Ouçam: https://youtu.be/s55yvIc7wtg Nicolas estava terminando de se arrumar para se apresentar na boate. Charlotte estava ajeitando os últimos detalhes na fantasia dele. Ela terminou de arrumar e deu um beijo no namorado. - Tá lindo. - Ela elogiou. - Você é linda. - Nico rebateu e pegou sua mochila. Char estranhou porque ele nunca saia de mochila, mas não falou nada. - Volta logo. - Ela pediu e segurou a mão dele. - Vou tentar. - Ele disse e deu um selinho nela. - Não me espera. Pode dormir. - Tem certeza? - Tenho. - Nico afirmou. - Tá bom. - Char concordou e ele trancou a porta. Nicolas entrou em seu carro e abriu a mochila. Dentro da mochila estavam as roupas normais dele, Nico tirou a fantasia e vestiu suas roupas normais. Ele ligou o carro e dirigiu até o hospital, onde Lari estava internada. O namorado de Charlotte pegou todas as informações e descobriu que Larissa já estava acomodada num quarto e que seu estado não era mais grave como antes. Ele aceitou a condição de ser acompanhante e bateu a porta, abrindo. - Boa noite. - Nicolas sorriu ao ver Larissa e ela fez o mesmo. - Boa noite. - Fico feliz que você já esteja no quarto. - Ele disse sincero e segurou a mão dela. - Pensei o dia inteiro em como você estava. Só consegui vir agora. - Tudo bem, Nico. - Lari piscou um dos olhos e ele a abraçou. - Você já deve ter alta amanhã. - Vai cuidar mesmo de mim, Nico? - Larissa questionou e ele assentiu. - Obrigada. - Ela colocou uma das mãos no rosto dele e Nico se afastou. - Não é do jeito que você deve estar pensando, Lari. - Ele resolveu esclarecer. - Eu tô falando de cuidar de você como mãe do meu filho e nada mais que isso. Eu tô namorando, tô morando com a Char e tô muito feliz com ela. - Ainda não sei como você fez isso comigo. - Lari comentou. - Sinto muito. - Ele respirou fundo. - Eu não tive a intenção de te magoar. - Você ainda pode consertar isso, Nico. A gente ainda pode criar o nosso filho como uma família, como ele ou ela realmente merece. - Larissa insistiu. - Você sabe que a Charlotte é só atração, não tem sentimento, só é sexo. Ela é realmente bonita, mas você sabe que precisa de alguém que realmente te faça crescer na vida. - Eu amo a Charlotte. - Nico afirmou. - Sou apaixonado por ela como nunca fui por ninguém. - Você sabe que não é. Sabe que é apaixonado pela mulher-gato e por tudo que a mulher-gato fazia. - Lari rolou os olhos. - Detesto ver você se enganando e perdendo tempo. - Sei bem o que eu sinto. Sei da minha vida. - Nico se irritou. - E eu sei mais da sua vida que você. - Larissa gritou. - Você é o homem da minha vida, não da vida dela. Como você acha que meu pai vai lidar ao saber que você me engravidou e está com outra? Você tem que ficar comigo. Não tem escolha. E o que a sua família vai pensar ao saber que você prefere a morena que a ruiva? Lembre sempre da sucessão loira da família e de como seria interessante ter um ruivo na família. - Ela piscou. - Vou fazer de tudo pra você abrir os olhos e perceber que eu sou a mulher certa pra você. - Faz o que quiser. - Ele rolou os olhos e ligou a televisão. Charlotte estava deitada no sofá da sala de estar assistindo a um filme e ouviu um toque de mensagem. Ela se levantou e foi até a mesa da sala. - Nico esqueceu o celular. - Char disse ao ver o celular do namorado em cima da mesa. Ela olhou a mensagem e ficou sem entender. Charlotte respirou fundo ao ler: "Nico, onde você tá??? Não vem hoje??? Vamos começar já já". Ela só conseguiu pensar