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Agora? Remus. Ele não estava se sentindo muito bem ontem e acabou indo para a Ala Hospitalar. As aulas não são tão divertidas sem ele, me sinto meio sozinho.
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Do you miss anyone?
Agora? Remus. Ele não estava se sentindo muito bem ontem e acabou indo para a Ala Hospitalar. As aulas não são tão divertidas sem ele, me sinto meio sozinho.
*What makes you feel guilty?
Eating too much at dinner? Eating too much at breakfast? Eating too much in general?
Would you say that you have a superiority-complex? Inferiority-complex? Neither?
Do you even have to ask? Inferiority, obviously, you just have to spend 5 minutes with me to notice.
[Flashback, early 1977] What a mess! // Mary and Peter
Por andar muito com seu melhor amigo, James Potter, a morena acabou se aproximando dos outros integrantes dos marotos. Com cada um, ela tinha uma relação diferente. Sua amizade com Peter era uma amizade diferente dos demais. Ela começou se aproximar do garoto para lhe ajudar com algumas matérias e isso se refletia na convivência dos dois até hoje. Ela não era a melhor professora que alguém poderia ter, mas servia de professora substituta quando os outros marotos estavam ocupados ou Peter estava com vergonha de pedir novamente pare que lhe ajudassem.
Mary não via problema em ajudar o garoto, era até divertido. Os erros de Peter eram bobos e fáceis de serem consertados, mas eram erros que faziam a grifina rir. Para não deixar o garoto mal por rir de seus erros, ela sempre tentava se fazer de cobaia, ajudava quando era preciso fazer um feitiços. A única matéria que ela não ajudava era poções porque a garota era tão ruim quanto Peter e se ela lhe servisse de cobaia era capaz de ser envenenada, era um risco que Mary se recusava a se arriscar. Era engraçado que Peter se colocado por pressão, conseguia desenvolver suas habilidades tanto quanto os marotos. Mary percebia que falta-lhe muita auto-confiança.
Naquelas semanas, a professora de transfiguração estava ensinando feitiços para transformação em corpos humanos, muito mais complexos do que em objetos e animais. Até mesmo Mary estava com dificuldade no começo, mas havia melhorado, principalmente recebendo dicas do James. Já o amigo, receoso por algum motivo de pedir ajuda para os amigos em transfiguração, pediu para que Mary lhe ajudasse dando algumas dicas e sendo sua cobaia. A morena marcou com o maroto em uma sala vazia no mesmo andar do salão comunal da Grifinória depois que as aulas terminassem. Chegando lá um pouco atrasada, pois resolveu tomar um banho e trocar de roupa, tirado seu uniforme, percebeu que o maroto não estava lá. Não se surpreenderia se o rapaz tivesse passado primeiro no Salão Principal para trazer um lanche para eles, já que possivelmente chegariam atrasados para o jantar.
Peter era bom em Transfiguração. Droga, se havia alguma disciplina na qual ele era bom era Transfiguração – não tão bom quanto os amigos, claro, já que demorou um pouco mais para finalmente conseguir dominar a animagia. Mas ele dominava! Há alguns anos! (Viu, Peter? Pare de ser tão patético e sem confiança nenhuma and grow some balls.) Uma magia tão avançada que poucos bruxos formados conseguiam realizar, e ali estava ele, nada brilhante nem estudioso, conseguindo se transformar em um rato para acompanhar o melhor amigo nas noites de Lua Cheia. Mas esses dos fatos (que Pettigrew era bom em transfiguração e que se transformava em rato uma vez por mês) eram coisas das quais Mary não tinha conhecimento.
A gryffindor sempre fora mais próxima de James, mas, passando tempo demais com Prongs, começou também a desenvolver uma amizade com os três outros marotos. Com Wormtail, era mais uma relação de aluno-professor do que amigos, na verdade, já que Peter fez a besteira de, um dia, vendo quanto Mary era boa em História da Magia, pedir ajuda. Desde então, Mary vinha ajudando-o em quase tudo, exceto somente Poções - os dois eram terríveis e as chances de alguém sair machucado ou envenenado durante uma aula prática se fizessem dupla eram grandes. (Patético, Peter, sério.)
