A garota ao seu lado o fazia lembrar-se de si mesmo alguns anos atrás, quando só vinha assistir aos jogos para torcer para seus amigos. Não que isso tivesse mudado, ainda estava ali por ele, mas, antes, Peter não entendia absolutamente nada do jogo estranho. Claro, já ouvira Oliver, seu irmão, falar inúmeras vezes de como fora eleito o melhor jogador da temporada, melhor apanhador, melhor tudo. No entanto, a situação mudara quando Remus anunciou que o ajudaria a entender o esporte preferido dos bruxos, no segundo ano. Depois de uma tarde na biblioteca, local no qual Pettigrew não era visto com frequência até hoje, e de uma leitura do livro Quadribol Através dos Séculos, sob tutoria de Lupin, podia finalmente dizer que entendia a lógica do quadribol, as manobras realizadas pelos jogadores e até mesmo arriscava alguns comentários acerca da partida que assistia. Glenda, esse era o nome que aprenderia em alguns minutos, era contagiante. Essa era a palavra. O gryffindor era um entusiasta por quadribol, isso ninguém podia negar, mas sequer beirava à animação que Chittock exibia. E nem era o time da casa dela.
Peter riu ao ouvi-la perguntar sobre o pomo, olhando-a pelo canto do olho enquanto prestava atenção ao restante do jogo antes de se aproximar. A resposta seguinte da loira, quando perguntou para quem ela torcia (por pura curiosidade), o fez dar uma gargalhada – jamais esperaria tal resposta e, percebeu, gostava de ser surpreendido. O olhar confuso dela se alternava de jogador para jogador, decidindo para quem iria sua devoção do dia, e por fim apontou para todos em campo. “Na verdade, você tem que escolher um time e torcer. Não dá pra torcer pra todo mundo.” Deu de ombros, enfiando as mãos nos bolsos da calça escura que vestia, antes de acompanhar uma jogada do time vermelho e dourado, comemorando os pontos em seguida juntamente com a multidão que tomava aquele lado da arquibancada. “Meu nome é Peter. Pettigrew. Acho que não nos conhecemos.” Se apresentou, por fim, quando o jogo deu uma acalmada frente aos seus olhos. A Gryffindor ganhava com vantagem, mas ninguém havia encontrado o pomo ainda.
Com um sorriso maroto dançante no canto esquerdo dos lábios, Peter cruzou os braços sobre o tronco, como muitas vezes vira James fazer ao se aproximar de garotas, e empertigou-se antes de falar. “Você não parece entender muito do que tá acontecendo ali, com todo o respeito.” Desculpou-se antes de levantar as duas mãos na altura dos ombros em sinal de desculpas, para depois voltar a cruzar os braços onde estavam. “Se quiser, posso ser seu professor de quadribol por hoje. Garanto que sou o melhor aqui dessa arquibancada.” Brincou falando um pouco mais alto, já que a torcida se manifestara quando terminava de falar. Querendo ou não, admitindo ou não, Peter tentava mimicar o que James, Sirius e Remus faziam. Sirius, ao se aproximar da garota. James, com o sorriso de canto e leve insinuação de flerte. E Remus, ao oferecer ajuda. Não queria mais ser aquele garotinho introvertido, não queria mais ser a sombra do irmão mais velho. Não mais.