tão divina e tão humana. é erro atrás de erro. uma quedinha aqui, um deslizamento de terra ali, olhar perverso, sorriso inocente. tão crua que dá arrepio. de admiração e de repulsa. mistura de sagrado e de profano. de sombra não romantizada e de luz que transcende e escapa. linda, gostosa, disciplinada, forte, rainha. pele machucada, alma rasgada, razão dilacerada, cabeça vertiginosa, lancinante, delirante. centramento que faz viver, dissimulação que faz viver ainda mais. erro porque fui convocada a extrapolar. erro porque minha redoma pede ar e eu sublimo ao ser desafiada a me amar enquanto tô a falhar. me coloco pra jogo sabendo que provavelmente vou perder. é dar a cara pra bater sabendo que eu vou morrer. pois que então morra. que morra em mim tudo que me limita. apresento minhas feridas pra te mostrar minha vida. ao contrário de incólume, virgem, santa, impecável, tenho histórico de felina, lasciva e muito bem amada. achei que merecia um altar, mas pertence a mim a selva, o deserto, o mar. me ofereça flores, me dê amores, prazeres, ritos, conexões, ventos, um tanto de turbilhões, me mostre os búfalos, o trigo, o morro, sombra, água fresca, um calor escaldante, meu suor brilhante. eu vou cuidar dessa terra, desse sangue, do meu manto verdejante. eu vou ser estrias de tanto permitir evoluir e flexibilidade de tanto deixar fluir. a delicadeza do meu perfume, a força do meu ventre, a culpa que eu faço queimar sem culpa de culpada estar. eu sinto a dor, eu deixo ir embora, eu convido pra fora. eu me convido pra mim, pra eu poder ser assim. eternamente assim. porque sim.