O Destino na Ilha do farol. Pt 01
JĂĄ era 2:45 da manhĂŁ quando peguei a balsa sem rumo algum, sem bagaem e somente com uma mochila, pela primeira vez nĂŁo tinha ideia pra onde ir, foi quando em um pequeno devaneio na seguinte frase âO que vou fazer da minha vida agora?â olhei para o alto admirando as estrelas enquanto a balsa saia... â Quanto tempo fazia que nĂŁo admirava as estrelas? â Muito tempo...
Senti por um breve momento enquanto a brisa batia no meu rosto e o cheiro que pairava do mar era o mesmo das lĂĄgrimas que insistiam em descer por entre meu rosto â Me vi pegando meus ombros  e apertando com força como se tivesse me abraçando e ponho meu rosto por entre meus joelhos como uma criança que se sente castigada por algo que fez de errado e precisa refletir sobre seus erros. â Me sinto tĂŁo quebrada que admiro a dor e a acolho como uma velha amiga mesmo que tenha arrancado de mim toda a felicidade em um Ășnico suspiro e resquicio de esperança que ainda me restava.
Enquanto pensamentos voam pelo ar escuto passos cada vez mais fortes como se fosse de um general marchando em direção a minha pessoa.
- Oi Moça tĂĄ tudo bem? â Sua voz era rouca como se fumasse e apresentava um tom de preucupação na pergunta.
SĂł abro os olhos que jĂĄ estĂŁo inchados e me deparo com ele, de uma beleza misteriosa que me olharĂĄ com tamanha intensidade e foco â E que intensidade...
Era Impossivel nĂŁo prestar atenção nos seus olhos negros como a noite que assola nossos pensamentos,ele usava uma touca preta e cobria a mesma com a touca da jaqueta de couro â Achei meio desnecessĂĄrio mais tudo bem nĂ© ? (quem sou eu pra julgar) â pensei comigo mesma. A Barba era muito bem feita e a cicatriz na tempĂŽra direita no qual deixava uma pequena falha na sua sombrancelha era impossivel nĂŁo notar â ainda nĂŁo sei porque acho cicatrizes atraentes â NĂŁo pude deixar de notar suas tatuagens nas duas mĂŁos e nos dedos com escritas riscadas, porĂ©m nĂŁo fiquei olhando demais pra nĂŁo parecer fuxiqueira e curiosa.
- NĂŁo sei o que estĂĄ fazendo aqui essa hora da madrugada, sĂł me deixa em paz. â Respondi rispidamente â Quem sabe se toca e vai embora pensei.
Engano meu, nem sequer se acanhou muito pelo contrĂĄrio que fez com que ele desse um sorrisinho de canto, por um momento se virou como quem iria embora e voltou bruscamente me encarando e com tom de voz sarcĂĄstico dizendo:
- Olha,para quem  que parece estar tão triste e encolhido no chão de um balsa em plena madrugada não deveria estar  tão brava ao mesmo tempo.
Como ele tem coragem ? nem sequer me conhece e jĂĄ vem falando comigo como se fosse amiga dele ? â fiquei furiosa.
- Qual seu problema ? Posso saber o que veio procurar falando comigo ? E porque resolveu se preucupar com uma completa estranha? Eu nem te conheço, acho melhor vocĂȘ ir embora.- Insisti da maneira mais grosseira possivel.
- Bom... â Disse o rapaz misterioso tirando seus olhos de mim  e olhando em volta para o mar imenso que nos cercava.  E sorriuâ Tecnicamente nĂŁo posso ir embora pra lugar nenhum nĂŁo Ă© mesmo ?
NĂŁo era possivel, nĂŁo podia ser verdade, no meu momento mais complicado em que estou completamente quebrada tenho que aturar um estranho fazendo piadinha...
- Vai pro outro lado da balsa entĂŁo, eu sĂł quero ficar sozinha... â Dessa vez a voz saiu como se nĂŁo tivesse forças pra debater.
O que me surpreendeu ter abaixado a guarda e receber uma resposta dessa vez sem sarcasmo e sem risadinhas.
-Ă verdade... â Disse ele sentando do meu lado no chĂŁo.- NĂŁo te conheço, mas vivi por muito tempo triste e nĂŁo acho que queira passar por esse momento tĂŁo ruim da sua vida sem companhia â Eu gelei e atĂ© entĂŁo a resposta que estava na ponta da minha lĂngua na qual pedia grosseiramente para ir embora se esvai por entre suas frases tĂŁo doces. â Eu nĂŁo vou falar mais nada ok ? sĂł vou ficar sentado aqui pra te fazer companhia tudo bem ?
Não consegui pensar em nenhuma resposta e só aceitei e acenei com a cabeça.
Passamos a viagem toda sem falar sequer uma palavra a mais, esperei a balsa atracar na ilha do farol onde eu pretendia passar os prĂłximos dias e repor meus pensamentos no lugar, era a ultima parada. Chamamos de ilha da farol porque o nome faz jus perfeitamente ao local, um farol enorme e branco com listras vermelhas no qual sua luz podia chegar ao cais da onde parti aquela madrugada, e uma bela praia de areias brancas e ĂĄguas verdes.
Quase ninguĂ©m ficava lĂĄ, ainda mais por ser tĂŁo solitĂĄrio, porĂ©m dentro do farol tinha uma cama e abrigo que era onde costumava ficar o guardiĂŁo que hoje jĂĄ nĂŁo tem mais.- Ă confesso venho aqui tantas vezes desde que era criança com o meu Pai e hoje venho para espairecer a cabeça... â Lembrei do meu Pai e me deu uma leve pontada de tristeza...
~~Day Yoshida.