que Nico poderia estar no hospital e seu coração se apertou. Charlotte fechou os olhos e tentou afastar do pensamento que Nicolas poderia estar a traindo. - Não. - Charlotte gritou sozinha no apartamento. - Eu tenho que trabalhar essa insegurança. Eu não vou terminar com o Nico. Não vou sair dessa casa. - Ela fechou os olhos enquanto falava sozinha. - Ele não tá me traindo. Char resolveu desligar a televisão e as luzes. Ela ficou um tempo na varanda, mas depois foi para o quarto. Charlotte se deitou na cama, desligou o abajur e abraçou uma das blusas de Nicolas. Ela sentiu lágrimas passando por suas bochechas e abraçou o travesseiro dele. Char fechou os olhos e adormeceu. Nicolas acordou no outro dia, deitado no sofá-cama que tinha no quarto de Larissa. Ele abriu os olhos e viu Lari sorrindo para ele. Nico não sorriu de volta e se espreguiçou, levantando. - Bom dia Nico. - Larissa disse sorrindo. - Dormiu bem? - Dormi mal. - Ele confessou e rolou os olhos. Nico calçou os sapatos e ajeitou o cabelo. - Já vai? - Lari não gostou de ver que ele estava se arrumando. - Vou né, querida. - Ele respondeu como se fosse óbvio. - Tenho esposa em casa. Não sou desocupado. - Esposa. - Larissa repetiu e gargalhou. - Você não sabe a merda que está dizendo. - Pra mim ela é. - Nico rolou os olhos e abriu a porta, acenando de longe para Larissa. Ele fechou a porta e correu até o estacionamento. Nico foi até seu carro e dirigiu até o condomínio. Ele estacionou, subiu pelo elevador e abriu a porta do apartamento. Charlotte estava tomando café na mesa da sala e olhou de soslaio o namorado indo em sua direção. Ela virou o rosto e jogou o celular em cima dele. - Que foi, Charlottinha? - Nico questionou ao ver Charlotte irritada. - Olha aí. - Ela apontou para o celular e Nico viu a mensagem. - O que tem? - Nico ficou sem entender a revolta dela. - Você mentiu pra mim! - Ela acusou. - Você disse que ia pro show e não foi. Você estava com a Larissa. - Char... - Ele encostou em Charlotte e ela escondeu a mão, evitando contato. - Eu não me importo que você esteja cuidando dela pelo seu filho, mas você não precisa mentir pra mim e me fazer de trouxa. Eu não gosto quando você mente pra mim, Nico. - Me perdoa. - Ele se sentou ao lado dela. - Eu fiquei com medo da sua reação e precisava cuidar dela pelo meu filho. Não pensei que você entenderia isso. - Nicolas, eu tenho mais de vinte anos. Não sou nenhuma criança. Você fez um filho e vai ter que assumir. Sou madura o suficiente pra entender que a Larissa tem uma ligação com você pro resto da vida e que você deve sim, a ajudar com o que for preciso. E pra tudo isso, você não precisa mentir pra pessoa que está com você, no caso, eu. Você não precisa me fazer de trouxa ou dizer que vai pra um lugar e não ir. Eu não sou nenhuma garotinha, Nicolas, tenho muita bagagem de vida. - Eu fui um idiota. - Ele tentou convencê-la a perdoa-lo. - Só me desculpa e eu prometo que não vou fazer de novo. - Não é assim. - Char rolou os olhos. - Não é fazer qualquer coisinha e pedir desculpa. - Charlotte, tá ficando chato. - Eu não posso falar nada que já está ficando chato? Nossa. - Você entendeu. - Nicolas se levantou e Char segurou o braço dele. - Pensa bem o que você quer, porque já tá me magoando. Charlotte se levantou da mesa e foi até a varanda. Nicolas ficou refletindo e em sua mente vieram Larissa, o bebê, sua família, as ameaças que tinha recebido do pai e respirou fundo. Ele ficou com o coração apertado