Por mais que tentasse mudar aquela relação já estabelecida, sempre encontrava dificuldades, que se resumiam em seu nervosismo e sua falta de autoconfiança. Não era de hoje que olhava MacDonald com outros olhos, mas era difícil não fazê-lo quando ela ria de forma adorável dos erros bobos que Pete cometia durante as sessões de estudo, ou de como sempre arranjava alguma hora para ele, não importando quantos deveres tinham para aquela semana. Era difícil não sentir algo a mais. E, já que as sessões de estudo eram a única forma de passarem um tempo juntos, pelo menos até Pettigrew tomar coragem de chamá-la para sair, o gryffindor pediu ajuda em Transfiguração, mesmo não precisando.
Marcaram em uma sala vazia do terceiro andar após o término das aulas e, por mais que Wormtail tivesse se adiantado nos horários, acabou se atrasando depois de passar no Salão Principal e embrulhar em um pano algumas comidas. Já que Mary iria perder o jantar por ele, o mínimo que podia fazer era trazer um jantar, ou parte dele, até ela. Soltou um muxoxo de irritação consigo mesmo - por que não andou mais rápido, Pettigrew? - quando entrou na sala e encontrou MacDonald já ali. “Desculpe o atraso, Mary. Trouxe comidas para que seu perdão venha mais fácil.” Brincou, depositando o estoque de comida que trazia em uma mesa de carvalho e assumindo o assento ao lado do dela.
RP characters and name meanings [+] | Peter Pettigrew
[Flashback] All the right friends in all the right places | Pettigrew & Lupin | October 1972
remupin:
O ano começou com uma série de surpresas. Os maiores temores de Remus Lupin haviam virado realidade. Dois dos seus três melhores amigos haviam descoberto o que ele era, um lobisomem. Esperava pelo abandono e, quem sabe, até a revelação parar na boca de outras pessoas ocasionando sua expulsão. Duvidava que seus colegas iriam querer um lobisomem morando com eles em Hogwarts. Ele era perigoso. Sempre temeu que alguém esperto mais cedo ou mais tarde juntaria os sinais chegando na conclusão certa. Para seu total azar, os amigos que havia adquirido eram espertos demais. Pelo menos, dois dos três já haviam decifrado o enigma que cercava Remus Lupin.
Temeu ter que abandonar a vida que tinha construido em um ano como estudante em Hogwarts. Para um garotinho que cresceu sob a pele de um monstro, vendo seu próprio pai se culpar todos os dias pela sua condição, sua mãe ter que mudar totalmente seu modo de viver em prol do menino, trocarem de casa e ser obrigado à conviver com a solidão pela sua segurança, sua vida em Hogwarts era melhor do que seus melhores sonhos. Até o próprio Dumbledore aparecer em sua porta, seus pais acreditavam que Remus jamais poderia ter uma vida acadêmica em qualquer escola. Estava fadado a uma vida obscura que nem mesmo entendia à respeito. Pensava que passaria o resto da sua infância e adolescente preso dentro de casa isolado com seus livros e ajudando o melhor que podia sua mãe, por todos os problemas que ocasionava em sua vida.
Tudo que queria era ter a chance de poder estudar como qualquer outra criança normal e ter um amigo. O que ele havia ganhado era mais do que precisava e ansiava. Estava totalmente satisfeito. No começo, haviam estranhado os sumiços e sua saúde frágil, mas todos acreditavam nas mentiras. Sentia-se mal por reproduzi-las, mas era isto ou viver como antes. E então, tudo mudou nos primeiros dias de retorno ao castelo quando James e Sirius haviam lhe contado que sabiam o que era. Todos seus medos vieram à tona. No entanto, eles o surpreenderam por não julgá-lo como achou que julgariam. Quiseram ouvir sua história e resolveram guardar seu segredo tanto quanto apoiá-lo.
