o ouro de Oxum se parecia com o brilho da sua pele, combinava com o âmbar dos seus olhos, e quando seu sorriso abria minha manhã ensolarada, sentia-me em um campo de girassóis.
como Oxum, você me envolvia em suas nuances, dançava suavemente sobre minhas ondas violentas de água e sal, encantava os olhos mais céticos com seus cachos cor de café.
mulheres d'Oxum são feiticeiras, que carregam o barulho da queda d'água nas batidas do coração, inebriam todos os sentidos com o cheiro adocicado na nuca. quando vi, já nem me enxergava mais.
é por isso que eu te apelidei de peixinho de água doce.
me enxerguei através dos teus olhos puxados, que me fitavam como sereia que enfeitiça pescador, e quando vi, o castelo de areia que construí para sua morada já se parecia com lar de tijolos e cimento. nunca foi fortaleza; nunca fui forte sob o tamborilar dos teus dedos em minha pele.
teus lábios me convidam aos pensamentos que nem Freud toleraria. ainda sonho contigo. suspiro. quão doce é a água que você tem?
me pego fantasiando: quando nossas águas vão se unir entre um vendaval e outro? você se importa em se molhar? eu não.
as ondas do meu mar sobrepondo a nascente do teu rio. me entende? "você deságua em mim, eu Oceano".
sal com açúcar não são opostos.













