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As pernas continuavam a balançar enquanto aguardava que Deborah ficasse pronta. Massageava as têmporas na tentativa de diminuir seu stress, optou por não retrucar as falas da outra pois a situação já estava insuportável demais. Quando a loira parou ao seu lado, finalmente levantou a cabeça e correu os olhos sobre ela. "Você vai com isso?" Perguntou, arqueando a sobrancelha. Não entendia aquele incômodo, seria inveja? Provavelmente, Deborah tinha ficado linda naquela peça e chamaria bastante atenção. Ou seria preocupação se ela sentiria frio ou ficaria muito exposta devido ao modelo do vestido? Ciúmes? Isso não, era impossível, a opção mais racional era só implicância mesmo.
Soltou um arzinho pelo nariz e deu de ombros, depois da provocação final da Schafer. Lerda, você vai ver quem é lerda. Pensou e revirou os olhos, seguindo a outra por detrás da janela. Já estava pegando a prática, então a descida não amassou tanto sua calça cargo preta, a camiseta da mesma cor e o corset vermelho por cima.
Assim que alcançou o chão, já foi em direção à motocicleta, retirando dois capacetes de dentro do porta-objetos. Falou baixinho, entregando um capacete em direção à Deborah: "Eu vou ligar, mas só posso dar partida quando a gente estiver mais longe." Girou a chave da moto e ainda pé, segurando no guidão, começou a guiá-la para longe da casa. "Quando a gente der partida, você segura direito, mas não precisa me agarrar. Só segura o suficiente pra não cair e eu ter que levar no hospital." Resmungou, ainda em voz baixa para a loira. "Ou pior, você morrer. Daí eu vou presa, nunca mais vou ver meu pai e nem ter paz no meu quarto." Continuou seu devaneio, dramática e rabugenta.
Fez um biquinho fingido com a pergunta dela, como se concordasse que não queria ir com ele. "Eu sei, queria que fosse justinho, ia chamar mais a atenção." respondeu e apoiou as mãos no decote dele, sob seus seios. "Mas tem um belo de um decote e é curto, então da pro gasto!" Sorriu de volta, em uma bela atuação. Não sabia exatamente porque estava fazendo essas provocações em específico, talvez fosse apenas para mostrar como ela era bonita e que iria ter toda a atenção do lugar que Jolene costumava ir para ela. O ego de Deborah era de um tamanho considerável para isso, inclusive para desconsiderar como a outra também parecia tão bem vestida, para não dizer outras palavras como bonita.
Não foi tão fácil quanto imaginou que seria descer, seu vestido prendeu em um momento, teve que soltar, mas por fim conseguiu. Foi com ela até a moto e pegou o capacete quando entregou, ficou assentindo com a cabeça enquanto ela falava, como se fosse óbvio tudo o que estivesse falando, mesmo que prestasse atenção para saber o que fazer. "Você acha que eu nunca andei em uma moto? Eu sei o que fazer." Murmurou baixo, o pior era ter que discutir em silêncio para não serem pegas. "Pelo menos ia ser um pós-morte bom já que eu ia poder rir bastante de você sendo presa."
Colocou o capacete em seguida e esperou para subir com ela e fazer como havia sido instruída, com o corset que ela usava, era difícil segurar em tecido em sua cintura para dar estabilidade sem ter que segurar no corpo dela, então teve que segurar firme no local com as mãos em cada lado, provavelmente mais do que a morena gostaria, mas tinha que se assegurar que não iria cair.
Deixou um risinho escapar em uma lufada de ar assim que ouviu a resposta. Ficou parada por alguns segundos, esperando que a outra respondesse a pergunta de verdade. Logo percebeu que aquela resposta era séria. "Oi?" Questionou apesar de ter escutado muito bem. Ter companhia na escapada noturna da semana não estava nos planos de Jolene. Muito menos quando essa companhia vinha em forma de um demônio loiro, denominado Deborah Schafer.
"Mas você não vai ter nada pra fazer lá, sério..." Tentou replicar mas a loira já estava revirando a mala. Se tivesse tempo teria insistido nos argumentos, mas já estava atrasada. Soltou um suspiro profundo, em uma pose de derrota, descruzou os braços e virou de costas.
"Que droga..." Murmurou enquanto encarava a janela. Sentiu um leve rubor nas bochechas só de cogitar ver Debbie trocando de roupa, não entendeu muito bem o motivo, mas devia ser o stress de toda aquela confusão, claro..."Ugh, eu vou te levar, tá bom? Não precisa contar nada para a tia Beth..." Em uma demonstração de maturidade, usou um tom infantil e zombeteiro ao remendar a fala da Schafer. "E vai rápido, já estou atrasada. Vamos na minha moto então não usa nada complicado demais...S-só vai logo..." Sua voz saiu mais baixa e tremida ao final, depois de perceber que conseguiria enxergá-la pelo reflexo da janela. Inclinou a cabeça, a fim de evitar a vista e resmungar consigo mesma sobre como poderia ter se preservado daquela situação.
Um sorriso surgiu em seus lábios ao ver ela demorando para acreditar, mesmo que tivesse de aguentar o caminho com ela quando poderia apenas aproveitar a noite sozinha no quarto, sabia que ela teria que aguentar Deborah durante o caminho. A matemática era simples, a sua infelicidade era anulada quando Jolene também ficava infeliz. Deu de ombros com a justificava de que não teria o que fazer, pois acharia algo, isso não era um problema para Debbie, nem que tivesse que ir sozinha para outro lugar por perto. "Eu sempre tenho o que fazer." Se animou ao perceber que ela não ia ficar insistindo em não levar e aproveitou que se virou, para trocar de roupa. "Não se preocupa, quem tiver lá vai me adorar." Ainda deu olhada por trás dos ombros enquanto terminava de colocar o vestido para garantir que Jolene não olhava, quase como se quisesse que ela estivesse olhando, mas para poder ter algo para xingar ela, é claro. "É só um vestido, não é nada complicado." Respondeu vestida com um curto e soltinho, considerava que os justos fossem ser piores pra andar de moto.
Terminou de se arrumar rapidamente, não fazendo mais do que passar perfume e colocar um tênis. Se aproximou de Jolene em silêncio, parando em seu lado, mais perto do que precisava, "Na próxima tenta ser mais rápida e não tão lerda que não vai precisar me levar." Provocou e colocou um dedo em frente a própria boca em um sinal de silêncio para começar a passar pela janela. Não era algo que estava tão acostumada, fugir de casa, mas hoje o dia pedia por isso.
Enquanto caminhavam em direção à sala, desligou o rádio para evitar reclamações sobre o seu gosto musical natalino. Tudo em nome do espírito do feriado. Ao ouvir o comentário da loira, demorou um momento para reagir. Aquilo tinha sido um elogio? É pra meias, não pra mim, né. Pensou, embora tentasse se convencer do contrário. Uma sensação quentinha de alegria e de orgulho tomou conta de si ao ver sua arte sendo admirada e muito bem apreciada por ela. A última pessoa no mundo que iria elogiar Jolene em algo assim, de graça.
Limitou-se a menear a cabeça em resposta, o sorriso discreto de canto logo deu lugar à uma expressão de concentração. "Well, temos várias aqui na caixas, então temos que arrastá-las até a entrada" indicou, apontando para as pilhas de papelão antes de se agachar, buscando uma posição que facilitasse empurrá-las. "Tem outro detalhe...Nossa escada tá com o Senhor Burnet da outra rua. E, cê sabe, eles sempre viajam nessa época, né? Então, uma de nós vai ter que levantar a outra pra colocar as luzes no topo" Desviou o olhar das caixas e encarou Deborah, esperando alguma reação ou farpa como resposta. Elas já tinham escapado juntas de uma janela, pendurar luzes não seria tão complicado...ou assim esperava.