ao ver a namorada sentada na varanda, parecendo estar triste. Nico ignorou todos os pensamentos ruins e a abraçou por trás. Char tentou se soltar, mas ele não deixou. - Nico. - Ela olhou para o namorado e fez bico. - Eu sou o chato, eu sou o idiota, só falo merda e só faço merda também. - Nico disse e deu um beijo na bochecha de Char. - Mas eu quero ficar com você e não tenho nada pra pensar. Eu quero casar com você um dia. - Sei. - Ela abriu um sorriso e se virou para ele. - Promete que não vai mais mentir pra mim? - Prometo. - Ele prometeu. - Eu tava assustado, não sabia o que fazer e acabei mentindo. - Tá bom. A gente tá ficando bem chatinho com essas drs sobre o mesmo assunto a todo momento. - Ela resolveu trocar de assunto. - Só voltei a falar porque você mentiu pra mim, mas já se explicou e fim. Chega. Não gosto de brigar com você. - Vou me redimir. - Nico prometeu. - Vou te levar pra jantar fora. Hoje não tenho ensaio. E de lá, podemos ir pra boate e você assistir a minha apresentação. O que acha? - Qualquer coisa com você já me deixa muito feliz. - Ela confessou. - Você me faz muito feliz, Nicolas. - Você também. - Ele deu um beijo rápido nela. - Temos que fazer uma cópia da chave pra você. - Espera. - Char parou o namorado. - Você não precisa ficar com a Lari no hospital? - Já fiquei por muito tempo. - Ele rolou os olhos. - Agora vou ficar com a minha mulher. - Hm. - Ela riu. - Hoje eu te chamei de uma coisa pra Larissa. - Ele contou e ficou vermelho de vergonha. - O que? - Char o olhou sem entender e esperando a resposta. - Bobeira. - Ele desistiu de contar. - Esquece isso. - Agora eu quero saber. - É que ela ficou falando pra eu ficar lá com ela e eu disse que não ia ficar porque tinha que ficar com a minha esposa também. - Nicolas disse tudo muito rápido e Char ouviu, mas não acreditou. - Agora chega. - Chega. - Ela concordou e o abraçou. - Vou tomar café. - Nico se soltou e foi até a cozinha. Nicolas tomou café da manhã enquanto Charlotte arrumava algumas coisas no quarto. Ele terminou de comer, lavou a louça e arrumou no armário. Nico sabia que tinha que fazer alguma coisa para que Char não ficasse tão zangada com ele. - Ela não esqueceu, só parou de falar. - Ele disse para si mesmo sobre a mentira que ele havia contado. Nico foi até a estante da sala, pegou caneta e um caderno. Ele tirou uma das folhas do caderno e desenhou um coração. Nicolas foi até o quarto com a folha de papel por dentro de sua blusa do lado esquerdo. - Oi amor. - Ela sorriu, parando de arrumar a cama. - Eu preciso te dar uma coisa. - Que coisa? - Char cruzou os braços e sorriu. - Não é muito, mas... - Nico tirou a folha de dentro da blusa e Char ficou sem entender. - O que é isso? - Ela perguntou. - Meu coração. - Nico mostrou a folha para Charlotte e a entregou. - Eu quero que você cuide dele. - Do seu coração? - Sim. - Ele assentiu e ela riu. - Essa é a coisa mais fofa e ao mesmo tempo mais ridícula que alguém já fez pra mim, Nicolas. - Charlotte abriu um sorriso, segurando a folha de papel e ele a beijou. - Você vai cuidar? - Claro. - Ela concordou e sorriu com aquele gesto. - Eu sei o que você quis com isso. Eu entendi. - No meu coração só tem você, Char. Não tem espaço pra mais ninguém senão você. - Eu acredito. Se não acreditasse, não estaria aqui. - Se eu não te amasse, você não estaria aqui. - Ele afirmou. - Não mente mais pra mim. - Ela pediu sussurrando. - Por favor. - Não vou mentir. - Obrigada. - Char abraçou o