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Aprendendo a Ser Uma Família | Capítulo 54 - Crescendo
“Como assim vocês querem ir em uma balada?” Guinchou Giane, durante o jantar.
“Relaxa, mãe, não é nenhuma rave. É apenas uma festinha na chácara do avó do Guilherme, para comemorarmos nossa formatura do 9º ano.” Explicou Miguel, enchendo a boca de espaguete.
“E os pais dele vão ficar lá o tempo todo, pode ficar tranquila.” Garantiu Belle, bebericando seu suco.
“Eu posso ir?” Pediu Cat.
“Óbvio que não, pirralha. A festa é só para o pessoal da nossa idade para cima.” Retrucou o irmão.
“Vai ter bebida?” Questionou Fábio.
“Se você acha Coca-Cola uma bebida perigosa.”
“Respeito com o seu pai, Miguel. E eu não sei... Vocês ainda são muito crianças.”
“Mãe, nós vamos entrar no primeiro ano do colegial; com essa idade o papai nem era mais virgem.” Belle revirou os olhos.
“Como você sabe disso?” Horrorizou-se a mãe.
“E para que você sabe disso? Isabelle, é bom que você nem esteja pensando nessas coisas.” O pai espalmou a mão no peito. “Ai meu Deus, acho que estou tendo um infarto.”
“Controle-se, Fábio Campana, pelo bem da sanidade que ainda me resta.” Resmungou Giane. Ela virou-se para os gêmeos, massageando as têmporas. “Eu acho vocês são novinhos para isso.”
“As únicas novinhas que interessam para o Miguel usam shortinho curto e dançam funk.” Comentou Catarina, brincalhona.
“Eu preciso de uísque.” O patriarca da família se levantou, saindo para o bar da casa.
“Eu preciso de uma aspirina.” Suspirou Giane, cruzando as mãos.
“Ok, vocês estão passando pela fase de estranhar que estamos crescendo, mas deixem o chilique para depois. Nós queremos saber se poderemos sair com nossos amigos.”
“Bom, tirando a parte de virgindade e novinhas dançando funk, eu achei a proposta da festa normal. E sejamos razoáveis, moleque, eles já tem idade mesmo.”
“Razoáveis? Nós somos os pais, não temos que ser razoáveis porcaria nenhuma.” Reclamou a fotógrafa, vendo o marido se sentar com o copo de uísque. “E odeio quando você bebe sem motivo.”
“Tenho um ótimo motivo, chamado seus filhos me enfartando. Agora, voltando ao assunto, eles podem ir: nós os levaremos e conversaremos com os pais do Guilherme, para conferir tudo o que disserem. E por mais que eu odeie admitir, aquele desgraçado do Luti é um cara responsável, vai ficar de olho nos dois.” Ponderou Fábio.
“O Pedro, a Marcela e o Rafa também vão, se isso tranquilizar vocês.” Avisou Belle.
“Pelo menos teremos o Maurício, a Malu e o Caio para serem chatos conosco; porque a Camila, desconfio que vá querer ir na festa com eles.”
“Na verdade, mãe, a tia Camila quer organizar uma festa assim também. Mas ela disse que vai esperar mais um pouco, para não ficar tão ilegal nos dar bebidas alcoólicas.” Contou a filha mais velha.
“Eu mereço essas influências perto dos meus filhos.”
~*~
“Muito bem, crianças... Divirtam-se, está bem?” Pediu Fábio, estacionando o carro de Irene em frente à chácara. “Sem beber nada que ofereçam, sem cantos escuros e sem fazer nada errado. Luti, o canto escuro foi especialmente para você, ouviu?”
“Relaxa, papai, nós vamos nos cuidar.” Riu Belle, beijando a bochecha do pai.
“É, padrinho, somos todos bem crescidos.” Garantiu Marcela, saindo do carro e já pulando no pescoço de Miguel.
“Mal saíram das fraldas e vem me falar isso.” Ele riu baixo, saindo com o carro. “E tenho a impressão de que o Miguel vai se dar bem hoje...”
Logo que chegou à casa dos pais, onde todos estavam reunidos, encontrou Giane aflita.
“Mulher, pelo amor de Deus, eles estão na festinha de um amigo, não na Tomorrowland.” Ele lhe deu um selinho, sentando ao seu lado.
“E aí, tudo certo lá?” Perguntou Malu.
“Sim. É uma chácara bem bonita, o cerco de segurança do lugar é ótimo e a decoração estava bem legal. Ah, e a Marcela já pulou no pescoço do Miguel.”
“Ai que bom.” Guinchou Camila.
“Ai que merda.” Gritou Caio. “Pelo amor de Deus, esse moleque não consegue se segurar?”
“Cara, você ouviu o ‘a Marcela já pulou no pescoço do Miguel’? Meu filho não fez nada, só aproveitou a brisa.” Sorriu sacana, se ajeitando melhor no sofá.
“Acho que a noite vai ser bem longa.” Comentou Irene, se levantando. “Vou ver como estão as crianças lá em cima, se querem comer alguma coisa.”
“E garanta que elas fiquem lá, porque com o Caio xingando a cada dez minutos...” Observou Maurício, também se levantando. “Plínio, aquele uísque que te dei no aniversário está aqui?”
“Agora vocês deram para sair bebendo o tempo inteiro?” Questionou a corintiana.
“Enquanto nossos filhos estiverem na balada...” Concordou Maurício.
“Se agarrando com moleques sem vergonha...” Completou Caio.
“E principalmente, namorando os tais moleques, pode ter certeza que sim.” Finalizou Fábio, indo até o cunhado. “E trate de me servir uma dose bem saudável.”
“Quero é ver como vai ficar esse fígado.” Resmungou a mulher, massageando as têmporas.
~*~
Na festa, tudo corria na mais perfeita ordem. Pedro havia se engraçado com uma menina da sala de Belle, e estava quase chegando aos beijos. Rafael estava dançando com alguns colegas, todos sem jeito ou graça para chegar em alguma menina.
Belle e Luti só saiam da pista de dança para beber ou comer, sendo os principais responsáveis de puxar as coreografias. O rapaz, bastante introvertido, se soltava ao lado da namorada e entrava no seu pique ligado no 220.
Os únicos desaparecidos eram Miguel e Marcela, que não eram vistos desde o início da comemoração. Quando perguntavam as primos, apenas diziam que deixassem os dois se divertirem.
Mas a situação estava longe de ser divertida.
Apesar de ter chegado à festa pendurada no primo, Marcel logo sumiu com um rapaz mais velho, talvez do terceiro ano. Na festa haviam muitos amigos de Pedro e Luti, alguns até mais velhos que eles. O rapaz em questão se chamar André e definitivamente não era flor que se cheirasse.
Jaqueta de couro, calça jeans manchada e rasgada, um cigarro na boca atrás do outro. Apesar de bebidas alcóolicas estarem proibidas na festa, tinha três garrafinhas de Smirnoff no bolso. A primeira virou em um gole, a segunda um pouco mais devagar e a terceira queria que Marcela bebesse.
“Vai, gata, meia garrafinha.” Pediu ele, sorrindo. “O máximo que vai fazer é te deixar rindo.”
“Não sei não... Eu só tenho quatorze anos, não tenho idade para beber.” Ela tentava escapar.
“Boneca, isso é Smirnoff, eu bebia isso aos onze anos. Relaxa.” Ele entregou a garrafinha, enquanto a menina engolia em seco.
“Não faz isso, Ma.” Miguel apareceu do lugar onde estava escondido. “Você não precisa provar nada para esse cara.”
“Quem é esse mané?” Perguntou André, debochado.
“O primo e melhor amigo dela.”
“Ah, já saquei... Deve ser rei da friendzone, certo?” Riu o mais velho. “Jura que é com essa galera que você anda, gata? Uma menina gostosa que nem você, andando com um zero à esquerda desse? E quem é sua melhor amiga? A fada Sininho?”
“Miguel, vaza daqui.” Rosnou a menina, irritada.
“Não vou sair sem você. Larga essa garrafa e vamos para a festa, por favor.” Ele pediu.
“Para de agir como meu namorado, Miguel, você não é nada disso.” Ela reclamou, abrindo a garrafinha. “Se eu quiser, eu bebo.”
E virou tudo em um gole, fazendo o garoto arregalar os olhos e o mais velho gargalhar. Quando terminou, tinha uma careta engraçada no rosto.
“Ma, você está bem?” Miguel correu abraçá-la, vendo que estava pálida.
“Acho que eu estou passando mal.”
“Também, virou uma garrafinha inteira. Menina estúpida.” André gargalhou, saindo andando.
“Você vai deixar ela aqui, seu imbecil?” Gritou o Campana, atraindo a atenção dele.
“Ué, o rei da friendzone está aqui, ela vai ficar bem.” Ironizou o badboy. “Além do que, não vou me dar bem com essa daí...”
“Filho da puta.” Rosnou Miguel, correndo e jogando o rapaz no chão. “Eu vou quebrar a sua cara.”
A barulheira da briga atraiu a atenção das pessoas na festa, que logo correram ver o que acontecia. Quando os Campana se aproximaram, viram que André socava o rosto de Miguel, enquanto Marcela vomitava ali do lado.
“Sai de cima do meu primo, seu retardado.” Pedro e Luti puxaram André, enquanto Rafael socorria Miguel.
“O que aconteceu aqui?” Se desesperou Belle, correndo até a melhor amiga.
“Esse trouxa ficou incitando a Marcela a beber vodca.” Explicou Miguel, com a voz pastosa de sangue.
“Você é imbecil?” Berrou Pedro, agarrando o garoto pela gola da camisa. “Oferecer vodca para a minha prima de quatorze anos?”
“Eu não obriguei ninguém a nada.” Se defendeu o rapaz.
“Mas o que fez é crime do mesmo jeito, e eu vou chamar a polícia.” Avisou o Campana mais velho. “Rafael, liga para os nossos pais e pede para eles virem para cá. Guilherme, pede para os seus pais virem acudir a Marcela e o Miguel, por favor.”
~*~
Os carros entraram no estacionamento cantando pneus, encontrando as sirenes da polícia. As mães foram as primeiras a entrar na casa, logo correndo em direção aos seus rebentos.
“Miguel, meu Deus.” Giane se horrorizou ao ver o estado do rosto do filho, com o nariz provavelmente quebrado.
“Dá para alguém explicar direito o que aconteceu, pelo amor de Deus?” Pediu Irene, abraçando o filho caçula.
“A Marcela estava com esse imbecil e ele ficou enchendo o saco dela para ela beber uma garrafinha de Smirnoff. Aí quando eu tentei intervir, ela ficou nervosa e bebeu, e começou a passar mal. E o imbecil resolveu deixar ela sozinha.” Miguel explicou o quanto deu, já que estava com a boca inchada.
“Eu vou quebrar a cara desse filho da puta.” Gritou Caio, sendo segurado por Fábio e Maurício.
“Calma, fica frio.” Pediu o publicitário. “Juro que entendo a sua raiva, mas só vai piorar as coisas.”
“Se acalma, senhor, o rapaz já está a caminho da delegacia.” Avisou o policial. “Ele é de maior, e é crime oferecer bebidas à menores de idade.”
“Então faça o favor de fazê-lo ver o sol nascer quadrado.” Rosnou o fotógrafo, se soltando dos amigos e indo até a família. “Como você está, princesa?”
“Mal, papai, bem mal.” Resmungou ela, aninhada na mãe. “Minha barriga dói e eu só quero vomitar.”
“Demos bastante água e coisas doces, diminuiu um pouco o mal estar.” Explicou a mãe de Guilherme. “E eu sinto muito pelo que aconteceu... Nós proibimos bebidas alcóolicas na festa.”
“Tudo bem, Silvana, nós confiamos em vocês. Infelizmente, nem todo mundo tem noção.” Malu fuzilou André, que era levado pelos policiais.
“Eu preciso ir junto, para prestar a queixa.” Avisou Antônio, pai do dono da festa. “Qualquer coisa, me liguem.”
“Obrigada, Antônio.” Agradeceu Irene, suspirando.
“Acho que é bom levarmos os dois ao hospital... Lá vão saber tratar melhor o mal estar da Marcela, além de examinar o Miguel.” Fábio analisava o rosto do filho. “Já tem o nariz desproporcional, ainda deixa quebrarem ele?”
“Desculpa, da próxima peço para mirar meu saco que nem a mamãe mirava em você.” Debochou o garoto, conseguindo que todos rissem um pouco.
“Malu, vocês levam o Luti embora? E deixam a Belle na casa da Irene?” Pediu Giane, recebendo um aceno da cunhada. “Então vamos para o hospital... Só espero que consigam arrumar o seu nariz, Miguel.”
“É, filho, o bullying com o nariz continua.” Suspirou o pai, saindo da casa abraçado com o garoto.
Link no Nyah: http://fanfiction.com.br/historia/442631/Aprendendo_a_Ser_Uma_Familia/capitulo/55/
Diário de Uma Paixão | Capítulo 3 - Algo em Comum
Daquele dia em diante, se tornou praticamente impossível manter Giane e Fábio afastados. Suas bocas pareciam ter imãs, seus corpos pareciam se atrair, seus risos pareciam se completar. A menina-moleque da Casa Verde, afinal tinha encontrado alguém com quem podia se abrir e ser tudo que quisesse.
Ele não se importava de passar o dia inteiro na floricultura, observando-a trabalhar, conversando com Wesley, ajudando a mover vasos e aprendendo a fazer arranjos de rosas e plantar orquídeas. Qualquer coisa era incrível e maravilhosa, desde que ela estivesse com ele.
Érico e Renata eram seus fiéis escudeiros, os quatro muitas vezes saindo juntos para o cinema, para passear no parque, ir ao shopping. Muitas vezes ficavam no bar dos pais do mais velho, comendo batatas fritas e jogando conversa fora.
Giane começou a ensinar o namorado (ele adorou a primeira vez que ela se referiu a ele assim) a jogar futebol, já que ele era péssimo de bola. Passavam horas a fio no campinho de cimento batido, tendo como gol duas pedra. Quando a discussão inevitável chegava, ele a empurrava para dentro de uma grade que havia ali, prensando-a na parede e começando a beijá-la.
Não demorou muito para que o namoro da menina chegasse aos ouvidos do pai dela, mas Silvério não precisou pressionar a filha. Ela mesma contou a ele sobre Fábio, e o brilho diferente naqueles olhos de jabuticaba deram a certeza e a tranquilidade que o homem precisava.
E então chegou o dia em que os dois se conheceram. Já era noite quando Fábio estacionou sua moto em frente à casa da namorada, encontrando ela e o pai na varando, conversando e rindo. Sorriu para a cena, logo sendo percebido.
_ Temos visitas. – riu o senhor, apontando o rapaz no portão. Giane virou o rosto, abrindo um sorriso que Fábio sabia, era só para ele.
_ Chegou cedo, fraldinha. – ela desceu as escadas rapidamente, abrindo o portão para ele e recebendo um beijo rápido.
_ Bárbara estava torrando meu saco para sair com a Mel, preferi tomar meu caminho depressa. – garantiu ele, a abraçando pela cintura e subindo as escadas – Muito prazer em conhecê-lo, seu Silvério.
_ O prazer é todo meu, filho. – o senhor sorriu de volta, apertando a mão do genro – Se eu soubesse que você vinha, tinha dado uma arrumada na casa. A Giane é meio desligada nisso.
_ Pai. – a morena guinchou, corando levemente. Fábio riu, apertando mais a cintura da namorada.
_ Já imaginava... Desleixada desse jeito, deve ser uma zona dentro de casa. – o rapaz continuou a brincadeira, recebendo uma fuzilada – Me olha de cara feia que não dou seu presente.
_ Que presente? – ela arqueou a sobrancelha, enquanto ele sacava algo de dentro da jaqueta de couro – O que é isso?
_ Ora, abra e veja. – ela obedeceu, abrindo o envelope com cuidando e puxando o conteúdo. Seus olhos brilharam imediatamente – Não sei se eu já disse, mas... Sou são paulino.
_ Essas coisas você conta antes de começar o namoro. – ela riu, observando os ingressos para o clássico Corinthians X São Paulo, que seria dali há alguns dias – Eu amei.
_ Fico feliz, amor. – o apelido espontâneo não a surpreendeu ou assustou, apenas a fez sorrir mais e puxar o rosto dele, lhe dando um beijo carinhoso. Silvério sorriu para a cena.
_ Bom, eu estava querendo testar uma receita de panqueca doce que a Salma me deu. – comentou o mais velha, casualmente – Gostariam de se juntar a mim?
_ Panqueca tem cara de café da manhã. – comentou Giane.
_ Não vejo mal em tomar café da manhã a noite. – garantiu Fábio – Além do que, estou azul de fome.
_ Mas é um esganado, não é possível. Veio aqui em casa só pra encher o bucho, certeza. – a corintiana se soltou do abraço dele, entrando em casa, seguida pelos dois homens, que riam.
Uma coisa que Fábio mais gostava em Giane era que, mesmo agora que estavam namorando, ela não perdia o jeito e a marra. Ela o xingava direto, lhe dava socos e beliscões, gritos e portas na cara. Ele, é claro, não deixava barato. Era tão esquentado quanto ela, e sua melhor reação, era subir na moto e acelerar, deixando a corintiana gritando com o vento.
_ Era um romance improvável. Ela era uma garota de um bairro pequeno do interior, ele era da alta sociedade brasileira e americana. Tinha o mundo aos seus pés, enquanto ele não tinha um centavo.¹ - Giane continuou sua leitura, observando atentamente as reações do homem a sua frente.
_ E isso importava? – ele questionou, coçando o joelho distraidamente. Ela sorriu para o gesto dele.
_ Naquele momento, não. – garantiu a senhora – Mas um dia, os mundos diferentes iriam acabar pesando. – completou com um suspiro, antes de voltar sua atenção ao livro.
_ Vem, Fabinho. Nós vamos nos atrasar. – Giane corria animada, enquanto os dois iam para a área VIP do estádio, onde ficavam os lugares comprados pelo rapaz.
_ Maloqueira, falta duas horas para o jogo, se acalma. – ele ria da afobação dela – Não tem ninguém no estádio ainda, olha isso.
_ Por isso eu quis chegar mais cedo. – explicou ela, indo entrelaçar seus dedos – Não quero entrar no meio do tumulto e da confusão, quero ver o aquecimento tranquila, a preparação da imprensa...
_ Você parece uma criança na manhã de Natal. – Fábio sorriu, enquanto entregava as entradas ao segurança, que lhes indicou seus lugares – Você nunca veio a um jogo?
_ Cê tá ligado que ingresso tá caro, e pão também né? – ela arqueou a sobrancelha – E também, meu pai não tem mais idade para me acompanhar nessas coisas. Sempre sai treta, galera zicando... Seu Silvério já tá velhão pra isso.
_ Bom, agora você tem alguém que te acompanhe. E que pague seus ingressos. – ele riu, mas Giane fechou a cara.
_ Não quero ser sustentada não, valeu aí. – avisou ela – Não sou dondoca, sei muito bem me virar. O que consigo, é pelo meu trabalho, tamo entendido? Aceitei o presente hoje, porque você me deu na mó boa vontade. Mas nem começa a achar que vai me sustentar, que do teu dinheiro, eu quero distância.
E se voltou para o campo vazio, ficando os olhos no gramada. Ele pensou em responder, pensou muito e em várias coisas. Mas se tinha uma coisa que sabia sobre a namorada era que o melhor a fazer era deixá-la se acalmar, ou então iriam brigar feio. E não tinha ido até o Morumbi para brigar, e sim para ver um clássico.
Ficaram em silêncio um tempo, observando as coisas começando a acontecer no estádio. Não tardou para a torcida do Timão aparecer no local, fazendo a algazarra esperada. Giane sorriu maravilhada para aquilo, enquanto Fábio revirava os olhos.
_ Bando de galinha preta. – resmungou, recebendo uma fuzilada – Não você, amor. Você é um gavião, bem lindo e imponente. – ela riu da afirmação dele, voltando a relaxar. Se acomodou melhor na cadeira, se aninhando a ele.
_ Gosto mais de águias. – Giane suspirou – São animais tão majestosos.
_ A águia é o símbolo de Zeus, o rei do Olimpo. – o rapaz lembrou de algo que havia visto em uma aula de história – Por isso, ela é a rainha das aves.
_ Jura?
_ Uhum. Para os celtas, era o símbolo do renascimento, e para os antigos egípcios, significava vida eterna. – ela se admirou com o conhecimento dele – Mas para a maioria das pessoas, ela representar coragem e força.
_ E como você sabe tanto sobre as águias? – perguntou uma Giane maravilhada.
_ Na escola, um dia estávamos estudando sobre mitologia e o professor falou a ligação da águia com Zeus. E se empolgou, falando mais e mais sobre a ave. – ele recordou, um brilho diferente no olhar – Mas eu gostei mesmo quando ele falou sobre as fênix.
_ Você realmente gosta de mitologia. – admirou-se a corintiana.
_ Acho fascinante a capacidade que os gregos tinham de encontrar uma explicação divina para tudo, mas a fênix não tem muito a ver com isso. – ele explicou – Ela é inspirada em um pássaro da mitologia egípcia, chamado Bennu.
_ E o que você gosta tanto na fênix? – o estádio ia se enchendo, mas os dois estavam mais interessados e focados naquela pequena conversa entre eles.
_ Acho que tudo. Digo, ela pega fogo quando chega a hora de morrer, apenas para renascer das próprias cinzas, o que é uma metáfora maravilhosa para a vida: se reergueu das cinzas, das decepções, renascer. Ela também é muito forte, capaz de carregar cargas extremamente pesadas, e suas lágrimas tem poderes curativos. Se você parar e analisar a fênix de uma maneira mais profunda, é... É fantástico.
Ele virou o rosto para Giane, que tinha os olhos brilhando de admiração. Quem olhasse Fábio e sua pinta de badboy, com jaqueta de couro e cara de emburrado, não diria que ele era assim: estudioso, esperto, interessado em tantas coisas diferentes. O entusiasmo e gosto que ele tinha ao falar sobre as coisas que lhe interessavam, que não eram poucas, era algo bonito de se ver.
_ Mas, se você me disse que prefere ser uma águia, eu abro mão da fênix com prazer, e serei uma águia com você. – ele sorriu para Giane, acariciando sua mão.
_ Não. Seja uma fênix, e eu serei uma águia. E nós sempre vamos dar um jeito de ficar juntos. – prometeu a moça, enquanto Fábio sorria.
_ Eu sempre disse que, assim que eu fizer 18 anos, vou tatuar uma fênix nas minhas costas. Acha que vai ficar feio?
_ Feio, não sei. Mas chamativo, com certeza. E se fizer toda colorida, vai ficar parecendo alegoria de escola de samba. – ele riu da comparação – Eu queria fazer uma águia, aqui na nuca. Mas não sei se teria coragem.
_ Você? – ele riu debochado – Do jeito que você é, capaz de pegar a máquina do tatuador e fazer por conta própria, só pra ser mais difícil.
_ Idiota. – ela empurrou o braço dele – Olha, os jogadores vão aquecer.
Ela se sentou na ponta da cadeira, observando tudo animada. Fábio sorriu, acariciando as costas dela distraidamente, ainda desfrutando do momento doce de minutos antes.
Era fácil constatar o quão bem Giane fazia a Fábio. Seus olhos brilhavam sempre, seu sorriso era constante, sua animação era permanente. Ela lhe mostrava todos os prazeres simples da vida, há muito esquecidos por ele, desde que fora inserido naquele mundo podre de gente rica e mesquinha.
