ffletchley:
“Okay, okay, não dá pra discordar,” Justin levantou as mãos em rendição, mas cruzou os braços ao perceber que ela lhe observava. Não gostava de se sentir analisado. “Fontes?! Que fontes? Por que eu nunca tive acesso a elas?”
Não podia negar que estava assustado e ligeiramente intimidado, mas estava, acima de tudo, curioso. De onde aquela garota havia surgido? Quem eram suas fontes? E, se ela também era nascida-trouxa, estaria a magia de alguma maneira presente nos genes de seus pais? Brooke deu voz às suas dúvidas antes dele, fazendo-o suspirar. “Sim. É claro,” disse. “Mas tudo isso ainda é estranho demais para mim. Não tenho primos de segundo grau morando nos Estados Unidos, e além disso só tem meu pai, que é filho…” parou enquanto falava, mordendo o lábio. “Bem, não exatamente filho único. Mas meu tio foi dado como morto antes de eu nascer. De onde você poderia ter surgido?”
“Na verdade, eu também não tive acesso, pelo menos não um que fosse fácil. Precisei fazer uma pequena pesquisa para rastrear uma possível localização do restante da família.” Assuntos familiares eram delicados em sua casa, uma vez que seu pai fora deserdado há alguns anos e a proibira de falar sobre qualquer parente. Estavam todos mortos, o pai dizia, pelo menos em seu coração. Mas essa era a sua verdade, e não a de Brooke, e ela faria qualquer esforço ao seu alcance para descobrir suas raízes.
O relato de Justin, apesar de sucinto, foi o suficiente para que Brooke associasse as informações e inferisse seu grau de parentesco com o rapaz. Naturalmente, o tio que ele dizia ter sido “dado como morto” era seu pai, o que fazia deles primos. “Dado como morto, você disse?” Perguntou, embora já tivesse a resposta daquele questionamento. Era engraçado como, apesar de distantes, ambos os irmãos inventaram a mesma desculpa para justificar aos filhos a ausência dos parentes. “Que curioso. Meu pai também diz que sua família está morta. No sentido figurativo, mas ainda assim. Você tem um tio desaparecido, eu tenho um pai cujo restante da família é desconhecido…” Apesar da novidade da situação, Brooke não conseguia segurar o sorriso divertido. Estendeu a mão para Justin novamente, embora o gesto agora fosse forçado, como uma brincadeira. “Acho que podemos nos chamar de primos.”
Justin sorriu ao ouvir Brooke falar sobre sua pequena pesquisa. O Chapéu Seletor definitivamente havia acertado ao colocá-la na Corvinal. Quando falou sobre seus parentes, se assustou com a maneira como a garota parecia pensativa. E então ela voltou a teorizar sobre suas famílias e tudo que ele foi capaz de fazer foi suspirar. Por mais que fosse estranho, fazia sentido.
“Oh, deuses,” ele se deixou sorrir e apertou a mão de Brooke com firmeza. “Eu nunca achei que encontraria uma prima paterna. Uma prima paterna bruxa,” disse, a confusão que sentia transparecendo em sua voz. “Nós ganhamos em algum tipo de loteria mágica, Brooke. O quão incrível é isso?!”
Por mais que fosse mais do que provável, ainda se sentia chocado com a possibilidade de ter uma prima bruxa. Sentia-se responsável por Brooke, que havia acabado de chegar e devia estar se sentindo completamente deslocada. De repente, sentiu o peito apertar ao pensar em deixá-la sozinha na mesa da Corvinal. “Sabe, eu podia te apresentar a algumas pessoas. E te mostrar o castelo antes do toque de recolher. Se você quiser, é claro.”