Devia ser o espírito natalino que tomou conta de Deborah para ela não ter dado meia volta e saído dali enquanto ouvia cada empecilho para o que tinham que fazer. Franziu o nariz de leve ao ouvir sobre as caixas, mas não conseguiu evitar jogar a cabeça para trás e bufar quando soube sobre o fato de que não teriam uma escada para ajudar. "É sério isso?" Para ser justa, o problema nem era Jolene em si, pois provavelmente teria a mesma reação com qualquer pessoa. "Isso só pode ser obra do Grinch querendo testar minha boa vontade." Fez a brincadeira de forma rabugenta, mas poderiam considerar como um avanço, Deborah não fazia piadas em frente a ela se não fossem sobre ela.
Foi até as caixas que ela tinha se abaixado para empurrar e ficou do outro lado, de frente para Jolene a fim de puxar elas enquanto a outra empurrava. "Você vai me levantar primeiro... se for fraca demais e não aguentar, eu posso te levantar." Respondeu contragosto antes que ela desse a ideia contrária, mesmo que em sua cabeça fosse ser mais fácil para Debbie ajudar a levantar Jojo, era sua forma de deixar o pior para ela e ainda ajudar como lhe foi mandado por sua mãe. "Ok, vamos lá." Falou e começou a puxar as caixas para a entrada. Quando terminaram, colocou as mãos na cintura, olhando para a cara que teriam que enfeitar. "Pronta?"
𓂃♡ a christmas starter from jojo to debbie (@folksmumu)
Jingle bell, jingle bell, jingle bell rock Jingle bells swing and jingle bells ring
A música ressoava no rádinho de bolso de Jolene que caminhava pela grande sala, repleta de caixas organizadoras. A poeira irritava o nariz mas não o suficiente para deixá-la de mau humor, sim, Jojo não estava emburrada e até retribuiu o bom dia do carteiro. Seria chocante se não fosse Natal. A garota estava empenhada em finalizar a decoração e finalizar sua lista de tarefas natalina, o pai iria passar o feriado com elas e Jojo não conseguia disfarçar a felicidade.
"What a bright time, it's the right timeee, to rock the night awayyy" Cantarolou enquanto enfileirava as meias natalinas acima da lareira. Assim que finalizou, colocou as mãos no bolsos e admirou o trabalho, orgulhosa. Agora precisava colocar os pisca-piscas ao redor da casa, a parte mais difícil pois precisaria da ajuda dela. Diminuiu o som do rádio e foi ao cômodo onde a outra estava. "Hm, Deborah..." o tom de voz calmo e baixo, os olhos mudando de foco a cada segundo, só para não precisar encará-la. "Você tá ocupada? Preciso de ajuda para colocar as luzes lá fora." Encostou-se na parede, enquanto aguardava a resposta, a melodia natalina abafada ainda soando do bolso.
O clima de natal era perceptível, todos estavam mais felizes nesses dias, inclusive Debbie e Jojo. Nem tinham se alfinetado tanto durante o dia. Como no momento estava encarregada de ajudar a outra se precisasse, falou um tô logo ali se precisar e foi para a cozinha comer e ficar no celular, não iria abusar da boa vontade das duas de terem uma boa convivência se não fosse necessário, pelo menos estava a postos se ela precisasse. Principalmente quando percebeu que ela trabalhava escutando e cantando músicas natalinas, com certeza se fosse outro dia, teria feito alguma piada sobre isso.
Terminava de comer uma bolacha quando ela apareceu. Levantou o olhar ao ouvir seu nome e balançou a cabeça em negação enquanto ainda estava de boca cheia, mesmo que Jolene não a olhasse, logo levantou. "Vamos lá." Falou indo em direção a sala. Observou tudo o que tinha sido feito e não conseguiu evitar um sorriso ao ver as meias penduradas. "Awn, a lareira cheia de meias." Comentou mais para si mesma, muitos natais eram apenas Deborah e sua mãe, fazendo com que fosse um tanto vazio. Deu uma olhada rápida para Jolene, quase com vergonha de ter falado algo normal em frente a ela. "Onde tá as luzes?" Perguntou para voltar ao seu foco. Pensou por um segundo e mexeu nos fios de cabelo perto da nuca. "... Quer ajuda pra levar pra fora?" Ofereceu ajuda um tanto sem graça por não ser algo que estava acostumada a fazer com ela.
A brisa gelada da noite entrou em contato com a pele de Jolene, assim que ela abriu a janela e colocou uma perna para fora, mas o arrepio que sentiu não fora causado pela corrente fria, mas sim por aquela voz. "Você está fugindo?", naquele tom de voz inconfundível de Deborah. "Fala baixo!" Exclamou, mais alto do que deveria, considerando que ela estava pedindo silêncio. Colocou a perna de volta para dentro do quarto e fechou devagarinho, evitando mais barulho. Estava se xingando mentalmente de todos os palavrões possíveis, se não tivesse demorado enrolando no celular, já estaria fora de casa. Tinha arrumado a cama, colocando cinco travesseiros e um lençol por cima. Claro que aquilo não enganaria Deborah, mas Jolene tinha a mania de dormir toda coberta, parecendo um defunto, então aquilo seria o suficiente caso sua mãe decidisse abrir a porta do quarto.
Agora estava ali, tendo que se explicar para a sua colega de quarto nada querida. Seus olhos se arregalaram ao escutar a loira ameaçando contar o segredo para sua mãe, mas logo disfarçou, fechou a cara e cruzou os braços. Jolene não era mais criança, mas sabia que a mãe faria um escândalo se descobrisse e poderia tomar o seu bem mais precioso: sua motocicleta nova,
"Para um lugar onde princesas boazinhas não podem ir, Debbie" Uma explicação vaga, dramática e até infantil para descrever um passeio na Alameda 57, local conhecido pelas festas noturnas organizadas por sujeitos de índoles questionáveis. "O que você quer para ficar de bico calado? A cama só pra você? Um kit de maquiagem? Hein? Fala logo."
Prestou atenção nela com muita atenção, estava se divertindo com a situação, realmente a única coisa que podia ter deixado aquela noite mais razoável era poder ver Jolene fazendo algo errado e saber que tinha a chance de dedurar ela. Talvez não tivesse realmente intenção de a dedurar, já que ela sair e deixar o quarto só para a Deborah durante a noite seria algo bom, mas o pensamento que poderia fazer isso, a deixava satisfeita. Revirou os olhos com a fala que não poderia ir e fez uma careta com as ofertas de suborno. Tudo isso alimentou uma sementinha em sua mente. "Eu quero ir junto." falou com convicção. Era loucura querer sair com a Jojo, mas achava injusto apenas ela sair para se divertir e ter que ficar em casa, iria então aproveitar a carona. "Eu não vou ficar perto de você, seja lá onde a gente for, porque isso seria terrível, mas eu vou ir, não vou ficar aqui dormindo e te acobertando." Negava com a cabeça ao falar o final.
Andou até sua mala e mexeu até achar um vestido decente pudesse colocar para sair. "Vira de costas, não quero você me olhando." Falou se virando também para tirar a roupa assim que ela virasse. "E se você falar que não vai me levar, eu conto para a tia Beth." A ameaça saiu de forma infantil, principalmente por chamar a mãe da outra pelo apelido e por tia.
Às vezes, Ashley ainda se pegava pensando naquela noite. Sua mente sonhava com os lábios de Claire e o cheiro do mar, tudo para no fim acordar de abrupto e sem fôlego – e não era a primeira vez que passava por isso. Seria um desejo que, como tantos outros, iria reprimir até empurrar para os cantos mais ocultos da mente, sem buscar as origens ou os porquês. E assim seguiu, como se nada tivesse acontecido, enquanto a vida transcorria no seu curso "natural". Os O'Neal reagiram com um entusiasmo quase sufocante à notícia do casamento, rapidamente assumindo as rédeas das suas escolhas. Troy também tinha suas próprias ideias de como tudo deveria ser, abandonando Ashley como uma espectadora silenciosa do próprio casamento.