Remus não sabia o significado de uma verdadeira amizade até então. E ficou feliz ao descobrir.
Seu medo que os outros descobrissem não foram embora. James e Sirius poderiam ser compreensivos, mas nem todos do mundo bruxo agiriam do mesmo modo. Contava com a ajuda deles para melhorar suas mentiras e não deixar os sinais tão evidentes. No entanto, teria de contar para Peter, seu outro amigo que não havia descoberto. James e Sirius haviam o instigado a fazer essa revelação e o próprio Remus sentiu que devia, mas não sabia como. Era bem verdade que Peter havia adentrado ao grupo graças à ele que insistiu para os outros meninos dessem uma chance para Peter. O pequeno Lupin reconhecia uma alma solitária quando via uma, afinal, ele mesmo havia sido. Tinha se aproximado de Peter antes de James ou Sirius. Eram bons parceiros e eram novos em experiência de se relacionar com outras pessoas. Devia isso ao outro menino que era tão bom amigo quanto os outros. Remus pretendia contar ainda em Outubro, toda vez que tentava dizer algo, dava para trás. Seu temor por rejeição e por dedurá-lo eram maiores. Faltava-lhe coragem.
Seguia para o domitório que divida com os outros amigos, pensando em como deveria contá-lo a verdade. Prendia-se às reações de Black e Potter como sua fonte de coragem. Pensava tanto que seus passos eram lentos e demorou o dobro do tempo que levaria. Deparou-se justamente com Peter no dormitório sozinho. Talvez devesse aproveitar aquela chance. - Hey. - Disse um pouco acanhado e começando a ficar nervoso com a chance de introduzir a verdade à conversa que se seguiria. - É, eu também preciso falar com você. Mas diga você primeiro. - Sentou-se na sua cama e apertou uma mão na outra, de modo que controla-se seu tremor.
O título de Marauder jamais fora algo de pouca relevância para Pettigrew. Dentre os quatro amigos, talvez fosse ele o mais preocupado em honrar sua participação no ilustre grupo de malfeitores, tendo em vista sua baixa autoestima e carência de autoconfiança. Para Sirius e James, parecia deveras natural andar pelos corredores do castelo como se o governassem, como se todos admirassem os egos de proporções exageradas, como se os demais estudantes os ovacionassem pelo simples fato de existirem. A realidade não era bem esta, embora sempre houvesse aquela legião de garotas prontas para lhes despejar atenção no momento em que estalassem os dedos. Normalmente, estas se concentravam n’algumas séries abaixo, pois se necessita de uma personalidade bastante escassa em maturidade para suspirar por aí pelos dois rapazes famosos pela atitude rebelde. Para Remus Lupin, entretanto, parecia fácil encantar multidões com sua doçura, simpatia e sorriso condescendente, bem como servir de modelo para os que buscavam o equilíbrio perfeito entre disciplina e distração. Nada complicado ser um Marauder. Mas Peter Pettigrew… Bem, quem era Peter Pettigrew comparado a Sirius Black, James Potter e Remus Lupin? Nem o próprio Wormtail tinha a solução desse questionamento, porque nunca em sua vida seria bom o suficiente para bagunçar o cabelo em troca da atenção de uma jovem bonita, ou então para ter alguém na palma das mãos utilizando-se somente de uma boa conversa. Senta-se incompleto sem os amigos, ao passo que os outros três não precisavam dele para formar uma entidade plena.
Então, como dizer a um de seus melhores amigos que achava que ele era um lobisomem sem a chance de perder a amizade dele caso suas suspeitas estivessem equivocadas (e havia grande chance disso)?
