CRUPIÊ.
E fiquei assim: como quem joga cartas na mesa contando com a sorte do crupiê. Você, quase sempre imóvel, porém inconstante, me disse meia dúzia de palavras frias e se despediu.
O vazio é sempre a ausência de algo importante, nunca de uma coisa qualquer. É assim: aos poucos perde-se o costume de olhar para a mesma coisa da mesma forma, e de novo, e de novo.
Você reclamava da minha falta de paixão pela vida, mas eu acordava cedo, passava um café preto e tomava o primeiro trem lotado para pagar boletos. Quer mais paixão que essa?
Depois, amontoava-se uma pilha de afazeres pela casa, ligações e uma série interminável de pendências. Você saindo pela porta principal, com mala e tudo, e eu no sofá, impávido.
Ficou apenas um monte de livros que agora já não são montes, são apenas livros. O vazio, por sinal — agora vazio mesmo, imutável.
E eu, que joguei as cartas por habilidade, nunca tive sequer sorte. Perdi. Todas as vezes.






















