make me bleed, i like it raw
xbloodrunnerx:
Observá-lo era para Blade como observar uma obra de arte, uma obra de arte hipnoticamente bela em sua base e estrutura, mas ainda inacabada. Blade poderia tocá-lo, destruir sua garganta e seu corpo, o fazer correr pela mansão, ameaçá-lo, amedrontá-lo, mas ele sabia que havia uma parte dentro dele que não podia tocar, um refúgio onde o outro poderia deslizar para e entrar em um estado de catatonia, longe de de seu alcance e aquilo o irritava, fazia sua garganta apertar e sua falta de sangue ferver. Existiam partes na mente de Jisoo que lhe eram inacessíveis e isso era algo que não podia aceitar em sua forma de ser perversa e cruel. Aquele garoto era seu, pertencia a si e assim deveria se comportar, nem que tivesse que forçá-lo a isso. Assim tinha sido criado para acreditar. Vê-lo engolir seu sêmen o deixava completamente preparado para outra rodada, a pele macia e perfumada de seu pescoço trabalhando contra sua vontade de ingerir diante de suas ameaças, seus lábios rosados e levemente abertos deixando escapar sua respiração ofegante e seu brilho neles, ressaltados pelas luzes fracas. Sua expressão era aterrorizada ao mesmo tempo que suave, as linhas perfeitas de seu rosto acompanhando os tremores de seu corpo. Queria tocá-lo, tocá-lo até perder a sensibilidade de seus dedos, queria fincar seus dentes em sua carne macia e vê-lo ceder à medida que sugava seu sangue doce e delirante, fios vermelhos escorrendo até seu peito nu e intocado. As marcas deixadas adquirindo uma cor esverdeada e roxeada e seu gemido débil próximo de si conforme tomava cada vez mais dele.
Sorriu exatamente naquele momento em que ele implorava por sua vida, sua liberdade, implorava para que retornasse àquilo que um dia fora antes de entrar naquela mansão que selara seu destino definitivamente. Roçou seus lábios na testa dele, depositando um beijo suave e voltou a encostar seus narizes, o encarando bem no fundo de seus olhos, os seus próprio já voltando ao seu tom escuro habitual. – Vou lhe explicar algo, bloodbag, então presta muita atenção. – sua voz era tênue e transparecia uma calma congelante, era quase… carinhosa. Mas se enganava quem pensasse ser real não ainda hehehe – A partir do momento que pisou aqui, você se tornou meu. Seu nome não é mais Jisoo, é bloodbag, e é para isso que serve, para me servir, para eu te usar como eu quiser… – ergueu a mão e acariciou sua mandíbula – Você não vai para casa, porque não tem mais casa. É aqui que vive e aqui vai viver até morrer. Mas não vou te matar, não… Eu não vou, então não se preocupe com isso. – as mãos subiram até seus cabelos, onde massageou seus cabelos – Será muito pior que isso. Eu vou te destruir, te arrebentar, te torturar e prender até não aguentar mais. Te abusar, exibir como meu, e arrancar todo fio de esperança que já teve até hoje. Eu vou te quebrar inteiro, queimar sua pele, marcar lenta e dolorosamente cada pedacinho seu, pra que você se lembre a quem pertence. – seus dedos foram lentamente na direção de seu pescoço, onde pousaram sem aplicar pressão – Eu vou te foder de todas as maneiras possíveis, até não sobrar nada. Te pendurar nas correntes do meu porão e te castigar, te machucar com minhas mãos até você sangrar, até sua bunda latejar e ficar tão vermelha quanto seu sangue. Você entendeu? Eu não vou te matar, mas vou matar tudo que você foi e tudo que vai ser e quando eu cansar de você, vou te jogar em um canto onde vai definhar de fome e sede. – nesse momento começou a apertar seus dígitos contra sua garganta judiada – Mas eu vou te dar uma escolha, bloodbag. Se quer morrer, aqui, agora. Apenas diga. Implore. – cada vez apertava mais, cessando a passagem de ar – Peça pra eu te matar, e eu faço. Você não vai ter que passar por tudo isso. – seus olhos voltaram a adquirir sua coloração avermelhada. – Peça… – sibilou, quase como uma serpente.