Colocou as duas mãos nos bolsos, parando finalmente de andar de um lado para o outro quando o amigo entrou no quarto que dividiam, pigarreando, claramente sem saber por onde começar a falar. “Bem, eu... Antes de tudo, queria apenas confirmar o quanto sua amizade é importante pra mim. Você foi meu primeiro amigo, Remus. O primeiro que me acolheu e que me aceita como sou, e não tenho nem como começar a explicar o quanto isso é importante pra mim.” Iniciou o discurso não planejado, sentando-se ao lado de Lupin em sua cama. Abaixou o olhar para o chão de madeira do quarto, identificando alguns padrões e tentando, dessa forma, controlar seu nervosismo. “Eu... Bem, eu tenho notado algumas coisas. Pode ser só imaginação minha, e, acredite, sei que tenho uma imaginação bem fértil.” Deu uma risadinha nervosa, retirando as mãos dos bolsos da calça do uniforme e apoiando os cotovelos nos joelhos, olhando para Remus de esguelha. “Sua avó realmente fica doente tantas vezes assim? E... É meio que quase sempre na mesma época do mês. Só curiosidade.”
Prongs: Is that how it feels to be dead? I wonder if Binns is just trying to prepare us for the afterlife with his incredibly dull class. In which case I'd probably die of boredom before I have the chance to learn anything.
Moony: It must be difficult to talk about so many wars, riots and deaths when it is on the other side. It might be interesting if the teacher called other ghosts to tell their life experience.. Nearly headless Nick say the headless hunters are an such attraction.
Padfoot: Are you serious, Moony? Binns was alive during the wars, the riots and during all this bullshit. I think it must be easy for him to talk about it, he just needs to remember his own memories with no need to stick his nose in the books. The advantage of being a ghost professor, I suppose.
Wormtail: The headless hunters are NOT an attraction. Nick lies. Been there. Trust me on this one. Actually, Pads, the theory that Binns was alive really makes sense. No wonder he knows all these things without even opening a text book. I just think it was unfair to put each of us in a corner of the classroom.
[Flashforward] Bad Blood | October 31st, 1981
Você está ali, naquele lugar escuro, há tanto tempo que nem sabe que dia é hoje, muito menos que horas são (na verdade, já se passaram três dias desde que você foi capturado em uma missão da Ordem – uma das poucas para as quais fora designado). Eles já o haviam convencido anteriormente, que aquele era o lado vencedor, que, se ficasse com seus amigos, você morreria. Mas você não queria morrer, certo, Peter? E foi assim que iniciou o jogo, they toyed with your mind. Eles o fizeram sentir importante – Voldemort pessoalmente dissera que suas informações eram de vital importância, como se soubesse exatamente que esse era seu ponto fraco, que mexendo ali, na sua baixa autoestima, no seu desejo de ser reconhecido, ele conseguiria o que quisesse.
Você, meu caro garoto, foi enganado, mentiram para você, e você sequer consegue ver isso. Eles entraram tão fundo nas raízes da sua mente que te conheciam melhor do que você mesmo. Conheciam seus medos, suas inseguranças, aquele desejo de se sentir útil e desejado que você sempre teve e que, ultimamente, não estava sendo alimentado regularmente pela Ordem. Eles te deixavam de lado das missões, sugeriam que você não fosse, casualmente, claramente duvidando de sua capacidade (ao menos, era assim que ficara gravado na sua cabeça) e sua inteligência deixando que você ficasse na central da Ordem, ajudando na parte de estratégias.
Via Lily grávida, James, Sirius, Remus, todos juntos, e percebia que você não se encaixava ali. Lily, é claro, tão sensitiva quanto só ela mesmo era, foi a única que notou seu afastamento. Quando decidiam por um Secret Keeper, Evans casualmente soltou o seu nome, que, surpreendentemente, foi bem recebido. Se alguém faria tudo pelos amigos, esse alguém era você, Peter, ou ao menos quem você era antes que Voldemort e seu conhecido talento como legimilente invadissem sua mente frágil e mutável. You were Lily and James Secret Keeper, but you also had a Dark Mark on your arm, beneath the layer of cotton. A double agent.