Uma noite na praça do bairro, com os adultos tocando músicas gostosas e dançantes. Uma fugida para a cidade de Brotas, onde mergulharam nas cachoeiras com Érico e Renata. A tentativa de ensinar a namorada a dirigir, mesmo sem idade, no velho e gasto carro do pai da moça, pelas ruas da Casa Verde.
_ Mas havia algo de peculiar naquele jovem casal: Eles não se entendiam. Raramente concordavam em algo, brigavam sempre e se desafiavam todos os dias. Mas apesar das diferenças, tinham algo importante em comum... – a voz da mulher morreu na garganta, quando Fábio completou sua frase, sorrindo distraído.
_ Eram loucos um pelo outro.² - ela concordou, enquanto ele a encarava os olhos brilhando.
Aquele dia realmente tinha tudo para ser muito bom.
¹/²: trechos retirados e adaptados do filme Diário de Uma Paixão, baseado no romance de Nicholas Sparks.
Link no Nyah: http://fanfiction.com.br/historia/516465/Diario_de_Uma_Paixao/capitulo/4/
Diário de Uma Paixão | Cap. 2 - Sob o brilho da lua
Uma das coisas que Fábio Campana mais se orgulhava sobre si próprio era sua teimosia incondicional. Desde muito pequeno não fora do tipo que aceita um “não” como resposta, pelo menos não sem brigar.
Então assim que acordou no dia seguinte, resolveu ir atrás do alvo de seu interesse e curiosidade. Apanhou a habilitação falsa, a jaqueta de couro e o capacete, indo até a garagem e subindo na moto que estava ali. Wilson não a usava há anos, e nenhum dos filhos do homem tinha idade para pilotá-la. Faria esse favor à coitada e a colocaria para rodar um pouco.
Achar a Casa Verde foi bem mais fácil do que ele imaginava, principalmente em uma grande selva de pedra como São Paulo. O pequeno bairro era familiar e aconchegante, do tipo que foge aos estereótipos das cidades modernas. Crianças na rua, vizinhos nos portões, casas abertas... Tudo que ele não era acostumado a ver.
Acácia Amarela, a tal floricultura que Giane trabalhava, estava longe dos padrões que ele era acostumado. Era ajeitadinha, muito disso graças à jovem funcionária, mas não tinha uma grande variedade de flores ou algo que a destacasse e fizesse se sobressair às demais lojas da cidade, atraindo portanto apenas a freguesia local.
Não era de se espantar que o negócio não prosperasse.
_ Com licença? – ele chamou a atenção do rapaz atrás do balcão, que lhe ergueu os olhos – Eu estou procurando a Giane.
_ Giane de Sousa? – o outro pareceu surpreso, e Fábio assentiu – Isso sim é o que eu chamo de inédito. Ela está ali nos fundos, fazendo um arranjo de rosas. Pode ir lá.
_ Obrigado, hã...
_ Wesley. Sou colega de trabalho dela, pode ficar tranquilo. – o rapaz de avental sorriu, recebendo um aceno afirmativo, enquanto o Campana seguia pelo corredor – Um cara atrás da Giane... Eu já vi de tudo mesmo.
Fábio caminhou para os fundos da loja, um sorriso brincando no rosto ao ouvir a voz da garota cantarolar uma música que ele desconhecia. Ele parou ainda meio escondido, observando com devoção a maneira como ela colocava cada rosa no lugar, com uma delicadeza surpreendente.
_ Não imaginei que alguém tão bruta, poderia ser tão delicada. – Giane pulou no lugar, erguendo os olhos e encontrando o sorriso de Fábio – Como vai?
_ Cê tá maluco, é cara? Pirou de vez? – ela espalmou a mão no peito, o rosto pálido – Não se chega assim de repente.
_ Desculpe, o Wesley disse que eu poderia entrar. – garantiu ele, caminhando para dentro da estufa – Gostei do arranjo. Ousado misturar essas cores de rosas.
_ O cliente pediu algo diferente, quer impressionar a namorada. Na certa aprontou alguma com um rabo de saia, e agora quer amansar a fera. – riu a morena, arrumando as rosas laranjas, azuis e brancas – Ele não especificou exatamente o quão ousado.
_ E você está se divertindo as custas disso? – Giane deu de ombros – É, realmente, você não podia ser aquela delicadeza que aparentava.
_ Veio aqui me torrar o saco? – rosnou a moça, pegando o rolo de fita – Porque se for, pode ir tomando teu rumo.
_ Hey, se acalma, vim em missão de paz. – ele se apoiou no balcão, um sorriso maroto nos lábios – Você se lembra de mim, certo?
_ O fraldinha abusado? Com certeza. – Fábio riu do jeito que ela falava – O que você quer, hein mané?
_ Saber quando vamos sair para ter nossa dança. – ela gargalhou, fazendo-o franzir o cenho – O que é tão engraçado?
_ Que dança, meu filho?
_ Ora, a que você aceitou ter comigo.
_ Você tá é muito maluco.
_ Não estou não. O Érico e a Renata são provas disso, se precisar eu encontro eles e faço eles te lembrarem. – a garota agarrou a tesoura, bufando – Sem violência.
_ Você é mesmo abusado, né seu babaca?
_ Não, sou apenas um cara que se interessou por você e quer ter a chance de te conhecer. – ele foi sincero – Eu gostei desse teu jeito marrento, e devo dizer que até essa sua aparência mais desleixada está me atraindo.
_ Ótimo, é um abusado e pervertido. – Giane brincou com a tesoura entre os dedos – Vou precisar usar da força para te despachar?
_ Te garanto que nunca faria nada que você não quisesse. – ele prometeu – Vamos Giane, por favor. Uma dança e você pode se mandar, eu juro.
Ela pareceu hesitar por um segundo, Fábio percebeu isso pela maneira que ela mordeu o lábio inferior. Ele considerou isso um bom sinal e levou a mão até uma mecha do cabelo curto, a colocando para trás da orelha da garota. Isso pareceu despertá-la, porque ela o empurrou para longe.
_ Vaza daqui, vai mané. Eu preciso trabalhar. – ela apanhou o arranjo e a fita, caminhando para longe dele e deixando o Campana a ver navios.
Ele suspirou. Seria difícil, mas não iria desistir tão fácil de ter sua dança.
~*~
Quando Giane chegou em casa à noite, Renata lhe esperava no sofá. Tinha dois ingressos do cinema na mão e um bico no rosto. Aparentemente, Érico havia trocado a sessão com a namorada por um jogo de pôquer com os amigos. E deixado a bomba de assistir “O Lado Bom da Vida” para a corintiana.
Ela concordou, mas avisou que não queria saber de se empetecar toda. Colocou um short jeans, uma camiseta regata e uma xadrez por cima, ambas em tom de vermelho. Colocou o tênis no pé e apanhou a carteira, que Renata colocou em sua bolsa.
Foram de táxi, já que Renata não tinha carro. Apesar de bem diferentes, Giane gostava da moça como de uma irmã mais velha, levando em conta que era assim que se portavam. A corintiana perdera a mãe muito jovem e a mais velha assumiu um tom quase maternal sobre ela. Mas como a diferença de cinco anos era pouca, a menina a via como uma irmã e não uma segunda mãe.
_ Cara, nem sei qual foi a última vez que eu vim no cinema. – garantiu a jovem, enquanto caminhavam pelo shopping – Acho que foi para assistir o último Harry Potter.
_ Então faz mais de ano. – surpreendeu-se Renata – Como você aguenta ficar tanto em casa?
_ Sei lá. Não curto muito sair. – garantiu Giane, observando a fachada do cinema – Renata... Não é o Érico ali?
_ Oh, que choque. – o tom de voz da amiga irritou a corintiana, já antevendo que havia algo errado. E suas suspeitas se confirmaram ao ver Fábio se aproximando do amigo – Que coincidência.
_ Não acredito que vocês armaram para mim. – rosnou a corintiana – Que merda, achei que cê era minha amiga.
_ Eu sou sua amiga, Giane. E por isso que estou fazendo isso. – a mais velha segurou sua mão com carinho – Você precisa viver, meu anjo. Sair dessa concha que você se colocou.
_ Você tá é me empurrando para esse fraldinha.
_ Claro que não. – garantiu Renata – Você não precisa namorar com ele, nem sequer beijá-lo. Mas vai fazer mal passar um tempo com ele? – Giane bufou – Por favor, Gi... Pelo seu pai.
_ O que tem ele? – a corintiana questionou.
_ Ele está preocupado, né amiga? Você tem 16 anos e a única relação que mantém é comigo e o Érico. Você não tem amigos, nem na escola. Quando o Érico comentou que o Fabinho nos procurou, seu pai deu todo o apoio do mundo.
_ Meu pai quer que eu namore?
_ Não, ele quer que você tenha amigos e pessoas na sua vida, além de nós três. – Giane mordeu o lábio inferior, enquanto Renata sorria compreensiva – Eu sei que é difícil para você sair dessa bolha de proteção que você criou para você mesma. Mas que tal tentar?
A jovem dirigiu seu olhar para os dois rapazes, que conversavam animadamente. Como que sentindo que era observado, Fábio virou a cabeça na direção dela, dando um sorriso enorme. Ela não conseguiu evitar um sorrisinho indiscreto, enquanto Renata a puxava pela mão.
~*~
Fábio batia o pé ritmicamente, observando com desinteresse o filme na tela grande. Ao seu lado, Érico e Renata pareciam tentar tirar algo da garganta um do outro, tamanho era o nível dos beijos que o casal trocava. Giane, sentada ao lado de Renata, estava quase afundada na poltrona, o rosto escondido em uma das mãos, a outra pegando pipoca sistematicamente.
Ele riu da vergonha dela com a cena. Ela ouviu o som, o fuzilando por entre os dedos. O rapaz mordeu o lábio, tendo uma ideia ousada. Se levantou, pulando para a fileira de trás. Com cuidado para não atrapalhar ninguém, atravessou o curto espaço e pulou novamente para frente, caindo ao lado de Giane.
A moça o encarou com um olhar descrente, enquanto ele sorria travesso. Érico e Renata nem se mexeram, e Fábio riu disso, enquanto apanhava um punhado da pipoca de Giane.
_ Esse filme está um porre. – garantiu a corintiana, apesar de estar gostando. Ela apenas queria sair daquela situação constrangedora.
_ Concordo. Quer ir embora? – ela pensou em negar, mas o barulho dos beijos dos amigos a fez responder antes de pensar melhor.
_ Por favor.
~*~
O rapaz pagou o táxi, os dois descendo e começando a caminhar pelas ruas da Casa Verde. Fábio havia deixado a moto ali, quando fora se encontrar com Érico mais cedo, e agora tinha que pegá-la para ir para casa.
_ Ok, fizemos silêncio sepulcral durante todo o caminho. Que tal conversarmos? – propôs o rapaz, mas Giane permanecia quieta – Tudo bem, eu começo. Meu nome é Fábio Campana.
_ Campana? – ele assentiu – Você é filho do cineasta? – ele assentiu novamente – Meu pai adora os filmes do seu pai, e é um grande fã dos trabalhos da sua mãe.
_ A Bárbara não é minha mãe, é minha madrasta. Minha mãe se chama Irene Fiori.
_ Desculpa aí, não sabia. – a corintiana assumiu um tom defensivo, enquanto os dois sentavam em um banco de praça.
_ É que as pessoas atribuíram que ela é minha mãe, especialmente depois daquele entrevista ridícula que ela deu para a Ana Maria Braga, quando eu fui morar com ela e o meu pai. – confidenciou o rapaz – Ela detonou a minha mãe na TV, chamando ela de aproveitadora.
_ Mas você tem uma irmã, se eu não to maluca. – Fábio concordou.
_ A Malu. Ela tem a tua idade, quase um ano mais nova do que eu. – Giane arqueou a sobrancelha – O Érico me disse que você tem 16, desculpa ter me informado.
_ Então você tem 17? – ele assentiu com a cabeça – E você dirige uma moto?
_ Digamos que não dirijo legalmente. – o rapaz riu – Pelo menos não no Brasil. Eu tirei carta em Nova York, quando morávamos lá e eu tinha 16. Nós viemos para o Rio há pouco tempo, por um trabalho da Bárbara.
_ E a sua mãe, onde está?
_ Eu não sei. – ele suspirou – Eu tinha uns 14 anos quando ela parou de dar notícias. Ela adoeceu quando eu nasci, mas ela sempre fez o possível para cuidar de mim. Eu tinha 12 anos quando a situação ficou crítica. Um dia ela apareceu com meu pai em casa, dizendo que eu iria morar com ele. Ela foi para uma clínica particular, paga pelo meu pai. Mas depois de todo o escândalo da Bárbara, ela sumiu e nunca mais deu notícias.
_ Sinto muito. – garantiu a corintiana, apertando o ombro dele.
_ Eu to de boa. – ele sorriu de lado – Mas e você? Me fale quem é Giane de Sousa.
_ Ué, sou eu né. – Fábio gargalhou.
_ Eu digo o que você gosta de fazer, sua família... – a moça deu de ombros.
_ Somos só eu e meu pai, ninguém mais. – ela levantou, caminhando pela grama rala – Minha mãe morreu quando eu tinha quatro anos, nem me lembro dela. Ela também ficou doente quando eu nasci, mas nunca chegou a melhorar, ficou na cama direto.
_ E você não tem mais ninguém? – ela negou, dando de ombros.
_ Meus pais já eram bem mais velhos quando eu nasci, não tinham mais família. Além do meu pai, só tenho o Érico e a Renata. E os pais deles, mas isso é diferente. – Giane explicou, se escorando em uma mureta. Ela ficou em silêncio por um instante, antes de perguntar – É isso que se faz em um encontro? Interroga o outro sobre a família?
_ Não, claro que não. – o rapaz gargalhou, levantando e indo até ela – Você nunca teve um encontro?
_ Você sabe que não. – a morena resmungou, enquanto Fábio sorria de leve – Então... O que se faz em um encontro, hein fraldinha?
_ Bom, coisas que se ache legal. – ele não sabia explicar – O que você gosta de fazer, que você acha que eu gostaria de fazer também?
_ Eu tenho a coisa perfeita. – ela sorriu, o puxando pelo braço. Caminharam um pouco, ficando no ponto mais alto e central da praça do bairro. Giane soltou o rapaz, deitando no chão e apoiando as mãos atrás da cabeça – Perfeito.
_ O que? – ele perguntou curiosos, analisando a atitude dela.
_ Eu gosto de vir aqui, quando a lua está cheia, e deitar para ficar de olho nela. Eu fico horas aqui se deixarem. – ela explicou, observando o olhar de Fábio – Que foi, babaca? Tá com medinho de sujar as roupinhas de marca?
_ Você gosta de pegar no meu pé, né maloqueira? – ele perguntou, enquanto deitava ao lado dela. Giane gargalhou alto.
_ Do que você me chamou?
_ Maloqueira. É isso que você parece, quando age desse jeito. – garantiu ele, virando o rosto na direção do dela.
_ Talvez seja isso que eu seja. – ela sorriu de volta, antes de erguer os olhos novamente para a lua. Ele ficou admirando seu rosto de anjo por mais alguns instantes, antes de imitá-la e voltar sua atenção para a grande bola brilhante no céu.
Por um longo tempo, não disseram absolutamente nada. Seus olhos estavam na lua, mas suas atenções estavam voltadas para a pessoa deitada ao lado, mesmo que tentassem não demonstrar. Com cuidado, Giane tirou uma das mãos de trás da cabeça e deixou cair entre seus corpos. Fábio sorriu, ainda encarando o céu, enquanto repetia o gesto dela. Com lentidão e delicadeza, deslizou os dedos por cima dos dela, fazendo com que suas mãos se entrelaçassem, tudo isso sem encararem um ao outro.
_ Você ainda está me devendo uma dança. – sussurrou ele, após um longo tempo.
_ Cê não vai desistir disso mesmo, né moleque? – ela riu, virando o rosto na direção dele.
_ Uma coisa importante, que você precisa saber sobre mim desde já: eu sou muito teimoso quando quero. E quando não quero também. – ela revirou os olhos, mas a boca tinha um pequeno sorriso – Então, madame... Aceita dançar comigo?
_ Desde que você não deixe essas tuas ferraduras em mim, acho que tudo bem. – Fábio levantou, a puxando pela mão e colocando de pé. Giane franziu o cenho, um sorriso travesso – Você não se importa que eu esteja vestida desse jeito, que nem um moleque, ao invés de com uma roupa de mulherzinha?
Ele a analisou com um sorriso enorme, caminhando até um arbusto. Apanhou uma flor ali e voltou caminhando até ela, girando o pequeno item rosa entre os dedos. Parou em frente à Giane, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e apoiando a flor ali.
_ Está perfeita. – garantiu o rapaz, fazendo-a corar – Que música você gosta?
_ Não conheço muito de música, ouço o que o que toca na rádio que o Wesley gosta.
Fábio assentiu, clicando em uma música qualquer e clicando em “próximo”. A música que viesse, seria a que eles iriam dançar, além de ser a música que seria apenas deles, ele tinha certeza disso.
Os acordes rítmicos e harmoniosos de Wherever You Will Go, do The Calling, ecoaram pela pequena caixa de som do aparelho. Fábio apanhou um fone de ouvido em seu bolso, dando uma das pontas para Giane e colocando a outra no próprio ouvido. Em seguida, o plugou ao celular, guardando o aparelho no bolso e voltando sua atenção para a garota.
Estendeu a mão para ela, que segurou com receio. Ele a puxou para perto de si, colocando a outra mão ao redor da cintura dela com vagar, temendo que ela reagisse mal a sua aproximação. Mas para a surpresa do rapaz, Giane levou a mão até o ombro dele, mantendo uma curta distância entre eles.
Primeiro um pé, depois o outro, um pequeno giro. Com cuidado ele foi os guiando em uma dança lenta e sem grandes movimentos. Nenhum dos dois proferia som algum, os olhos focados um no outro. Vez ou outra, Giane desviava os olhos com vergonha, fazendo Fábio sorrir em silêncio.
Com uma ideia ousada, Fábio a afastou mais, puxando em um rompante e tomando o corpo dela, causando risos nos dois. Os fones caíram de seus ouvidos, assim como o celular do bolso da jaqueta dele. O rapaz tornou a erguer o corpo de Giane, mas dessa vez o trouxe bem junto de seu corpo, envolvendo a cintura dela com os dois braços. Ela depositou as duas mãos nos ombros dele, deixando o rosto bem próximo do dele.
_ If i could, then i would, I'll go wherever you will go. Way up high or down low, I'll go wherever you will go. – ele sussurrou com a voz grave, fazendo o corpo da menina se arrepiar e seus olhos se fecharem - If i could turn back time, I'll go wherever you will go...
_ Você canta muito mal. – garantiu Giane, e Fábio sorriu.
_ O verão é indiferente às expectativas do amor jovem. Cheios de advertências e dúvidas, Giane e Fabinho eram o próprio retrato do rapaz e da garota trilhando por uma longa estrada sem medir as consequências. – leu a senhora, com sua voz trêmula. O homem desviou os olhos da janela, sorrindo para ela.
_ Eles se apaixonaram, não foi? ¹
Os olhares se cruzaram em silêncio, enquanto ele aproximava o rosto do de Giane. Seus lábios se tocaram com delicadeza, selando o beijo que marcaria o início daquela linda e complicada história de amor.
_ Sim, eles se apaixonaram. ²
¹/²: Trechos retirados do FILME Diário de Uma Paixão, baseado na obra de Nicholas Sparks
Link no Nyah: http://fanfiction.com.br/historia/516465/Diario_de_Uma_Paixao/capitulo/3/
Epílogo | The Reason is You
Na pequena praia, um garotinho corria sozinho. Pegava conchas na beira da água, fazia pequenos castelos de areia, corria para as pequenas ondas que quebravam, rindo deliciado. Há alguns metros dali, uma mulher loira o encarava, sentada na areia fofa, acariciando distraidamente a barriga inchada.
_ Daniel, fica mais pra cá. – gritou ela, atraindo a atenção do pequeno – Come here baby.
Ele saiu correndo, seus pequenos pés marcando a areia com pegadas molhadas. Megan sorriu, abrindo os braços para o filho se jogar ali, sentando-o ao seu lado.
_ Cadê o daddy? – perguntou a criança.
_ Still working... Mas logonós vamos encontrar com ele and going home, ok? – ele assentiu, deitando a cabeça no colo da mãe e acariciando a barriga dela – Talking to Sandy?
_ Ela tá quietinha. – comentou Daniel, sorrindo para a mãe. Megan assentiu, aos risos.
_ She was. Now you are here, e ela vai ficar toda animadinha. – o loirinho abriu um sorriso idêntico ao do pai, fazendo a mulher se amolecer mais ainda.
Fazia quase cinco anos que haviam fugido de São Francisco, com Daniel ainda um bebê de poucos meses. E em todos esses anos, a vida de Megan e Davi havia se tornado tudo que eles imaginavam e muito mais.
Nunca se revelaram totalmente para as pessoas da cidade, já que a casa ficava afastada da mesma. Claro que era uma cidade pequena, então todos os conheciam e sabiam quem eram, mas com alguns ajustes (a mudança no tom do cabelo de Megan, uma diminuição significativa em sua maquiagem, seu closet sendo simplificado e a troca do sobrenome da família), ninguém nunca os tinha relacionado à suas reais identidades.
Demoraram alguns dias para ajeitar a casa, o que foi fácil levando em conta a verba que disponibilizavam. Ao fim da semana, a bela casa de campo já era o lar que eles tanto idealizavam, sem destoar do ambiente em que estavam, mas é claro, com toques pessoais dos donos.
Como por exemplo a sala de informática, tão moderna que deixaria universidades de ponta com inveja. Computadores de ponta, produtos da mais alta tecnologia, e tudo que Davi precisava para poder seguir com sua vida de nerd/hacker/programador, mesmo que em anonimato.
Daniel ganhou seu próprio quarto, bem ao lado do dos pais, o que não queria dizer que Megan e Davi abriam mão de algo que adoravam: ter o filho dormindo entre eles, especialmente nas noites mais frias, características do sul.
Logo, suas vidas tinham um rumo. Davi começou a prestar serviços para empresas de informática em Porto Alegre e outras cidades, tudo de maneira quase anônima, e sob o nome que eles adotavam e estava em sua caixa de correio: os Rison (uma apologia a palavra Reason). Megan sentiu necessidade de arranjar algo para fazer, e sem ao certo saber como, estava dando aulas de inglês para os guias turísticos da cidade. E não é que precisavam de dinheiro, isso eles tinham aos baldes no banco. Mas com Daniel começando a escolinha aos dois anos, os dois simplesmente não tinham com o que gastar o tempo.
_ Daddy. – Daniel levantou em um pulo, correndo pela areia da praia, os bracinhos já abertos. Megan virou o rosto, vendo Davi surgir de terno e gravata, um sorriso enorme no rosto. O homem se abaixou no joelho, recebendo o filho no colo – Demorou.
_ Desculpa carinha, a reunião demorou mais do que o papai esperava. – o programador começou a caminhar, enquanto desfazia o nó da gravata – Se divertiu na praia?
_ Sim, mas mommy está chatinha. A Sandy não deixa ela ficar andando. – contou o garotinho, fazendo careta.
_ Você também não deixava, então fica na sua. – eles se aproximaram da loira, que estava acariciando a barriga – Encalhou na praia?
_ So hilarious. – a mulher revirou os olhos – Agora me ajude a levantar, please.
Davi colocou o filho no chão, ajudando a esposa a levantar. Ela começou a limpar o vestido, enquanto o rapaz recolhia as coisas espalhadas no chão e colocava a roupa seca em Daniel. Era um daqueles dias quentes de verão, e haviam aproveitado que ele tinha uma reunião em Porto Alegre, para que o filho pudesse ir brincar na praia.