Jisoo sabia que tinha feito alguma coisa errada quando o tom mudou, exatamente quando o seu superior se irritava com outra pessoa tanto que a gritaria era uma questão de privilégio. Descer a voz, falar baixinho, no tom condescendente... Os arrepios subiam e desciam a cada segundo, irritando a pele além do aceitável, por conta do ar-condicionado, da pele exposta e do sangue grudando em cada poro. O medo aumentando com a mesma proporção que o corpo perdia a força em cada músculo. A ideia de nunca sair daquele antro maligno assentando sobre o que o compunha como um cobertor grosso, ou a mortalha que nunca teria ao chegar ao fim de seus dias. Desinteressante e seco como uma uva passa, vendo a vida escorrer pelo tempo que perduraria até a fome e a sede serem demais para o funcionamento normal de suas células. E deve ter sido uma ajuda divina, algo mais etéreo que somente o choque para não se desesperar naquele ponto. Porque, tais ameaças, não seriam recebidas somente por olhos arregalados e lábios entreabertos. Partidos. Arfando para conseguir o ar que as mãos de Blade restringiam a entrada e a saída. Tudo mais deixou de importar, desde o cheiro salgado metálico do sangue até a sensibilidade dolorosa de sua boxer apertada demais. Um zumbido trocando todo o som que não fosse Blade, feito por Blade, provocado por Blade. Nada tinha importância quando o vampiro era seu único e mais forte inimigo, adversidade entre si e o caminho da liberdade, a faixa estreita quase não vista daquela posição. Jisoo não sabia o que responder. Não sabia o que considerar. Não sabia nem o porquê de tantos questionamentos que lhe vinham a cabeça pintada de branco e nuvens de fumaça.
Só os joelhos tremendo com o esforça para levantar seu corpo sobre eles, para erguer o rosto e aproximar. De acabar com a distância entre os lábios que outra estavam vermelhos escarlate de sangue que não era dele. Jisoo beijou a boca assassina, moldou os próprios de tal maneira que a língua os contornou e entrou quando recebeu a permissão. Doía ficar assim, torto e forçando a posição, mas precisa continuar. Sua vida dependia da língua lambendo o céu da boca e contornando os dentes, da exploração hesitante e passiva, não alterando em nada que fosse relacionado ao poder que normalmente exercia sobre a sua vida humana. Porque era essa a razão da esperança ser o pior de todos os sentimentos e sensações. De ter ficado presa na caixa de Pandora e ainda ser considerado um alívio. A esperança florescia em qualquer lugar, quer seja possível ou não. E, para o rapaz, continuar vivo significava chances de fugir. Por mais que mantivesse a pose de obediência e terror constantes -- bem fáceis de interpretar diga-se de passagem -- uma partezinha ainda ia tentar aproveitar todas as chances. De analisar e decorar a rotina da casa. De ser o protagonista do filme de terror, aquele que sobrevive para contar história. Continuou o beijo, igual ao que tinha dado em sua ignorância, ou tentando imprimir nos seus lábios mexendo e na língua explorando -- deixando-o entrar -- fosse o suficiente para começar a montar sua rota de fuga. --- Eu quero viver. Por favor. --- O soluço foi um susto, e um bônus, deixando intacta a imagem (e a realidade) de medo completo. De ainda achá-lo a pior das criaturas do mundo. --- Eu faço tudo o que você quiser, só me deixe viver. Por favor. --- Outros beijos deixados em seus lábios, e na lateral do rosto. Uma língua atrevida, e movida pelo entorpecimento, passando em uma gota de sangue na pele fria do vampiro.













