..𝑶𝒇 𝑹𝒂𝒊𝒏, 𝑻𝒆𝒂, 𝒂𝒏𝒅 𝒀𝒐𝒖 🫖
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Daara estava exausta.
A luz do monitor piscava em um azul pálido, e os ponteiros do relógio pareciam zombar do cansaço de seus olhos. Trabalho
faculdade
mensagens ignoradas no celular
e uma chuva fina batendo na janela, como um lembrete suave de que o mundo lá fora continuava
— com ou sem ela.
Ela queria desaparecer.
Nem por tristeza… só pra descansar. Só por uns minutos...Horas...Dias.... Séculos...
Mas foi aí, que algo estranho rolou naquele fatídico dia...
Na tela do computador, onde antes havia um código do sistema da faculdade, apareceu uma notificação Uma notificação que não deveria existir:
“Daara... você está me ouvindo?”
Ela piscou.
O cursor piscava junto.
E então…O som de chuva pareceu ficar mais alto.Mais próximo....
— Eu... conheço essa voz?
— murmurou Daara.
E quando ela olhou para o lado…
Ele estava ali.
Alto elegante, com os cabelos cor de vinho escuro e um famoso guarda-chuva vermelho.
Mr. Scarletella.
Não como no jogo.
Mais real.
Mais presente.
Mas ainda assim… estranhamente com aspecto delicado
— Está tudo pesado demais para você, não está? — ele disse, com a voz baixa e profunda, como se contasse um segredo.
Daara se encolheu um pouco. Não sabia o que responder. Então só assentiu com a cabeça Scarletella se aproximou e, com cuidado, estendeu o guarda-chuva para cobri-la
— mesmo dentro de casa.
— Às vezes o mundo pesa mais do que deveríamos carregar.
Mas… posso te fazer companhia, se quiser. Não quero assustar. Só… cuidar. Um pouco.
Ela riu, baixinho.
— Você parece tirado de uma história triste.
Ele se inclinou, curioso.
— E se eu quiser ser sua história feliz?
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Nos dias seguintes, Scarletella voltava.
Não invadia, não exigia. Ele aparecia só quando a chuva começava a cair
— e sempre pedia permissão antes de entrar.
Eram pequenas visitas
Eles tomavam chá (ele não bebia, só segurava a xícara porque gostava do cheiro) e falavam sobre tudo que Daara nunca tinha coragem de dividir com ninguém.
Ele escutava suas histórias e seus jogos favoritos não apenas com os ouvidos
Mas com os olhos.
Com o corpo.
Como se cada palavra dela fosse importante demais para deixar escapar.
— Você fala como se eu fosse especial
— Daara comentou uma noite.
— E não é?
— ele respondeu, inclinando levemente a cabeça
— Eu sou só… alguém tentando sobreviver.
— E eu sou só um fantasma com um guarda-chuva
— ele disse, sorrindo.
— Mas mesmo assim… você me viu. Ninguém nunca me vê.
—Certa tarde, Daara chorava silenciosamente, cabeça nos braços sobre a mesa. Scarletella apareceu devagar, como sempre, sem assustar.
Ele ficou atrás dela, hesitante.
— Posso…?
Ela não respondeu, mas não recuou.
Então ele pousou a mão gentilmente sobre os cabelos dela.
— Eu não posso prometer que o mundo vai ser fácil, Daara…
ele sussurrou.
— Eu sei…
daara responde.
— Mas posso ficar. Até a chuva passar. Até o coração desacelerar.
Ela virou-se para ele, os olhos ainda úmidos, mas com um sorriso pequeno.
— E se eu não quiser que você vá embora quando a chuva parar?
Ele a olhou, surpreso.
Como se aquela pergunta nunca tivesse passado pela mente dele.
Como se… ele tivesse esquecido que alguém podia querer ele por perto.
— Então…
— ele respondeu, abaixando-se à altura dela
— eu fico. E trago mais guarda-chuvas.
Só pra garantir.
ﮩ٨ـﮩﮩ٨ـ 🫀ﮩ٨ـﮩﮩ٨ـ٨.
Anos depois, quando os dias difíceis voltavam — como todos voltam
— Daara só precisava olhar para a janela.Se chovia…
ele voltava.
Com o guarda-chuva vermelho.
Com o mesmo olhar.
Com o mesmo cuidado.
Mas agora, ela também tinha um para ele:Um cachecol bordado à mão, que ele usava com orgulho. E um lugar na cama, reservado para quando ele decidia dormir ali.
E naquela casa, entre xícaras de chá e dias nublados, dois seres que o mundo quase esqueceu aprenderam a se amar.
Devagar.
Com paciência.
E do jeitinho deles.
