_ Podemos comer waffles? – perguntou Daniel, enquanto os três caminhavam para o carro, eles entre os pais, pulando e segurando as mãos deles – E suco de orange and strawberry?
_ Ele está pegando sua mania de misturar os idiomas. – riu Davi, enquanto abria a porta do carro – E sim, macaquinho, podemos comer tudo isso.
_ Eu não sou macaquinho. – riu o garoto, enquanto a mãe colocava seu cinto.
_ Oh, you are. A little and cute macaquinho. – ela fez cócegas na barriga da criança, que gargalhou.
_ E a Sandy vai ser macaquinha?
_ Se ela ficar pulando nas escadas e árvores do quintal que nem você, sim. – decretou Davi, enquanto pegavam o caminho de volta para casa.
Diferente de Daniel, que havia sido uma grata surpresa, Sandra havia sido planejada e pedida pelo irmão mais velho, ansioso por ter uma irmã ou irmão como os coleguinhas da escola. Os pais demoraram um pouco a atender o pedido, querendo que ele já estivesse um pouquinho maior quando isso acontecesse.
E quando enfim aconteceu, foi a grande alegria do menino, maravilhado com a ideia de ter uma irmãzinha para cuidar e mimar, mas principalmente para brincar. E Megan, é claro, estava adorando a ideia de ter uma bonequinha de verdade.
_ Mommy, daddy, de quem são esses carros? – perguntou Daniel, quando eles finalmente chegaram à sua casa. Davi franziu o cenho, observando os carros pretos e de vidro fumê. Ele olhou Megan, que parecia tão confusa quanto ele.
Entrou com o carro da família na entrada de carros, enquanto observava as portas dos veículos se abrindo. Desceu do próprio carro, abrindo a porta e ajudando Daniel e pular para o chão.
_ Davi... – sussurrou Megan, agarrando seu braço – I think they found us.
O rapaz puxou o filho para junto de si, enquanto observava as pessoas atravessando a rua e se aproximando de sua pequena família.
_ Megan Lily... – a primeira a falar foi Pamela, seus olhos brilhando em lágrimas e parecendo bem mais jovem do que Megan se lembrava – Oh baby girl.
_ Mom. – não houve como a loira conter a emoção, soltando Davi e correndo para os braços da mais velha, que a envolveu com carinho e saudade – Oh God, how much I miss you.
_ Você está tão diferente, tão madura. – a atriz segurou o rosto da filha entre as mãos – E pelo visto, sendo uma ótima mãe.
Megan sorriu, enquanto sentia a mãe acariciar sua barriga de grávida. Davi sorriu para a cena, antes de ele mesmo não se conter e caminhar até a própria mãe, a abraçando apertado. Rita fungou, antes de dar-lhe um beliscão no braço, fazendo o programador rir.
_ Também senti sua falta mãe. – ele beijou o rosto dela.
_ Que ideia é essa Davi? Sumir por cinco anos? – ela segurou o filho pelos ombros – Isso não se faz com a sua mãe.
_ Eu tive que fazer o que era melhor para nós três. – ele sorriu para a mais velha – Pai, Mathias.
_ Seu panaca. – riu o irmão, enquanto os dois o abraçavam – Cê dá um perdido na família assim? Perdeu meu casamento, o nascimento do teu sobrinho...
_ Perdi em teoria, porque a internet me permitiu acompanhar tudo. – riu o nerd, observando Megan ser abraçada por Dorothy – Mas... Querem conhecer alguém especial?
Ele caminhou para junto do carro, observando Daniel espiando por trás do veículo, envergonhado. O pai o pegou no colo, sentindo ele esconder o rosto em seu pescoço e rindo. Megan caminhou até os dois, acariciando as costas da criança.
_ Danny, lembra que nós sempre falávamos dos seus avós? – perguntou Davi, e o filho assentiu – Então... Não precisa ter vergonha de conhecer eles.
_ E se eles não gostarem de mim, daddy? – perguntou o garoto, fazendo todos rirem.
_ E como não gostar de um garotinho tão lindo e so sweetie? – perguntou Pamela, se aproximando deles – Que tal dar um abraço na vovó Pamela?
_ Mommy disse que você gosta mais de Princesa Shelda, ou Marra Woman. – ela riu do neto.
_ Mas para você, pode ser Granny Pam, que tal? - Daniel abriu seu sorriso brilhante.
_ I liked it. – ele se jogou para os braços da mulher, que sorriu ao abraçá-lo.
Logo, as duas avós, o avô, o tio e a “bisavó” cercavam o garoto, paparicando tudo que não haviam paparicado nos últimos anos. Davi e Megan voltaram então suas atenções para uma figura parada um pouco distante, as mãos enfiadas no bolso da calça jeans, sua aparência bem mais jovem e sadia.
O casal caminhou até Jonas, que lhes sorriu.
_ Vocês me renderam cinco anos de longa e minuciosa procura, estão de parabéns. – riu o homem – Não vai me abraçar, filha?
_ Hi daddy. – ela se aproximando, deixando que o homem a abraçasse.
_ Está linda, se posso dizer. – ele a analisou – Tão linda quanto na gravidez do Daniel.
_ Thanks. Você também está very handsome. – ela elogiou, sorrindo para ele – Parece mais sadio.
_ Well... Eu me afastei da Marra, quando o Ernesto e o Vicente assumiram a presidência. Eu e sua mãe viajamos o mundo, em primeira estância para procurar vocês. Mas essa segunda e mais longa lua de mel, fez muito bem a nós dois. – ele contou, acariciando o rosto dela – E você, Davi? Me odeia tanto assim?
_ Você sabe que eu nunca te odiaria, Jonas Marra. Talvez um pouquinho de raiva em outros tempos, mas ódio jamais. Afinal de contas, você ainda é meu pai. – o programador se aproximou, abraçando o homem – Mas como vocês nos encontraram?
_ Depois de rodar o mundo e não conseguir nenhum sinal de vocês, começamos a procurar na rede. E quem os encontrou, na verdade, foi o Ernesto e o Vicente. – Davi franziu o cenho – Eles estavam negociando com uma empresa de Porto Alegre e receberam os dados de programação deles. E ali no meio, o Vicente reconheceu a sua assinatura. – os dois riram – É rapaz, até os nerds deixam digitais.
_ E porque vocês vieram? – Davi assumiu o tom defensivo – Digo...
_ Eu não vou te forçar a voltar para a presidência da Marra, Davi. Ou forçar vocês a viverem aquela vida da qual vocês fugiram. – prometeu o empresário – Mas nós temos o direito de ter nossos filhos por perto, certo?
_ Oh daddy. – Megan fungou, abraçando o homem com carinho, abalada pelos hormônios da gravidez. Jonas e Davi riram, enquanto o primeiro beijava a testa da filha.
_ E eu? O vovô não quer me conhecer? – todos riram da inocência na pergunta de Daniel, pendurado no colo de Rita, o rostinho ansioso. Jonas se afastou dos filhos, caminhando até o garotinho.
_ Mas é claro que eu quero te conhecer, rapazinho. – garantiu o Marra mais velho – Na verdade, tenho esperado por isso há cinco anos.
_ Eu também. O daddy fala muito de você. Você sabia que eu sei operar o Marra OS melhor do que ele? – todos riram, mas Davi suspirou.
_ Pior que é verdade. O danado é mais habilidoso que eu.
_ Será que um dia eu posso trabalhar na Marra, hein vovô? – os olhos de Danny brilharam, fazendo o avô sorrir.
_ Tudo na hora certa, está bem Daniel? Por enquanto, a única coisa que o vovô quer fazer com você, é brincar. – garantiu Jonas – E que tal um abraço?
Daniel abriu o sorriso que lhe era tão característico, antes de abraçar o avô, passando para o colo dele. Jonas o apertou forte, tentando controlar a emoção.
_ Eu gosto de brincar de carrinhos, mas acho que a Sandy só vai gostar de bonecas. – contou o pequeno Marra.
_ Sandy? – a voz de Jonas saiu falhada – Quem é Sandy?
_ It’s our daughter. – Megan acariciou a barriga – Sandra Pamela Parker-Marra Reis.
_ It’s beautiful. – suspirou Pamela, fungando.
_ É lindo. – Jonas fez eco a esposa – Assim como eu tenho certeza que ela vai ser.
_ Você sabia que nosso sobrenome não é Rison? – perguntou Daniel, pulando no colo do avô – É que a gente tá escondido.
_ Agora não estão mais, porque nós achamos vocês. – Dante fez cócegas na barriga do neto – E o que diabos é Rison?
_ Uma analogia a Reason. – explicou Davi.
_ Porque nós somos a razão um do outro. – sorriu Daniel, derretendo os avós, e fazendo os pais sorrirem orgulhosos.
_ He’s very smart para a idade. – Megan riu – E gosta de ouvir conversas behind the door.
_ Parece com his mom. – riu Pamela.
_ Mas bom, vamos entrar. – propôs Davi – Não há necessidade de ficarmos aqui fora.
_ É, vamos lá para vocês conhecerem meu quarto. Tem um dinossauro de Lego. – Daniel pulava animado, fazendo todos rirem.
_ Acho que você vai gostar do Felipe. Ele também adora brincar de Lego. – contou Mathias, enquanto o menino ia para o chão.
_ E porque ele não veio? Eu quero conhecer ele. – observou Davi.
_ Yeah, and Danusa too. – observou Megan – Sinto saudades dela.
_ Eles ficaram no Rio, com a família dela. Os Marra da Taquara serão sempre os Marra da Taquara, não há muito o que fazer. – o rapaz deu de ombros, enquanto se dirigiam para dentro da casa – Então sr. Daniel, que tal mostrar seus Legos para o tio?
_ Siiiim. – o garotinho saiu correndo pelas escadas – Vem tio, vovó, vovô Dante, nanny Pam, vovô Jonas.
_ Ele vai ficar repeating this for a month. – contou Megan, aos risos.
_ Duvido que eu vá cansar de ouvir, mesmo depois de um ano. – garantiu Rita, enquanto todos subiam atrás de Daniel, deixando o casal na sala.
_ Preocupada? – perguntou Davi, abraçando a esposa e acariciando a barriga dela.
_ Happy, very happy. – garantiu a loira, sorrindo emocionada – Eu senti tanta falta deles.
_ Eu também. E o Daniel também, pelo visto. – os dois riram – Agora tá tudo completo.
_ Almost. – Megan mordeu o lábio inferior – Stupid boy, precisamos ir para o hospital, now.
_ Você quer dizer que...
_ Tem mais uma reason querendo vir para nossa caixa de correio. – riu a mulher – E parece estar in a hurry.
_ Ai caramba, loirinha. – arfou Davi – MÃE, PAI, JONAS, PAMELA, A SANDRA TÁ NASCENDO.
No meio das fortes emoções daquele dia, Sandra Pamela Parker-Marra Reis chegou ao mundo, os cabelos tão loiros quanto os da mãe, os olhos tão lindos quanto os do pai, e foi recebida com muita alegria pelo sorriso idêntico do irmão, e juntamente das de Davi, Megan e Daniel, sua mãozinha foi marcada na caixa de correio dos Parker-Marra Reis Rison.
E esse sim, é um final muito feliz.
Link no Nyah: http://fanfiction.com.br/historia/486178/The_Reason_is_You/capitulo/47/
Diário de Uma Paixão | Cap. 1 - Um sopro de verão
Fábio Fiori Campana tinha 17 anos quando seu pai mandou ele e sua madrasta passarem o verão na casa dos compadres, em São Paulo. Plínio estava rodando um filme em Michigan, nos Estados Unidos, e levara a filha mais nova, Maria Luiza, junto com ele. Para o futuro estudante de publicidade, o que restara foi ser arrastado para o Brasil junto com Bárbara Ellen.
A família Rabello era completamente fútil e mesquinha, do tipo que torrava o saco dele, apesar de ser o tipo de gente com quem era acostumado a conviver. Os menos ruins ali eram Bento e o jovem Vinny, ainda uma criança com onze anos. Já o mais velho era como o rapaz: vivera com a mãe grande parte da vida, antes de ir para o ninho de cobras do pai e da madrasta. E apesar de Wilson, assim como Plínio, ter um bom coração, tinha um defeito fatal: era cego de amor pela cadela que tinha como esposa.
Irene Fiori havia mandado Fábio para a casa de Plínio Campana quando o garoto tinha 12 anos e ela ficou doente demais para conseguir cuidar dele. Até aquele momento, ele nunca tinha visto o pai na frente, e nem o homem sabia da existência do filho. O casal havia se separado antes da gravidez ser conhecida, e quando a atriz descobriu, o ex-noivo já tinha uma filha a caminho com a nova namorada.
_ Oi Fabinho. – a filha dos Rabello, Mel, sentou ao seu lado no sofá, começando a brincar com seus cabelos – Vai ter uma festinha no parque do meu pai, hoje à noite. Quer vir comigo?
_ Preferia ir para outro lugar, mas na falta de opção... – a moça jogou suas pernas sobre as dele, beijando seu pescoço.
_ Eu tenho que fazer um social, mas depois... Conheço um lugar excelente.
~*~
Giane de Sousa havia acabado de completar 16 anos e era a personificação de uma moleca. Usava bermudas, camisetas largas, tênis, nenhuma maquiagem e cortava o cabelo sempre o mais curto possível, sem chatear seu pai. Falava palavrões, torcia pelo Corinthians e se fosse para a Copa do Mundo, com certeza ganharia a Chuteira de Ouro, tamanha era sua habilidade na arte de fazer gol nas peladas da rua.
Ela trabalhava em uma floricultura no bairro onde moravam, a pequena comunidade da Casa Verde. Seu pai, já um senhor idoso, havia acabado de se aposentar de seu trabalho de faxineiro, mas apenas isso era muito pouco dinheiro, mesmo para a vida modesta que tinham. Então quando sua amiga Renata veio chamá-la para uma festa no parque dos tios do namorado, sua primeira reação foi recusar.
Mas após muita falação da amiga e de seu pai, a jovem concordou em ir à tal festa. E depois de mais falatório, ela concordou que Renata a arrumasse para a saída, respeitando seu limite e estilo próprio.
_ Você devia usar mais isso, de verdade. – elogiou a amiga mais velha, sorrindo para a corintiana – Seu pai comprou isso para você há quanto tempo?
_ Ah, uns dois anos, sei lá. – a menina deu de ombros, se observando no espelho, fazendo cara de desgosto – Eu não curti essa saia não, na real. Não posso usar uma bermuda? Eu tenho uma velhinha e mó confortável. E essa coisa aqui? Quase nem tem pano nessa blusa. E esse tecido é estranho.
_ É cetim, Giane. E tem bastante pano sim, é que você não está acostumada com alcinha fina, só com essas camisetas enormes que você usa.
_ Então, eu posso ir com a camiseta do Timão. Garanto que vai ficar mais bonito. – Renata bufou, enquanto se aproximava com algo nas mãos – Isso é maquiagem?
_ Vamos lá Giane, não vai ser nada demais, eu prometo. – sorriu a moça – Só um batonzinho claro e um pouco de lápis no olho. E rímel. E quem sabe uma chapinha no teu cabelo.
_ Aceito o batom e esse tal rímel. Mas não quero ninguém com lápis no meu olho, ou chapinha no meu cabelo.
_ Você vai arrasar hoje, eu prometo.
~*~
O Kim Park era o maior e melhor parque de diversões da cidade de São Paulo, talvez só perdendo como o melhor do país para o Hopi Hari. O lugar era gigantesco, equipado com brinquedos de ponta e sempre lotado, não importando o dia da semana. Naquela noite, os ingressos estavam esgotados para a festa “Festival Americano”. A ideia era recriar uma daquelas festas de cidade pequena, com barracas de brincadeiras e coisas do tipo.
Para Giane, era tudo novo e maravilhoso. Havia ido uma única vez à um parque de diversões, quando tinha dez anos, e naquele momento, parecia a mesma criança de outrora, arrastando Renata e Érico para todos os brinquedos possíveis. Os dois, cinco anos mais velhos que ela, se divertiam e brincavam que estavam treinando para quando tivessem filhos, mas ela não ligava. Aquilo era mágico.
_ Vamos no carrinho bate-bate? – propôs Érico, observando Giane devorar uma salsicha no palito – Antes que você coma demais e fique enjoada até na roda gigante.
_ Continua me enchendo o saco que você vai ver onde essa salsicha vai parar. – resmungou a menina, acompanhando o casal – Cara, tá um porre segurar esse candelabro.
_ Fica tranquila, nem estamos nos beijando. – riu Renata – Você é nossa amiga, Gi, e nós estamos felizes de você estar nos acompanhando. De verdade.
A fila do brinquedo estava pequena, e logo, Giane ria deliciada das pancadas que dava nos carros a sua volta, especialmente no de Érico, que era péssimo ao volante do carro de brinquedo.
Ao longe, um grupo os observava, um deles com interesse em particular.
_ Quem é aquela ali com o seu primo? – perguntou Fábio, observando Érico e Giane discutindo de dentro dos carros.
_ O nome dela é Giane, mora na rua da casa deles. – explicou Bento – Estou surpreso por ela ter vindo, ela não é muito de sair.
_ Porque é pobre. – debochou Mel – Ela trabalha em uma floricultura.
_ Ela é linda. – suspirou o rapaz, vendo o brinquedo parar.
_ Fabinho, eu queria um algodão doce. – Mel pediu com sua voz enjoativa, tentando atrair a atenção dele.
_ Ah, claro. Pega lá. – ele jogou uma nota de dez para ela, antes de sair andando.
Érico e Giane continuaram a discutir fora do brinquedo, ele bravo pelo tanto de batidas que ela dera em sua traseira. Renata apenas ria dos dois, dizendo que eles pareciam duas crianças. Até que alguém apareceu.
_ Hey, quer dançar comigo? – Fábio estendeu a mão, parando bem em frente à Giane. Ela olhou a mão dele, depois seu rosto, e em seguida a mão de novo. Franziu o cenho e lhe acertou uma joelhada bem no meio das pernas – Ai.
_ Seu abusado. – rosnou a moça, saindo pisando firme. Érico ficou atônito, enquanto Renata saia correndo atrás da amiga. Fábio caiu de joelhos no chão, apertando o local da agressão, sentindo os olhos rasos d’água.
_ Ai meu Deus, me desculpa por ela. – Érico ajudou o rapaz a levantar do chão – A Giane é muito tímida e fechada, deve ter ficado assustada.
_ Mas eu só propus uma dança. – o rapaz parecia estarrecido com a atitude da jovem – Nunca esperei que alguém fosse ter uma reação tão bruta.
_ Ela é bruta, infelizmente. – desculpou-se o mais velho – Olha, ela está voltando.
Renata vinha puxando Giane pelo braço, a jovem parecendo contrariada. Elas pararam em frente aos rapazes, e a mais velha deu um cutucão na amiga.
_ Desculpa pelo chute. Foi grosseiro e agressivo, e não era necessário. – resmungou a corintiana, e o rapaz riu.
_ Tudo bem. Mas você aceita dançar comigo?
_ Tá querendo outro ch... – Érico e Renata a repreenderam com o olhar, fazendo a menina bufar – Quero dizer, claro.
_ Ótimo. – ele estendeu a mão para ela, mas foram interrompidos por Mel, que pulou no colo de Fábio, jogando algodão doce para todos os lados.
_ Tá maluca? – gritou Giane, tirando algodão doce dos cabelos.
_ Opa, desculpa. – riu Mel, enquanto praticamente enfiava o doce na boca de Fábio, que parecia nervoso – Binho, a festa tá chata. Vamos para um lugar mais... Reservado?
_ Na verdade eu ia... – ele a afastou, virando-se para Giane.
_ Relaxa aí, tá tranquilo. – a menina deu de ombros – Sua namoradinha tá com um fogo danado, vai resolver isso.
_ Ela não é minha namoradinha. – garantiu o rapaz, enquanto Mel o agarrava mais. Por fim ele se deu por vencido – Mel, vai procurar seu irmão e avisa que nós estamos indo, está bem?
_ Tudo bem. – a patricinha saiu correndo, deixando os quatro sozinhos.
_ Dá tempo de nós corrermos para a pista de dança e despistarmos ela. – garantiu Fábio, mas Giane bufou.
_ Moleque, não me testa. Cê tem namorada, olha o respeito. – ela mandou na lata – E outra, tá tarde pra caramba. Eu tenho que acordar cedo amanhã, pra abrir a loja. A gente se tromba por aí, beleza fraldinha?
_ Fabinho.
_ Oi?
_ Meu nome. É Fábio, mas pode me chamar de Fabinho. E o seu é Giane? – ele estendeu a mão.
_ É. Mas se chamar de Gi ou Gianezinha, toma um belo chute. – ele riu, enquanto ela apertava sua mão – Vixe, a melosinha tá voltando. Érico, Re, vamos pegar nosso rumo?
_ Vamos. – o rapaz riu, apertando a mão de Fábio – Até mais e prazer em conhecê-lo.
_ Não sei se a situação foi um prazer, mas enfim. – eles riram, enquanto o rapaz dava um beijo no rosto de Renata. Os três começaram a caminhar, deixando o jovem Campana sozinho – Até mais, Gi.
Ela parou nervosa, e ele jurou que iria tomar outro chute daqueles. Mas ela apenas se virou no lugar, um sorriso maroto no rosto.
_ Até mais... Fraldex.
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Diário de uma Paixão
Baseado na obra homônima de Nicholas Sparks
Os românticos chamariam isto de uma história de amor, os cínicos diriam que é uma tragédia. Na minha cabeça é um pouquinho de ambas, e no final das contas qualquer que seja a maneira como você escolha encarar este relato, nada altera o fato de que ele abrange uma grande parte da minha vida e do caminho que eu escolhi trilhar. Não tenho nenhuma queixa a fazer quanto ao meu percurso e aos lugares aonde ele me levou; talvez sobre outras coisas eu tenha reclamações, suficientes para encher uma tenda de circo, mas o caminho que escolhi tem sido sempre o certo, e eu também pouco gostaria que tivesse sido de outro jeito.¹
Por grande parte da minha vida, eu fui completamente cínica em relação ao amor, e poderia ser dos que irão dizer que isso foi uma grande tragédia. Mas depois de amar e ser amada como fui...
Todos os dias, acordo com o sol tocando meu rosto através da fresta da cortina. Demoro algum tempo no processo de me levantar, já que as articulações e ossos velhos não ajudam. As enfermeiras já deixaram os remédios no móvel ao lado da cama, e a cada dia eles se multiplicam. É uma profusão de formatos, cores e tipos, que já nem sei mais para o que cada um deles serve.
Meu armário não tem uma grande variedade de roupas, algo que felizmente não mudou com o tempo. Visto uma calça de moletom, uma camiseta branca e um moletom preto. Penteio os cabelos brancos e ajeito meus óculos, já tão grossos que mais parecem o fundo de uma garrafa.
Abro a caixinha de madeira, já velha e desgastada, e encontro o livro, tão velho e surrado quanto. O pego com o mesmo cuidado de sempre e ajeito ao lado do corpo, me encarando no espelho e suspirando para meu reflexo.
Hora de esperar por mais um milagre.
No começo, odiava o excesso de branco que impera esse lugar. Mas com o passar dos anos, se tornou mais fácil me acostumar e me sentir em casa. A simpatia e cordialidade dos funcionários ajuda nisso, e apesar de a alguns me acharem uma louca completa (malditos cínicos), há uma grande parte de românticos, que torcem para que cada dia, seja um ótimo dia.
_ Bom dia Sra. Campana, está um lindo dia. – Eliza, a enfermeira encarregada por aquele quarto, me cumprimentou – Mas acho que ele não está em um bom dia.
_ Ele nunca está. – eu ri, observando o homem em frente à janela – Sempre um fraldinha preguiçoso.
