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Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

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@fricka13
Untitled, painting by ABeardedArtist
M104, Sombrero Galaxy
Vincent van Gogh ~ Blossoming Chestnut Branches, 1890
[Source: buehrle.ch]
Mais uma vez eu tô aqui no silêncio desse quarto, com a cabeça barulhenta e os pensamentos longe
Oyster mermaid~
ah fuck, so sorry ma’am-
Tuan Vu (Vietnamese, 1971) - On the Bridge (2024)
Oil and oil sticks on linen, 36 in × 30 in
Eu sou um museu de tudo que já amei.
-Enclosed field with rising sun-
ᴛʜᴇ sᴡɪɴɢ - ʙʏ ᴊᴏᴇᴀɴ ʜᴏɴᴏʀᴇ́ ғʀᴀɢᴏɴᴀʀᴅ
A insanidade mais bonita de um poeta é transformar toda perturbação em arte, e o lado mais obscuro disso é que ninguém é capaz de enxergar o seu lado arruinado, é um paradoxo, interessante e dolorido. Todos dizem "uau, você é um gênio, olha o que você criou" e ninguém imagina quantas vezes ele fugiu da própria morte - matou os pensamentos suicidas dentro de si mesmo deu espaço para algo novo - decorando o caos interior com tintas, contrastes, filosofia, sons e palavras doces.
Se refugiar na própria angústia, sozinho, em frente ao mar, numa orla vazia e cinza, sem esperar que ninguém te salve, é um ato de coragem, doloroso e libertador.
"Singing Over the Bones" by Lucy Campbell
Senti sua falta hoje. Eu também senti dor. Mas eu sabia que não era sua obrigação preencher os meus vazios. Nunca foi. Então eu apenas deixei pra lá. Sabe?
- Coisas que escrevo quando bate aquela saudade.
Calder Moore
A Lover's Walk (also known as The Lovers Walk) (1901) by Walter Dendy Sadler (English, 1854 – 1923), oil on canvas, 91 x 36 cm. (35.8 x 14.2 in.), Private Collection
Eu tinha 15 anos quando fui diagnosticada com borderline, eu não compreendia tanto, mas todos os psiquiatras queriam me dopar de remédio.
Com 13 anos eu era viciada em cocaína.
Com 14 meu primeiro relacionamento abusivo.
Com 15 meu pai teve uma overdose e morreu. Ele foi encontrado morto num hotel no centro de São Paulo.
Com 16 minha tentativa de suícidio.
Aos 19 me tornei mãe.
Agora aos 26 anos entendo que o borderline pode ser como uma estação do ano em que o inesperado sempre pode acontecer, tipo, fazer frio no verão sabe? Ou fazer sol, no meio de uma geada de neve. É confuso, sutilmente incerto.
Foi com 23 anos que eu descobri a sensação de vazio inerente a mim. É como um espaço, uma lacuna que está sempre ali, esperando um momento para ser percebido, gritando desesperadamente para ser preenchido por algo, por qualquer coisa, se a sua mente não estiver preparada você pode se destruir sem perceber. Ter consciência desse vazio mudou tudo pra mim.
O vazio hoje, pra mim, é como uma presença imaterial, um fantasma solitário, que está sempre pedindo para ser notado e sentido. Ele pode ser melancólico e carente como uma criança ás vezes. Em vez de expulsá-lo eu passei a senti-lo. E a conversar com ele, e a colocar músicas para ele, e a mostrar a ele documentários sobre Van Gogh e ou sobre os álbuns do Pink Floyd e sobre outros artistas malucos e solitários e então eu e meu vazio começamos a nos entender. E eu percebi que essa era a única forma dele parar de pedir tanta atenção: ser companheira dele. É engraçado quando paro para pensar sobre as pessoas que não suportaram conviver com o vazio e acabaram se matando, tipo o Kurt Cobain ou tipo o meu pai mesmo.
É engraçado que se alguém entrar no meu instagram hoje, ninguém vai imaginar que eu já passei por tanta destruição na minha vida. Parece que sou apenas uma garota mimada, com um monte de preenchimentos e botox na cara, gastando todo meu dinheiro com bolsas de luxo e vivendo o privilégio de ser branca e cis. E no fundo, eu gostaria de ser apenas isso, em troca de não ter tantos traumas.