Mas podia piorar. O que fugia ao seu entendimento era o fato de Troy ter contratado uma empresa para cuidar de todos os preparativos, desde os estupidamente pequenos até os mais importantes. Ao ser levada à agência, alarmou-se com a impessoalidade do atendimento, visto que a tratavam como mais um item em uma lista de compras. No momento em que começaram a apresentar sugestões para os detalhes, inclusive seu vestido, seu queixo caiu. No tablet, exibiram a imagem de um vestido cuja imagem parecia a de um pavão. Foi a primeira vez que Ash se opôs abertamente, horrorizada em como a cerimônia se assemelhava a tudo, menos ela.
Exaurida com todo o presente, Ashley decidiu que, pelo menos uma vez, tomaria uma decisão sozinha. Ela escolheria o vestido. No dia de prová-lo, chamou apenas Claire para acompanhá-la; as outras madrinhas, namoradas dos colegas de Troy, eram praticamente estranhas para ela – não duvidaria se fossem obra da empresa –, e convidá-las quebraria sua privacidade. Nem mesmo sua mãe foi comunicada a respeito, ciente de que a mulher faria do provador seu inferno particular. Mais tarde, certamente haveria uma reação explosiva por parte da sra. O'Neal, com todas as expectativas e tradições; porém, por ora, não importava. Isso era um problema para depois.
Ao ser conduzida para as opções de vestidos, havia um nervosismo sutil no sorriso de Ashley e uma hesitação em cada olhar que lançava aos tecidos. Apesar disso, como sempre, os comentários de Claire suavizaram o momento, arrancando uma risada da loira. "É, faz sentido... Não posso dizer que estou ansiosa por esse, mas vamos lá!" Disse bem-humorada ao seguir o caminho, guiada pela vendedora. A funcionária insistia em ajudá-la a vestir a peça, porém Ashley, ao menos por um dia dona de si, manteve-se firme em sua decisão de se trocar sozinha. Péssima ideia. Ao puxar o vestido com cuidado, ajustando-o em seus ombros, sentiu o zíper lateral deslizar até certo ponto, travando de súbito. Tentou forçar um pouco, apenas para descobrir que ele se recusava tanto a subir, quanto a descer. Uma onda de frustração a invadiu, e, ao se olhar no espelho, percebeu que seu decote estava exposto demais. E continuaria assim, se não desse um jeito logo. "Clai?" Chamou com a voz baixa e relutante. "Você pode me ajudar aqui? Acho que o zíper travou..."
Esperou ela se vestir quando viu uma garrafa de champanhe na mesinha ao lado do sofá que estava. Decidiu servir duas taças para que elas bebessem enquanto viam os vestidos, Claire imaginava que não era uma decisão fácil e rápida em meio a tantas opções bonitas. Deu o primeiro gole quando ouviu Ashley chamar, mesmo que baixo, a fala seguinte fez ela dar um sorriso ao se levantar e deixar a taça para ir até ela ajudar.
"Viu só?" Começou a falar de forma humorada ao chegar perto do vestuário "É o destino falando que ele não é para ser o escolhido..." Completou abrindo a cortina que separavam elas, não continuou falando, pois sua atenção mudou para o reflexo dela no espelho, mais especificamente para o decote dela. Seu sorriso vacilou por um segundo e foi o suficiente para se culpar por olhar para ela, mesmo que muito rapidamente, de uma forma diferente. "Deixa eu tentar." Falou para voltar a se concentrar também esperando que ela não tivesse percebido.
Manteve uma distância dela e levou uma mão para puxar o zíper, ao não conseguir de primeira tentou ainda segurar com a outra a parte de cima, mas sem sucesso. "Ok, esse é difícil, mas vou conseguir, licença." Falou com certa educação no final e teve que se aproximar, deixando seu corpo a centímetros do dela. Olhou para o rosto dela por segundo antes de voltar para o vestido, segurou os dois lados nas pontas, fazendo com que seus dedos ficassem contato com a pele dela, e então fez o esforço com o próprio corpo, acabando por encostar no dela por um momento, mas por fim conseguiu fechar. Sorriu satisfeita e olhou para Ashley. "Fechou!" Colocou cada mão em um lado da cintura dela, para posicionar a amiga melhor em frente ao espelho e ficou bem atrás dela, ainda mantendo a aproximação de antes, para conseguir ver o vestido pelo espelho também. "Pode arrumar melhor." Se referiu para se ela quisesse puxar mais ele.
Percebeu que uma alça dela havia caído e para arrumar levou sua mão, tocando dois dedos no meio do braço dela e passando eles para cima com delicadeza para pegar a alça e colocar no lugar de novo, tudo isso enquanto olhava o que fazia pelo espelho. Com o vestido arrumado, voltou com a mão para a cintura dela e se manteve olhando para o espelho, e para ela, por um momento, a fim de analisar como tinha ficado, mas no fundo estava a admirando. Ela estava linda, estava como um sonho, e se ela conseguisse ler seu olhar, saberia que era isso que Claire estava pensando. "Você conseguiu deixar ele lindo." Comentou em um tom baixo por estar perto demais dela, seu olhar foi para a orelha dela em sua frente e em seguida para o reflexo do espelho para os olhos dela, mantendo um meio sorriso no rosto.
⭒˚‧ ︵‿⭒ closed starter for @poohmatch "even if it kills me to see you in that wedding dress"
Claire sentia que havia superado. Tudo o que precisava era alguns dias para processar que Ashley iria casar e tudo ficaria bem. Ignorou completamente o fato que nunca fora um problema empurrar tão fundo seus sentimentos que por vezes até esquecia deles, Claire era muito boa nisso afinal, tinha feito para diversos assuntos durante sua vida toda, inclusive quando o assunto em específico era Ashley. Os dias para superar foram, na verdade, dias para poder voltar a esconder o que sentia.
Aceitou então prontamente quando recebeu o convite para no mesmo dia ajudar a escolher um vestido de casamento. Achava até que teria mais funções como madrinha, como ajudar a escolher as flores da decoração ou os tecidos dos guardanapos, mas como não foi o caso e parecia que nem Ashley precisava escolher isso, iria aproveitar no que podia ajudar. Chegou então animada no local, considerava que o dia do vestido devia ser o mais legal na organização do casamento, além de ser uma atividade esperada de se passar um dia com as amigas, principalmente sendo madrinha dela. Olharam vários vestidos com a vendedora, escolhendo algumas opções conforme o gosto de Ashley para começar a experimentar. Foram então para a sala privativa do provador, Claire começou a olhar cada uma das opções, analisando elas melhor até pegar um vestido e entregar para a amiga. "Experimenta esse primeiro." Falou com um sorriso e foi se sentar no sofá para esperar. "Ele é que eu menos gostei e quero que você experimente rápido pra eu poder falar pra ir pro próximo logo." Admitiu com humor, segurando um riso no final da frase.
Sorriu quando ela falou que também sentia orgulho, mas sua expressão logo mudou, apertou os lábios enquanto ela falava. "Eu queria tanto que você pudesse se ver da mesma forma que eu te vejo." Falava baixo, em um pesar por ela não conseguir ver como ela era incrível, sabia que muitas vezes ela mesmo acabava se colocando para baixo, principalmente porque as pessoas faziam isso com ela, como a própria mãe dela, e isso doía em Claire, não poder fazer nada enquanto via tudo acontecendo. Ela seria a pessoa com o maior amor-próprio do mundo se enxergasse como ela era, afinal não tinha como não amar alguém como Ashley.