A mulher me sorriu compreensiva, enquanto caminhava até ele e colocava a mão em seu braço, atraindo sua atenção. Ele piscou os olhos castanhos para ela, sem se dar conta da terceira pessoa no recinto.
_ Fábio? Tem alguém aqui para vê-lo.
_ Fá-Fábio?
_ Isso querido, você é Fábio. – suspiro ao ouvir aquele diálogo. Mesmo com o passar do tempo, não se tornou mais fácil – O nome dela é Giane. Ela veio ler para você.
_ Ler? Ler o que? – ele virou um pouco o rosto, até seu olhar encontrar com o meu – O que você vai ler para mim?
_ Uma história muito bonita. – garanti, caminhando até ele – E você gosta muito dela.
_ E-eu gosto? – assenti – Mas como você sabe que eu gosto? Quem é você?
_ Uma amiga. – o gosto dessas palavras é sempre amargo à essa hora do dia – Vamos?
Ele relutou um pouco, provando que apesar de tudo, continua a mesma mula empacada que sempre fora. O guiei pelo local, o apoiando pelo braço. Os anos de sedentarismo em frente à um computador, agora cobram seu preço, e se as minhas articulações estão doloridas aos 80 anos, as dele estão praticamente enferrujadas.
_ Acho que aqui está bom. – o ajudo a sentar em uma poltrona com uma estampa cafona de flores, e ele se ajeita ali. Me sento a sua frente, ajeitando os óculos – Onde paramos ontem?
_ Não me lembro. – sua voz é rabugenta, e isso me traz um sorriso ao rosto.
Com um lambida no dedo, consigo abrir o caderno na primeira página. Ajeito os óculos uma vez mais, piscando para focalizar a visão. Dou um tossida e um pigarreio, antes de começar enfim:
_ Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome, em breve, será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou.²
Engulo as lágrimas que sempre se formam e viro a página, observando o olhar sereno que ele dirige para a paisagem do lado de fora da janela. Um sorriso pequeno se forma em meio a barba rala, e eu sorrio também.
Viro a página e recomeço a ler.
Com certeza é um bom dia.
¹/²: Trechos extraídos do livro Diário de Uma Paixão, de Nicholas Sparks
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The Reason is You - Capítulo 45
_ Bom dia Sr. Marra, Sra. Marra. – cumprimentou a secretária de Davi – O Sr. Reis ainda não chegou.
_ Ele o que? – Jonas parou bruscamente – Mas já são 9h, e ele tinha reunião às 8h.
_ Eu não sei, senhor. Ele saiu daqui ontem com a Sra. Reis, mas não me avisou de nenhuma mudança. – explicou a mulher, tremendo de medo da cara do patrão.
_ Algo errado? – Rita apareceu pelo elevador, acompanhada de Dante, Herval, Dorothy e Brian.
_ Aparentemente, o Davi ainda não deu as caras, apesar de ter tido uma reunião uma hora atrás. – Jonas rangeu os dentes.
_ Ele pode não ter vindo para a sala, ou veio antes da Dianna chegar. – garantiu Brian – Vamos ver se ele deixou alguma coisa na sala.
Pamela deslizou a porta do escritório, todos entrando e começando a procurar pelas coisas de Davi.
_ O computador está no modo de espera. – observou Herval, indo até a máquina – E o Davi nunca deixa o computador ligado durante a noite, por medo de raios.
_ Então ligue esse monitor que eu quero descobrir para onde ele foi com a Megan. – Jonas se aproximou, vendo a tela se acender – Que merda...?
A tela estava preta, e havia apenas um ícone no meio. Herval clicou no mesmo, e uma tela de vídeo se abriu, revelando Davi, Megan e Daniel.
_ Hi mom, daddy. – cumprimentou a loirinha.
_ Mãe, pai, Herval. – Davi suspirou – Essa é a nossa despedida para vocês, nosso adeus antes de seguir nosso caminho.
_ Do que eles estão falando? – perguntou Rita, aflita.
_ We talk a lot about this, antes e depois do Daniel nascer. Queríamos esperar mais, but the circumstances não permitiram isso. We can’t live this way. – Megan acariciava o rosto do filho enquanto falava.
_ Eu disse que nunca colocaria a carreira na frente da minha família, e não farei isso. Megan e Daniel são a coisa mais importante para mim, e eu quero que seja assim sem me sentir culpado por nada. – prosseguiu Davi – E nós queremos paz, queremos uma vida sem tabloides e fofocas e... Confusões.
_ Queremos que o Danny tenha a normal childhood, with his parents at his side.
_ E saibam que a culpa não é de vocês. É uma escolha nossa, pensando no que consideramos melhor para nossa família. – prosseguiu Davi – O acontecimento com o Danilo foi só a gota d’água que nós precisávamos.
_ We love you all, very much. E nos parte o coração ter que manter o Daniel away from you guys. – Megan secou os olhos – But this is the best, para ele e para nós dois.
_ No cofre da sala tem os papéis sobre a presidência da empresa. Peço que eles sejam respeitados, e sei que serão, pois eles já estão na posse dos advogados da Marra. – Davi finalizou – Nós não sabemos do futuro, ou o que será daqui para a frente, mas eu espero que um dia...
Ele parou de falar, enquanto Megan segurava sua mão. Daniel soltou um de seus barulhinhos, fazendo os pais rirem.
_ Ele vai sempre saber sobre vocês, e que vocês love him very much. – garantiu Megan – Mom, daddy... I love you both very much.
_ Mãe, pai, Herval... Jonas, eu amo vocês. Muito obrigado por tudo. – suspirou Davi – E até logo.
E a tela ficou preta novamente.
Pamela cobriu a boca com as mãos, deixando alguns soluços irromperem. Rita a imitou, mas abraçou Dante para isso, enquanto Herval encarava a tela preta. Jonas saiu depressa, correndo até o cofre e abrindo a porta, tirando a única pasta que havia ali.
_ Ele deixou a empresa para o Vicente e o Ernesto. – avisou o homem.
_ A empresa, Jonas? A empresa? – gritou Pamela – Seus filhos acabam de dizer que estão sumindo no mundo com nosso neto, e você está preocupado com a empresa? Será que você não cansa de errar? De fuck sua vida, por causa dessa merda de empresa? Do que adianta tudo isso, se você não tem um mísero herdeiro? Se você espantou para longe de nossas vidas, Megan, Davi e Daniel?
_ A culpa não é minha, eles mesmos disseram. – rebateu o empresário.
_ For God’s sakes, Jonas, não seja burro. – a mulher perdeu a cabeça – Eles não queriam vir para São Francisco, você sabia disso. Você quase fez o Davi perder o nascimento do Daniel. Se a conversa começou antes do bebê nascer, você tem algo a ver com isso.
_ Herval, tente achar alguma coisa, algum histórico de pesquisa. – pediu Jonas, ignorando a esposa – Quero saber para onde eles foram.
_ O Davi resetou o HD. – avisou o programador – Não tem nada nesse computador, e não há jeito possível de se recuperar o que havia.
_ Dorothy, você não sabe de nada mesmo? – Pamela correu até a madrinha, que lhe sorriu tristemente – Oh Dorothy...
_ Oh dear, eles vieram conversar comigo no dia que vocês foram ao Brasil. Pamela, meu anjo, eles fizeram o que era melhor para eles, tenha certeza disso.
_ Não cabia a você decidir isso. – acusou Jonas.
_ E nem a você, Jonas Marra. Cabia apenas a eles, e eles decidiram o que achavam melhor. Eu apenas dei uma ajudinha com alguns detalhes. – explicou a mulher.
_ E você vai nos contar tudo em detalhes, para que possamos localizá-los e buscá-los. – Dorothy riu alto, fuzilando Jonas.
_ Da minha boca, não saíra nada. E você não vai conseguir encontrá-los, Jonas, eles são muito mais espertos do que você imagina. A essas horas, eles estão a continentes de distância, se forem espertos, começando uma vida nova.
~*~
Davi estacionou o carro alugado, observando a casa com um sorriso no rosto. Abriu a porta de trás, ajudando Megan a descer com Daniel.
_ É aqui. – ele sorriu para a fachada da casa de campo, enquanto Megan também sorria.
_ É more beautiful do que eu imaginei. – ela suspirou.
_ Precisa de algumas reformas, mas eu gostei. – garantiu Davi – Podemos ter cachorros, gatos e galinhas.
_ Galinhas? – gargalhou Megan, acordando Daniel – Ops, sorry baby boy.
_ Acho que ele gostou. – os dois observaram os olhinhos do filho percorrendo tudo ao redor – Quer ver o interior? Não tem móveis ainda, mas...
_ Let’s go stupid boy. – Megan entrelaçou seus dedos, os dois caminhando para dentro de casa. Davi apanhou a chave embaixo do carpete de entrada, destrancando a porta e indicando que a esposa entrasse.
Os dois pararam no meio da sala gigantesca, bem no estilo de uma casa de campo. A escada era de madeira maciça, assim como os batentes e as portas.
_ Yeah, precisa de a little touch nosso, mas I liked it. – a mulher sorriu – Tem cheiro de home.
_ É... – Davi olhava tudo com os olhos brilhando – Tem cinco quartos lá em cima. Um deles dá para as suas roupas?
_ Eu trouxe apenas six bags. É tão pouco. – Megan fez um biquinho fofo, enquanto Davi lhe dava um selinho – Se bem que, here in the end of the world, eu não vou ter onde usar all my clothes.
_ Você está pronta para essa mudança? Na nossa vida toda? – Davi a abraçou com cuidado, já que Daniel estava entre eles.
_ Of course. This is our life Davi, aquilo era apenas one freaking mess. – ela acariciou o rosto dele – Eu não sei como vai ser now on, mas eu sei que vai ser much better do que nós estávamos holding on.
_ Eu te amo, loirinha.
_ And I love you, stupid boy. – eles selaram os lábios, até que Daniel os trouxe de volta, aos risos – We love you too, my little prince.
_ Vem cá. – Davi pegou o filho no colo, o aninhando com carinho – Daniel, filho... Essa é a nossa casa de agora em diante. E nós vamos ser muito felizes aqui, o papai promete para você e a mamãe, está bem?
_ Thanks. – sussurrou Megan, acariciando os cabelos de Davi. Ele a olhou sem entender, e ela sorriu emocionada – Thanks for bring me back to life, for give me a reason to be a better person.
_ Achei que você fosse a minha razão de mudar. – ele lembrou do dia do aeroporto, enquanto ela ria.
_ My reason is you, sua razão sou eu... E ele é our reason. – Megan abraçou o marido, acariciando o rosto do filho – Somos the Reason Family.
_ Eu gostei disso. – Davi riu, beijando Megan de novo – E aí? Vamos conhecer o resto da nossa casa?
_ Nothing makes me more happy.
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The Reason is You - Capítulo 44
Ele encarava o escritório chique, e se abismava ao pensar que aquele escritório era dele. Aquela cadeira preta de couro, aquela escrivaninha de vidro super moderna, aquele computador de última geração... Tudo naquela sala, no último andar do prédio com fachada de vidro da Marra Corporation, era dele.
Ele era o presidente, a cabeça daquela indústria mundial, daquele grande império. Ele era o manda chuva de tudo, o poderoso. Aquilo era mais do que jamais havia sonhado.
Então porque não se sentia feliz com isso?
Enquanto pensava nisso, observava a beleza da cidade ao pôr do sol. A parede de vidro lhe permitia essa visão privilegiada e, naquele momento, era sua maior alegria naquele lugar.
Ouviu a porta deslizando, mas não se virou. Pelo bater leve dos saltos, já sabia quem entrava e se aproximava de sua cadeira. A mão delicada logo deslizou por seu ombro, comprovando o que pensava.
_ The house está cercada de paparazzi. – ela avisou, enquanto ele erguia os olhos para ela – Tivemos que sair almost hidden.
Ele nada disse, apenas assentiu. Se levantou, beijando a testa dela e voltando-se para o computador. Abriu o navegador da internet, digitando algumas coisas nas diversas abas e logo em seguida as fechando.
Entrou com um código e logo, todos os arquivos do computador eram deletados. Suspirou, encarando a mesma visão de minutos antes.
Sentiu os braços finos e delicados ao redor de sua cintura, e a envolveu com seus braços. Ficaram em silêncio absoluto por um longo tempo.
_ Será que foi the best choice?
_ Eu não sei Megan, mas é a única que nós temos. – ele disse em voz baixa. A encarou, com os olhos em fenda – Sabe que não precisa fazer isso.
_ I choose you, Davi. E não vou abrir mão disso. – ela segurou o rosto dele – Farei o que for preciso so we can have peace.
Ele assentiu, lhe dando um beijo delicado. Davi apanhou seu casaco, apagando tudo no escritório e saindo pela porta com Megan.
Tentaram agir o mais naturalmente possível, enquanto caminhavam até o elevador. Davi despediu-se da secretária, que já se preparava para deixar a empresa. Desceram os vinte e três andares pelo elevador, Megan abraçada com o marido, a cabeça enfiada na curva do pescoço dele. Vez ou outra ele beijava seus cabelos, tentando que ela se acalmasse e parasse de tremer.
Foram direto para o subsolo, que àquela altura já estava praticamente vazio. O carro de Davi estava estacionado na vaga de presidente, e ao lado, o carro de Megan. Dorothy estava de pé ao lado do veículo da moça, e ninava Daniel em seus braços.
_ Ele acordou logo que você saiu, e começou a chorar. – avisou a mais velha, passando o bebê para os braços da mãe, que se pôs a acalmá-lo.
_ Está tudo pronto? – perguntou Davi, e a mulher assentiu.
_ O avião está pronto para levá-los, e me entregaram os novos documentos de vocês hoje. – ela passou o envelope para Davi – Assim que chegarem ao local, já sabem o que farão?
_ Já transferi todo o dinheiro para uma conta fantasma. – avisou o rapaz – Tanto o meu, quanto o da Megan. E deixei tudo encaminhado... Assim que eles chegarem amanhã, descobrirão tudo, mas nunca conseguirão nos localizar.
_ Vocês tem certeza que querem fazer isso? – perguntou a senhora, virando-se para Megan – Digo...
_ Dorothy, essa vida que estamos levando It’s not a life. It’s hell. E eu não quero o Daniel growing no meio disso. – suspirou Megan, beijando a cabeça do filho – I want him have uma vida de verdade, como uma normal child.
_ Ah querida, é que eu vou sentir tanto a sua falta. – as duas se abraçaram com cuidado – Você sabe que é como uma neta para mim, e eu tenho muito amor e carinho por você.
_ Eu digo o mesmo, Dorothy. – suspirou Megan – I’ll miss you alot.
_ Espero que vocês sejam muito felizes. – garantiu a mais velha, virando-se para abraçar Davi – And good luck.
Ele a abraçou, pegando Daniel para que as duas pudessem se abraçar novamente. Prendeu o filho na cadeirinha de seu carro, enquanto Megan e Dorothy se despediam. Entrou no banco do motorista, enquanto a esposa entrava no banco traseiro e sentava ao lado do filho.
Ligou o carro, saindo de ré. Pararam ao lado de Dorothy e acenaram, antes de Davi acelerar e a mulher entrar no carro de Megan.
_ Say goodbye para São Francisco, my little prince. – Megan acariciava o rosto do filho – Essa foi sua casa for a little time.
_ Não, esse lugar nunca foi a casa dele, ou a nossa. – garantiu Davi, sorrindo para a loira pelo retrovisor – Nós estamos indo para a nossa casa.
_ But we still don’t know to where we go.
_ Mas nós vamos juntos, e isso é mais que o necessário. – os dois sorriram – E seja onde for, nós vamos ser felizes.
_ I have no doubt.
_ Mas eu acho que sei para onde vamos... – o rapaz puxou algo do bolso do terno – Chama Antônio Prado, fica no Rio Grande do Sul. É uma cidade minúscula, praticamente inteiramente histórica e com uma grande área rural.
_ E você já bought a house? – riu a moça, lendo o papel que ele lhe entregara.
_ Era perfeita, do jeito que eu sempre imaginei. Não é bem o estilo que você está acostumada, mas...
_ It’s perfect, because it’s ours. – garantiu Megan – E é far away from the town, right? – ele assentiu – Será more easy passar despercebidos.
_ Ouviu Danny? – Davi sorriu, tentando ver o filho pelo retrovisor – Nós temos uma casa para chamar de nossa.
_ Ele já dormiu, but he’s smiling. E eu também.
~*~
_ Dorothy, você viu Megan e Davi? – questionou Pamela, descendo as escadas da casa – O carro dela está aí, mas nem sinal deles ou do Danny.
_ Oh dear, eles fizeram uma last time trip. – explicou a mais velha, chocando todos, em especial Jonas.
_ Como assim viagem? O Davi não tem tempo para isso. – garantiu o empresário – Ele tem reuniões importantes amanhã.
_ Relaxe Jonas Marra, eles estarão de volta antes do amanhecer. – garantiu a mulher – Mas ele pediu que vocês, Rita, Herval e Dante fossem ao escritório, amanhã cedo.
_ E porque eles avisaram a você, e não à eles? – questionou Brian, curioso.
_ É que eu levei a Megan até a Marra para encontrar o Davi, para poder trazer o carro dela de volta. – explicou Dorothy – Ele ligou de última hora, nem disse para onde iriam ou o que fariam.
_ E porque eles não deixaram o Danny? – perguntou Pamela – Na certa, Davi programou uma romantic night.
_ Deixe os dois, eles gostam de ter o Danny por perto. – sorriu Brian, piscando para a mãe – Bom, vamos todos para nossos respectivos aposentos? Creio que todos ainda estão exaustos da viagem ao Brasil.
_ Pelo menos, a situação com a minha “família” está resolvida e o Danilo disse para a mídia que a história da paternidade do Daniel foi um erro. – suspirou Jonas – Eu fiquei surpreso com a calma da Megan e do Davi em relação a isso.
_ Oh yeah, fiquei impressionada. Os dois foram muito maduros em relação a isso. – elogiou Pamela – Mas acho que é melhor irmos dormir mesmo. Teremos que ir cedo para a empresa, right?
_ Exato. Vamos? – Jonas deu a mão para a esposa – Boa noite Brian, Dorothy...
_ Boa noite. – os dois desejaram, enquanto o casal saia – Ok mommy, pode começar a me contar tudo.
_ Amanhã Brian Roberto, amanhã...
~*~
No jatinho particular, Davi estava sentado, observando Megan amamentar Daniel. Se pudesse, fotografaria cada vez que aquilo acontecesse e emolduraria todas as fotos, porque achava um quadro maravilhoso, especialmente quando ela erguia os olhos pelo meio da cortina de cabelos loiros que caíam quando ela abaixava o rosto, e seus olhares se encontravam em um sorriso silencioso.
_ The sky é tão lindo a noite, ainda mais visto daqui. – sorriu a loira, observando pela janela, enquanto deixando Daniel agarrar seu dedo indicador – It brings me so much peace.
_ Nós vamos ter paz agora, Megan. Eu prometo. – prometeu o nerd – Nossa vida vai ser ótima.
_ Vai ser ours, of course vai ser ótima. – Megan arrumou a roupa – Quer?
_ Você sabe que sim... – ele andou até ela, pegando Daniel no colo – Pode dormir, logo nos juntamos a você.
Megan caminhou até a cama do avião, deitando e se cobrindo com a manta, virando e observando Davi sentado ao lado da janela, esperando Daniel arrotar, cantarolando para a criança.
E naquele momento, todas as dúvidas e medos que sentia em relação à escolha que haviam feito, sumiram. Porque eles eram a razão daquela escolha, e eles valiam totalmente a pena.
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The Reason is You - Capítulo 43
A noite já havia caído quando Davi afinal chegou até a mansão dos Marra. Estacionou seu carro ao lado do de Megan, vendo que o de Jonas não estava lá. Apanhou sua pasta e desceu do carro, ouvindo Daniel chorar alto.
Às vezes, pensava que o filho odiava São Francisco tanto quanto ele.
_ Dá ele aqui. – foi a primeira coisa que disse, entrando no quarto. Megan suspirou aliviada, passando o bebê para o colo do pai – Calma carinha, o papai tá aqui, se acalma.
_ Ele don’t sleep o dia todo. – a loira caiu na cama, os olhos fundos de cansaço – Não sei como os pulmões dele aguentam, porque ele don’t stop crying.
_ Por que você não me ligou? – questionou o rapaz, sentindo o choro do filho diminuir.
_ I call, like, one hundred times. – Megan estava nervosa, quase arrancando os cabelos – Mas the stupid Murphy disse que você estava em reunião, o tempo todo. Mom and daddy foram para o Brasil hoje cedo, Dorothy estava busy all day e...
_ Como assim Brasil? – ele arqueou a sobrancelha – O que eles estão fazendo lá?
Megan suspirou, coçando os olhos. Caminhou até a escrivaninha, pegando uma revista e levando para Davi.
_ O Danilo está falando que o Danny is his son. – a garota explicou, enquanto Davi lia a capa.
_ Ele o que? – o rapaz gritou, enquanto Daniel voltava a chorar – Droga.
_ Now you see porque ele ficou nervoso all day. – Megan pegou o filho no colo, o aninhando e começando a ninar – Desde que Dorothy nos avisou e... Shit.
Davi abriu a revista, indo até a página. A chamada de capa já fazia ferver os nervos. “Daniel Parker-Marra Reis, ou será que devemos acrescentar mais um Marra?”, a foto de Megan e Davi com o bebê e um balão com uma foto de Megan e Danilo.
_ Ele vai pedir um exame de DNA? – o nerd quase rasgava a revista – O que esse animal quer?
_ Money, like always. – a moça tentava fazer o filho parar de chorar – Dad ligou para eles this morning, e a Glaucia se dispôs a “esquecer” esse “erro” na paternidade do nosso filho, but of course, for a high price.
_ Erro? E tem algum erro? – Davi espumava – O Daniel é meu filho, e ai de quem ousar sugerir o contrário. Eu vou ligar para o advogado agora mesmo, eu quero... Eu quero esses filhos da puta ferrados.
_ Keep calm Davi. Eu também estou crazy de raiva, mas nós temos que nos acalmar, or Danny will not calm down.
_ Como você espera que eu mantenha a calma? Esse idiota tá falando que meu filho não é meu.
_ Oh, então this is the problem?
_ Claro que é o problema, Megan.
_ E como você acha que I feeling, everytime que uma revista publica alguma stupid bitch dizendo que você me traiu com ela. Ou quando aquela crazy son of bitch disse que você era o pai do baby que ela esperava? – rebateu Megan, mais alto, enquanto o choro de Daniel aumentava.
_ Você sabe que é tudo mentira. Porque desde que eu venci aquela bosta de programa, se eu não estou com você, eu estou na Marra. – Davi gritava, gesticulando sem parar – Eu passo todas as noites cuidando de você e do Daniel, mesmo estando morto do cansaço e...
_ Shut your fucking mouth, stupid boy. – Daniel se esgoelava, enquanto os pais gritavam – Então no problem se me chamarem de corna, mas insinuar que Daniel é filho de another guy... It’s the end of the world.
_ Isso não tem...
_ Davi, o Daniel. – Megan cortou o marido, os olhos arregalados. O rosto do bebê estava vermelho, e ele tossia desesperadamente – Ele engasgou?
_ Eu não sei. – o rapaz puxou o menino, sentando na cama e deitando o bebê de bruços, começando a massagear as costas dele, se assegurando que ele desengasgasse se fosse o caso.
Os segundos até que o bebê tossisse alto e voltasse a chorar, foram talvez os mais aflitivos da vida dos dois, quase pior do que a falta de choro após o nascimento do garoto. Megan suspirou aliviada, pegando o filho no colo e o aninhando com carinho.
