Better than this, better than that... – Strauson
Depois que Rosalie tinha mudado o seu horário de treinamento para manhã, passava a parte da tarde na delegacia resolvendo intercorrências. Mas algumas vezes essa rotina mudava: Se ignorasse o fato que da ultima vez que isso tinha acontecido tinha sido baleada, ela gostava. A maioria das mudanças era por conta da sua curiosidade, dessa vez ela associara uma série de semelhanças em dois casos e tinha pedido ajuda a um dos seus colegas que trabalhavam no laboratório para ajudá-la investigar. Sabia que se comentasse o assunto com Dave ele iria mandá-la esquecer disso e voltar à rotina normal. Não tinha mais a quem recorrer. Já tinha dois dias que estavam nisso, procurando por informações novas que pudessem ser aproveitadas e ela se questionava como Dante poderia se dar bem em um trabalho que parecia ser tão complexo. Ela suspirava quando não entendia algo e tinha que recorrer a ele pra esclarecer a duvida. Sentia-se frustrada quando o dia acabou. Decidida que se no dia seguinte não conseguissem mais nada iria realmente deixar o assunto de lado. Podia ouvir a voz de sua mãe lhe dizendo que precisava de uma faculdade de medicina e que conhecimento nunca era demais. As palavras tinham sido escutadas com tanta frequência na sua adolescência que Rosie tinha a impressão de que nunca esqueceria. Esperava estar errada.
- Você é um gênio. – Ela riu, enquanto caminhava com o outro pra fora do lugar. Rosie estava pelo caminho fazendo piadas sobre como ele era genial. As palavras dela eram sinceras, mas ela ficava feliz dele ter levado como brincadeira e não como algo intimo. – Você mija fora da privada? Que horror, Dante. – A expressão dela era exagerada, teatral. – Eu duvido que você atira bem. Aposto com você. – Ela deu de ombros, o encarando pra demonstrar que estava falando sério. – Sem treinar antes, seu espertinho. – Ela colocou as mãos na cintura enquanto falava, como uma mãe dando bronca. Gostava de Dante pelo jeito natural que ele agia. Não era como alguns caras da delegacia que a tratavam como uma boneca, ou subestimavam. Ele não fazia isso, pelo menos não quando estava falando sério.
O batente da porta que dava pra rua estava sobre a sua cabeça quando sentiu que teria problemas. Não parou, mas podia ver pequenas pedrinhas saltitando como se ela as comandasse. O problema é que Rosie não estava praticando nenhum tipo de magia. Acreditou em Alexei quando lhe disse que até dominar a manipulação do elemento terra seria complicado, mas não achou que tanto. Quando encarou Dante novamente seu olhar estava alarmado, o sorriso fácil e sincero tinha escapado de seus lábios. – Dante…- Ela chamou, se controlando pra não demonstrar o tamanho do seu desespero ou o quanto estava consternada. Do medo que todos os policiais que passavam por ali vissem do que ela era capaz. – Me tira daqui? – Tinha esperança de que mesmo que o outro descobrisse, mantivesse em segredo. Rosie se esforçava pra ter fé, não queria estragar o momento que até então era de descontração.
Ele se permitiu dar de ombros com a expressão dela sobre o comentário ridículo que ele fizera. “Você não faz ideia de como é ser um homem e acordar de manhã para mijar, Rosie.” Ele pressionou os lábios e balançou a cabeça, entrando na onda da brincadeira que ambos estavam dando corda ali. Um fato bom era o de que ele realmente se sentia à vontade com a outra. Era completamente arriscado pensar ou sentir algo assim em relação às outras pessoas, ainda mais se fosse Dante no caso, mas ela era parecia tão pura em todas as suas atitudes, que se fosse uma encenação pelo menos ele teria caído com orgulho. Orgulho de ter sido verdadeiramente enganado, o que não era tão fácil, mas também não era impossível. Estúpido mesmo era ele pensar daquela forma, mas era tão sozinho e largado em seus próprios pensamentos que até já havia se acostumado daquele jeito. De repente, olhando para o chão por onde pisava, Dante parou de súbito, erguendo uma mão na direção dela como se pedisse para esperar. Passou alguns segundos daquele jeito, antes de levantar o olhar para buscar os de Rosalie. “Tá dizendo que eu não consigo atirar tão bem quanto você?” Ergueu uma sobrancelha em uma careta. “Claro, é óbvio que não vou conseguir chegar aos teus pés porque você é uma policial, mas...” Balançou a cabeça negativamente. “Eu sou muito bom, okay? Você que não conseguiria diferenciar um componente básico para um ácido.” Deu de ombros e retomou as passadas lentamente, esperando que ela o acompanhasse.
Ao procurar pela garota ao seu lado, andando junto dele, não achou, e então parou para olhar para trás, vendo o quão assustada ela parecia estar. Talvez perdida com algo ou estivesse passando mal, o que rapidamente fez com que Dante se aprontasse em ir para perto da outra, apoiando a mão no ombro dela e inclinando-se de uma forma que procurava os olhos dela para se focar ou apenas entender o que estava acontecendo com ela. Ao escutar o pedido dela, não pensou duas vezes antes de se abaixar o suficiente para passar o braço dela por seu ombro e tentar andar com a mesma até o carro dele. Assim que a colocou no banco do carona, sem muita dificuldade, analisou a situação dos que olhavam e disfarçou bem o suficiente para que voltassem a fazer o que estavam fazendo antes. Dante entrou no próprio carro e não deu partida, apenas se sentou e olhou para Rosalie, preocupado. “O que foi que aconteceu? Você tá bem, Rosie? Quer que eu leve pro hospital ou algo assim?” Provavelmente a chuva de perguntas iria confundi-la mais ainda, mas ele realmente estava aflito e não sabia como reagir àquela situação, então apenas esperou que ela desse as ordens.