Porém, logo se distraiu com a aproximação dela, conseguia observar os mínimos detalhes do rosto dela, e Howey facilmente poderia se perder nisso por muito tempo, mas tentou manter seu foco na fala dela, continuou olhando com certa preocupação por ver que ela mesma parecia preocupada. Se manteve em silêncio para dar o espaço dela terminar o que queria falar, mas acompanhou o olhar dela descendo, e seu corpo automaticamente ficou tenso, por um segundo esqueceu sobre o que ela falava, enquanto descia o próprio olhar para a boca dela também. Percebeu que segurava a respiração agora, como se a qualquer passo em falso de seu corpo, poderia fazer sem pensar algo que não devia.
O toque do celular, no entanto, fez com que Claire levasse um sobressalto, deu um passo para trás na mesma hora, ficou com um amargor na boca, como se tivessem sido pegas no flagra em um momento que não deveria. Assentiu com a cabeça quando ela disse quem era, e assim que O'Neal atendeu, conseguiu ouvir o tom de voz dele saindo pelo celular, mesmo que não desse para ouvir a fala, decidiu dar mais uns passos para trás, dando espaço para ela. Ainda segurava a garrafa de vinho, então achou o momento certo para dar longos goles dele. O sabor não parecia estar tão bom quanto antes. Sorriu quando ela falou após terminar a ligação. "Claro, vai lá." Falou de forma suave, percebendo a forma que a amiga tinha falado, não queria que ela se sentisse mal por ter que ir. "Obrigada por vir contar, me convidar pra ser madrinha e... Por esse momento." Completou, olhando para o mar por uns segundos. "Se precisar de mim, eu to aqui, podemos conversar depois com tempo se for necessário." Dessa vez se referia ao que ela tinha começado a dizer antes. Sorriu largo novamente e fez um sinal para ela sair. "Agora vai lá, vou ficar aqui mais um pouco. Teu noivo ta te esperando!"
As palavras de Claire pegaram Ashley desprevenida. Ela sorriu, mas seus olhos diziam mais: mostravam o quanto aquilo a tocava. No meio de tantas reações brutas e explosivas, a amiga lhe oferecia paz, consolo e carinho. Temia não conseguir retribuir à altura; Ash era uma bagunça ambulante, sempre fora. Mas, aos olhos de Claire, ela era alguém digna de amor, de orgulho. E, naquele momento, isso era suficiente. "Eu não sei se algum dia vou conseguir." Admitiu. "Mas o jeito como você me vê já é o suficiente para me fazer querer tentar. Obrigada, Claire. Por tudo." Pronunciou do fundo do coração.
A aproximação a deixava fora de órbita, como se estivesse a um passo de cruzar limites que jamais imaginara. Os lábios de Claire. Por quê? Essa dúvida rondaria sua cabeça por dias, semanas. Talvez para sempre. E então, veio a interrupção. O telefone. E Troy, como sempre, atrapalhando o que era apenas delas. Apesar de tudo, Claire a confortou, tratando a situação com calmaria. Foi nesse momento que Ashley percebeu, de novo, como amava sua amiga. Howey nunca a julgava, não importava o caos ao redor. Era, sem dúvida, a melhor amiga que poderia ter.
"Não tem o que agradecer! Ter você ao meu lado é o que me faz feliz." Guardou o celular novamente no bolso e segurou as mãos dela nas suas, de modo a enfatizar as palavras. "Eu... amei hoje." Confessou, sentindo as bochechas esquentarem ao fazer isso. No entanto, não tardou a se recobrar dos compromissos e assentir, o que contaminou sua expressão por um momento. Havia de lidar com a realidade; Troy estava bravo, e a noite nunca acabava bem quando estava assim. "Okay, vou pegar as minhas coisas. Até mais, Clai. Se cuida!" Despediu-se sem realmente querer o fazer, recuando alguns passos enquanto as mãos se estendiam no ar, os dedos aos poucos se desprendendo um do outro. Quando livre do toque, caminhou de costas por alguns instantes, mas acabou tropeçando de forma engraçada. "Eu estou bem!" Antecipou, soltando uma risada. Até que desviou o olhar e se virou.
Ao mirar o anel de noivado no dedo, algo lhe sussurrava que nunca mais conseguiria voltar àquele momento. Era, de fato, um adeus.
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As poucas horas que estava passando na casa das Parks, Deborah tinha tido a confirmação do que já sabia que seriam longos dias, teria que treinar muito bem sua paciência para todos eles. Tudo o que estava acontecendo já era estressante o suficiente para qualquer pessoa, ficar de hospedagem na casa dos outros por não poder voltar para a sua própria, nunca era algo bom, mas naquela situação estava pior ainda para si. Durante todo o jantar trocou tantas farpas e olhares atravessados para Jolene que já tinha perdido as contas. Elas tentavam se controlar por causa de suas mães, mas era muito difícil. Ainda por cima teriam que dividir o mesmo quarto depois, Deborah esperava não acordar enquanto a outra tentava sufocar ela com um travesseiro.
Deborah foi a última tomar banho depois do jantar, queria um tempo calmo para passar seus cremes, fazer sua skincare noturna e tentar relaxar um pouco. Tinha deixado avisado para Jolene que iria demorar, o problema que estava acostumada a fazer boa parte do que queria em seu quarto, então não estava acostumada a levar tudo para o banheiro. Só depois que já estava no banho percebeu que havia esquecido sua necessaire, tendo que se vestir e sair antes do planejado do banheiro. Quando abriu a porta do quarto demorou uns segundos para entender o que estava vendo. Jolene com a janela aberta e com a perna já para fora não era o que ela esperava ver. "Você está fugindo?" Perguntou em tom chocado, mas um sorriso cresceu em seus lábios, fechou a porta atrás de si para continuar. "Meu deus, sua mãe vai amar saber disso!" Botou a mão na maçaneta de novo quase abrindo pronta para gritar, quando um pensamento passou sua cabeça e Debbie voltou a atenção para ela novamente. "Onde você ta indo?"
Soltou o ar em impaciência enquanto escutava ela, mas não se surpreendia, nunca achou que educação fosse o forte de Jolene. "Vamos fazer o seguinte, se amanhã eu não conseguir mudar de quarto, eu falo pra sua mãe que eu tentei, mas a Jolene é muito difícil tia eu tentei, e ela vai falar, eu entendo Debbie sinto muito pode ir dormir na sala. E pronto, quem vai sair como chata vai ser você e eu vou manter a minha pose, gostou da ideia?" Mudou a voz quando estava interpretando as falas delas e logo deu um sorrisinho falso, mesmo sabendo que estava sendo má ao querer colocar Jolene contra sua própria mãe.
Negou com a cabeça para a pergunta. "Na verdade não me acho, porque eu tenho certeza de mim." O pior era sempre quando estava distraída demais em discutir com ela que começava dar respostas quase como em brigas infantis. Mas ela conseguia tirar totalmente Deborah do sério mesmo se não fizesse nada, tinha algo nela que fazia a loira sempre querer ficar implicando.
Terminou de fechar o carro e ficou a olhando quando ela começou a falar as regras. Franziu o cenho com a segunda sobre os pijamas, era claro que não ficaria pelada para dormir com a outra. "Tudo bem, aceito. Eu durmo de babydoll mesmo, mas tenho uma terceira regra, nada de encostar em mim no meio da noite, não quero saber que não consegue dormir com alguém sem abraçar, como tem gente que fala que sempre dorme de conchinha com as amigas, nós nem somos amigas." Enquanto falava fazia uma careta de nojo só com o pensamento daquilo, além de dar ênfase no final da frase.