_ Hey, hey, hey... Calm down baby boy, mommy is here. – ela deitou na cama, o corpo todo tremendo, deitando o filho ao seu lado. Davi levantou tremendo, deitando do lado oposto e abraçando a esposa e o filho, os três chorando, os dois adultos em silêncio.
_ Tá tudo bem, tá tudo bem. – o rapaz acariciava a barriga do bebê, sentindo a respiração dele normalizar, enquanto o choro se apaziguava – O papai e a mamãe estão aqui.
Megan levou a mão até a do marido, entrelaçando seus dedos, os dois segurando o filho. Conforme eles se acalmavam, Daniel também se acalmava, mostrando que seu problema havia sido o nervoso de Megan durante todo o dia.
_ Você jantou? – a loira negou, suspirando – Ele mamou direito?
_ No... Ele chorou all day, não parava nem para mamar.
_ Então aproveita que ele acalmou, que você se acalmou, e amamenta ele. – pediu o rapaz, acariciando o rosto dela – Eu vou buscar alguma coisa para nós jantarmos, tudo bem?
Ela apenas assentiu, pegando Daniel, enquanto o marido saia do quarto. A loira levou o filho até a poltrona, abrindo a blusa que usava e colocando o bebê para mamar, de maneira tranquila pela primeira vez no dia.
_ Sorry for the mess, meu pequeno príncipe. Mommy perdeu a cabeça, e causou tudo isso. Sorry. – ela segurava a mãozinha do garoto, que piscava os olhos castanhos para ela – Mas agora está tudo bem, all right?
Não tardou para o pequeno adormecer, mesmo Megan imaginando que ele estivesse com fome. O sono e desgaste do dia deviam estar pesando mais, assim como estavam pesando nela. Mas tinha que esperar Davi.
Levou Daniel até seu berço, que ficava no canto do quarto dos pais (já que o quartinho dele ainda não estava pronto, segundo Pamela e Dorothy), e ajeitou o menino ali, velando seu sono por alguns minutos, para ter certeza que ele não iria acordar.
_ Ele dormiu? – ela assentiu, virando e encontrando Davi com uma bandeja – Vem, come alguma coisa. Vai te fazer mal ficar sem comer tanto tempo.
_ Eu não tive time for thinking em comer, ou respirar, or take a bath. E ele vomitou em mim two times. – a loira apanhou o sanduíche que estava no prato, mordendo sem nem perguntar do que era – Thanks God, peanut butter and jelly.
_ Eu sei que é seu favorito, achei que você iria gostar. – ela assentiu – Desculpa o ataque de agora a pouco. Eu estou...
_ Exhausted? – o rapaz assentiu – Então, somos dois, stupid boy, somos dois.
_ Eu não aguento mais isso, amor, juro que não aguento. – Davi cobriu o rosto com as mãos – É essas malucas falando que tem um caso comigo, falando que eu engravidei elas... E agora essa merda do Danilo.
_ I really hope que você não duvide que Daniel is your son.
_ É claro que não, eu sei que meu filho é meu. – o nerd olhou para o berço com carinho – É só que... Isso está sugando minhas forças, minha paciência, minha saúde. O Daniel tem só um mês e meio, e nós já estamos assim.
_ Isso bring us back para nossa escolha. – Megan soltou seu sanduíche, segurando a mão do marido – Shit, eu queria que ele estivesse a little bigger quando isso acontecesse, pelo menos for our mothers.
_ Você sabe que eu também, loirinha. Mas eu não estou vendo outra solução. – Davi beijou a mão dela – O Jonas nunca entenderia, a empresa é importante demais para ele, é a vida dele.
_ My daddy love the Marra Corporation more than everything. – a garota repetiu o que já havia dito certa vez – More than my mom, me, you, or even Danny.
_ Sim, mas nós temos que entender. Ele fez a escolha dele, nós estamos fazendo a nossa.
_ Eu não vou conseguir cuidar de everything all by my self. – desculpou-se Megan – Danny consome all my time.
_ Eu sei, eu sei... Mas eu também sei quem pode ajudar.
~*~
_ Oh honey, desculpe não ter vindo antes, mas esse negócio do Danilo e do DNA... – Dorothy abraçou Megan com carinho, enquanto Davi segurava Daniel.
_ Please, don’t talk about this. – implorou a loirinha – Foi o que fez eu e o Danny passarmos mal.
_ Eu imagino. – suspirou a mulher – Mas o que vocês queriam falar comigo, que era tão sério?
_ Sente, por favor. – pediu Davi, indicando o sofá. Os três sentaram, e ele passou o bebê para Megan – Dorothy, quando nós aceitamos vir para São Francisco, nós já havíamos conversado sobre isso, mas esperávamos que o Danny já estivesse maior, até para nossas mães poderem aproveitá-lo mais.
_ Então this is not something impulsive ou não pensada. – garantiu Megan, enquanto a mulher à frente assumia um ar curioso.
_ Não estou entendendo... O que vocês conversaram, por favor, expliquem.
_ Nós não estamos aguentando tudo isso: a empresa, as fofocas, a falta de tempo. – enumerou Davi, massageando as têmporas – Nossa vida está literalmente um inferno, Dorothy. A Megan está sozinha com o Daniel, e eu não tenho nem como resolver isso, porque o Jonas está me enfiando cada vez mais coisas na empresa.
_ E também... We don’t want Danny crescendo nesse mundo, nessa situação, com gente rotten and mean like Danilo e os Marra. – enfatizou Megan.
_ Mas querida, para isso vocês precisariam mudar o mundo. – riu a mais velha.
_ Não, apenas quem está no nosso mundo. – garantiu Davi – Vivendo nesse ambiente, é isso que o Danny vai ter para a vida dele, e é isso que não queremos. Queremos nosso filho crescendo com valores, com bondade, com uma vida de verdade.
_ E o que vocês pretendem? – Dorothy mordeu o lábio inferior, já antevendo a resposta.
_ Dorothy, nós precisamos da sua ajuda para fugir. – pediu Davi – E o mais rápido possível.
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Eu te Amo | Oneshot Micela <3
Talvez fosse simples, talvez não fosse. Como dizer “eu te amo” para alguém, para quem você já disse isso à vida toda? Como expressar um sentimento que te acompanha desde o momento em que seus olhares se cruzaram, mesmo que você não se lembre desse momento exato, só do sentimento que não te deixou por um segundo da sua vida?
Para Miguel, esse era um grande e complexo dilema.
Desde que se entendia por gente, sabia que amava Marcela Lancaster Cardoso, muito mais do que amaria a uma amiga normal e do que veio a amar qualquer uma das primas. Diversas vezes ao longo da vida, até mesmo depois de começarem seu estranho caso de ficadas ocasionais, ele havia dito que a amava.
Mas não do jeito que queria e precisava.
Seu pai havia lhe dito uma vez, que o primeiro “eu te amo” é muito importante. Ele havia dito para Giane quando achou que ela havia morrido, depois de mais um fatídico incidente envolvendo Amora Campana. E sua mãe havia dito para seu pai depois que ele havia descoberto ser filho de seu avô, e garantido à ela que mesmo com todo o dinheiro do mundo, nunca a trocaria por nada.
E agora, aos quase dezoito anos, depois de cinco nessa enrolação, ele queria dizer isso à Marcela. Dizer o quanto a amava, o quanto a queria, o quanto desejava ser seu namorado.
Mas como fazer isso? Como dizer três palavrinhas tão simples, sete letras tão fáceis, mas que juntas formavam uma frase tão poderosa e pesada, capaz de mudar totalmente sua vida, e ele sabia disso. Era o golpe de misericórdia: ou ela o amava e queria ficar com ele, ou seria hora de seguir em frente
_ Leva ela para um lugar importante. – sugeriu Belle – Isso vocês têm de sobra, já que passaram literalmente a vida inteira juntos.
Mas não era tão simples. Não podia ser qualquer lugar, tinha que ser O lugar. Aquele que era mágico, importante, único. O lugar onde, pela primeira vez, ele se deu conta daquele amor que sempre existiu.
_ Adorei essa ideia de passarmos o final de semana em Ilhabela. – comentou Pedro, que estava no volante – Ainda mais que nossos pais nos deixaram vir sozinhos.
_ Com certeza. Ainda não entendi como meu pai deixou, mas estou feliz que o tenha feito. – sorriu Marcela, a cabeça quase para fora da janela do carro do amigo.
Estavam Pedro, Belle, Miguel, Marcela e Rafael, os cinco indo passar um final de semana na casa de Plínio em Ilhabela. Não havia sido fácil convencer os pais a permitirem isso, especialmente Caio. Mas Miguel havia tido a atitude mais corajosa de sua vida e sentado frente à frente com o padrinho, só os dois, para um diálogo que o fotógrafo esperava há anos.
_ Eu amo a Marcela. – o garoto não fez rodeios, e Caio admirou isso – Eu realmente a amo.
_ Eu não tenho dúvidas, mas quero saber porque você está me dizendo que a ama.
_ Porque eu quero ficar com ela. – Caio arqueou a sobrancelha – Não nesse sentido. Digo, nesse também, mas... Eu quero dizer a ela que eu a amo, de uma maneira diferente da qual eu amo a Gabi, a Clara ou a Larissa. Que eu amo ela do mesmo jeito que você ama a madrinha, ou que meu pai ama a minha mãe. Que eu quero namorar com ela e ficar com ela, por quanto tempo for possível e permitido.
_ Então, você está pedindo minha permissão para namorar minha filha?
_ Estou pedindo permissão para fazer isso da maneira que eu quero.
E ele havia conseguido. Com um abraço emocionado do padrinho e a benção que Caio sabia que teria que dar, desde o momento em que Giane deitou Miguel ao lado de Marcela, quando ela ainda era uma recém-nascida.
Definitivamente, ele sempre soube que havia perdido sua filhinha para aquele moleque.
_ Ma, quer dar uma volta na praia? – propôs para a garota, quando já haviam descarregado as malas e se acomodado na casa.
_ Claro que sim. – sorriu a morena, levantando depressa – Deixa eu só colocar meu biquíni, está bem?
Ela saiu correndo, e Miguel foi atrás da irmã, do tio e do primo. Já estava tudo combinado e decidido, então eles apenas pegaram o carro e sumiram rumo a cidade, já com a instrução que só voltassem a noite.
Se tudo corresse como Miguel esperava, era bom que ninguém estivesse na casa por algum tempo.
_ Cadê todo mundo? – perguntou Marcela, voltando já com o biquíni. Miguel engoliu em seco, observando como o corpo da jovem havia se desenvolvido de quando haviam se beijado pela primeira vez em um piscina.
_ Eles foram comprar comida, lá na cidade. – explicou o rapaz – Mas bom, vamos passear?
Assim que saíram da casa e pisaram na areia fofa, Marcela entrelaçou seus dedos e sorriu, daquela maneira que fazia o coração do jovem são-paulino disparar.
_ Vamos Miguel? – chamou Marcela, animada.
_ Hã... Melhor não. Aqui tá bom. – o menino sorriu amarelo, surpreendo a prima.
_ Você tá com medo? – perguntou a menina, e ele assentiu – Medo do que?
_ Dos monstros. – sussurrou Miguel – Eles podem pegar a gente.
_ Você não precisa ter medo.
_ E porque não?
_ Porque, se os monstros vierem em você, eu bato neles. – avisou Marcela – E se eles vierem em mim, você bate neles.
_ Mas eu tenho medo deles. – Miguel lembrou.
_ Quando quem a gente ama tá em perigo, a gente cria coragem. Que nem os heróis das histórias. – Marcela segurou a mão dele. O garoto sorriu para ela – Vamos?
_ Só se você for comigo.
Sentiu o corpo arrepiar com a lembrança, e Marcela percebeu isso, porque segurou mais a mão dele, sorrindo com carinho.
_ De novo com medo? – ela parou na beira da água, fazendo-o ficar de frente para ela.
_ Aterrorizado.
_ Achei que você na acreditava mais em monstros.
_ O problema não são eles.
_ E o que é?
_ Eu to morrendo de medo de dizer o que eu quero te dizer. – explicou o rapaz, vendo o cenho de Marcela se franzir.
_ É alguma coisa séria? – ele assentiu – Você não está doente, né?
_ O que é isso, Marcela? Pirou? – ele arregalou os olhos – Tá vendo muita novela mexicana?
_ Ah Miguel, você tá gelado, suando frio, tremendo que nem vara verde. – ela observou – Eu fiquei preocupada.
_ Eu te amo. – ele disse num ímpeto, vendo-a arregalar os olhos.
_ Por que você está dizendo que me ama?
_ Porque... Ora, porque eu te amo. – ele riu nervosamente.
_ Era isso que você tinha para dizer de tão importante? – ele assentiu – Mas Miguel, você já me disse isso um milhão de vezes ao longo da nossa vida.
_ Eu sei, e é o que torna tudo tão difícil. Eu te disse “eu te amo” um milhão de vezes, mas nunca sentindo o que eu sinto nesse momento. – ele explicou, segurando as duas mãos dela – Eu te amo como o Simba ama a Nala, como a Fera ama a Bela, como o príncipe ama a Cinderela. Eu te amo como meu pai ama a minha mãe, ou como o seu pai ama a sua mãe, se bobear até mais. – ele suspirou – E é tão difícil dizer isso, porque eu não sei se você me ama de volta.
_ Você o que? – Marcela guinchou.
_ Eu te amo e... – ela tapou a boca do rapaz com a mão.
_ Isso eu entendi. Eu só não entendi a parte que você não sabe se eu te amo de volta. Tá maluco, Miguel?
_ Mas...
_ Mas o que, hein? Quantas vezes eu já não disse que te amo?
_ Dizer não vale nada sem provar. – o tom dele era magoado.
_ E o que eu fiz para não ter te provado que te amo? – questionou a morena, segurando o rosto dele.
_ Ah Marcela, você sabe.
_ Não, não sei.
_ Há anos que nós estamos, mas não estamos juntos. Você fica com um monte de meninos; toda vez que eu tento assumir algo mais sério, me dá o maior toco.
_ Mas você também fica com outras garotas.
_ Claro né, vou ficar minha vida inteira sentado, esperando? Não dá também, você que me desculpe. – rebateu o garoto, começando a andar pela praia – Mas eu não te trouxe aqui para brigar.
_ Espera... Você armou essa viagem? – ele assentiu – Só para dizer que me ama?
_ Eu queria que fosse em um lugar importante. – garantiu Miguel – Aqui foi o primeiro lugar que eu percebi que eu te amava, naquele dia que eu estava com medo do mar. Você disse que a gente se amava, e isso fez todo o sentido do mundo. Eu nem sabia o que era amor, mas eu sabia que eu te amava e...
Mas ele não conseguiu terminar o que dizia, porque ela se atirou em seu pescoço, tascando um beijo em seus lábios, da mesma maneira que havia feito dentro da grade do parquinho, quando se beijaram pela primeira vez.
_ Isso quer dizer que...
_ Que eu te amo também, seu idiota. – rosnou Marcela – E se você não acredita, eu vou te mostrar.
_ Você vai... – ele não entendeu quando ela começou a puxá-lo pela praia, os dois praticamente correndo. Quando ele percebeu para onde iam, tentou parar – Marcela, o que você...
_ Cala a boca. – mandou a corintiana, parando em frente a Miguel – Se você duvida que eu te amo, eu vou te dar a maior prova de que é uma dúvida imbecil. Porque eu não teria me guardado todos esses anos para você, se eu não te amasse.
_ Vo-você se guardou para mim? – perguntou ele, e ela assentiu – Que bom, porque eu estava com medo que você risse de mim, por não saber o que fazer.
_ A gente vai aprender juntos. – garantiu a menina, dando a mão para ele, os dois caminhando com calma até a casa do avô – Você dispensou todo mundo, não é?
_ Eles estão na cidade até de noite. – prometeu Miguel, abrindo a porta.
_ Então nós temos tempo. – Marcela o puxou para junto de si, acariciando o rosto dele.
_ Todo o tempo do mundo. – ele a beijou, os dois se guiando lentamente na direção do quarto do rapaz.
_Seu filho beijou minha filha. DUAS VEZES.
_ Foi um beijinho, dido, de amigo. – sorriu Miguel, enquanto os adultos riam.
_ Só beijinho de amigo, papai. – Marcela abraçou o pai pelo pescoço, dando um beijo no rosto dele – Só você ganha beijo de amor.
_ Só o padrinho que ganha beijo de amor? – perguntou Miguel, algum tempo depois, quando estavam deitados um de frente para o outro. Marcela riu, sentindo o carinho dele em seu rosto.
_ Qual é, nós tínhamos quatro anos de idade. – lembrou ela, beijando a mão dele – Foi antes ainda de virmos para a praia.
_ Por que você me deu toco todos esses anos? – questionou o rapaz, o semblante ficando sério – Você não tinha certeza do que você sentia ou...
_ Claro que eu tinha certeza, amor, mas é complicado... – ela suspirou – Desde que nós nascemos, é praticamente uma lei que nós vamos nos casar. Eu só tinha medo de estar sentindo isso porque era o que eles diziam que eu devia sentir. Eu queria ter a certeza absoluta de que eu te amava por eu te amava, entende?
_ E para isso precisava ficar com tantos meninos? – perguntou ele, brincando com as mãos dela.
_ Tantos, não. Mas eu precisava viver, e você também, para nós dois termos certeza de que realmente queríamos isso. Foi isso que a minha mãe e sua falaram, quando eu conversei com elas. – Miguel arregalou os olhos.
_ Olha isso, dona Giane e dona Camila contra mim? Isso porque são minha mãe e minha madrinha, e juram que me amam e só querem meu bem. – ele dramatizou, fazendo a garota rir – E você tem certeza?
_ Qual é Miguel, você acha que eu teria perdido a minha virgindade com você se não tivesse? – ele sorriu ao ouvi-la dizer aquilo.
_ Eu sei que não. – ele deu um selinho nela – E eu to muito feliz que isso aconteceu.
_ Eu também. Sua irmã já estava me enchendo o saco por ainda ser virgem. – ele arregalou os olhos – Opa.
_ Não quero saber o que a Isabelle anda fazendo, por favor. – ela riu da careta dele – Só me importa o que minha namorada faz.
_ Hum, então eu sou sua namorada. – ela se aproximou mais dele, o abraçando apertado.
_ Se você quiser.
_ É óbvio que eu quero, meu são paulino.
_ Minha corintiana. – ele sorriu, beijando a ponta do nariz dela – E só para você saber, seu pai nos deu a benção para namorar.
_ Você tá falando sério? – ele assentiu – Mas, como? Porque, na boa, o sr. Caio Ferreti Cardoso é bem ciumento quando quer. E quando não quer também.
_ Eu só disse a verdade: que eu te amava e queria ficar com você. – explicou Miguel, brincando com os cabelos da namorada – Ele meio que está se conformando com isso há quase dezoito anos, então ficou mais fácil.
Marcela riu, enquanto apoiava a cabeça no peito dele, os dois ficando em silêncio. O som do mar na janela era harmonioso, e o brilho fraco do pôr do sol trazia calmaria. Antes que a garota percebesse, estava bocejando.
_ Está perfeito para uma soneca. – garantiu Miguel.
_ Você se importa? – ele negou – Então boa soneca, amor.
_ Boa soneca, princesa. – ela riu do apelido – Te amo. Só para você não esquecer.
_ Também te amo, seu maluco. E se você esquecer, eu digo de novo, até você decorar.
Ele sorriu, fechando os olhos e sentindo sua respiração se harmonizar com a dela, enquanto as palavras dela retumbavam como música nos ouvidos dele.
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Aprendendo a Ser Uma Família | Cap. 52 - Velhos e apaixonados
Como faziam aniversário com duas semanas de diferença, e comemoravam o aniversário de casamento menos de um mês depois, Giane deu a ideia de fazerem uma grande festa para comemorarem seus quarenta anos de idade e quinze de casamento. O que é claro, foi motivo de loucura para Fábio, que não queria aceitar a chegada da idade.
_ Fraldinha, nós estamos envelhecendo, aceite pelo amor de Deus. – suspirou a corintiana, enquanto os dois discutiam isso na cama, antes de dormir – Nós não ficaríamos com 24 anos para sempre, você sabe disso.
_ Giane, quarenta anos. Quarenta. Sabe o quanto eu estou me sentindo velho? Digo, nossos filhos já são pré-adolescentes, e você ainda quer que eu comemore que estou fazendo quarenta anos? E o mesmo que falar: viva, daqui a pouco vou ter que usar viagra. – ela gargalhava do chilique do marido.
_ Amor, é uma ocasião especial, a chegada dos “enta”. Além de fazer quinze anos que estamos oficialmente amarrados. – ele a fuzilou – Vai Fabinho, por favor... Por mim.
_ É sacanagem me chamar de Fabinho, você sabe que eu fico amolecido. – ela sorriu travessa – Tá bom, tá bom... Mas você vai ter que me dar algo em troca.
_ Eu te dou esse algo há quase dezessete anos, pelo amor de Deus. Você não cansa? – ela riu, enquanto ele a empurrava e ficava por cima dela.
_ Nem quando eu precisar de viagra.
_ Então é melhor começar a cuidar do coração, se não vai enfartar rapidinho.
_ Poha pivete, cê me fode, sabia?
~*~
_ Mãe, você está linda. – elogiou Belle, entrando no quarto dos pais – Esse vestido ficou lindo em você.
_ Parece o seu pai quando quer alguma coisa. – riu a mulher, virando-se para a filha – Muito bem mocinha, o que você quer?
_ Eu convidei uma pessoa para vir hoje, tem problema? – perguntou a menina, abraçando a mãe.
_ E quem seria a pessoa? – Giane arqueou a sobrancelha.
_ O nome dele é Luiz Otávio, ele estuda com o Pedro. Ele é meu, hã... Namorado. – a mais velha arregalou os olhos, surpresa.
_ Belle, você só tem treze anos. Não está meio nova para ter um namorado? – questionou a mãe, e a menina deu de ombros – E ele está no segundo ano? Então ele tem...
_ Dezesseis, isso mesmo mãe. – Giane reprimiu o riso – O que foi?
_ Você escolheu um péssimo dia para matar seu pai do coração, o buffet já está pago. – a mais nova riu – Mas bom... Comporte-se, está bem? E juízo com esse rapaz.
_ Mãe, eu só tenho treze anos, pelo amor de Deus. – Belle corou, enquanto a mãe beijava seu rosto – Eu apresento o Luti como meu namorado?
_ Luti? Não tinha apelido mais criativo? – mãe e filha riram – Mas sim, apresente. Até porque, você apresentar um rapaz como qualquer coisa que não seja seu namorado, não vai enganar ninguém.
_ Enganar o que? – Fábio entrou no quarto, amarrando a gravata – Giane, me dá uma ajuda aqui, pelo amor de Deus.
_ Pai, como você se virava antes de conhecer a mãe? – perguntou Belle, enquanto a fotógrafa arrumava a gravata do marido.
_ Ah filha, agradeça por não ter me conhecido nessa época. – o homem murmurou, assumindo um semblante triste. Giane acariciou o rosto do marido.
_ Você me encontrou e mudou, é só o que importa. – garantiu a mulher, dando um selinho no marido – Só o que importa.
Ele assentiu, a abraçando apertado. Ela piscou para a filha por cima do ombro do marido, vendo que Belle estava confusa com o que estava acontecendo.
_ Qual é, achei que o legal dessa família era não sermos emotivos. – Miguel brincou, entrando no quarto com Catarina saltitando ao seu lado.
_ Vou te dar uns cascudos na cabeça, para aprender a falar comigo direito. – resmungou Fábio, aninhando a esposa a si.
