there’s no one around here | Dan&Ocean
equalyze·:
A língua inchou na boca bem fechada, mas nada que o denunciasse como os músculos travados da mandíbula ou aquele som trincado de dentes sendo arremessados um contra o outro numa mordida ao nada. Ele levantou os joelhos ao ar, circulando os braços ao redor e fechando o círculo com os dedos entrelaçados. Olhar curioso jogado para algo mais segura: a si mesmo disperso nas ondas que lambiam a areia a metros de distância. — Não sei bem a palavra, não sei falar de sentimentos. Só sei que é ruim e não gosto de ver no rosto de ninguém. — Era o mais sincero possível, o tom suave rolando na fala macia, mansa, de mar contido em uma imensa calmaria. Ocean lançou-lhe um aquele par de esmeraldas azuladas e ergueu um mínimo centímetro dos ombros. Os sentimentos entre os seres marítimo era mais simples, sem complicações, e bastava uma ação mais física para resolvê-los. Coisa muito diferente na terra seca cheia de pernas. — Eu estava indo para casa. — O rosto do outro era um tanto quanto familiar – o que não dizia nada para o herdeiro de Atlântida, era mais fisionomista do que excelente em memória verbal. Seu rosto era familiar, já que existiam bem menos professores que alunos, mas achou engraçado. Os lábios repuxando num sorriso singelo. — Realmente, é uma loucura chegar na casa da linhagem de Tritão depois da hora do jantar, mas, bem, ossos do ofício. A aula demorou bem mais do que tinha planejado. — A mente vagando para o desenrolar da pequena guerra marítima num dos pátios internos, das bombas falsas e da narração entusiasmada de um dos alunos. Ocean piscou, voltando a realidade. — E, mesmo assim, qual é o problema? O mar passou o dia todo sob o sol. É agora que a água fica ‘quente’ para vocês. Uma delícia, na minha humilde opinião. Nunca tentou?
A culpa era de seu rosto, percebia. Durante tanto tempo, com todas as coisas que aprendera, disfarçar suas sensação aparentemente não tinha sido uma delas. Talvez ele tivesse alguma facilidade em interpretá-los, sem precisar de suas palavras, afinal, todos naquele lugar eram dotados de dons especiais. Mas isso não o fazia sentir melhor, pois independente da forma que chegara àquela conclusão, chegara nela no fim das contas. --- Meu rosto? --- perguntou, o que acabou soando como uma solicitação para que explicasse o que queria dizer. Queria que explicasse? Limpou a garganta, libertando-se daquela sensação incômoda. Foi só então que realmente sentiu seu olhar. Não era um daqueles incisivos, que pareciam invadir sua mente. Mas, sim, como uma arte pintada prestes a ser apreciada. Uma coloração azulada os possuía e, por um momento, Daniel pegou-se encarando-os. Quando estava prestes a soltar uma piada sobre ele ser sereia, ouviu a palavra Tritão, e entendeu que era verdade. --- Então você mora realmente no mar? --- perguntou, realmente curioso, deixando um pouco de lado a postura defensiva que usualmente adotava. A única outra pessoa que o via despido daquela armadura era sua irmã, e ela o tinha abandonado. Abandonado para estar mais uma vez com o pai. Aquele responsável por iniciar a guerra que agora a mente do Leiderhosen estava submetida. --- O que? Entrar na água? Não, não, não, obrigado. Não quero ser puxado para o fundo do oceano e morrer afogado porque o seu pai está com raiva de seu atraso. Não serei responsabilizado por isso. --- Parou um instante, enquanto mais uma curiosidade lhe vinha a cabeça. Quis perguntar antes que ele decidisse seguir seu caminho. --- Mas como é lá? Devo imaginar que é bem diferente daqui da terra.