Fora impossível não soltar uma risada sarcástica com a resposta. Era ridículo como elas pareciam duas crianças implicantes com ofensas e réplicas mais infantis ainda. Às vezes Jojo sentia até vontade de bater palmas para Deborah, ela era uma especialista em conseguia elevar seu nível de mal humor além do normal, se bem que não isso não era uma tarefa tão difícil assim, mas ainda achava admirável o poder que a loira tinha. "Bom saber!" retrucou rapidamente, assim que a outra confirmou sobre suas vestimentas noturnas. Ajustou mais uma vez a mala em seus braços, já estavam ficando dormentes, elas já teriam terminado aquela tarefa se não ficassem batendo boca. "Ugh, é claro que não preciso abraçar ninguém pra dormir, que ridículo" O seu leãozinho de pelúcia ficaria ofendido, mas não precisava compartilhar aquilo e dar mais munição à loira. "Não somos amigas e nada de conchinhas. Regra aceita." Respondeu em um tom quase militar, assentindo rigorosamente. "Meninas, venham logo, vamos jantar!" A voz melodiosa da senhora Parks, a verdadeira culpada daquilo tudo segundo Jolene, ecoou até elas. A morena respirou fundo, em uma tentativa de se acalmar e preparar o seu espírito para jantar e, logo mais, dormir com sua nova companheira de quarto. "Você primeiro, princesa Schafer" Abriu um sorriso cínico e gesticulou em direção à porta.
finalizado.
Na cabeça de Ashley, não havia mais música; apenas o som distante das ondas do mar e o ritmo sincronizado de ambas as respirações. O toque entre elas era estático, como uma muralha de cartas prestes a se desfazer - e, de fato, se desfez. O breve afastamento logo se instalou entre elas, obrigando Ashley a olhar detidamente nos olhos de Claire. Deixou um pequeno sorriso transparecer em sua expressão com o comentário bem-humorado da cozinheira, ainda com as mãos nos ombros dela, acariciando-a, fazendo-se presente. Claire também ficava linda até chorando... Provavelmente poderia ter dito, se não tivesse sido atingida por suas palavras seguintes.
Eu tenho tanto orgulho de você. Suas orbes claras não tardaram a ficar moldadas por lágrimas, brilhando como uma camada de vidro delicado. Por um instante, o toque de Ashley nos ombros de Claire intensificou-se, como se ela estivesse tentando se ancorar, não cair. O modo como Howey a via e contava a sua história soava tão melhor do que ela mesma era capaz de reconhecer. Todos os pontos. O ballet, em particular, era um assunto delicado; a amiga foi a única a abraçar Ashley quando tudo desmoronou. Ela sempre esteve lá. As lembranças despiram Ashley da "felicidade" que acreditava ter, porque só com Claire conseguia senti-la. E como precisava dizer a verdade... Ao menos com ela.
"Claire... Eu também sinto tanto orgulho de você. Tanto." Começou, com um sorriso largo. De imediato, sentiu um formigamento no corpo enquanto Claire tocava suavemente uma mecha de seu cabelo. Por que queria mais? E por que se aproximar não parecia nem um pouco errado? "Ouvir você falar assim... É como se você visse algo em mim que eu mesma não consigo enxergar." Sua voz, embora hesitante, aos poucos articulava o que estava em seu coração. Aproximou-se mais, a ponto de quase sentir a respiração da amiga. "Às vezes, me pergunto se estou realmente fazendo a coisa certa, se o casamento é..." As palavras ficaram presas, e suas mãos caíram ao lado do corpo, afastando-se dos ombros de Claire. Seus olhos desceram para os lábios dela. "Se eu realmente—"
Mas antes que pudesse terminar, o som estridente do telefone de Ashley cortou o ar. O toque parecia destoar do clima carregado e íntimo ali presente. O'Neal piscou, desviando o olhar para o aparelho que estava no bolso. Lentamente o pegou, e o nome de Troy estava piscando na tela. Ela hesitou por um momento, sua atenção voltando para Howey com um ar de constrangimento. "Desculpa, é o Troy." Ela explicou, como se pedisse permissão para poder atender.
Com um suspiro resignado, Ashley deslizou o dedo para acolher a chamada e colocou o telefone no ouvido, virando-se para o lado. "Oi, Troy..." Disse, tentando soar natural. Como assim, 'Oi'? Ashley, onde você está?! Por que não respondeu minhas mensagens? Nós combinamos que hoje íamos jantar com meus pais!, ele praguejou. "Eu sei, eu sei... Eu estava com a Claire. Já estou indo." Ashley sentiu o coração acelerar ao perceber que havia esquecido. Pior: que tinha bebido e suas bochechas rosadas entregavam isso. Troy murmurou mais algumas reclamações antes de desligar, deixando a veterinária com a sensação de um amargor crescente. Ela demorou um momento para retirar o telefone do ouvido e, ao se virar para Claire, seu olhar estava carregado de pesar. "Clai… Eu preciso ir."
Sorriu quando ela falou que também sentia orgulho, mas sua expressão logo mudou, apertou os lábios enquanto ela falava. "Eu queria tanto que você pudesse se ver da mesma forma que eu te vejo." Falava baixo, em um pesar por ela não conseguir ver como ela era incrível, sabia que muitas vezes ela mesmo acabava se colocando para baixo, principalmente porque as pessoas faziam isso com ela, como a própria mãe dela, e isso doía em Claire, não poder fazer nada enquanto via tudo acontecendo. Ela seria a pessoa com o maior amor-próprio do mundo se enxergasse como ela era, afinal não tinha como não amar alguém como Ashley.
Porém, logo se distraiu com a aproximação dela, conseguia observar os mínimos detalhes do rosto dela, e Howey facilmente poderia se perder nisso por muito tempo, mas tentou manter seu foco na fala dela, continuou olhando com certa preocupação por ver que ela mesma parecia preocupada. Se manteve em silêncio para dar o espaço dela terminar o que queria falar, mas acompanhou o olhar dela descendo, e seu corpo automaticamente ficou tenso, por um segundo esqueceu sobre o que ela falava, enquanto descia o próprio olhar para a boca dela também. Percebeu que segurava a respiração agora, como se a qualquer passo em falso de seu corpo, poderia fazer sem pensar algo que não devia.
O toque do celular, no entanto, fez com que Claire levasse um sobressalto, deu um passo para trás na mesma hora, ficou com um amargor na boca, como se tivessem sido pegas no flagra em um momento que não deveria. Assentiu com a cabeça quando ela disse quem era, e assim que O'Neal atendeu, conseguiu ouvir o tom de voz dele saindo pelo celular, mesmo que não desse para ouvir a fala, decidiu dar mais uns passos para trás, dando espaço para ela. Ainda segurava a garrafa de vinho, então achou o momento certo para dar longos goles dele. O sabor não parecia estar tão bom quanto antes. Sorriu quando ela falou após terminar a ligação. "Claro, vai lá." Falou de forma suave, percebendo a forma que a amiga tinha falado, não queria que ela se sentisse mal por ter que ir. "Obrigada por vir contar, me convidar pra ser madrinha e... Por esse momento." Completou, olhando para o mar por uns segundos. "Se precisar de mim, eu to aqui, podemos conversar depois com tempo se for necessário." Dessa vez se referia ao que ela tinha começado a dizer antes. Sorriu largo novamente e fez um sinal para ela sair. "Agora vai lá, vou ficar aqui mais um pouco. Teu noivo ta te esperando!"