namorado e fechou os olhos. Nicolas a apertou e também fechou os olhos, sentindo o abraço da mulher que ele realmente amava. Dois dias se passaram. Charlotte estava fazendo compras na padaria. Ela pagou o que tinha comprado e saiu do lugar. Um carro parou ao lado do de Char e um homem de terno saiu de dentro dele. - Oi. - O homem sorriu para Charlotte de uma forma debochada. - Oi. - Ela respondeu um pouco apreensiva. - Quero falar com você. - Ele disse e ela acabou concordando. - Você parece ser uma menina certinha, inteligente, talentosa... Não precisa passar por isso. - Por isso o que? - Char abriu o carro e jogou dentro dele as coisas que tinha comprado. - Nicolas está com você pra me desafiar. - O pai de Nico disse. - Não está, não. - Charlotte, sei o que eu tô falando, conheço muito bem meu filho. - O homem ajeitou o anel de ouro que estava em seu dedo. - Não desejo que você se magoe com essa história. O Nico já tá começando a entender algumas coisas e mais cedo ou mais tarde, ele vai te largar. - Não, ele não vai. - Char disse confiante. - Ele me ama. - Charlotte, eu tô tentando resolver as coisas numa boa. - Tá me ameaçando? - Tô ameaçando o Nicolas. - O pai de Nico disse, cerrando os punhos. - Se você sente alguma coisa pelo Nicolas, se afasta dele. Eu tô prestes a cortar os cartões de crédito e tirar o apartamento dele. - Tudo isso só por ele estar comigo? O que eu fiz? Sou tão ruim assim? - Char engoliu a seco as ameaças. - Não é do nível dele. - O homem a encarou. - Nicolas é a vergonha da família, mas estar com você, só mostra o quanto ele não se importa com a família. - Tudo isso pela sucessão loira da família? Só por eu ser morena? - Ela desafiou o homem. - Ele já vai ter um filho ruivo com a Larissa. - Você sabe que eles vão ficar juntos, não sabe? - Ele questionou seguro do que estava falando. - Você vai perder seu tempo. Olha, eu pesquisei sobre você e você quer trabalhar com moda, não é? - O homem questionou e ela assentiu. - Eu te pago uma bolsa de estudos lá fora, junto com os melhores profissionais. Você só precisa se afastar do Nicolas. Só isso. - Eu não vou me vender por uma bolsa de estudos. - Charlotte encarou o homem e entrou em seu carro. - Tudo bem, então. - Ele deu outro sorriso. - Nicolas e Larissa estão se entendendo muito bem. Acabei de sair do hospital. Estavam num clima ótimo. - O homem entregou um pedaço de papel a Char. - Que isso? - Veja com seus próprios olhos, Char. - Ele debochou e entrou no carro, saindo dali. Charlotte ficou desconfiada da atitude do sogro e resolveu tirar a prova do que ele estava falando. Ela dirigiu até o hospital e entregou o papel com o número do quarto de Larissa para a atendente. - Charlotte? - A mulher perguntou antes que Char pudesse dizer seu nome. - Sim. - O Pietro já deixou tudo pra você poder visitar a sua amiga. - Obrigada. - Char pegou o crachá e caminhou até o quarto com seu coração parecendo sair da boca. Charlotte tomou coragem e abriu a porta do quarto com cuidado. O quarto era enorme, o maior do andar e ela ficou parada perto da porta de entrada. Char viu Nico debruçado na cama com Larissa e os dois rindo. Larissa estava segurando o rosto de Nico e ele segurava uma das mãos dela. Char ficou parada, olhando os dois. Ela estava longe e nem Nico, nem Lari, perceberam a presença dela. Nos cinco minutos que Char ficou parada, sentiu realmente um clima como o pai de Nico tinha descrito. Ela saiu do quarto e devolveu o crachá a atendente. Charlotte