Beatrix, ou Stormy, como ela gostava de pensar nos seus momentos mais sombrios, manteve-se em pé diante de Stella, o corpo inclinado, as mãos apoiadas levemente na mesa de Rosalind, um sorriso pequeno e quase triste dançando nos lábios. Ela não tinha esperado qualquer empatia de Stella, não daquela garota que vivia cercada de ouro e expectativas. Mas, quando ouviu o "Sinto muito, Beatrix", seus olhos brilharam com algo indecifrável. Talvez surpresa, talvez desconforto. Talvez… agradecimento? Era difícil dizer. Não que ela fosse admitir. Não que ela soubesse como lidar com isso.
"Você sente muito, huh?" Ela repetiu, o tom leve, mas os olhos um pouco mais profundos, como se estivesse tentando desviar da vulnerabilidade que sem querer havia mostrado. Beatrix brincou com uma mecha do próprio cabelo, os dedos entrelaçando-se nas pontas, como se o gesto pudesse mascarar a inquietação que percorria seu corpo. Ela então deu de ombros, como se sacudisse a sinceridade para longe. "Não se preocupe, princesa. A vida é assim, né? Todo mundo tem seus fardos. O meu é só… um pouco mais silencioso que o seu. Mas," ela ergueu o copo vazio em direção à loira com um sorriso atrevido, "quem precisa de mãe ou pai quando se tem tequila?"
O sorriso se ampliou, mas seus olhos ainda continham um lampejo de algo mais sombrio, uma dor que nunca seria completamente dita. Ela nunca contava. Para ninguém. Mesmo quando quase deslizava para fora, como naquela noite. "Talvez a diferença seja que você tem uma coroa para equilibrar o peso. Eu tenho…" Ela hesitou, a frase morrendo, mas recuperou a compostura rapidamente, dando um pequeno passo para mais perto de Stella, o sorriso agora provocativo. "Quanto ao começo da noite…" Beatrix inclinou-se, os lábios a centímetros do rosto de Stella, a respiração suave e quente enquanto sussurrava, "talvez você precise redefinir o que é 'fim' e o que é 'começo', princesa." A risada suave escapou de sua garganta, cheia de malícia. Ela se afastou com um giro gracioso, pegando mais uma garrafa e enchendo seu copo com habilidade casual.
Beatrix observava Stella em silêncio enquanto enchia mais uma vez o copo, os olhos estreitos, como se estivesse estudando cada movimento da princesa. A loira, com todo o seu brilho natural, estava ali, de alguma forma apática, afundada em pensamentos. Mas Beatrix sabia que a noite de Stella já havia começado pelo fim. Ela não precisava perguntar para ver o esgotamento em seus olhos, o peso nos ombros que Brandon deixava, como se a cada encontro ele drenasse o pouco que restava de vida nela.
Brandon. Beatrix não conseguia evitar a careta que se formava involuntariamente ao pensar nele. Ele era insuportável, vazio, um cara que vivia preso à sombra de sua própria mediocridade. Um verdadeiro dementador, sugando qualquer traço de energia daqueles ao seu redor. Vivia das migalhas do status que o relacionamento com Stella lhe proporcionava. Sem isso, sem ela, sem o brilho da realeza, o que ele seria? Ninguém, pensou Beatrix, com um sorriso irônico. Igual ao seu melhor amigo, o príncipe Sky. Ambos vivendo à sombra de outros, do trono que nunca ocupariam. Era quase trágico de tão patético. E, mesmo que ela também se aproveitasse das pessoas, Beatrix ao menos não fingia estar emocionalmente conectada a elas. Ela não dava títulos como "melhor amigo" ou "namorado". Não precisava de vínculos tão falsos para sobreviver.
O que Stella ainda fazia com ele? Por que insistia naquela tortura diária? Beatrix balançou a cabeça levemente, já cansada só de pensar. Mas não era o momento para reflexões profundas. Ela não havia puxado Stella até ali para filosofar sobre suas escolhas ruins. Ela tinha algo mais divertido em mente. Odiava ver o peso de Brandon pairando sobre alguém tão cheia de potencial. Se Stella precisava de uma distração, Beatrix estava mais do que pronta para providenciá-la.
"Okay, Stella, que tal um jogo?" A morena se levantou da cadeira de Rosalind com um ar de desafio, pegando a garrafa mais próxima e a girando com um giro de pulso rápido e preciso, mesmo sabendo que o clássico "verdade ou desafio" com apenas duas pessoas estava destinado ao fracasso. Então, riu baixinho, quase para si mesma, deixando a garrafa de lado. "Talvez esse seja um jogo pra quem precisa de uma multidão. Nós duas não precisamos disso, não é?"
Beatrix cruzou os braços, os olhos faiscando de eletricidade, literalmente, pequenas faíscas estalando em seus dedos. Ela deu uma volta lenta pelo sofá, parando diante de Stella com um sorriso astuto nos lábios. "Vamos brincar de um jogo que envolve nossos poderes… e um pouco de sorte."
Ela olhou ao redor, como se avaliasse o ambiente, e então propôs: "Cada uma de nós vai dar o seu melhor tiro de poder no som, mas com uma condição—tem que ser algo discreto o suficiente para não explodir tudo aqui e mandar a diretora Rosalind correndo pra cá. A primeira que fizer a música falhar ou pifar, perde." Ela inclinou a cabeça, como se desafiando Stella a recusar. "A única regra é que você não pode desligar com as mãos. Tudo precisa ser feito com os seus raios solares, ou seja lá o que você faz."
Beatrix piscou um olho, pegando seu copo e dando um gole. "Se você ganhar, escolhe o próximo jogo. Se eu ganhar… bem, digamos que tenho um prêmio em mente."