Começou com pequenas informações. Inofensivas. Ou pelo menos era isso que você dizia a si mesmo. O número de pessoas da Ordem, seus nomes, status sanguíneo de alguns nomes que você conhecia dos tempos de Hogwarts, resultados de algumas missões, o que planejavam fazer – de fato, alguns movimentos da Ordem foram neutralizados porque você já abrira sua boca para os Death Eaters.
Mas nenhuma morte. No blood on your hands.
Eles estavam te quebrando, naquela fatídica noite. Aos poucos. Uma maldição imperdoável sobre você de tempos em tempos – intervalo esse que você não tinha a menor noção de qual era. O segredo, as palavras, estão na ponta de sua língua, prontas para saírem, mas você resiste, resiste, resiste, provando ao Chapéu Seletor que ele não errara ao te colocar na Gryffindor. Eles queriam James e Lily, e isso você não daria, de jeito nenhum. Via as pessoas encapuzadas passarem por você como borrões, aumentando a dor e diminuindo seus sentidos. “Spill it, Pettigrew. We don’t have months, and neither do you. If you ask me, I think it will be a surprise if you make it through this night.” Você engoliu em seco e sentiu sangue em sua garganta.
“Crucio!” A dor era inimaginável. No centro de seus ossos, nos músculos, na mente. Quantas vezes já usaram aquela em você? Era a preferida. Quando você achava que ia perder os sentidos, novamente, uma voz – que nem de longe parecia a sua – anunciou, interrompendo a tortura. “Godric’s Hollow.” (Era seu instinto de sobrevivência, mais forte do que você).
Você sempre soube que ia acabar ali. É tão obvio, não é? Esse foi o seu fim o tempo inteiro ― o único final para a estrada de autodestruição que é você. Não há escapatória, Peter, não agora. Você causou isso a si mesmo. Você se destruiu. Você destruiu seus amigos. Você está satisfeito, querido? Você se sente bem? É isso o que você sempre quis. A decadência de uma vida desregrada; o fundo do poço que é a sua vida, depois de passar a vida inteira cavando, as mãos sujas de terra, a luz há muito já perdida no meio da escuridão; o inferno queimando sob os seus pés.
Você está satisfeito?
Você tenta se levantar, mas não consegue. Sua visão está borrada e seus membros parecessem estar derretendo, fracos demais para suportar qualquer esforço ou movimento. Você sente o seu coração pulsar em um ritmo desenfreado, a dor no peito lhe atingindo como socos, uma bomba presa em seu peito, pulsando, pulsando até explodir. A respiração se torna ruidosa, como se o ar fosse doloroso e você não conseguisse nem mesmo mantê-lo dentro de você. O seu mundo inteiro parece girar e a bile sob por sua garganta, amarga, até o ponto em que a única coisa que você consegue fazer é virar o rosto e deixar tudo sair. Suas mãos estão tremendo sem parar e você sente como se não tivesse controle nenhum sobre as reações do seu corpo.
Você se encosta à parede e deixa o seu corpo despencar pelo chão. Os olhos se fechando mesmo contra a sua vontade, fraco demais para continuar lutando. Seus pensamentos são além de qualquer coerência e nenhuma palavra jamais deixa os seus lábios.
Você está morrendo?, pensa debilmente, mas o desespero não está ali. Há apenas o alívio. Finalmente.
Os seus olhos se fecham e, aos poucos, a escuridão toma conta de você.
Finalmente.
(E tudo o que você queria era que ela ainda estivesse aqui)
Está escuro.
E não há nada que você consiga sentir além da tristeza ― além da dor. Todo o seu corpo dói e a consciência do que você fez se crava em sua pela com garras e unhas e feridas abertas, faz um buraco em sua alma e o deixa, assim, vazio. E esse buraco dói e sangra e faz com que a única sensação que ainda existe dentro de você seja a sensação de estar morto.