sabia que seus amigos não tinham nenhuma intenção inocente, mas a beleza alheia o fascinava o suficiente para ignorar as segundas e terceiras intenções dos traíras; com o seu estado de admiração, nem mesmo ele poderia garantir que pensaria apenas de forma amigável. “ eu gosto do meu trabalho e sei que meus fãs não me perdoariam, mas prefiro os estádios com a presença de vocês, artistas da música ” o sorriso não deixava seus lábios e suas palavras em nenhum momento eram mentirosas, mesmo sendo um grande apreciador do seu trabalho como jogador. “ e eu me considero um cara eclético, escuto qualquer gênero musical, então é sempre um prazer conhecer novas faixas ” foi simpático, porque se fosse honesto, ouvir música não era algo que fazia com frequência, independente de qual fosse o estilo. gostava do silêncio e não era sempre que tinha um aparelho por perto para tocar as faixas. quando os amigos o deixaram sozinhos à própria sorte, embora só se conhecessem há poucos minutos, a pontada de nervosismo surgiu, sem saber ainda como proceder a partir dali. “ todas aquelas listas de exigências de camarins são reais? vocês fazem uma lista enorme com pedidos especiais para o pré e o pós show? ” indagou com genuína curiosidade à emery. não era muito próximo de cantores, afinal de contas. “ vou te acompanhar na água, tô me recuperando de uma lesão recente e não quero abusar da sorte... ” contou, sem saber se seus amigos tinham comentado daquele pequeno incidente na sua carreira. “ quer dizer, isso se minha companhia for realmente bem-vinda... acho que os safados não vão voltar, então se você não quiser, eu posso ir embora e você dá uma desculpa para eles depois ” ofereceu a alternativa, sem querer forçar a sua presença, mesmo que tivesse interessado em conhecer mais de emery, de qualquer forma que ela o permitisse. “ mas se quiser companhia, vou adorar saber quais são seus planos pós show ou te ajudar a pensar em um improviso, conheço um pouco da cidade ”
A fala dele chamou sua atenção e fez ela dar um sorriso largo. "Eu prometo que não vou contar pra ninguém que você disse isso, mas fico muito agradecida, nem sempre somos muito bem vindos em estágios, mas ao mesmo tempo não tem nada mais gratificante que fazer shows neles." Sentia que um dos pontos altos em sua carreira foi quando começou a fazer shows em estágios e conseguiu lotar eles. "Justo, eu também gosto de escutar de tudo um pouco." Concordou com um sorriso. Com a pergunta seguinte dele, Emery deu uma risada leve antes de responder, deixando uma expressão no rosto de culpada. "Elas são, pedem de tudo nessas listas. Eu tento sempre pedir algumas coisas específicas que eu gosto e se a minha família ta junto, coisas que eles gostem, e pra quando eu receber pessoas no camarim ou a equipe como maquiadora, já tenha tudo aqui pra se ter uma boa noite, além da lista pros camarins dos dançarinos e pro resto da equipe ter coisas boas também." Explicou como fazia, apontando para a mesa no final, fazia questão que nos camarins dos dançarinos e de outros também tivesse uma parecida. Franziu o cenho assim que ele falou da lesão, dando mais uma olhada nele para ver se era algo visível. "Lesão? Espero que não seja nada grave." Falou e serviu água para os dois. Estava tão entretida conversando com ele, que os amigos nem estavam fazendo falta naquele momento para ela. "Claro que é bem-vinda, pode ficar por favor." Respondeu de forma educada entregando a água, provavelmente não iria mandar ninguém que estivesse ali embora, porém a presença dele em específico era uma que ela realmente estava querendo que ele ficasse mais. Deu um sorriso de canto escutando a fala final dele. Ele querer estender para depois dali, fez ela querer ainda mais conhecer ele melhor, poderia ser algo interessante, nem que fosse só uma noite boa e descontraída com alguém novo, seria melhor do que ir direto para o hotel como planejava. "Eu to livre, então uma dica de onde a gente possa ir, seria ótimo."
closed starter : this is halloween, everybody screams ! with : lory / @folksmumu
Eram poucas as comemorações que a animavam tanto quanto o Halloween, época na qual Nicole fazia a 'semana do terror' em suas lives, onde ela jogava inúmeros jogos de terror - alguns de forma cooperativa com seus amigos, outros individuais -, e também reagia a vídeos e histórias macabras. Durante a semana ela teve a participação de seus amigos streamers mais legais e próximos: Lory, Teddy e Polaco; os quais, além de aceitarem a sua proposta de se afundarem por uma semana inteira em conteúdos de terror, ainda toparam ir junto com ela em uma festa de halloween, para a qual Nixxy conseguiu ingressos exclusivos para todos. Era uma festa apenas de influencers e streamers, então seria ótimo para gerar muito conteúdo e fazer networking - apesar de que estaria mentindo caso dissesse que esta última parte estivesse nos seus planos. Queria apenas gerar um bom entretenimento e se divertir, o resto viria de brinde.
Quanto à escolha da fantasia, ela não tinha a menor ideia do que vestir, então acabou tendo a péssima ideia de abrir uma enquete, na live anterior, e deixar o seu público escolher como ela deveria ir. Queriam que ela fosse numa vibe meio One Piece, mas Nixxy sequer havia assistido esse anime, então acabou apenas seguindo o conceito de pirata e encontrou uma alternativa misturando diversas roupas e acessórios que ela tinha em casa. Não seria o look mais criativo e mirabolante da festa, porém dava para o gasto.
Às 19h30 ela iniciou a live daquela noite, e ainda aguardou mais uns 30 minutos até Polaco chegar de carro, junto de Teddy, para buscá-la. Após um bate-boca generalizado, o qual era feito propositalmente para movimentar a live, ficou decidido que Nicole dirigiria até a casa de Lory e depois eles seguiriam para a festa.
Com o celular preso no suporte do carro - transmitindo ao vivo tudo o que rolava ali dentro, a garota iniciou o trajeto até a casa da amiga, não levando mais do que 20 minutos para chegar até o local. "Vai para trás, Polaco! A Lory vai ir sentada no banco da frente!" Soltou a motorista, enquanto dava dois toquinhos na buzina para indicar à amiga que eles já haviam chegado. E então, como já era de se esperar, uma nova discussão foi iniciada, já que o garoto não queria ir para o banco de trás. "Anda logo, ela já deve estar descendo!" Ordenou Nicole, se inclinando na direção dele de modo com que conseguisse destravar o cinto alheio e abrir a porta do carro. "Vai, vai!" Simultaneamente, ela dava alguns empurrões do braço do amigo, sequer se importando com os argumentos sobre ele ser o proprietário do veículo.
Se tinha algo que Loretta amava era se fantasiar, por isso que a semana do terror que Nixxy propôs tinha sido perfeito para ela poder aproveitar e todo dia estar com alguma fantasia, a maioria sendo simples para não ser tão trabalhoso de se fazer todo dia, porém para o dia da festa Lory usou todo o seu esforço para o que ia usar, escolhendo ir de Cassandra Dimitrescu do jogo Resident Evil Village, pois juntava uma de suas séries de jogos preferidas e a estética de vampira que amava. Estava muito animada com tudo, com o Halloween, com os vários jogos e vídeos de terror, mesmo que ela se assustasse muito fácil e ficava sempre com medo e ainda mais com a festa quando soube que a amiga tinha conseguido os ingressos. Festas por si só já a animavam, a ideia de fazer em live nela parecia muito divertido e sempre era bom estar em meio a outros criadores, poderia além de tudo ser útil.
Tentou já ficar toda pronta para quando chegasse o horário, gastou um bom tempo tirando fotos para que pudesse postar no Instagram e foi o tempo necessário para receber a mensagem que os amigos haviam chegado. Pegou suas coisas, verificou sua roupa e maquiagem pela milésima vez e então saiu para ir até o carro. Percebeu a movimentação, vendo que Polaco estava sendo empurrado do banco da frente, sorrindo ao ver que era Nixxy que estava no volante, então já entendeu o que acontecia.
Fez um sinal de silêncio para Teddy que tinha visto ela se aproximando, para poder fazer uma entrada surpresa na live. Quando estava perto o suficiente, interrompeu os dois discutindo colocando a foice de plástico igual da personagem no pescoço de Polaco. "Pode saindo, essa presa do lado é minha." Usou um tom sério se referindo a Nixxy enquanto puxava de leve para não machucar ele, mas o outro decidiu entrar na atuação e fingiu ser puxado e quase cair para fora do carro. Com o banco livre, entrou com um sorrisinho de canto e fingiu uma risada maléfica, porém caiu na risada logo em seguida por ter achado horrível. "Obrigada Nixxy, por ter salvo meu lugar." Falou para a amiga e logo mandou beijo com a mão enquanto dizia oi para cada um e terminando com um pro celular.
