência das lágrimas nos olhos e, no ato seguido, girou em direção à porta. — Pode ficar com essa maldita roupa. Prefiro ir a minha casa nua antes que ficar aqui contigo um minuto mais, maldito monstro insensível... Um braço se fechou ao redor de sua cintura e a elevou nos braços. Soltou uma exclamação, agitando os braços, e então ricocheteou contra a cama ao mesmo tempo que o ar abandonava seus pulmões com um fôlego. Teve o tempo justo de inalar um pouco de ar antes que Chay aterrissasse em cima dela esmagando-a com seu peso e obrigando-a a exalar de novo. Riu enquanto a subjugava com uma facilidade ridícula, em cinco segundos já não podia lutar absolutamente. Parecia ser uma mulher forte, a musculação dava-a força e rigidez, mas na cama com Chay, parecia uma boneca de porcelana, incapaz de qualquer movimento. Para seu assombro e sua raiva, descobriu que Chay tinha outra ereção, que vibrava contra suas coxas fechadas. Se acreditava que ia abrir as pernas para ele depois de... Chay mudou de postura, fez pressão com o joelho em um perito movimento e as pernas se abriram de todos os modos. Outra mudança de postura e se deslizou brandamente ao interior dela. Melanie sentiu desejos de chiar por estar desfrutando tanto daquilo, por amá-lo e porque era um monstro. Então rompeu a chorar. CHAY — Vamos, Melinda, não chore — lhe disse ele em tom tranqüilizador enquanto se movia lentamente dentro dela. MEL — Chorarei se quiser — soluçou ao mesmo tempo que se agarrava a ele.