saiu do hospital e foi para seu carro com a cabeça explodindo. A namorada de Nicolas dirigiu até o condomínio deles e voou até o apartamento. Ela abriu a porta e jogou tudo que tinha comprado em cima do sofá. - Ele mentiu pra mim. - Char fechou a porta e respirou fundo ao lembrar da cena. - É, talvez o pai dele tenha razão. Char foi até o quarto e começou a colocar suas roupas dentro de três malas que ela tinha levado para a casa dele. Depois colocou os perfumes, calçados e todo o resto. Ela terminou de arrumar tudo, fechou a mala e arrastou até a sala de estar. Ela se sentia no meio de Nico, Lari e o bebê e estava começando a ter certeza que Nico a largaria pela família que queria construir. Charlotte estava prestes a sair do apartamento, quando Nico abriu a porta, chegando em casa. - Char? - Ele se assustou ao ver a namorada com as malas. - Nicolas. - Ela pronunciou o nome dele e suspirou. - Que isso? O que tá acontecendo? - Nico continuou assustado. Ele passou a mão pelo rosto da namorada e segurou uma das mãos dela. - Senta aqui. - Char foi até o sofá e se sentou. Nico sentou ao seu lado. - Eu vou ser bem sincera com você. - Confesso que estou com medo. - Nico disse sério. - Eu andei pensando muito sobre a gente. - Char começou a dizer o que ela menos queria dizer na vida. - E eu tirei algumas conclusões. Espero que você me entenda. - Fala. - Ele encorajou a namorada. - Pode falar. - Nico, a gente pode até se entender, se gostar, estar apaixonado, mas não podemos mascarar a realidade. - Char respirou fundo. - Eu tenho total certeza que você tem os sentimentos mais puros por mim, assim como eu tenho por você, mas eu não sou o que você precisa nesse momento. Eu não tenho nada a acrescentar na sua vida agora. Nós estamos em momentos diferentes nas nossas vidas. Você vai ser pai, está com uma mente totalmente diferente da minha. Eu quero estudar moda, trabalhar com as melhores pessoas, me especializar naquilo que eu mais gosto... E tudo mais. - Char... - Me deixa terminar. - Ela pediu e respirou fundo novamente. - Tá. - Ele concordou. - Você sabe que nós não sentimos tudo aquilo que dizemos. Não nos amamos. Não sabe? - Ela questionou. - Nico, as coisas que a gente se diz... É surreal. A gente mal se conhece e já nos amamos, já queremos casar, ter filhos... Tá tudo errado. - Charlotte, nós nos conhecemos há muito tempo. - Você entendeu o que eu quis dizer. Nos amamos como amigos, não como homem e mulher. - Ela tentou explicar seu ponto de vista. - A única coisa que eu não te vejo nessa vida é como amiga, Charlotte. Você é a única mulher que eu vejo como minha mulher. - Nico se defendeu. - Não sei aonde você quer chegar, mas sei de onde você não vai sair. - Vamos dar um tempo pra arrumar as coisas. - Ela sugeriu. - Vamos deixar que a vida conserte algumas coisas e se for preciso, nos aproxime de novo. Nesse momento da sua vida, o que você menos precisa é de mim. Você sabe que é verdade, mas não quer admitir, não quer enxergar, Nico. Mas eu enxergo isso. - Você só pode estar louca. - Eu tô sendo realista. - Ela fez uma pausa. - Nico, eu sinto muito, mas a gente não pode ficar junto. - Charlotte abaixou a cabeça, olhando para o piso. - O que você tá dizendo? - Que a gente não pode ficar junto. - Ela repetiu e percebeu suas lágrimas caírem de seus olhos. Char secou as lágrimas e olhou para Nico. - Char... - Nicolas fechou os olhos ao perceber que estava chorando. Charlotte arregalou os olhos e secou as lágrimas