_ Vocês estão muito bonitos. – elogiou Cat, correndo abraçar os pais – Mas eu acho que a mamãe devia usar um vestidão, daqueles de princesa de contos de fada.
_ Você realmente não existe, né Cat? – riu o pai, beijando a cabeça da filha – Mas você está linda com esse vestido de princesinha.
_ É porque eu sou a princesinha de vocês, né papai? – ela deu um sorriso travesso – Já que a Belle já é mocinha...
_ Vem não pirralha, esse título foi meu bem antes de ser seu. – o casal riu do ciúmes da filha mais velha – Você é genérica.
_ Eu to tranquilo, porque o campeão dessa casa vai ser sempre eu. – riu Miguel, afundando a mão nos bolsos da casa – Podem se matar.
_ Meu Deus, mas são metidos demais. – gargalhou Giane – Realmente são filhos seus.
_ Olha, estamos prestes a renovar os votos de casamento. Se tem algo que você quer me contar, melhor dizer agora, que peço para nem descongelarem o camarão. – garantiu o publicitário, fazendo a família rir – Mas sabe do que eu estou sentindo falta?
_ Acho que eu prefiro não saber. – garantiu Miguel, recebendo um peteleco da gêmea – Ai, isso dói.
_ Eu sei. – sorriu Belle – Prossiga pai, por favor.
_ Nós sempre postávamos fotos fofas e melosas no Instagram, quando vocês eram pequenos. – suspirou o publicitário – Aí vocês fizeram nove anos e ficaram chatos.
_ Essa festa não está te fazendo bem. – Giane gargalhou – Como pode ser tão meloso?
_ Nem vem, que quem começou com isso foi você. – garantiu o homem.
_ Vamos tirar uma foto bem fofa então, já estamos todos lindos. – sorriu Cat – Quer dizer, eu, papai e mamãe estamos lindos. O Miguel e a Belle estão o melhor que dá.
_ Agora sim parece ser filha nossa. – gargalhou Fábio, enquanto caminhavam para o espelho do quarto, mas Belle os parou.
_ Qual é, pai, foto no espelho é ultrapassada. – reclamou ela.
_ Mas é pra combinar com essa daqui. – ele mostrou a foto no celular, tirada na primeira vez que haviam saído os cinco, após Catarina nascer – Vai princesinha, pelo papai.
_ Só porque é aniversário de vocês, velhão. – Miguel caminhou até o espelho, sendo fuzilado pelo publicitário.
_ Velho é teu pai. – os cinco gargalharam – Vem aqui Cat.
Ela correu, pulando no colo do pai (ela era bem baixinha para a idade, e tão magra quanto a mãe quando criança). Fábio segurou-a do lado direito do corpo, abraçando Giane do lado esquerdo. Miguel deixou a mãe abraçá-lo, enquanto Belle ficava em frente ao pai.
_ Muito bem, aquele sorriso bem lindo de família de comercia de margarina, porque é isso que nós somos. – avisou Giane, enquanto Belle posicionava a câmera – E faça uma foto bonita, Isabelle, ou sua mãe fotógrafa te deserda.
A menina riu, ajustando o foco do celular. Os cinco sorriram e ela tirou a foto.
_ Ah, isso é que é uma família bonita. – sorriu Fábio – Aviso que o próximo comercial de margarina da agência, nós estrelaremos.
_ Não seja brega. – resmungou Miguel.
_ Eu vou arrancar a sua orelha se você continuar tirando com a minha cara. – reclamou o homem – Giane, olha o que você ensinou para essas crianças. Eles não me respeitam.
_ Coloca essa foto logo no Instagram, que eu ainda preciso ver alguns detalhes lá embaixo. – riu a mulher – E vocês três... Tem coisas espalhadas na sala. Arrumando, agora.
_ Ah mãe... – reclamaram os três filhos, seguindo ela pelo corredor e deixando Fábio aos risos.
~*~
Como não haviam se casado de maneira religiosa, a ideia da renovação de votos seria um pouco diferente. A “cerimônia” foi toda arquitetada por Belle e Catarina, ansiosas por fazer parte de tudo.
Houve uma entrada, ao som de uma das músicas que Giane mais gostava na época do namoro (N/A: Abraços pra Home, né gente?), e a corintiana entrou de braços dados com o filho, enquanto Fábio entrou com as duas filhas, que estavam praticamente pulando de animação.
_ Agora, o papai e a mamãe vão falar os votos deles, que vai ser basicamente a cerimônia, e depois nós teremos o jantar. – explicou Belle, pegando o microfone – Ah é, e eles vão trocar as alianças de novo, porque isso é fofo.
_ Belle, deixa eles falarem. – mandou Miguel, tirando o microfone da irmã, enquanto os convidados riam – Mãe.
_ Obrigada. – ela agradeceu, pegando o aparelho – Bom, eu não sou muito boa com esse negócio de falar, isso todo mundo sabe, mas... Por você eu dou um jeito de falar. – ela sorriu para o marido, que sorriu para ela – Sabe qual é a primeira lembrança que eu tenho de você? Nós tínhamos três anos, e eu ficava na casa da tia Salma durante o dia, porque meu pai trabalhava. Nós estávamos no quintal dos fundos e eu estava com uma bola de futebol. E eu chutei ela na sua barriga, e você me chamou de “moleque idiota”. – todos riram, enquanto Fábio mordia o lábio inferior – E foi assim dali em diante, basicamente. E com o tempo você acrescentou maloqueira, tranqueira, corintiana, e por último e mais importante, amor. – ela sorriu, acariciando o rosto dele – Você foi a minha melhor escolha, fraldinha, a mais difícil, mas a melhor. Você me deu as coisas mais importantes da nossa vida, e mesmo que eu te agradeça todos os dias, nunca vai ser o bastante. Então... – ela limpou a garganta – Cat, a aliança.
A menina pegou a aliança no bolso do vestido que usava, e estendeu para a mãe. Miguel segurou o microfone, já que Belle tremia de vontade de chorar. Giane suspirou, segurando a mão do marido.
_ Eu prometo aguentar suas crises de meia idade, seus ataques melosismo, suas ideias de viagens de última hora. Prometo te amar incondicionalmente, te respeitar e cuidar de você quando ficar com gripe e não quiser sair da cama por manha, pelos próximos 15, 30, 45 anos. – ela colocou a aliança nele – Te amo, seu fraldinha meloso e manhoso.
O publicitário sorriu, enquanto ela beijava o anel, que era o mesmo que eles haviam usado no casamento há quinze anos atrás, mas com uma listra de ouro branco no meio. Ele pegou o microfone da mão do filho, respirando profundamente, umedecendo os lábios.
_ Pouco antes de descermos para a festa, as crianças entraram no nosso quarto e nós tiramos uma foto... Aquela ali, no telão. – ele apontou a direção, surpreendendo a mulher e os filhos – E isso me fez pensar muita coisa. Eu passei mais da metade da minha vida achando que eu não tinha nada, e metade desse tempo achando que eu não merecia nada. Até o dia em que ela me encontrou. É estranho falar encontrou, porque, graças a algum presente divino, eu tenho o prazer de fazer aniversário perto dela, um dos motivos pelos quais estamos fazendo essa festa.
“Mas como eu dizia, eu era um lixo, até o dia que ela me encontrou e me salvou. E não foi só de morrer fisicamente, foi de morrer de vez para a vida. Maloqueira, você me ensinou a apreciar a lua cheia, uma pelada no fim do dia, ficar deitado do seu lado, enquanto você grita pelo Corinthians. Mas o principal de tudo, você me ensinou que a vida é... É boa. Que mais vale dormir do seu lado, do que estar nas festas mais incríveis do mundo. Que dançar com você na cozinha, enquanto a gente deixa o almoço queimar, é mais incrível do que um jantar no restaurante mais famoso do mundo. Que toda a fama, sucesso e dinheiro, não valem mais do que você e os nossos filhos sorrirem para mim, todos os dias quando eu chego do trabalho. Que...”
Ele parou, tentando recuperar o folego. Giane chorava sem pudor, enquanto Miguel abraçava as duas irmãs, que choravam copiosamente aos convidados (N/A: alguém me abraça que eu to chorando também).
_Então, obrigado por ter escolhido arriscar tudo para ficar comigo, obrigado por ter me amado todos os dias nos últimos dezessete anos, apesar de todas as brigas e xingos e gritos e noites no sofá. – os dois riram – Obrigado por esses três monstrinhos que estão aqui, e pela estrelinha que está no céu. – Giane soluçou alto, enquanto ele segurava sua mão – Eu já te prometi isso uma vez, e te prometo todos os dias se você quiser: que eu vou estar sempre do seu lado, vou sempre te fazer feliz, cuidar de você até quando você estiver uma velhinha reclamona e rabugenta, que vai dar bengalada na cabeça dos nossos netos e me fazer andar de mãos dadas com você na rua, pra você não cair de cara no chão. Eu prometo te amar por toda a minha vida, e mais ainda se isso for possível. Te amo maloqueira.
Ele pegou o anel que Cat estendia, e deslizou pelo dedo da esposa, beijando logo depois. Ele ergueu os olhos para ela, vendo-a soluçar. Acariciou seu rosto, puxando-a pela cintura e beijando da maneira de sempre: como se fosse o último beijo.
Todos os presentes explodiram em aplausos, principalmente os três filhos, Miguel não mais fingindo não estar emocionado.
_ Eu te tanto, seu imbecil. – sussurrou Giane, quando eles se afastaram.
_ Não tanto quanto eu te amo, sua grossa. – ele sorriu, dando um selinho nela – Você é a mulher da minha vida, cê sabe disso?
_ É claro que eu sei. E cê é o homem da minha, mas não vai ficar metido.
_ Cavalo grosso.
_ Fraldinha.
_ Maloqueira.
_ Cala a boca e me beija.
_ Com todo o prazer...
Mas o beijo não chegou a acontecer, porque foram impedido pelo tranco do corpo dos três filhos os abraçando. Eles sorriram, envolvendo as três crianças no abraço. E foi bem melhor do que um beijo.
~*~
_ Ai meu Deus, acho que nunca chorei tanto na minha vida. – Camila levantou, abraçando Giane, quando o casal foi até a mesa dos amigos para cumprimentá-los – Fábio Campana, seu maldito, você acabou com a minha maquiagem.
_ Qual é modelete, você vem em um evento desses sem maquiagem a prova d’água? – riu o publicitário, enquanto abraçava a irmã.
_ Foi lindo mesmo, padrinho. – garantiu Marcela, abraçando a madrinha – Eu chorei muito com o que você falou.
_ Do jeito que o Miguel parece comigo, pode ficar tranquilo, você ainda vai ouvir o seu. – ela corou, enquanto Caio fuzilava o amigo.
_ Eu não entendi algumas coisas. – Clara tinha cara de choro – Tipo, o que aconteceu antes de vocês namorarem.
_ É uma longa história, tampinha. Quando vocês forem maiores, a gente explica. – prometeu o publicitário – Agora eu quero é saber uma coisa.
_ O que?
_ Quem é aquele ali abraçado com a minha filha? – rosnou o homem, fazendo todos engolirem em seco, exceto Caio.
_ Deve ser um amigo, que nem o Miguel é da Marcela. – Fábio fuzilou o amigo, enquanto via a filha se aproximando com o rapaz.
_ Hã, pai. Esse aqui é o Luiz Otávio, meu, hã, meu namorado. – Belle sorriu amarelo, enquanto via o pai arregalar os olhos.
_ Hora de eu intervir. – Giane saiu do lado das sobrinhas, caminhando até o acontecimento – Luti, certo? Sou a Giane, mãe da Belle.
_ A Belle fala muito de você. – sorriu o rapaz, aliviado com algo além da cara de assassino do sogro – Você é muito bonita, com todo o respeito.
_ Respeito é você tirar a mão da cintura da minha filha e não elogiar a minha mulher. – rosnou Fábio, enquanto Caio gargalhava – Ô maricas, vou dar na sua cara.
_ O badboy voltou? – riu Maurício, observando o rapaz engolir em seco, morrendo de medo.
_ Quantos anos você tem, se me permite perguntar? – perguntou Fábio, com o semblante sério.
_ Fiz dezesseis mês passado. – dessa vez, Caio e Maurício engasgaram junto com o Campana.
_ Você tá maluco? – gritou o padrinho da menina – Isabelle, você só tem treze anos, ele é muito velho para você.
_ Onde você achou esse cara? – perguntou Caio.
_ Ué, o Pedro apresentou ele e mais alguns amigos, mês passado. – quem explicou foi Marcela, fazendo o pai arregalar os olhos – Nós fomos no cinema aquele dia, assistir Velozes e Furiosos 17.
_ Marcela, nós vamos ter uma conversa bem séria quando chegarmos em casa. – avisou o fotógrafo, enquanto Maurício fuzilava Clara.
_ Relaxa aí, papai, eu to bem de boa. – a Vasquez avisou, dando de ombros.
_ Muito bem, sem brigas e discussões hoje, vamos voltar ao clima alegre e emotivo de antes, está bem? – pediu Giane, apertando o braço do marido – Luti, é um prazer conhecê-lo, espero que goste da festa. Não é, amor?
_ É, é. – o publicitário apertou a mão do rapaz – Divirta-se.
Belle sorriu para o pai, saindo de mãos dadas com o namorado. O sorriso do homem sumiu instantaneamente.
_ Maurício, Caio... Os quatro olhos em cima dela, ouviu? Se ele chegar a 30 centímetros da boca dela, que ele perca o bem mais precioso dele. Entendido?
_ Mais claro que o nome da minha filha. – garantiu Maurício, fazendo todos encará-lo – Que foi?
_ Amor, você não é bom com piadas, realmente. – suspirou Malu, abraçando o marido.
~*~
_ Com licença, gente? – Belle pegou o microfone, atraindo a atenção de todos – Agora que todos já comemos e conversamos, vamos abrir a pista de dança. Para isso, eu gostaria de chamar os noivos, para uma dança especial.
_ O que mata é o melosismo dela. – suspirou Fábio, enquanto ele e a esposa iam para o meio da pista de dança – Muito bem, que música você escolheu?
_ É uma música bem bonita, prometo. – sorriu a garota, correndo até o DJ e deixando os pais curiosos.
_ Ai meu Deus. – Giane riu, quando começou a tocar Because You Loved Me – A Malu deve ter contado do show da Palmira Valente.
_ Aquele em que você deixou meu pé cheio de marca de ferradura? – perguntou o homem, abraçando a corintiana pela cintura.
_ Eu? – ela gargalhou – Quem dançou mal para caramba foi você.
_ Mas você gostou, né? De ficar coladinha comigo. – ele perguntou, bem próximo ao ouvido dela.
_ Hum, talvez. – ela sorriu – Você estava fedendo um pouquinho, na verdade.
_ Cala a boca vai. – ele riu, lhe dando um beijo.
_ Olha que fofo. – Giane apontou para o lado, e o marido fechou a cara. Belle estava dançando com o namorado, Catarina estava tendo a companhia do primo Matheus, e Miguel estava dançando com Marcela – Se isso te consola, não acho que esse namoro da Belle vá durar.
_ Me consolar? Giane, eu não quero ninguém relando na minha filha, muito menos vários caras. – ele reclamou, fazendo a corintiana rir – Cadê a época em que ela tinha nojo dos meninos, porque eles viviam suados?
_ Ah amor, eles estão crescendo.
_ E nós envelhecendo. – ele choramingou – Isso me lembra que hoje também é nosso aniversário de quarenta anos
_ Você é o quarentão mais gato do mundo. Mais até que Brad Pitt. – garantiu ela, lhe dando um selinho – E sabe o melhor? É só meu.
_ Só seu. – ele sorriu, enquanto a música terminava – Acabou o momento melação?
_ Pela cara das suas filhas, não. – sorriu a corintiana, enquanto via os filhos dispensarem os acompanhantes – Acho que não vamos nos livrar de duas festas de quinze anos.
_ Não duvido nenhum pouco disso. – garantiu o homem, estendendo as duas mãos – Senhoritas.
As meninas riram, dando as mãos para o pai, que as rodou no lugar, abraçando as duas e começando a dançar. Giane riu, enquanto Miguel estendia a mão para ela.
_ Ora, que galã. – riu a corintiana, começando a dança com o filho – Aprendeu direitinho com o seu pai, não é?
_ Ele me deu uns toques, para agir com a Marcela hoje. – respondeu o garoto – E até que deu certo... A gente ficou.
_ E quando vocês vão assumir esse namoro?
_ Quando ela quiser. – reclamou Miguel, fazendo a mãe rir – Ela é difícil, deve ter aprendido com a madrinha.
_ Você vai apanhar, ouviu menino?
_ Tapa de amor não dói. – ele sorriu maroto, recebendo um beliscão – Mas isso dói.
~*~
_ Hora do parabéns. – avisou Irene, enquanto o bolo era colocado na mesa. Fábio fez careta ao ver a vela com o número 40, mas Giane sorriu, o puxando pela mão.
_ Vamos envelhecer juntos, tá bom? – prometeu ela, beijando o rosto dele. O marido sorriu, a abraçando com carinho, os dois encarando as velas sendo acesas – Cadê as crianças?
_ Chegamos. – Miguel veio puxando Cat, enquanto Belle vinha correndo do lado oposto, com Luti alguns passos atrás.
_ Espero que vocês dois estivessem rezando. – rosnou o mais velho, enquanto a filha ria.
_ Então você e a mamãe são bem religiosos. – o publicitário arregalou os olhos, enquanto a esposa abraçava seus braços e mandava começarem os parabéns.
Quando o coro acabou, o casal assoprou as velas juntos, com os filhos pulando ao seu lado, especialmente a caçulinha super animada.
_ Agora, cortem o bolo e façam um pedido. – mandou Margot, entregando a espátula para os dois – E vocês também, crianças.
_ Venham aqui, monstrinhos. – Fábio chamou os filhos, enquanto ele e a esposa seguravam a espátula. As três crianças seguraram e junta, a família cortou o bolo. Giane tirou o primeiro pedaço, e o marido colocou três garfinhos.
_ O primeiro pedaço é de vocês três. – avisou ela, vendo os filhos sorrirem – Obrigada por terem nos escolhido como seus pais.
_ Ah mãe. – Belle fez bico, enquanto abraçava os pais, seguida pelos irmãos.
_ Ai que família fofa. – o grito de Camila ecoou pela festa toda, fazendo os presentes rirem.
~*~
_ Mãe, pai, temos um presente para vocês. – avisou Cat, correndo até os pais, com os dois irmãos atrás – Toma.
_ O que vocês aprontaram? – perguntou Fábio, enquanto Giane abria o envelope.
_ Passagens para o Caribe? – sorriu a corintiana – Como vocês conseguiram isso?
_ Uma pequena ajuda das avós e avôs. – explicou Belle – Tudo do jeitinho que foi da primeira vez.
_ Mas e vocês? – perguntou o pai.
_ A vó Margot e o vô Silvério vão passar a semana aqui com a gente, podem ir tranquilos. – prometeu Miguel – As meninas fizeram a mala de vocês, o avião parte em duas horas, e nós nos livramos do trauma de ouvir vocês comemorando a lua de mel no quarto no fim do corredor.
_ Miguel. – Giane corou até a raiz do cabelo, enquanto o filho ria – Obrigada crianças.
_ Muito obrigado monstrinhos. – os pais abraçaram as crianças – E Belle... Sem namorado em casa.
_ Pai, relaxa vai. – riu a menina, enquanto os cinco caminhavam até a garagem – Ah, fizemos uma coisinha com o carro.
_ Vocês são terríveis. – riu Giane, enquanto via “Fabine” escrito no vidro traseiro, além das diversas latas amarradas atrás do carro.
_ E tem mais... – avisou Cat – CHUVA DE ARROZ.
Antes que o casal pensasse em algo, os convidados apareceram de todos os lados, jogando arroz sobre eles. Fábio abraçou a esposa, os dois rindo alto. As três crianças correram e beijaram o rosto dos pais, logo os guiando para a porta do carro.
_ Boa viagem e divirtam-se. – desejou Belle, fechando a porta.
_ Espero que eles tenham pego outro quarto no hotel. – avisou o publicitário, enquanto saia de ré.
_ Hum, e o quarentão aguenta o tranco das paredes? – riu a fotógrafa, recebendo uma fuzilada.
_ Sabe o que mais eu aguento? O banheiro apertado do avião. – ele sorriu sacana.
_ Você não ousaria. – ela fechou os olhos em fenda. O homem riu, pegando a mão dela e beijando.
_ Feliz aniversário de casamento, maloqueira.
_ Para você também, fraldinha. Te amo.
_ Nunca vou cansar de dizer de dizer que eu também.
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Aprendendo a Ser Uma Família | Cap. 51 - Vocês serão... Micela <3
Miguel estava emburrado, muito emburrado. Estava sentado no canto do pátio da escola, observando Marcela, sorridente e cercadas de outros meninos.
Meninos babacas.
Tudo bem que Marcela era linda, mas só ele podia achar isso. Tudo que seus cabelos castanhos tinham cachos perfeitos, mas era privilégio dele e do padrinho fazerem carinho neles, especialmente quando ela fazia aquele biquinho fofo. Claro que seus olhos castanho-esverdeados eram maravilhosos, mas só podiam brilhar para ele.
E não para o babaca do André Ferreira.
_ Miguel, sua cara tá hilária. – Clara sentou ao lado do primo, abrindo seu pacote de salgadinhos – Que?
_ Valeu escura.
_ Aff, que apelido idiota. – bufou a menina, enquanto o primo ria – Isso tudo é ciúmes?
_ Que ciúmes da Marcela onde? – rebateu o garoto, fazendo Clara gargalhar.
_ Eu não disse o nome da Marcela em nenhum momento. – foi a vez de Miguel bufar – Qual é Miguel, vocês só tem treze anos, nem tem idade para namorar.
_ E o que a pirralha de onze sabe sobre o assunto? – ele arqueou a sobrancelha, enquanto a prima ria.
_ Eu sei que você nunca beijou nenhuma das garotas aqui da escola, porque está esperando para beijar a Marcela. – ela sorriu travessa, fazendo o Campana arregalar os olhos – Relaxa Miguel, seu segredo está seguro comigo.
_ Mais alguém sabe que eu não beijei ninguém? – ele perguntou temeroso, e ela negou.
_ Seu acordo com a Becca foi muito bom. – garantiu a mais nova – Ela não vai desmentir para ninguém, porque foi só assim que o Bruno beijou ela. Mas acho que a Belle sabe.
_ Ela é minha irmã gêmea, ela sabe até quando eu to com dor de barriga. – os dois riram juntos – Mas, Clarinha... Você sabe se a Ma já beijou algum menino? – perguntou o garoto, mordendo o lábio inferior. A prima sorriu amarelo.
_ Ela beijou o Nando, semana passada, na hora do intervalo. – ela acariciou o braço de Miguel – Mig, não fica com essa ideia das brincadeiras que nossos pais faziam quando nós erámos pequenos. Vive sua vida.
_ Mas eu gosto dela, gosto muito. – suspirou o garoto, encostando na parede.
_ Eu sei, eu te entendo. – a menina abraçou os próprios joelhos, fazendo Miguel rir – O que foi?
_ Nunca imaginei que você ia acabar se apaixonando pelo Pedro. – ela arregalou os olhos – Relaxa, seu segredo está seguro comigo. – os dois riram juntos – Vamos afogar as mágoas no salgadinho, que tal?
_ Sim, e fedendo a queijo. – os dois voltaram suas atenções para o pacote, esperando o intervalo terminar.
No outro extremo do pátio, Marcela dispensou seus adoráveis seguidores, marchando até Belle, Rafael e Matheus, que riam e conversavam animados.
