i have no place to run away to; jihyeon&akame
NĂŁo. Aquilo nĂŁo podia estar acontecendo. Akame nĂŁo estava exatamente encarando a tela do celular porque nĂŁo conseguia vĂȘ-lo, mas se conseguisse, ela estaria fazendo exatamente aquilo naquele momento. Sentiu o pinicar familiar das lĂĄgrimas e sabia que choraria a qualquer momento, mas tudo que Akame conseguia pensar era: por que ela? Por que, alĂ©m de todas as coisas que ela tinha que suportar, ainda tinha mais coisas que enfrentar? JĂĄ nĂŁo bastava o que tinha acontecido hĂĄ um ano atrĂĄs, com a morte de seus pais, agora ela recebia uma ligação dizendo que seus protetores, ou âpaisâ, haviam morrido em uma missĂŁo disfarçada e agora ela nĂŁo tinha para onde ir. AtĂ© porque a mĂĄfia tinha destruĂdo qualquer evidĂȘncia de sua famĂlia no JapĂŁo e ela nĂŁo tinha outra opção a nĂŁo ser continuar na CorĂ©ia. Ela podia sim voltar, mas isso seria a mesma coisa que colocar um aviso em nĂ©on em sua cabeça avisando que queria morrer. E por mais que se sentisse miserĂĄvel, Akame nĂŁo queria realmente morrer. Pelo menos, nĂŁo de verdade. Suas mĂŁos começaram a tremer incontrolavelmente enquanto as lĂĄgrimas finalmente apareciam, levando consigo sua força, a medida que seus joelhos falhavam e ela caĂa no chĂŁo. NĂŁo tinha ninguĂ©m por si, nĂŁo podia confiar em ninguĂ©m o suficiente para falar sobre aquilo. Deus, ela nem sequer podia dizer seu nome real pra ninguĂ©m! Por ironia do destino e como se fosse uma resposta a si mesma, seu soluço ecoou no silĂȘncio do apartamento no mesmo momento que ela ouviu o som de mensagem definido para uma pessoa, Jihyeon. Quando ouviu novamente o som de mensagem, ela levantou do chĂŁo, colocando o celular no bolso e saiu do apartamento Ă s pressas, sem nem se preocupar em trancar nada. Desde que tinha perdido a visĂŁo, Akame nunca tinha se atrevido a correr, mas naquele dia ela fez isso. Saiu do bloco C correndo, os olhos ainda expulsando todas as lĂĄgrimas acumuladas e mesmo que ela conseguisse ver, esse sentido seria blindado pelas lĂĄgrimas espessas, grossas e salgadas que desciam por seu rosto.Â
Em sua pressa, Akame perdeu o equilĂbrio e caiu, conseguindo se aguentar nas mĂŁos antes de cair de cara no chĂŁo. Sentiu o ardor caracterĂstico de um aranhĂŁo nas mĂŁos e joelhos, mas preferiu ignorĂĄ-los enquanto se levantou e continuou correndo. Ela sabia qual o bloco de Jihyeon, jĂĄ tinha estado lĂĄ antes, nas vĂĄrias vezes que visitou a mais velha para âveremâ um filme ou apenas passar tempo juntas. Akame sabia que podia confiar nela, sabia que Jihyeon a diria a verdade nua e crua e tudo que Akame precisava era daquilo. Porque mesmo que fosse dura e doesse, ela precisava saber quais eram suas opçÔes. Talvez fosse a hora de finalmente contar tudo a Jihyeon para que a outra a ajudasse melhor. Quando entrou no Bloco A, desorientada de ainda estar correndo, Akame tropeçou no primeiro degrau da escada, dessa vez nĂŁo conseguiu parar antes que sentisse o duro impacto da ponta de degraus acima em seu rosto. Aquilo iria ficar feio, ela pensou, enquanto tornava a se levantar e se guiando pela parede, subiu os degraus atĂ© o sexto andar. Seus dedos tatearam os nĂșmeros na porta para se certificar antes de bater e esperou muito que Jihyeon estivesse lĂĄ. Quando ouviu o som da TV, Akame bateu ainda mais desesperada, esperando que a mais velha abrisse logo a porta. Em nenhum momento ela conseguiu parar de chorar, nem mesmo seus machucados de doer e sentia sua bochecha arder. Tudo parecia estar chegando ao fim e Akame sĂł queria saber que alguĂ©m a entendia. ââ Jih-chan! Abra a porta, kudasai. Por favor...
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