☾and the worst part is there's no one else to blame☽ inoue and elease
elease-walsh:
–Tokyo? Uau, isso é muito legal. O lugar mais longe que eu já fui foi a Vermont. Meus pais acharam que seria legal nos mostrar uma cervejaria artesanal. É, não foi. – Ela riu, percebendo que, mais uma vez começara a tagarelar sobre a própria vida. Os amigos da escola já haviam alertado: ela era um doce, ainda mais quando ficava quieta. Elease analisou a moça, tentando decidir se o rosto abatido era o frio da água ou havia algo mais. Era difícil dizer com a maquiagem derretendo pelo seu rosto. – Já estamos chegando.
Elease tirou as chaves da bolsa duas quadras dali, quando estavam diante do seu prédio. Enfiou-as na porta e lhe deu o empurrão usual para que se abrisse. Ela morava no térreo, o que era péssimo por causa do barulho a noite toda. Abriu a porta, deixando que sua convidada entrasse primeiro.
Seu apartamento era bem pequeno e ela sabia. Só tinha uma TV - ainda aquelas de tubo que puxavam os pêlos de seu braço quando ela a ligava - e dois grandes pufes no lugar do sofá. Seu quarto tinha a porta fechada e a cozinha era formada de duas bancadas com armários, uma geladeira, um microondas, um forno elétrico e um fogão antigo.
Ela entrou logo em seguida, apontando sua secadora perto da cozinha, logo ao lado da lavadora.
–Vou pegar uma toalha para você.
A moça foi até o armário do quarto, pegando sua toalha mais nova, com pandas estampados - ela adorava ursos pandas - e entregando-a à outra. –Você pode usar o banheiro se precisar.
Vermont... É um estado. Bom, deve ser. É, passaram-se o tempo em que Inoue era boa em geografia. A partir disso, começou a lembrar-se dos lugares que já visitou, seja para um photoshoot, desfile ou semana de moda. Antes de se mudar, visitou New York bastante vezes, e apenas uma delas foi para visitar. Seu trabalho era cansativo, apesar de tudo que dizem sobre modelos. Não é apenas olhar para uma câmera e fazer carão. É muito mais que isso. São muitas as cobranças. Tem que ser magra, tem que estar depilada, tem que estar bonita todos os momentos, o cabelo tem que ser lindo. Chegou um momento em que Inoue parou que esquentar a cabeça com tudo isso e deixou que as pessoas contratadas cuidassem do exterior. Ela, por sua vez, ficou a cargo da parte interior - e vem fazendo um péssimo trabalho.
— Nunca fui a uma cervejaria artesanal, mas viagens deste tipo são sempre tediosas — Inoue a respondeu com humor, observando as feições do rosto da garota. Era muito bonita. Tinha traços fortes, um rosto forte. Linda, de um jeito simples e natural. Percebendo o olhar da garota, passou a mão debaixo dos olhos e a encarou. Pela cor de lá extraída, seu rosto devia estar parecido com o de um panda. Suspirou. Sua cabeça latejou e ela reparou o quão cansada estava. Ugh.
Ela entrou no apartamento de Elease, tirou os sapatos por costume e educação e os deixou na porta, aproveitando a sensação gelada nos pés. Não olhou direito para os móveis e nem para a arquitetura do local por apenas não se importar. Não era muito de ficar reparando nos domínios das pessoas, e não gostava de parecer esnobe. Ela massageou o pescoço esperando a garota voltar e pegou a toalha das mãos dela. — Obrigada, Elease. — murmurou olhando para baixo e se impediu de curvar o corpo em forma de agradecimento. Limitou seus movimentos a apenas marchar até o banheiro indicado pela loira.
Lá, pendurou a toalha no apoio do box e respirou fundo, deslizando a roupa pelos ombros e quadris. O ar frio imediatamente arrepiou sua pele e a japonesa não se importou, delicadamente entrando dentro do compartimento e o fechando, se acostumando com a sensação fria proporcionada pelo chão levemente molhado. Abriu o registro sem pressa e sem reparar que o chuveiro estava desligado, tendo noção disso apenas quando a água fria atingiu sua pele com força. Ao invés de esquentar a água, ela fechou os olhos e enfiou a cabeça na cachoeira que atingia seus cabelos negros. Seus músculos foram relaxando gradativamente e ela não se moveu, limitando-se a apenas aproveitar. Depois de um tempo, lavou o rosto com o sabonete rosa deixando a água negra escorrer.
Secou-se com a toalha de panda oferecida pela dona da casa e saiu dali, a pele arrepiada pela mudança de temperatura. Pegou suas vestes deixadas no chão e saiu do banheiro, procurando a secadora que Elease tinha a indicado. Jogou-as lá dentro de qualquer forma e apertou qualquer botão ali. Sua cabeça estava relaxada, ela reparou quando passou as mãos pelos cabelos curtos grudados em sua nuca. Só então reparou que a outra não havia oferecido roupas a ela, então deduziu que não se importava que a garota andasse nua por sua casa. Da mesma forma, seu corpo se arrepiou com a ideia e seu rosto ruborizou. Caminhou até onde a garota estava e moveu os dedos desconcertada, pensando que estava incomodando — Elease... Pode me emprestar uma roupa?