É a primeira vez na sua vida que você chega ao fundo do poço dessa maneira, é a primeira vez que você se sente assim ― tão caótico, descontrolado, destruído ― e é a primeira vez que você encara o penhasco profundo que habita a sua mente ― que sempre esteve ali ― por mais de alguns instantes, a escuridão tornando impossível de definir a sua altura; sendo impossível saber se, caso você resolva pular, você vai ou não sobreviver à queda.
(Você não vai)
You have so much blood on your hands you can't even find your fingers anymore.
Sono, um cisco, alergia a alguma coisa… Podem ser várias coisas, sabe.
Como vai, Pettigrew?
Claro, sei como é. Eu, por exemplo, não dormi noite passada. Fiquei acordado... ajudando um amigo. Aí fui pra aula. E cá estou, querendo arrancar um sorriso seu, com essa cara que um Noitibus passou por cima de mim.
Bem, tirando o que já mencionei antes, até que bem. E você, Amber?
Está, e-eu… Só cocei bastante os olhos, é isso.
E você... Por acaso quer falar do que te fez coçar tanto os olhos?
Tá tudo bem? Seus olhos estão meio vermelhos. Parece que você andou chorando. Ou só, sei lá, coçou bastante os olhos.
[Flashback] A dame to kill for | Dorothy & Cowardly Lion | October 77
A adrenalina que corria por seu corpo se espalhava desde o couro cabeludo até os dedos dos pés, uma sensação que Pettigrew conhecia bem, principalmente nas noites de lua cheia. As pernas se movimentavam com rapidez, correndo pelos corredores de pedra enquanto segurava a mão de uma garota na sua, trazendo-a consigo. Isso mesmo, uma garota. Não os três companheiros de sempre, mas uma garota que atende pelo nome de Pippa Applebee. Seria mentira de Peter se dissesse que ela não o encantava, isso que tiveram apenas duas ou três conversas. Pippa trazia consigo uma alegria contagiante e uma energia que a equiparava à dos marotos, que fazia o jovem Wormtail se sentir mais jovem ainda.
As risadas dos dois ecoavam no corredor, quase mais altas que o ruído de seus sapatos se chocando contra o chão do terceiro andar. “Vem, rápido!” Incentivou-a o gryffindor, enquanto olhava por cima do ombro para ver se já haviam despistado o zelador, Filch. Depois de terem enfeitiçado pequenos pergaminhos para que se picassem em mais pedacinhos cada vez que Filch tentasse se livrar deles e também para que o seguissem quando encontrasse Pippa e Peter escondidos em um canto sem aguentarem não rir, o plano era usar a passagem secreta do terceiro andar – descoberta por Peter e os Marauders – para se esconderem enquanto o zelador seguia a procurá-los pelo próximo corredor.
Wormtail parou de correr quando alcançou a bruxa de um olho só, sem largar a mão da hufflepuff. Com a mão livre, alcançou a varinha no cós da calça apressadamente, checando em intervalos consideravelmente pequenos se não tinha ninguém atrás deles, e murmurou apontando para a estátua. “Dissendium.” Sorriu de canto quando a estátua se abriu, revelando um pequeno corredor onde podiam esperar até a situação se acalmar. Geralmente, o grupo de amigos utilizava para chegar ao vilarejo vizinho, Hogsmeade, mas hoje o local serviria apenas como esconderijo e nada mais. Puxou Pippa pela passagem, um pouco ofegante por conta da breve corrida e da grande descarga de adrenalina que deixava seus músculos inquietos, e encostou-se em uma das paredes da passagem, as mãos apoiadas na cintura e a cabeça encostada na superfície fria. Respirou profundamente algumas vezes antes de finalmente olhá-la, e então começou a rir, porque parecia a única coisa a se fazer naquele momento. “Isso... Foi divertido.” Admitiu em meio à risada, se recuperando da fuga. Era sua obrigação impedir que levassem uma detenção pela brincadeira, já que havia se gabado para a garota na última conversa sobre o talento que tinha para se safar de punições. Na verdade, era James que tinha, não ele.