Virou o rosto para trás por um momento, onde os dois já estavam sentados, ainda escutou a reclamação de ter sido tirado da frente, o que fez Lory revirar os olhos. "A frente é para as damas." Escorou a cabeça no ombro de Nixxy quando falou, mas como resposta dele ouviu que ela tinha tentado matar ele com uma foice e a outra ter tentado derrubar ele do carro, deu de ombros para a fala em brincadeira e se escorou direito no banco. "Ligue esse carro, quero chegar logo pra mostrar minha fantasia melhor."
Elas podiam se fazer de sommeliers, mas a realidade era inescapável: não conseguiam evitar as caretas ao provar o vinho. Ashley se divertia com o espetáculo, observando a reação de Claire mesmo quando ela procurava se esquivar. As risadas só aumentavam. Aquela pequena rebeldia era um reflexo de seu desejo de deixar tudo para trás, mesmo que amanhã fosse outro dia. Seria uma comemoração ou uma despedida? Eis a questão. Talvez tivesse comprometido o plano de um evento mais formal, mas a verdade era que formalidade não era necessária. Definitivamente não.
Era, na verdade, o paraíso na terra. A praia vazia, o som das ondas se quebrando, seus cabelos se misturando com o vento e as risadas enquanto trilha sonora. Ash se sentia feliz por estar respirando. Por todo o tempo, portava-se apenas como uma boneca, perfeita e imóvel, feita para agradar os outros. Ali, ela se libertava do plástico e se lançava para a vida. Assim que Claire fez a primeira pergunta, a loira respondeu com um "uhum" provocativo e um sorrisinho de vilã. "Hmm, boazinha? Vou pensar no seu caso..." Disse, com seu olhar brilhando em travessura. Puro teatro. Isso porque, assim que Howey a tocou, o mundo fez questão de parar.
Ashley sentiu um arrepio perigoso percorrer seu corpo por inteiro, como se Claire estivesse revelando a ela o verdadeiro significado de ser tocada. Sentia-se visível e amada, rodeando no espaço que parecia só existir para elas. A amiga a conduzia com elegância, entregando Ash àquelas sensações sem nome, perdida no calor que era muito mais do que o vinho poderia provocar. À medida que girava no próprio eixo, um sorriso espontâneo surgiu, mas quando se aproximavam novamente, a risada se dissipou e seu olhar não conseguia esconder o quão envolvente era o momento. Havia se esquecido, por um instante, de que era apenas uma dança inocente.
"Clai..." Ela murmurou enquanto as testas eram coladas, altamente ruborizada. Sem saída, fechou os olhos para tentar reprimir o que seu coração descompassado gritava. Após, no tempo em que Howey se aninhou em seu ombro, Ash abriu os olhos vagarosamente. "Eu também te amo." Sussurrou. Suas unhas, delicadamente manicuradas de rosa, traçaram um caminho suave pelas costas de Claire, sua pele, seus cabelos, sua nuca... Como se ela fosse sua.
E por que, mesmo no oásis, seus corações não estavam em sintonia? Por que algo parecia fora do lugar? Ashley se preocupava; com Claire, com si própria. Com aqueles sentimentos que vinham à tona, e que ela bem sabia que não poderia culpar apenas o álcool. O toque se estendia além do normal, superando o limite entre duas amigas. "Está tudo bem?" Voltou a cochichar, sem se desencaixar do contato.
A pequena atuação delas, fez Claire soltar mais uma risada, mas não antes de fazer uma expressão de medo a olhando com olhos suplicando para que ela fosse boa com Claire. Com certeza a dança em seguida ficaria guardada em sua mente por muito tempo. Iria voltar para esses momentos, mesmo que curtos, onde ela se sentia feliz, assim como sempre fazia com outros momentos que elas já tiveram.
Apertou mais os olhos ao ouvir ela murmurando seu nome, quase que em medo para o que ela seguiria falando, mas a resposta chegou como notas agridoces em seus ouvidos. O'Neal também a amava, como amiga, mas a amava, queria considerar que só esse final que importava. Porém, todos seus pensamentos cessarem assim que começou a sentir os dedos e unhas dela passando em si. Sentiu um arrepio e o corpo esquentar mais do que havia esquentado com o vinho. Se sentiu subindo ao paraíso e em seguida despencando ao pensar que seu corpo pedia por mais, mas isso seria o máximo que receberia. De qualquer forma, estava completamente entregue aquele momento, completamente entregue a Ashley. Não moveu um músculo sequer, com medo de que se fizesse qualquer movimento brusco tudo iria se esvair por seus braços e aquele momento acabaria.
E assim permaneceu por todo o tempo que ela permitiu, até escutar a voz de Ashley novamente, sentiu a pergunta desligando algo em si, o que mantinha sua mente apenas no abraço e toque dela, logo sentiu uma lágrima caindo. Levou a própria mão para os olhos, tentando impedir de chorar e então soltou uma risada fraca e nervosa. "Agora é a minha hora de chorar." Falou em um tom baixo, tentando usar do humor para contornar seus próprios sentimentos. Se afastou um pouco dela, de cabeça baixa para secar os olhos antes de levantar o rosto e a olhar novamente. Balançou a cabeça em concordância. "Sim."
Manteve o olhar nela por um segundo, tentando fazer sua mente voltar para algum raciocínio. "Eu tenho tanto orgulho de você." Começou a falar, pendendo a cabeça para o lado enquanto a olhava intensamente. "Eu lembro quando você era só uma menina." Falou com um sorriso divertido. "E então você conquistou tanta coisa, você faz um trabalho incrível na clínica, era uma ótima bailarina, você se tornou ainda mais a melhor pessoa que eu conheço, como ser humano mesmo e também uma pessoa incrível comigo." Respirou no final por estar falando rápido. "Agora você vai casar." Sorriu para ela, com os olhos que se mantinham marejados. "Eu me sinto muito orgulhosa e feliz de ter acompanhado você em tudo isso e poder continuar acompanhando."
Levou a mão para o rosto dela, colocando uma mecha do cabelo loiro para trás da orelha. "Troy é o homem mais sortudo do mundo." olhava para a própria mão que mexia no cabelo dela enquanto falava isso, a menção ao nome do agora noivo dela, fez com que Claire sentisse uma parte daquele momento se apagando, como um fio de realidade que invadiu a bolha delas. Já havia abaixado a mão novamente antes de terminar de falar. "Eu espero que ele tenha consciência disso e que valorize sempre essa sorte, porque é o mínimo que você merece."
Ashley sorriu largo, sentindo-se agraciada por todo o carinho de Claire. Por um lado, ficou honrada pela amiga estar disposta a gastar um dos melhores vinhos da casa em função de celebrar. Por outro, a noiva brindava silenciosamente à amizade delas, ainda que o cerne de tudo fosse o seu casamento. "Se continuar assim, eu vou acabar me casando com você!" Brincou em uma risada alta. No entanto, à medida em que refletia sobre o comentário, o riso suavizava gradualmente. Desde a adolescência, havia um temor silencioso entre elas sobre ultrapassar os limites. Referido receio tinha nome e rosto: sua mãe. Mas, não. Hoje a mulher que lhe criou não teria poder algum sobre si.
