Oblivion is calling your name | Cora & Brian
Depois de tanto tempo, Cora sentia-se culpada ao notar que nada havia realmente mudado em cerca de seis meses. Ainda tinha momentos em que era atingida por uma séria onda de tristeza, desânimo e questionamentos, ainda se perguntava porque aquilo havia acontecido consigo e o motivo dos avanços serem tão pequenos e pouco significativos e, apesar de ter jurado para si mesma que não assumiria uma postura vulnerável e frágil, ela ainda pegava a si mesma chorando sem qualquer motivo aparente, apenas porque estava frustrada e zangada demais com o rumo que sua vida tinha tomado. Por mais que jamais fosse admitir, sentia-se sozinha. No entanto, julgava que era a última pessoa no mundo que poderia reclamar disso, especialmente quando escolhera se isolar por livre e espontânea vontade.
Sua mãe, é claro, havia notado que algo incomum acontecia a filha visto que o mau humor de Cora parecia imutável desde o ano novo e, numa tentativa de exaltar-lhe os ânimos, contactou todas as antigas amigas de Cora e as convidou para o ringue de patinação que costumavam ir nas férias de fim de ano antes do acidente. Uma ideia estúpida, foi a primeira coisa que passou pela mente de Cora. Primeiro, não estava com a mínima vontade de rever suas amigas e... por um acaso esperavam que ela observasse todos patinando e se divertindo enquanto permanecia sentada em uma cadeira de rodas?
Apesar de suas objeções, acabou cedendo as insistências da mãe - que não eram poucas - e, com isso, abriu mão da tranquilidade de seu quarto para ter que lidar com o frio daquele inverno pouco gentil. Podia sentir seus pés gelados mesmo que estivesse usando roupas grossas e tivesse uma pesada manta xadrez para aquecer suas pernas. Em meio a resmungos e reclamações do clima, notou que estava inconscientemente torcendo para que ninguém realmente aparecesse. Preferia continuar sozinha a ter que ser simpática com pessoas que somente olhavam para ela com pena.
"Eu posso ir sozinha daqui em diante." Levantou a cabeça para achar os olhos ansiosos da mãe, pousando gentilmente a mão sob os dedos atados ao suporte da cadeira de rodas e tentando soar o mais agradável possível. "Não tem problema, a neve não está tão alta assim e eu posso empurrar a cadeira sozinha." Gesticulou para mostrar o fino tapete branco que as cercavam naquela calçada. "Vê?" Riu, empurrando as rodas e sorrindo para a mãe, que mesmo receosa acabou retornando para a van familiar. "Ligo pra você quando quiser voltar." Disse em meio as intermináveis recomendações da mãe, que se tornaram ainda mais homéricas após o acidente em agosto. "Don't worry, mom." E sorriu. Porque sabia que, mesmo que todos aqueles cuidados a deixassem impaciente em alguns momentos, Georgina Frost queria apenas o melhor para a sua única filha. Ela apenas não precisava saber que, assim que virasse na rua seguinte e a van saísse de sua vista, Cora daria meia volta em sua cadeira de rodas e tomaria o máximo de distância possível do velho ringue de patinação onde costumava passar seu tempo livre há tanto tempo atrás.