dele. - Meu Deus! - Ela se espantou. - Nico, por que você tá chorando assim? - Porque eu te amo, Charlotte e a ultima coisa que eu quero nessa vida é te perder. Faz pouco tempo que a gente tá junto, mas faz muito tempo que a gente se conhece e se apoia sem perceber. Sempre estivemos nos momentos mais difíceis. Como naquele dia que você tava mal pelo Felipe e eu estava lá, inconscientemente, te ajudando... Foi só uma das milhares de vezes que estivemos juntos, nos apoiando e cuidando um do outro. - Nico disse ainda chorando. Charlotte também chorava e tentava secar as lágrimas dele. Ele se levantou do sofá e se ajoelhou. - Por favor, não faz isso comigo. Não me deixa. - Nicolas pediu ajoelhado e Charlotte se levantou do sofá. - Para com isso! - Ela pediu. - Por favor. - Ele continuou ajoelhado. - Por favor. - Você sabe que eu não sou a mulher certa. - Charlotte gritou. - Você não precisa de mim agora, Nicolas. - Eu preciso sim de você, Charlotte. Como eu vou ficar sem seu beijo de bom dia ou sem a sua risada ou sem demonstrar o meu amor a você? Não dá. - Ele recomeçou a chorar. - Não faz isso. - Já fiz. - Charlotte pegou as malas e saiu do apartamento sem olhar para trás. Ela viu que a porta do elevador estava se fechando e a impediu. Char cumprimentou a senhora que estava no elevador e colocou suas malas. Nicolas correu até a namorada e viu a porta do elevador se fechando. - Char... - Ele a chamou. - Nico. - Ela disse baixinho, abaixando os olhos. A porta do elevador se fechou completamente e Charlotte choramingou. A senhora saiu do elevador dois andares depois e Char ficou sozinha. Ela chegou ao subsolo e tirou as malas, correndo até seu carro. Ao chegar em seu carro, Charlotte teve uma surpresa. Nico estava parado, ofegante ao lado da porta. - Que isso? - Ela se assustou. - Eu vim correndo. - Ele tentou se explicar. - Eu vim de escada. - Nicolas... São treze andares. - Sim. - Ele confirmou. - Vim correndo. Sai de lá, correndo. - Por que? - Porque eu não posso deixar que você vá embora sem ouvir uma coisa. - O que? - Eu te amo. Você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. E eu tenho certeza absoluta que os nossos caminhos vão se cruzar de novo. Char, nós somos almas gêmeas. - Nico afirmou. - Eu não posso te obrigar a ficar num lugar que você não tá se sentindo bem. E olha, você pode até sair do meu apartamento, mas nunca do meu coração. Você é dona do meu coração ou já se esqueceu disso? Nunca disse essas coisas pra ninguém. Porque eu nunca senti isso por ninguém. E eu te respeito. Nunca te trai, nunca pensei em estar com outra, porque você me completa como ninguém. E eu vou te esperar mudar de ideia. Não vou ficar com ninguém até você voltar pra mim. Entendido? Você é minha, Charlotte. - Nicolas disse enquanto chorava e Char fazia o mesmo. - Deixa eu te ajudar com as suas malas. - Ele disse e colocou as malas dela dentro do carro. - Obrigada. - Char agradeceu e o abraçou. Os dois fecharam os olhos e se calaram. Só o que era ouvido eram as batidas de coração de ambos que batia no mesmo ritmo. - Eu te amo. - Nicolas disse assim que soltou Charlotte. Ela não respondeu nada e entrou em seu carro. Ela ligou o carro e disparou até sair do condomínio. Nicolas olhou para o carro de Charlotte sumindo entre outros carros e ouviu a porta da garagem se fechando. Ele secou as lágrimas, mas logo recomeçou a chorar. - Eu te amo. - Nicolas repetiu sozinho no meio do estacionamento e saiu andando até o elevador.