Com a resposta positiva da outra, Ash ficou de pé e deu alguns pulinhos animados. Logo passou ao plano: consumiu toda a bebida da taça em um único gole, a demonstração do quão empolgada estava. Só não esperava o que ocorreria depois, isto é, seus olhos apertando enquanto sentia a acidez arrepiar o corpo inteiro. As bochechas da loira já estavam vermelhas enquanto ela segurava, em uma mão, o vinho; na outra, os dedos da amiga, apertando-os nos seus e disparando para fora do bistrô. Rumo à praia, entre uma corrida perigosa - por pouco não derrubaria tudo - e gritos eufóricos. Deixaria a taça para trás, apenas precisaria da boca da garrafa.
Tal como o contexto, a cena vinha em ondas, um déjà-vu de quando eram mais novas. Ao pisar na areia, Ashley retirou rapidamente seus sapatos e os deixou de qualquer jeito, avançando descalça e com os cabelos loiros brincando com o vento. Em determinado ponto, ela parou no meio da areia e deu outro gole generoso na boca da garrafa do vinho, franzindo os olhos novamente ao sentir o álcool na garganta.
"Bom, agora que você e o vinho são todos meus..." Ela iniciou, meio ofegante, meio sorridente, entregando a bebida nas mãos da amiga. "Você vai ter que fazer tudo o que eu quiser." O tom era sério, mas obviamente se tratava de uma brincadeira - ou quase. "Dança comigo, Clai." Pediu, enquanto colocava as mãos nos ombros de Howey, tentando guiá-la para o ritmo que estava em sua cabeça. Bailarina por natureza, dançar sempre era sua forma de escapar. Ela sabia que Troy nunca aceitaria algo assim - o noivo sempre considerou Ashley um tanto aleatória em alguns momentos. Mas, com Claire, Ash sentia que poderia ser ela mesma. Mesmo que por um dia.
Assim que ouviu a brincadeira dela, soltou uma risada junto, mas limitou que a risada fosse sua resposta. Uma coisa era ela, uma mulher hétero que estava prestes a casar, brincar sobre isso, outra coisa seria se Claire brincasse, em sua cabeça, isso com certeza seria errado. Mas logo mudou sua atenção para os acontecimentos seguintes, observou ela enquanto erguia as sobrancelhas ao ver ela bebendo todo o vinho de uma só vez, riu alto ao ver a expressão do rosto dela enquanto balançava a cabeça em negação. Decidiu terminar o vinho de sua taça também, mas virou o rosto em brincadeira para ela não ver quando Claire sentisse todo o gosto do vinho e fizesse uma careta.
A partir daí foi como se tudo tivesse se desligado, todo o mundo, todos seus pensamentos, inseguranças, Troy, casamento. Nada mais podia existir no mundinho delas, e só delas, enquanto elas corriam em direção à praia dando risadas, soltando gritos, um vinho com elas e uma sensação de pertencimento que só era possível de se sentir quando estavam juntas. Tirou seus sapatos também quando ela parou, a areia nos pés completando tudo. Poderia até citar os cincos sentidos que deixavam tudo real: o cheiro do perfume dela misturado com de água salgada do mar, o gosto do vinho ainda no boca, a visão dos cabelos esvoaçantes dela com a praia ao redor, o som das risadas e das ondas e o toque da mão dela e a areia nos pés. Tudo se completava, tudo fazia sentido naquele momento.
Assistiu ela bebendo novamente, quando ela voltou a falar, deu um sorriso largo enquanto mordia o lábio inferior por costume. "Tudo?" Falou alto fingindo um espanto, logo bebendo o vinho depois de ter pego a garrafa com ela. "Seja boazinha comigo então." Completou em um tom doce como se para fazer ela sentir pena. Mas sorriu assim que ouviu o pedido. "Seria uma honra." Respondeu e apoiou a mão livre na lateral da cintura dela e a outra com a garrafa junto a cintura. Seguindo o ritmo que ela colocava para dançar.
Se manteve assim por um tempo, sorrindo enquanto observava cada detalhe do rosto da loira, nunca se cansaria de fazer isso. Até soltar as mãos e se afastar um pouco para segurar uma das mãos dela, girando ela devagar a olhando com admiração. Bebeu um gole rápido do vinho, sentindo seu rosto quente, antes de voltar a se aproximar, mas dessa vez deixando seus corpos mais próximos, envolveu a cintura dela com os braços, deixando a mão no final das costas dela, ainda seguindo uma dança. Olhou para ela por um momento e então escorou devagar sua testa na dela, seu coração acelerou por estar tão perto dela, mas concluiu que era por casa do vinho. De qualquer forma, fechou os olhos antes de falar. "Eu te amo." Sua voz era baixa, tanto pela aproximação, quanto pela sensação de ser uma confissão velada. Assim que falou levou sua cabeça para deitar no ombro dela, querendo aproveitar aquele momento o máximo possível.
Os argumentos de Deborah eram válidos, ela era a convidada e não seria educado questionar a gentileza de quem lhe acolhia naquele momento, mas Jolene não se importava e muito menos entendia, se fosse ela no lugar da Schafer teria reclamado e insistindo mais. "Não é questão de educação, é só ser honesta e não ter medo de perder sua pose" retrucou, balançando a cabeça em negação, enquanto a outra ainda estava de costas. Ela nem percebeu, mas prendia a respiração a cada passo que Deborah dava em sua direção. Não gostava de ficar muito perto da outra, ela conseguia reparar demais nos cabelos loiros brilhantes e na risadinha irônica, a qual já estava acostumada, mas parecia estar mais irritante do que nunca. "Ai, meu Deus, você se acha tanto, não é, Deborah?" agora era a sua vez de soltar uma risada, extravasando a irritação. Como ela poderia sequer pensar que Jolene gostaria de dividir a cama com uma loira bonitona? Bom, ela gostaria sim, mas qualquer uma que não fosse Deborah.
Respirou fundo assim que a outra se afastou e agarrou a mala, elas poderiam ficar ali discutindo eternamente, mas sabia que sua mãe não mudaria de opinião se não fosse Deborah quem estivesse solicitando. Ajustou a mala em seus braços e virou-se em direção à outra, mantendo uma distância. "Ok, ok, já que você é uma santa e não vai contrariar minha mãe, precisamos estabelecer regras. Número um: o lado esquerdo da cama é meu. Número dois: dormir sempre com pijamas, não somos adeptos ao nudismo aqui."
Soltou o ar em impaciência enquanto escutava ela, mas não se surpreendia, nunca achou que educação fosse o forte de Jolene. "Vamos fazer o seguinte, se amanhã eu não conseguir mudar de quarto, eu falo pra sua mãe que eu tentei, mas a Jolene é muito difícil tia eu tentei, e ela vai falar, eu entendo Debbie sinto muito pode ir dormir na sala. E pronto, quem vai sair como chata vai ser você e eu vou manter a minha pose, gostou da ideia?" Mudou a voz quando estava interpretando as falas delas e logo deu um sorrisinho falso, mesmo sabendo que estava sendo má ao querer colocar Jolene contra sua própria mãe.
Negou com a cabeça para a pergunta. "Na verdade não me acho, porque eu tenho certeza de mim." O pior era sempre quando estava distraída demais em discutir com ela que começava dar respostas quase como em brigas infantis. Mas ela conseguia tirar totalmente Deborah do sério mesmo se não fizesse nada, tinha algo nela que fazia a loira sempre querer ficar implicando.
Terminou de fechar o carro e ficou a olhando quando ela começou a falar as regras. Franziu o cenho com a segunda sobre os pijamas, era claro que não ficaria pelada para dormir com a outra. "Tudo bem, aceito. Eu durmo de babydoll mesmo, mas tenho uma terceira regra, nada de encostar em mim no meio da noite, não quero saber que não consegue dormir com alguém sem abraçar, como tem gente que fala que sempre dorme de conchinha com as amigas, nós nem somos amigas." Enquanto falava fazia uma careta de nojo só com o pensamento daquilo, além de dar ênfase no final da frase.