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@febre90s
de vez em quando eu to existindo
Alguém sendo paciente com você em seus dias ruins é uma das formas mais suaves de amor
As vezes você só quer que a mente desacelere
Ó Fantasma, Quem És Tu, Fantasma?
Em recinto singelo e de modesto olhar, à luz branda, reuniam-se em prece e em cantar; ao centro, repousava, em sereno esperar, o corpo daquela que viera a desencarnar.
Não me era tão próxima, por laço ou conviver, mas o sangue da herança fazia-nos pertencer. Era casa de espíritos, de mesa e oração, onde a paz se derramava em santa comunhão.
Ao chegar, os presentes que estavam no altar fitaram-me em espanto, sem poder disfarçar. — Quem é essa? — ouvi baixo alguém sussurrar; tão idêntico era o meu próprio caminhar.
Adentrei o recinto, e o silêncio a falar; os rumores cresciam sem pressa de cessar. Aproximei-me da mesa, pus-me então a orar, em vestes de neve, com o ouro a cintilar.
Finda a prece, rumei aos pés de minha avó, ajoelhei-me em respeito, desfazendo-lhe o nó; pedi-lhe a santa bênção, acolhi seu pesar, e enxuguei a lágrima que insistia em rolar.
Saí, então, à procura das tias do coração; ao verem-me, cercaram-me em ruidosa afeição. — És igual à tua mãe; nada há para tirar. Bela e tão elegante, até no teu caminhar.
No frio daquela noite, vi alguém atravessar. — Impossível... — disse uma delas. — Ele foi descansar. Mas em mim não houve medo, nem tremor, nem aflição; apenas um leve sorriso e terna conversação.
Ao partir, tornei, por fim, aos pés de minha avó; ajoelhei-me outra vez, com respeito e num só gesto de santa bênção, em silêncio e devoção, e voltei para minha casa com a paz no coração.
*watches a studio ghibli film* maybe… life is okay
*opens tumblr*
*rummages around like I’m in the fridge*
*closes tumblr*
…*opens tumblr*
Passion
Acenda uma candeia no entendimento...
Arte de Furtar (epígrafe de Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade).
Quando os Sinos Sangraram
Uma noiva serena, em vestes de breu, com véu de sombras que o próprio inferno teceu. Teus votos serão mentiras ditas ao luar, os meus, verdades antigas que jamais deixaram de sangrar.
Diante do altar, juraremos sem redenção, não por amor, mas por antiga condenação. Ao sair, não haverá flores espalhadas pelo chão, nem rostos, nem aplausos, nem qualquer celebração.
Cairá do céu uma chuva rubra, brutal, selando um pacto sombrio e ritual. Dize-me, amor: somos princípio ou maldição? Primeira centelha ou última estação?
Somos destino gravado em pedra sepulcral? Ou o desfecho inevitável de um pecado ancestral? Pois isto não é casamento, nem promessa de calor.
É um funeral vestido de amor. Um cortejo sem santos, sem perdão, sem luz. Tu carregas meu nome. E eu carrego a cruz.