_ Isabelle, preciso falar com você. – ela puxou a prima pela mão, deixando os dois garotos a verem navios – O que tá rolando entre o Miguel e a Clara?
_ Que? – a mais velha riu, encarando o irmão e a prima – Eles estão dividindo o salgadinho, e daí? A gente também divide.
_ Mas ele está rindo com ela. – observou Marcela, extremamente irritada.
_ Ma, estamos falando do Miguel. Ele ri até do formato que a sombra dele faz na parede. – Belle ria – Você tá com ciúmes do meu irmão?
_ Ciúmes desse idiota? Por que eu teria ciúmes dele? – resmungou a menina – Só estou preocupada que ele tente alguma coisa com ele. Seu irmão é um galinha.
_ Aham, sei... – Belle deu de ombros – Bom, hora de voltar para a aula.
_ Sorte sua que tá em sala separada dele. – bufou Marcela – A gente se vê na saída?
_ Com certeza. A van Campana só sai com todos presentes. – riu Belle, correndo até os primos, para pegar sua mochila.
Elas duas e Miguel estava no oitavo ano, mais um e iriam para o Ensino Médio. Rafael estava no sétimo, Clara e Matheus no sexto. Cat e Gabi ainda estavam no quarto, e Larissa, Felipe e Henrique no primeiro, então seu horário de intervalo era diferente.
Apenas Pedro estudava em outra escola, já que estava no primeiro ano do colegial, e a escola em que estavam só tinha o Ensino Fundamental. Porém, a chamada Van Campana, dirigida por Irene, apanhava todas as crianças e as levava para a mansão dos avós, onde eles almoçavam e ficavam se não tinham o que fazer a tarde.
_ Cadê sua orla de seguidores, hein Ma? – brincou Miguel, se aproximando da prima. Ela o fuzilou com o olhar, antes de sair andando – O que foi que eu fiz?
Ele a seguiu até a sala de aula, achando que ela sentaria ao seu lado, como sempre. Mas ao invés disso, ela caminhou até o outro lado, sentando na cadeira ao lado de Melissa Simas, engatando uma conversa aleatória.
Ao jovem Campana, restou sentar com um colega e ter uma aula extremamente tediosa.
~*~
_ Miguel, acorda cara, você tá perdendo todos os passes. – Belle deu um peteleco no irmão, fazendo-o piscar – Cê tá bem?
_ Hã?
_ Você perdeu um passe do Rafa, e o treinador está ficando fulo da vida com você. – explicou a gêmea – Tira essa cabeça das nuvens. Ou melhor, da Marcela.
_ Que Marcela o que? – resmungou o loiro, fazendo Belle rir.
_ Eu vi que vocês estavam sem se falar na hora do almoço. – explicou a garota – Mas tira a cabeça disso e presta atenção no jogo, ou o treinador vai te jogar pro banco.
_ Valeu mana. – o garoto saiu correndo, tirando a bola do adversário e começando a driblar para o gol, deixando Belle sorrindo sozinha.
_ Marrentos e cabeça dura, agora entendi porque a mamãe diz que eles lembram alguém.
~*~
_ Marcela? Posso entrar? – a menina tirou os olhos do tablete em seu colo, observando o rosto da mãe na porta – Posso?
_ Claro que pode mamãe. – ela deixou o aparelho de lado, sentando direito. Camila sentou em sua cama, estendendo uma barra de chocolate para ela – O que é isso?
_ Você chegou toda calada lá na agência, ficou assim a tarde toda, e mal tocou no seu jantar. – explicou a mais velha – Então eu dei uma ligadinha para sua madrinha, e descobri que tem um certo afilhado meu que também está bem quietinho hoje. Achei que você ia gostar de um chocolate e de um pouco de colo.
_ Ah mamãe. – choramingou a menina, enquanto Camila deitava ao seu lado – O Miguel é tão... Idiota.
_ Ontem ele era um fofo que tinha dado uma flor do jardim da vovó para você, hoje ele é um idiota? – riu a mãe – E o que provocou essa mudança repentina?
_ Ele estava dando em cima da Clara. – resmungou a menina, fazendo Camila franzir o cenho.
_ A Clara da tia Malu? – Marcela assentiu – E porque você acha isso?
_ Eles estavam dividindo o salgadinho dela e rindo. – Camila gargalhou – Mãe.
_ Filha, isso não é dar em cima de alguém, pode acreditar, eu entendo disso. – a mais velha piscou, fazendo a filha rir – Você só está com ciúmes de ele ter dado atenção para outra menina.
_ Mas ele só faz isso. – ela fez bico.
_ E você não dá atenção para outros meninos? - Camila arqueou a sobrancelha, e a filha baixou o rosto – Ma, vocês dois ainda são novinhos, filha. Eu sei que nós todos sempre brincávamos que vocês se casariam no futuro, mas isso não é nenhuma lei.
_ Mas eu gosto dele. – Camila sorriu compreensiva.
_ E eu sei que ele também gosta muito de você. Mas acho que vocês dois são muito crianças ainda pra pensar em namoro e relacionamentos. Vocês ainda estão no oitavo ano, deixem esses dramas para o colegial. – as duas riram – Agora, que tal a gente dividir esse chocolate?
_ Espera aí. – a menina pulou da cama, correndo até a porta e abrindo. Caio e Gabriela despencaram no chão, fazendo as duas rirem – Não sabiam que é feio espiar por trás da porta?
_ O papai estava preocupado com você. – sorriu a caçulinha – Aí ele falou para nós ficarmos de olho.
_ Ou ouvido, não é? – Camila encarou o marido, de sobrancelha arqueada.
_ Todas contra o papai, que legal. – o fotógrafo fez bico, enquanto as duas filhas beijavam o rosto dele.
_ Vem, vamos comer o chocolate. – riu Marcela, puxando o pai e a irmã para sua cama – Mas eu quero que a mamãe conte as histórias da época de modelo dela.
_ Mereço uma casa cheia de mulheres. – dramatizou Caio, encostando na cabeceira e deixando as duas filhas deitarem nele – Vai amor, começa as histórias. Mas cuidado com o que vai falar, para não dar ideia para as duas.
~*~
_ Miguel? – Giane entrou no quarto do filho, encontrando ele jogando um bolinha de futebol para cima – Não vai vir jantar?
_ Ah mãe, to sem fome. – respondeu o garoto, encarando o teto.
_ Assim como estava cansado hoje no jogo. – a corintiana deitou ao lado do filho, encarando o teto com ele – A sua madrinha ligou.
_ Ah é? – o estômago do garoto revirou.
_ É... – concordou Giane – A Marcela também está sem fome.
_ Ah mãe, eu sei lá o que aconteceu. – bufou o menino, sentando – Estava tudo bem, até que, do nada, ela virou a cara para mim.
_ Do nada?
_ Do nada. – ele concordou – Ela estava com os fãs dela no intervalo, e eu conversando com a Clara. Aí quando fomos para a sala, ela nem olhou na minha cara.
_ É porque ela está com ciúmes, né idiota? – Belle marchou para dentro do quarto do irmão, sentando ao lado dele e da mãe – De você e da Clara.
_ Mas porquê? A Clara só estava comendo salgadinho comigo.
_ Porque ela acha que você é um galinha, né seu tapado? – bufou a menina, e Giane franziu o cenho.
_ O senhor anda galinhando?
_ Mãe, eu nunca beijei nenhuma garota, esse boato surgiu do nada. – garantiu o loirinho, e Belle riu.
_ Miguel nunca beijou ninguém, e eu já beijei dois meninos. Ganhei.
_ Você fez o que, Isabelle de Sousa Campana? – ela se retraiu ao ouvir a voz do pai – Giane, não foi assim que te mandei educar ela.
_ E você mandar em mim, hein Fábio Campana? – ela vincou a testa, enquanto o homem se encolhia – Depois conversamos sobre isso, está bem Isabelle? Agora vamos terminar o assunto Miguel e Marcela.
_ Micela. – Catarina veio pulando para dentro do quarto.
_ O que seria Micela? – perguntou o garoto, enquanto a irmã ria.
_ É o nome de vocês como casal. Todas as novelas e seriados tem isso. – explicou a pequena – Eu tenho nome para um monte de casais da nossa família.
_ Tenho até medo da criatividade dessa tampinha. – riu Fábio, sentando na cama com o resto da família – Aí, vocês não querem transferir a reunião pro nosso quarto? Essa cama tá pequena.
_ Para de reclamar, fraldinha. – riu Giane – E que nomes de casais você tem, hein Cat?
_ Você e o papai são Fabine; a tia Malu e o tio Mau são Maulu; a madrinha e o padrinho são Lunas, porque Juz fica estranho; a tia Mila e o tio Caio são Camio, porque foi o melhor que deu com os nome parecidos; e o Miguel e a Marcela são Micela. – explicou ela, fazendo todos rirem.
_ Curti esse negócio de Fabine. Ouviram crianças, batizem nosso primeiro neto ou neta assim. – brincou o pai, fazendo a esposa revirar os olhos e os filhos rirem.
_ Baixa a bola, por favor. – pediu a corintiana – Eu nem lembro mais qual era o começo da conversa.
_ Micela. – Fábio, Miguel, Belle e Cat disseram juntos, fazendo todos caírem na risada.
_ Tá bom, tá bom, Micela... Bom filho, acho que você devia conversar com a Ma e explicar tudo para ela. – aconselhou a corintiana.
_ Mamãe, eu não posso falar que eu nunca beijei ninguém, sendo que ela já beijou um menino. – o garoto corou.
_ Mas vocês se beijaram quando eram pequenos. – lembrou o pai.
_ Selinho não conta, né pai? Tem que ser beijo de verdade. – retrucou Belle, enquanto via o pai franzir o cenho – Te amo papai.
_ Essa menina tá querendo me matar, Giane. Ela realmente tá querendo me matar para ficar com a herança. – dramatizou o publicitário, enquanto a família ria – Mas enfim, ouça o conselho do seu pai: coloca a Marcela contra a parede e beija ela.
_ Fábio. – repreendeu Giane.
_ Que foi pivete? Foi o que eu fiz com você, e já estamos juntos há quinze anos. – o homem deu de ombros, enquanto os filhos faziam cara de nojo – Qual é, vocês não acham ainda que vieram da cegonha?
_ Eu vou te matar. – rosnou a corintiana.
_ Morrer de amor não dói. – ele deu um sorriso irônico – Mas ouça seu pai, é tiro em queda. E agora licença, que eu vou vazar daqui antes que sua mãe me quebre algum osso.
Dizendo isso, o publicitário pulou da cama, enquanto a esposa saia gritando e correndo atrás dele, seguida pelos filhos, que estavam as gargalhadas.
~*~
Na manhã seguinte, Fábio deixou os filhos na escola, fazendo um sinal de encorajamento para Miguel, que estava tremendo na base.
_ Vai lá Miguel, boa sorte para beijar a Marcela. – Cat beijou o rosto do irmão, saindo correndo. Belle ficou rindo, apertando o braço do irmão.
_ Você vai saber o que fazer. – piscou para ele – Eu enviei uma mensagem e pedi para ela me encontrar dentro da grade do parquinho.
_ Valeu Belle. – o menino saiu correndo, deixando a irmã aos risos.
Chegando ao parquinho, viu Marcela de costas para ele, apoiada na grade do lado de dentro do brinquedo. Miguel suspirou, caminhando até lá e entrando na armação, surpreendendo Marcela.
_ Er... Oi. – ele cumprimentou, meio sem graça.
_ O que você está fazendo aqui? – Marcela ficou emburrada, enquanto ele engolia em seco.
_ Eu vim conversar com você, para saber porque você está tão estranha comigo. – ele foi firme, tampando a saída do brinquedo – E não vou te deixar sair daqui até você fazer isso.
_ Você não tem nenhuma menina para dar em cima? A Clara, talvez? – resmungou a menina, fazendo Miguel sorrir – Que foi?
_ Você tá com ciúmes de mim. Isso é fofo. – ela revirou os olhos.
_ Você é muito chato, sabia Miguel? – Marcela colocou as mãos na cintura – Agora me deixa sair.
_ Não.
_ Anda.
_ Não.
_ Miguel de Sousa Campana, me deixa sair agora.
_ Só depois que eu fizer uma coisa.
_ Então faz logo ué.
_ É que eu não sei direito como fazer.
_ E o que é?
_ Te beijar. – isso pegou Marcela de surpresa, mas ela logo se recompôs.
_ Eu não quero ser mais uma na sua lista de namoradinhas.
_ E que tal ser a primeira? – isso desarmou Marcela novamente.
_ Você está falando sério?
_ É claro que eu to. Você acha que eu diria algo assim se não fosse verdade? Sabe o quanto vão me zoar se descobrirem que eu sou BV? – Marcela riu do primo – E é só que...
_ Miguel, cala a boca, tá bom? – a menina o empurrou de encontro com a grade, colando a boca com a dele.
Ele ficou sem reação por um instante, antes de segurar ela pela cintura, da mesma maneira que via o pai fazer com a mãe. Quando Marcela o soltou, ela sorria para ele.
_ Amigos de novo? – ele piscou, um pouco em choque.
_ Cla-claro. Os melhores. – ele sorriu lindamente, fazendo-a sorrir também. Ela deu um selinho nele, antes de pular pela saída e correr pelo pátio, deixando Miguel à ver passarinhos. Ele pegou seu celular, digitando uma mensagem.
~*~
Fábio estava sentado em sua sala, com Giane em seu colo, os dois discutindo as fotos de uma campanha, quando seu celular vibrou. Ele pegou o aparelho, vendo uma mensagem de Miguel.
_ “Pai, você é um gênio”. – riu o publicitário – Será que Micela é real?
_ Talvez ainda não... Mas Fabine também demorou um pouquinho, não é? – rebateu Giane, fazendo o marido rir.
_ Adorei esse nome de casal, de verdade. – beijando a esposa – Será que eles vão ser felizes como a gente, hein corintiana?
_ Não sei, são paulino, se eles brigarem no meio dos jogos e fizerem as pazes depois, talvez. – riu a mulher, enquanto o marido apertava o botão na mesa que trancava a porta e fechava as persianas – Você não presta.
_ Cala a boca e me beija, ou eu vou ter que te prensar na parede? – ele arqueou a sobrancelha.
_ Como disse seu filho... Você é um gênio.
_ Ai sua tranqueira.
E o resto... Já sabem né?
Link no Nyah: http://fanfiction.com.br/historia/442631/Aprendendo_a_Ser_Uma_Familia/capitulo/52/
The Reason is You - Capítulo 42
Davi estacionou o carro no limite entre a estrada e a areia. Tirou os sapatos dentro do carro mesmo, enquanto ouvia Megan conversando com Daniel. Sorriu, descendo do carro e abrindo a porta traseira, encontrando o rostinho sonolento do filho.
_ Vem com o papai. – soltou o bebê, enquanto observava Megan tirar os próprios sapatos e descer do carro. O nerd aninhou o filho em seu colo, começando a caminhar para a areia e sentindo a namorada envolver seu braço.
_ Acho que esse foi o momento que você mais esperou in the last nine months. – a loira riu, enquanto se aproximavam do mar.
_ Você pode ter certeza disso. – ele sorriu, enquanto se ajoelhavam na areia – E que bom que o dia está quente.
Com cuidado, Megan tirou o macacão que o bebê usava, enquanto Davi tirava sua camisa e calça, ficando apenas de cueca. Ele então apanhou o filho de novo, começando a se dirigir para o mar.
A água estava calma e não tinha vento, mas apesar disso Daniel estava encolhido contra o peito do pai, os olhinhos castanhos encarando o rosto de Davi, que sorria para o filho. O jovem caminhou poucos metros, antes de ajoelhar e trazer o corpinho do bebê até a água. Diferente do que ele imaginava a criança não chorou.
_ Mãe... – sussurrou Davi, encarando o horizonte – Esse é o Daniel, meu filho, seu neto.
É claro que não houve resposta, mas ele sabia que não haveria. No entanto, havia pensado e planejado isso durante todos os dias, desde que havia descoberto que teria um filho com Megan.
_ Eu sei que você não é esse mar, ou essa praia. Mas esse é o único lugar em que eu consigo realmente me sentir perto de você. E eu queria te apresentar o Daniel de algum jeito, e esse foi o que eu encontrei. – ele trouxe o filho de volta para junto de si, acariciando as costinhas dele – Eu vou tentar vir aqui sempre que eu puder, mesmo que vá ser difícil com tudo que vai acontecer. E eu vou trazer ele junto comigo. Esse foi o nosso lugar, foi meu e da Megan, e vai ser meu e dele também. E eu espero que, esteja onde estiver, você esteja vendo isso.
Ele baixou os olhos para o rosto do filho, e se surpreendeu com um pequeno sorriso banguela. Sorriu de volta, erguendo o menino e deixando seus rostos da mesma altura, colando as duas testas. O garotinho começou a babar em seu nariz, fazendo-o rir.
_ Um último mergulho. – ele assoprou o rosto do bebê, que fechou a boca e franziu a cara, e o mergulhou. Tirou logo depois, assoprando os olhinhos dele para não arderem – Agora vamos voltar ali para a areia com a mamãe.
O menino reclamou quando perdeu o contato com a água, e Davi riu. Megan caminhou até a beira do mar, enrolando Daniel com a toalha. Os dois caminharam até as coisas, sentando lado a lado, simplesmente observando o mar.
_ Você ainda pensa in your nightmare? – perguntou a loira, e Davi negou.
_ Eu já entendi ele há muito tempo. – garantiu o rapaz – Foi um aviso para que eu não repetisse os atos do meu pai e não perdesse vocês dois, assim como ele perdeu eu e minha mãe.
A jovem assentiu, entrelaçando seus dedos com os dele, os dois com os olhos fixos no horizonte. Daniel estava ocupado em puxar o cordão no pescoço da mãe, brincando com o pingente que estava ali. Davi riu ao ver o filho fazer aquilo.
_ Acho que vou precisar arranjar um desse para ele. – Megan riu, ajeitando o bebê em seu colo.
_ Eu nem realize quando ele pulls. – ela deu de ombros – Ele não solta quando I breastfeed him, so...
_ Nem quando eu vou fazer ele dormir. – o pai deu o dedo para o filho segurar com a mão livre – Eu adoro quando ele faz isso.
_ Yeah... Me too. – Megan sorriu, mas logo suspirou – Nós temos que ir.
_ Claro que temos... Nós somos os noivos, não podemos nos atrasar para nosso próprio casamento. – ela riu, mas seu semblante era triste – O que eu já falei sobre se preocupar?
_ I can't not be worried. – ela abraçou mais o filho.
_ Eu sei... Você sabe que pode sempre mudar de ideia quanto a isso, não é? – ela assentiu, lhe dirigindo um sorriso.
_ Today, a única coisa que quero pensar é seeing you in the altar.
~*~
_ Ah meu filho, você está lindo. – Rita sorria emocionada, observando Davi encarar seu reflexo no espelho – Eu nem consigo acreditar que você já é pai, vai se casar...
_ Fiz as coisas na ordem meio inversa, né mãe? – ela riu, abraçando o rapaz pelas costas – O que foi? Você está com uma cara estranha.
_ Eu só estou preocupada. – admitiu a pedagoga – Você e a Megan estão estranhos esses dias.
_ Mãe, nós temos um bebê de três semanas, praticamente não dormimos e estamos ansiosos com o casamento. – ele enumerou, fazendo Rita rir – Isso sem contar a viagem para a Califórnia semana que vem. É muita coisa ao mesmo tempo.
_ E você estão certos e seguros sobre São Francisco?
_ É o certo a fazer, e o melhor para a empresa.
_ E o melhor para vocês e o Daniel? – o rapaz suspirou.
_ Eu e a Megan sabemos o que estamos fazendo, não se preocupe. – ele abraçou a mãe – Agora, que tal irmos para o altar?
~*~
Pamela caminhou rapidamente pelo corredor até o altar, puxando Jonas pela mão. Davi franziu o cenho, enquanto os dois se posicionavam junto de Dorothy e Jack. Encarou Rita e Dante ao seu lado, mas eles apenas deram de ombros.
_ Jonas, você não deveria acompanhar a Megan? – perguntou o rapaz, e a sogra riu.
_ Oh dear, ela vai ter um acompanhante, não se preocupe.
_ E o Daniel? Acordou?
_ Se acalma rapaz. – pediu Jonas – E olha quem está vindo.
Davi ouviu os acordes de Secrets e virou depressa, sentindo os olhos encherem de água, enquanto o rosto se abria em um sorriso enorme.
No final do corredor, Megan apareceu, linda em seu vestido de noiva, e tendo nos braços, algo muito melhor que um buquê de flores.
Daniel estava sonolento, vestido com um smoking branco adorável, aninhado contra o peito da mãe. Megan sequer olhava para os lados, seus olhos e seu sorriso brilhando para o noivo no altar.
O nerd caminhou até a noiva, seu sorriso tão intenso quanto o dela. Ele a abraçou com carinho, beijando sua testa e fazendo-a fechar os olhos e sorrir mais.
_ Gostou da surprise? – ela sussurrou.
_ Amei. – garantiu Davi, enquanto pegava Daniel do colo dela e entrelaçava seus dedos – E então filho? Você me dá a mamãe em casamento?
Em resposta, o bebê bocejou, fazendo os pais rirem.
_ Acho que this is a yes.
Os dois caminharam até Brian, que sorria segurando sua bola prateada. Eles trocaram olhares confusos, rindo em silêncio, e deixaram a cerimônia prosseguir.
Após a “benção” do guru, o oficial de justiça trouxe os documentos do casamento civil. Davi entregou o bebê para Rita, enquanto ele e Megan assinavam os papéis.
_ Agora, se vocês quiserem, podem trocar as alianças. – propôs Brian, e Davi franziu o cenho.
_ Onde elas estão? – Megan riu travessa, correndo até a sogra e pegando algo preso à roupa do filho – Você pensa em tudo, não é Parker?
_ Com certeza, stupid boy. – ela entregou o anel menor para ele – Give me your hand.
Davi estendeu a mão esquerda, onde ela colocou a aliança de ouro. Megan estendeu a mão esquerda, onde ele colocou a aliança, dando um beijo logo depois.
_ Posso beijar a noiva? – o nerd perguntou para Brian, que sorriu, assentindo – Então sra. Reis...
_ Kiss me logo, stupid boy. – ela riu, puxando o rapaz pela gola do smoking e selando seus lábios, enquanto todos aplaudiam.
~*~
A festa já estava rolando havia um tempo. Todos comiam e bebiam, dançavam com as atrações musicais (One Republic, Boyce Avenue e The Pretty Reckless). Os noivos tiveram três danças, ao som de suas músicas na voz dos cantores que as criaram.
Dorothy e Rita se revezavam na vigília ao sono de Daniel, e Megan havia acabado de sair para amamentar o bebê, deixando Davi desfrutar um pouco dos amigos da Gambiarra.
_ Hã, sr. Reis? – um garçom se aproximou, com um papel dobrado – Pediram para lhe entregar.
Davi pegou o papel, encontrando um D floreado na frente. Sorriu, abrindo e encontrando a mesma letra floreada dentro.
“Me encontre no terraço, agora. M.R”
Ele sorriu, saindo correndo para o interior da casa. Subiu as escadas, abrindo a porta de vidro no segundo andar e pulando os degraus de ferro, até chegar ao terraço da casa. Megan estava apoiada no parapeito, o vento movimentando seus cachos loiros, enquanto ela sorria para o marido.
_ E aí? Foi para o D certo dessa vez? – perguntou o hacker, se aproximando com as mãos no bolso.
_ Maybe... Você é the husband de Megan Reis? – ela mordeu o lábio inferior, enquanto ele apoiava uma mão de cada lado dela.
_ Espero que sim. Porque ele é um cara de muita sorte. – os dois sorriram – Te amo.