Pode deixar que aviso. E então só precisaremos de um Homem de Lata e de um Espantalho para ficarmos completos e enfim sairmos à procura de Oz. Vai me dizer que você está interessado em o que uma estranha possa lhe dizer sobre sua vida? E ainda me pede para não parar de falar. Ou você é muito curioso ou não tem os onze em campo, Pettigrew.
Deve ser incrível ter amigos para ajudar a aprontar com outra pessoa, realmente queria fazer isso. Mas Harriet não é tão rebelde a esse ponto, muito menos Reginald.
Não que eu me importe, mas você é muggleborn? Difícil encontrar alguém que ao menos saiba quem Dorothy é, que dirá toda a história. Talvez você simplesmente seja interessante, não considerou essa hipótese na sua lista, Pippa?
Então está mais que convidada para aprontar com a gente. Quando quiser, qualquer dia, qualquer hora. Talvez tenhamos um segredinho ou dois para não ganhar tantas detenções, mas prometo que te protejo de passar uma noite polindo troféus. Palavra de marauder.
Com Oz nada no momento. Estou apenas trabalhando na parte em ser carregada por um ciclone da fazenda dos meus pais com o meu gato, já que não tenho um cachorro… Mas isso é informação demais para um desconhecido, você não está interessado. Pois bem, agora alguém vai lembrar que você é Peter Pettigrew, raramente esqueço um nome.
Aprontou uma para seus amigos então? Pena que não divido aulas com vocês, realmente adoro quando vejo um caldeirão explodindo na cara de alguém, é um guilty pleasure macabro, eu sei.
Oh, então quando passar dessa fase me avise. Vamos atrás de Oz, você consegue o que quer e eu consigo um pouco de coragem e todo mundo fica feliz. Mas que ultraje dizer que não estou interessado! Claro que estou, você, no geral, é uma garota bem interessante. Não pare de falar.
Na verdade, nós aprontamos juntos pra outra pessoa. Se saíram correndo, significa que não levaram a culpa, então ponto para nós. Também queria ter visto, é um guilty pleasure que temos em comum. Mas infelizmente cheguei tarde demais.
Não, eu sou um homem de lata. Ou mulher de lata? Enfim, nunca tinha pensado nisso, sempre preferi ser a Dorothy… Mas não vem ao caso. Não há de quê, senhor. E é senhorita Applebee. Pippa, na verdade.
E por dedução você é um dos amigos do Potter e do Black, certo? Não, não estavam correndo. Mas talvez estivessem com algumas manchas de explosão, não tenho muita certeza.
Dorothy, e o que você quer com Oz? Você é uma humana muito curiosa, Pippa. Pressinto que vou gostar de você.
Sim, o amigo que ninguém lembra, Peter Pettigrew, ao seu dispor. Ah, que bom, significa que deu certo, então, mesmo sem eu ter ido. Agradeça seu banco de dados interno por mim e essa sua memória incrível.
James Potter ou Sirius Black? Hmm, deixe-me consultar balcão de informações interno, só um momento… Ambos passaram por aqui naquele sentido há mais ou menos vinte minutos. Com uma margem de erro de cinco minutos para mais ou para menos.
... Uau. Você é humana? Quer dizer, claro que é humana, hehe, brincadeira.
Bem, muito obrigada por suas informações precisas, senhorita...? Serviram para eu constatar que estou atrasado além de reparação. Só mais uma coisa. Eles estavam correndo? E talvez com umas manchas negras de explosão no rosto? Assim, só curiosidade mesmo.
Oi, ei. Desculpe interromper. Por algum acaso você não viu James Potter passando por aqui? Ou Black. O Sirius, no caso. Qualquer um dos dois.