_ I know. I love you too, stupid boy. – ela acariciou o rosto dele – Vou ter que pedir, again?
_ Não, dessa vez te dou uma colher de chá. – ele puxou a cintura dela, colando seus lábios em um longo beijo, enquanto uma fina chuva, vinda ninguém sabe ao certo de onde, começou a cair sobre os dois, selando aquele momento como eterno.
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Aprendendo a Viver Juntos | Cap. 11 - Carros e Garagens
_ Pivete, tira esse pijama ridículo e coloca uma roupa decente. Nós temos que ir comprar uma coisa importante. – Fabinho entrou no quarto no sábado de manhã, encontrando Giane largada na cama, vendo TV.
_ Ah fraldinha, eu to com cólica. Nada afim de sair. – ela se enrolou mais no edredom, fazendo o marido suspirar.
_ Jura que cê tá menstruada?
_ Não, mas acho que vou ficar amanhã. – ela bufou – Qual é? Agora vai querer controlar minha menstruação é?
_ Não pivete, mas essa sua TPM é coisa do tinhoso. – ela riu das palavras dele, enquanto ele se deitava ao seu lado – Vai, amor, por favor. Hoje é um dia especial.
_ E porque hoje é um dia especial?
_ Porque hoje faz três meses que nos casamos? – ele rebateu a pergunta, vendo os olhos dela se enchendo de água – Ah não, TPM emotiva não.
_ Ai amor... Desculpa. – ela o abraçou, fungando – Eu esqueci completamente.
_ Relaxa tranqueira, não é o fim do mundo. – ele acariciou o cabelo dela – Agora vamos sair desse edredom, porque tá fazendo uns 26ºC lá fora, e vamos colocar uma roupa legal para eu te dar seu presente.
_ Mas eu não te comprei nada. – ela choramingou, fazendo Fabinho rir – Para de rir, seu tapado.
_ Adoro você melosinha, é tão fofa. – ele deu um selinho na esposa – E relaxa maloqueira... Eu vou pensar em um jeito de ser muito bem presenteado.
~*~
_ Fabinho, onde a gente tá indo? – perguntou Giane, enquanto o marido dirigia – Digo, nós já temos uma casa. O que você vai me dar de presente, que precisa de tanto mistério?
_ Meu Deus, como é impaciente. – o publicitário riu – Você já vai descobrir, relaxa pivete.
Não demorou muito para ele embicar o carro no estacionamento de uma concessionária, fazendo Giane arregalar os olhos.
_ Eu to maluca, ou você vai me dar um carro?
_ Olha, maluca você até está, mas eu vou sim te dar um carro. – ele acariciou a nuca dela – Só o que você gasta de táxi e eu de gasolina pra te levar para o estúdio... Compensa mais comprar um carro.
_ Você perdeu o juízo de vez. – ela suspirou – Que carro vai ser?
_ Se eu já tivesse escolhido, não tinha te trazido aqui. – Fabinho riu – Pode escolher.
_ Você não existe. – a corintiana riu, soltando o cinto e pulando para o colo do marido.
_ Não só existo, como também tenho muitas vontades. E se você não sair do meu colo, vou realizar uma delas aqui, e seremos presos por atentado ao pudor. – ela gargalhou – Mas pelo menos daremos um show para quem passar, e muitos vão ter mais inveja ainda de eu ter uma maloqueira que nem você do meu lado.
_ Babaca.
_ Seu babaca?
_ Só meu. – ela garantiu, lhe dando um beijo – Mas então vamos logo, que eu quero escolher meu presente.
_ Mas só pensar nisso mesmo. – ele suspirou, levando um beliscão.
Apesar de tudo, Fabinho já tinha uma ideia do carro que Giane iria escolher. Já a vira paquerando o Citroën Aircross diversas vezes, e a levou diretamente à concessionária da marca.
E como esperado, assim que cruzaram a porta, a fotógrafa correu na direção do veículo, os olhos brilhando. O modelo que estava ali era preto, mas ele sabia que ela queria prata ou cobre, então já havia deixado acertado com o dono da loja.
_ Gostou desse? – ele perguntou, parando ao lado da esposa.
_ Como se você já não soubesse. – ela revirou os olhos, fazendo Fabinho rir – É bem grande... Dá pra levar as modelos quando for sessão externa, além do meu equipamento.
_ Adoro quando você pensa profissionalmente, é tão sexy.
_ Fabinho, você acha até meus puns sexys.
_ Não coloque palavras na minha boca. – o rapaz ergueu as mãos – Se bem que é até fofinho quando você faz careta pra peidar.
_ Vamos logo falar com o vendedor. – Giane gargalhou, puxando o marido pela mão.
~*~
_ Muito bem pivete... Dê partida no seu carro novo. – ele sorriu, estendendo a chave para ela, enquanto ela observava o veículo – Direto para nosso restaurante favorito.
_ E o seu carro? – ela arqueou a sobrancelha, enquanto entrava do lado do motorista.
_ A Malu e o Maurício acabaram de pegar ele e vão deixar em casa. – Fabinho explicou, sentando do lado do passageiro – Vamos ver se é uma boa motorista.
_ Tá querendo apanhar? – Giane fuzilou o marido, dando partida no carro e soltando um gritinho de alegria.
_ Cadê meu pivete maloqueiro? Quem é essa menininha? – o publicitário aporrinhou, recebendo uma careta – Vamos logo, amor, eu to com fome.
_ Vai ficar gordo, sabia disso? – ela saiu com o carro, enquanto Fabinho ria – Sério, já tá criando pancinha. Não é porque casou que tem que descuidar da aparência. Se não, te troco por um modelo gostosão.
_ To te achando muito engraçadinha, viu mocinha? Vou ter que te ensinar a ter modos? – ele provocou, fazendo-a rir.
_ Segura seu amiguinho aí, viu fraldinha, que eu to dirigindo.
_ Mas eu não falei nada sobre isso. – ele suspirou – Olha que mente pervertida.
_ Quem não te conhece que te compre. – Giane riu – Você falou nosso restaurante favorito... Qual seria?
_ Ah é, esqueci que não temos um. – ela riu da cara dele – Hum... Vamos em uma churrascaria. Já que não vou poder fazer nada com você hoje, vou me entupir de carne e ficar largado na cama o dia todo.
_ Ai Deus, como é dramático. – a corintiana suspirou, enquanto Fabinho colocava o endereço no GPS - Mas acho que podíamos aproveitar e ir no shopping, comprar um terno novo para você... O casamento do Caio é em algumas semanas, e nós somos padrinhos.
_ Ah não, trocar uma tarde de sexo por uma tarde de compras? – Fabinho afundou no banco – Chega, vou me jogar desse carro.
_ Larga de ser um fraldinha dramático. – Giane gargalhou alto – Nós vamos comprar seu terno e dar uns amassos em casa. E se eu ainda não estiver parecendo o mar vermelho, minha garagem é toda sua.
_ Hum... Sua garagem? – ele sorriu maroto.
_ Claro... Você me deu esse carrão lindo, agora pode estacionar o seu em mim. – ela piscou, fazendo-o morder o lábio inferior.
_ Mulher, você acabou de dar partida no meu carro. Vou precisar estacionar ele logo, ou então o negócio vai ficar complicado.
_ Fabinho, estamos no meio da marginal Tietê, o que você quer que eu faça? – a morena gargalhava, vendo o desespero do marido – Estamos em uma situação meio complicada aqui.
_ Acha alguma ruela, sei lá. – ele gritou – Ou então eu vou desligar esse carro e te jogar no banco de trás, e se o controle não funcionar, quebro a porta da garagem. – a corintiana gargalhou mais alta, dando seta e tentando sair da marginal.
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The Reason is You - Capítulo 41
Demorou mais três meses até que tudo estivesse pronto, mas afinal Davi poderia tomar posse da Marra Brasil e Internacional, como presidente e herdeiro legitimo de Jonas Marra. Era um momento de deleite, orgulho e prazer, a exceção de uma coisa: Megan não estava ali para prestigiá-lo.
Às vésperas de dar à luz, não tinha como ele querer que a noiva aguentasse uma longa cerimônia com acionistas, além é claro da festa que viria depois. Ele mesmo não estaria ali se pudesse, já que sua cabeça não saia de casa e os olhos do celular.
_ Davi, por favor, tente se focar no evento. – pediu Jonas, tapando o visor do celular – Pamela está com Megan, já basta o desfalque das duas aqui. Você tem que participar das coisas.
_ A Megan estava reclamando muito de madrugada, porque o Daniel não parava. Eu estou preocupado. – justificou o rapaz, guardando o celular – Eu não consigo me ligar na Marra e não pensar no meu filho.
_ Mas precisa. Porque isso é o seu patrimônio, e o do seu filho também. – repreendeu o empresário – Davi, já conversamos sobre isso: você tem que se focar nas suas responsabilidades.
_ O Daniel e a Megan são minhas responsabilidades.
_ E a Marra também. A diferença é que a Marra é uma empresa mundial que depende do seu comando. Milhares de pessoas dependem do seu comando. – Jonas era firme – Então foque um pouco da sua atenção aqui. Me dá o celular.
_ O que? Não. – Davi apertou o aparelho, mas Jonas era firme.
_ Você sabe que com um comando eu hackeio ele e deixo ele mais morto que um cadáver. – o rapaz suspirou, entregando o aparelho – Brian está com alguns acionistas que querem lhe conhecer. Vá indo que eu já encontro vocês.
O jovem hacker assentiu, saindo em direção ao guru. Jonas procurou Murphy com os olhos, mas foi interrompido pelo celular vibrando. Era uma mensagem de Pamela.
“Chegou a hora. Nos encontre no hospital”
_ Algo errado boss? – Murphy apareceu à sua frente, o assustando. O homem arfou, bloqueando a tela.
_ Guarde isso e não entregue para o Davi, mesmo que ele implore. – mandou o Marra, entregando o celular e saindo andando, deixando o assistente a ver navios.
~*~
No hospital, Megan arfava e chorava sobre o leito, agonizando a cada contração. Daniel estava mal posicionado, o que não era nada bom. Ele precisava se virar depressa, mas havia o risco de a criança se enrolar no cordão umbilical no processo. E Davi não chegava logo para estar ao lado dela.
_ Mom, cadê o Davi? I need him, now. – ela choramingou, encolhida na cama.
_ Eu sei sweetie, estou tentando falar com ele e seu pai, mas nenhum dos dois atende ou responde. – garantiu Pamela, aflita – O mesmo para Brian, Murphy e Dorothy.
_ Megan, nós não temos mais tempo. – garantiu o médico – Se a senhorita não for para a sala de parto agora, nós teremos que fazer uma cesárea.
_ Eu não vou empurrar até o Davi chegar, no way. – gritou a loira, se encolhendo na cama.
_ Sra. Marra... Faça algo, por favor. – pediu o homem de branco – Isso está ficando arriscado para ela e para o bebê.
_ Já sei para quem ligar... – a mulher discou no celular – Rita? Eu preciso que você faça algo por mim...
~*~
Na festa da Marra, Davi estava cada vez mais inquieto. Tocava o bolso de tempo em tempo, apenas para lembrar que o celular não estava ali. Vira o pai entregando o aparelho para Murphy, e resolveu tentar.
_ Murphy, eu quero meu celular. – avisou, chegando perto do assistente.
_ Lamento sr. Reis, mas sr. Marra mandou que eu não lhe desse.
_ Murphy, tenho que te lembrar que, a partir de hoje, seu boss serei eu? – o homem negou – Então trate de me dar a droga do celular, antes que você precise procurar outro boss, em outra empresa.
_ Desculpe sr. Reis... Hã, boss. – o indiano entregou o celular para Davi, que desbloqueou a tela. O rapaz franziu o cenho – Algo errado?
_ Murphy, seu celular está com área?
_ Não. – o homem olhou o aparelho – Estranho.
_ Que merda. – o rapaz viu os aplicativos abertos, encontrando o de mensagem – Que merda.
_ O que foi boss? – Murphy estava preocupado.
_ Manda trazer um carro, agora. – mandou Davi, saindo correndo. Ele foi até Jonas, espumando de raiva – Porque você bloqueou os sinais de celular? E não me avisou que o Daniel estava nascendo?
_ What? – Dorothy se surpreendeu, enquanto Brian encarava o amigo penalizado.
_ Se eu perder o nascimento do meu filho, você esqueça que eu sou seu filho. – avisou Davi, saindo a passos firmes.
_ Davi, você não pode sair no meio da festa. – Jonas o acompanhava – É a sua posse.
_ Não só posso, como vou. – ele virou para o empresário – Minha família é minha prioridade, Jonas Marra. Eu nunca vou colocar minha carreira na frente de quem eu amo. Você já devia ter aprendido isso.
Isso deixou o magnata sem reação, enquanto Davi saia correndo para a entrada. Chegando lá, encontrou um tumulto, e viu que Rita tentava entrar.
_ Eu preciso falar com o meu filho. – gritava ela.
_ Lamento senhora, mas só podem entrar pessoas que tenham convite. – garantiu o segurança, a segurando pelo braço.
_ Você vai largar a minha mãe agora, ou eu te demito. – Davi alterou a voz, chamando a atenção deles. Murphy logo apareceu correndo com o carro, e o rapaz abraçou a mãe pelos ombros – Saibam que eu não sou Jonas Marra, e não aceito que maltratem ninguém da minha família. Que fique bem claro.
_Davi, a Megan...
_ Eu sei mãe, acabei de descobrir. O Daniel já nasceu? – ele perguntou ansioso, e Rita negou.
_ Ele está se enrolando no cordão, mas a Megan se recusa a ter o bebê até você chegar. – o rapaz engoliu em seco.
_ Então vamos correr. – ele abriu a porta do motorista, enquanto a mãe subia do lado do passageiro.
~*~
_ Ela precisa ir para o centro cirúrgico, agora. – garantiu o médico, no corredor com Pamela – Os batimentos do bebê estão caindo, e o ultrassom mostrou que ele está enrolado. Nós não temos mais tempo, nem para um parto normal.
_ Mais alguns minutos, pelo menos até o pai do bebê chegar. – implorou a atriz – Ele está chegando e... Ah, Davi.
O rapaz apareceu correndo, descabelado e arfante. Ele parou ao lado da sogra, respirando pesado.
_ Cadê a Megan? E o bebê?
_ Rapaz, temos que levar sua namorada para o centro cirúrgico agora mesmo. – Davi arregalou os olhos – Seu filho está quase em sofrimento, não temos como esperar mais.
_ E porque não foram ainda? – ele se exaltou.
_ Honey, Megan está se recusando a ir sem você. – Pamela segurou o rapaz pelos ombros – Ela tem medo de hospital desde que era very little, e essa inquietação com o Daniel só está piorando.
_ Eu vou poder ir junto? – o médico confirmou – Então vamos.
Ele abriu a porta do quarto, e Megan caiu no choro assim que o viu. Ele correu até a cama, sentando na beirada e a abraçando apertado, sentindo o corpo frágil tremer com os soluços.
_ Se acalma, tá bom? – pediu ele – Nós vamos para o centro cirúrgico e vai dar tudo certo.
_ And if not? Davi, eu to com medo. – ela soluçou.
_ Vai dar, e eu vou estar do seu lado, está bem?
~*~
_ O Jonas what? – Pamela gritou, enquanto Rita lhe explicava o que havia acontecido – O que ele estava pensando?
_ Não sei Pamela, e nem o Davi. – a pedagoga suspirou – Mas você vai ter que descobrir isso.
_ Você pode ter certeza Rita. Assim que Megan e Daniel estiverem bem, eu irei até a Marra, e meu marido terá que me dar algumas boas explicações. – avisou a atriz – Mas eu não consigo pensar nisso agora.
_ Então somos duas. – elas sentaram lado a lado na sala de espera, encarando as portas que iam para o centro cirúrgico e segurando as mãos uma da outra, num ato de consolação mutua.
~*~
Na sala de cirurgia, Davi estava com medo de a namorada ter um ataque de nervoso. Não se lembrava de Pamela contar nada sobre isso quando ela havia ido parar no hospital meses antes, quando o fígado quase entrou em colapso.
Pensando por esse lado, ele nem sabia como que a gravidez havia vingado após esse incidente, já que foi duas semanas após eles conceberem Daniel. Definitivamente tinha que ser algum milagre.
_ Se acalma loirinha, vai ficar tudo bem. – prometeu Davi, acariciando o rosto dela.
_ Eu não consigo... – sussurrou a jovem – Davi, and if something goes wrong? E Se o Daniel...
_ Não pensa nada de ruim, Megan. Muitas crianças se enrolam no cordão umbilical, ele não é a primeira nem a última que fará isso. – ele tentava disfarçar o próprio nervosismo.
_ Ouça o Davi, Megan. Vai ficar tudo bem. – garantiu o médico, olhando para ela de relance – Apenas fique tranquila.
Davi ficou com os dedos entrelaçados aos dela, os dois em silêncio, ouvindo o que os médicos diziam entre si. Megan não sentia nada, mais ligada no pânico e ansiedade que a dominavam.
_ Muito bem Megan, nós vamos tirar o bebê. – avisou o médico, fazendo o casal suspirar aliviado – Está pronta?
_ You can be sure. – os médicos e enfermeiros riram, enquanto Davi se levantava para observar.
Demorou alguns poucos segundos, e então Megan conseguiu ver o sorriso brilhando nos olhos de Davi, e sorriu também, se sentindo aliviada.
_ Megan, ele é lindo. – foi só o que ele disse, enquanto o pediatra saia com a criança, fazendo a expressão dos pais se tornarem preocupadas.
_ Se acalmem, que isso é normal. Eles vão examiná-lo, e já o trazem de volta. – garantiu a enfermeira.
_ Mas, he didn't cry. – a loira engoliu em seco, enquanto Davi seguia o pediatra com os olhos.
_ Quando a criança nasce enrolada no cordão, isso costuma acontecer. – o médico explicou – Mas não se inquietem, especialmente você Megan, ou nós teremos que sedá-la.
_ Dare to try. – ela resmungou, enquanto a equipe médica ria – Davi...
_ Eu to aqui, loirinha, fica tranquila. – ele tornou a se sentar, aproximando o rosto dela – Ele é lindo, de verdade.
_ Not seems like um joelho? – eles riram um pouco.
_ Ah, parece. Mas garanto, é o joelho mais lindo do mundo. – prometeu o nerd, sorrindo para a namorada. Antes que ela retrucasse, ouviram um choro vindo de um lugar próximo – É ele?
_ É sim. – sorriu a enfermeira, acompanhando algo com os olhos – Pode pegar ele, Davi.
O rapaz levantou, seguindo a direção que a enfermeira olhava, e viu outra enfermeira se aproximando, tendo seu filho nos braços. Ele olhou para Megan, os olhos brilhando de lágrimas, enquanto via o sorriso dela se tranquilizar.
_ Pronto papai, aqui está o Daniel. – avisou a mulher, passando o pacotinho para os braços trêmulos de Davi. O rapaz abraçou o bebê, caminhando quase mecanicamente até Megan, se abaixando devagar e colocando a criança ao lado da mãe, que chorava tanto quanto ele.
_ Eu disse que ele era o joelho mais lindo do mundo. – Megan riu, enquanto passava o dedo pelo rosto do filho.
_ And you were more than right. – ela sorriu – Ele é perfeito.
_ E ele está bem? – perguntou Davi, virando para o pediatra.
_ Não aparenta ter nada errado. – garantiu o médico – Mas temos que levá-lo para examinar com calma.
_ It's all right, contanto que ele fique bem. – garantiu Megan, e Davi concordou – Come here stupid boy.
Ele colocou o rosto de Daniel ao lado do de Megan, e colocou o próprio rosto junto ao do filho, os três fechando os olhos juntos.
_ Eu amo vocês. – sussurrou o nerd.
_ I love you too. – sussurrou ela de volta, beijando o filho – Now, deixa eles examinarem o Danny e go talk to our mothers.
_ Você vai ficar bem?
_ Não tem como eu ficar better.
~*~
Jonas caminhou na direção da sala de espera, Brian e Dorothy o ladeando. Já havia escutado um sermão enorme da mulher, e um ainda maior do amigo e guru. E sabia que assim que Pamela botasse os olhos nele, a bronca seria imensa.
E foi exatamente o que aconteceu.
_ O que você tinha na cabeça, Jonas Marra? – rosnou a atriz, voando até o marido – Bloquear o sinal do celular? Não avisar o Davi? Jonas, Megan se recusou a entrar na sala de parto sem o Davi, e isso quase gerou complicações. No que você estava pensando?
_ Querida, primeiro, pare de falar em inglês, porque a Rita não está entendendo nada. – ele pediu, enquanto a esposa bufava – Segundo, eu sei que demora um tempo entre a hora que a bolsa rompe e o bebê nasce. Achei que daria tempo de fazer a cerimônia de posse.
_ Sim, mas daí bloquear todos os meios de comunicação? – interveio Rita – Algo sério poderia ter acontecido, e nós não teríamos nem como entrar em contato com vocês.
_ Não foi minha ideia ou escolha mais prudente, desculpem. – suspirou o empresário, rendido – Não quis causar transtornos, mas era algo importante.
_ Mais importante que o nascimento do Daniel? – questionou Pamela, mas ele não teve tempo de responder.
_ Com licença? – uma enfermeira chamou suas atenções – O bebê acaba de nascer.
_ Oh, thanks God. – suspirou Pamela, enquanto Rita fazia o sinal da cruz – E está tudo bem?
_ Nenhum problema aparente. Tem 3,200kg e 50cm, e recebeu nota 9 no exame. – todos suspiraram aliviados – Se quiserem vir até o vidro do berçário, o pai vai vir com o bebê em alguns instantes.
E realmente, logo Davi apareceu com Daniel no colo, um sorriso gigante no rosto. Os celulares clicavam sem parar, registrando o rostinho do pequeno Parker-Reis-Marra. Quando o rapaz teve que sair com o bebê, deixou para trás um grupo de babões.
_ Dorothy, por favor, vá até a administração e peça toda a descrição em relação ao nascimento do Daniel. Não vai demorar para os urubus da imprensa estarem aqui, e quero o mínimo de informações vazadas. – pediu Jonas – Apenas o básico: que foi cesárea, o peso e o tamanho, e que os dois passam bem. Não quero imagens dessa criança vazadas até que a Megan e o Davi decidam se vão aceitar a capa da...
_ Jonas, stop. – pediu Brian, segurando os ombros dele – Seu neto acabou de nascer, meu amigo. Curta esse momento e deixe que mommy sabe como lidar com a imprensa, afinal, esse é o trabalho dela.
~*~
_ Ele é perfeito. – suspirou Megan, observando o filho mamar – Our perfect little thing.
_ Claro, ele parece comigo. – zombou Davi, fazendo a noiva rir – Ele tem os seus olhos.
_ Mas a boca it’s just like yours.
_ Então ele vai ter o sorriso mais lindo do mundo. – o rapaz sorriu maroto, recebendo um selinho da loira.
_ I have no doubt. – os dois voltaram a observar o bebê – O que vai acontecer now? I mean, você não tomou posse da Marra.
_ O Jonas já remarcou a cerimônia para daqui 10 dias, porque ele quer você, o Daniel e sua mãe presentes. – suspirou Davi, observando a mulher.
_ We have no choice, right? – ele assentiu, beijando a testa dela.
_ Mas não pensa nisso ainda. Não se preocupa. – ele deitou a cabeça no ombro dela, descendo os olhos para o filho – Vamos apenas curtir nossa família.
_ Only ours. – ela prometeu, acariciando a cabecinha de Daniel, os três envolvidos em sua pequena bolha de amor.
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Megan & Davi | Wherever You Will Go