era uma vez… uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! há, sim, estou falando de você isabel price. você veio de new york, estados unidos e costumava ser escritora por lá antes de ser enviada para o mundo das histórias. se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava escrevendo fanfic, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! tem gente aqui que estava montando em dragões. tá vendo só? você pode até ser competente, mas você não deixa de ser uma baita de uma insegura… se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de general ás de copas na história wonderland… bom, eu desejo boa sorte. porque você vai precisar!
infos gerais.
♡ Nome: Isabel Price
♡ Idade: 30
♡ Orientação sexual: Questionável
♡ Ocupação: Host no Sinister Mirage e Curadora na Galeria dei Cuori Spezzati
♡ Ocupação anterior: Escritora e Assistente faz-tudo da dona da editora de livros em que trabalhava
♡ Faceclaim: Lily Collins
resumo.
Com seus recém-completos 30 anos, Isabel é uma mulher que sempre sonhou em viver um conto de fadas. Foi sua paixão por fantasiar e criar histórias um dos principais motivos que lhe levou a se tornar escritora, já que escrever fanfics sempre foi o seu maior hobby. Desde muito nova, era sonhadora e completamente insatisfeita com a vida que levava, e as experiências desagradáveis da vida adulta apenas lhe trouxeram mais vontade de viver dentro dos livros que lia e escrevia. Para sua frustração, acreditava estar fadada ao fracasso em todos os âmbitos da vida, não conseguindo ser bem-sucedida nem na carreira nem no amor. Antes de ser sugada para dentro do livro, enfrentava um processo de divórcio após descobrir que seu marido a traía com sua melhor amiga, que também havia sido madrinha do seu casamento, além de ter sido obrigada a voltar a morar com a mãe com quem não se dava bem e também estar completamente desgostosa com o emprego que tinha. Em meio a uma crise dos 30, Isabel enxergou nessa confusão uma oportunidade de recomeçar. É claro que tem muita curiosidade sobre a existência do mundo mágico e sobre o que a levou até ali, mas estaria mentindo se dissesse que quer voltar para o mundo real e para sua vida antiga.
personalidade.
Isabel é sonhadora e idealista, ficando frequentemente mergulhada em suas próprias fantasias. Ela tende a ser compreensiva e evitar conflitos, o que às vezes a torna vulnerável a ser aproveitada pelos outros. Sua natureza atrapalhada sempre lhe causa situações embaraçosas, e sua inocência faz com que confie facilmente nas pessoas. Apesar disso, ela está em um processo de autoconhecimento e busca afirmar-se mais, desejando ser respeitada e valorizada na tentativa de equilibrar sua natureza gentil com uma postura mais assertiva e confiante. Desde que chegou ao Reino dos Perdidos, tem tentado com afinco mostrar um novo lado de si: uma pessoa menos benevolente e mais arisca. Afinal, se continuasse ali – e ela esperava poder continuar – não teria como ocupar o papel do General Ás de Copas sendo tão complacente.
antes do reino dos perdidos.
O livro, que até então acreditava ser um presente de aniversário, brilhou para Isabel e a sugou para o Mundo das Histórias enquanto ela estava na recepção do dentista esperando a filha de sua chefe ser atendida, após decidir dar uma espiada sobre o que se tratava aquele presente misterioso que haviam deixado em sua porta naquela manhã. Mas quem é essa tal de Isabel e por que ela foi parar na história de Wonderland? A segunda resposta eu não posso te dar, até porque eu também não sei nem como nem o porquê, mas quem ela é eu posso te contar.
Isabel Price é uma mulher comum, de nome comum, que vive uma vida comum, tem um marido comum, um emprego comum, uma mãe... ok, sua mãe não é tão comum assim, essa é a única parte que não é completamente desinteressante. Tá bom, tá bom! Eu vou te contar tudo direito, mas aviso desde já: não há nada de emocionante, é uma história de vida completamente ordinária. Mas já que você insiste em saber então vamos lá, do início.
Nascida e criada em Nova York, Isabel ao longo dos seus 30 anos recém-completos já fantasiou dezenas de realidades alternativas em universos diversos. Desde pequena, sua imaginação fértil a levava a lugares incríveis, mas também a frustrava de formas inimagináveis. Inventava as mais diversas histórias para fugir da própria realidade monótona e sempre ficava triste, por vezes até aborrecida, quando tinha que ir dormir porque precisaria acordar cedo no outro dia; afinal sua vida estava bem longe de ser o conto de fadas que desejava.
É formada em letras, e apesar de trabalhar numa editora de livros renomada, seu emprego a deixa insatisfeita, já que foi em busca da vaga com o objetivo de fazer uma ponte para ter seus livros publicados, e se frustrou completamente quando percebeu que na realidade sua chefe só precisava de uma faz-tudo e não tinha o menor interesse em si como escritora. Ela se via presa em uma rotina entediante, com um sonho que parecia impossível de ser realizado e ainda carregando o fardo emocional de estar passando por um processo de divórcio doloroso após descobrir que era traída pelo marido.
E não, a base familiar dela também não é funcional. Primeiro, ela é filha de mãe solteira. Segundo, a mãe dela na verdade parece uma irmã mais velha que quer ser mais nova. Terceiro, por que você acha que ela tenta fugir da própria realidade desde criança?! Mas enfim... Isabel falhou em literalmente todos os âmbitos da sua vida, e por isso se viu obrigada a voltar a morar com sua progenitora: uma mulher de cinquenta e poucos anos, com uma personalidade expansiva que não combina nem um pouco com a da filha, que se considera o verdadeiro espírito livre e atua como sexóloga e escritora de livros eróticos.
Agora que você já sabe quem ela é, podemos deixar essa história toda no passado? Fala sério, no lugar dela você também iria enxergar essa confusão toda como uma oportunidade de recomeço. Então deixa ela, mesmo que continue não sendo protagonista nem da própria história, talvez seja a hora dela escrever algo novo para si e viver novos traumas! Quero dizer, talvez seja a hora de viver algo inédito, diferente, e quem sabe realizar alguns sonhos.
sofia observou isabel enquanto a colega justificava , pela enésima vez , porque não queria beber . ela quase revirou os olhos , mas se conteve , mantendo uma expressão divertida , como se já esperasse aquela resposta . sofia sabia muito bem que isabel tinha um lado mais … cauteloso , mas ainda assim , gostava de testar esses limites . ela apoiou a bolsa sobre o balcão e inclinou-se levemente para a outra , um sorriso malicioso nos lábios … o que nunca era bom sinal . ‘ aaaah , belle . ’ sua voz saiu arrastada para ser um pouco mais dramática . ‘ você se preocupa demais . honestamente , quem aqui vai lembrar se você der uma escapadinha do seu comportamento exemplar por uma noite ? ’ a bourbon jogou os cabelos loiros para o lado , se apoiando em uma mesa próxima . ‘ é só uma bebida , não uma confissão de todos os seus segredos mais sombrios . ’ sofia sentia que isabel tinha um lado divertido , uma faísca que estava apenas esperando para ser acesa . aproximou-se um pouco mais , seu olhar persuasivo . ‘ eu prometo que não deixarei você passar vergonha . você pode ser uma mulher divertida e ainda ser responsável . os dois não são mutuamente exclusivos . ’
Isabel suspirou, já familiarizada com a tática de Sofia. Ela observou a amiga jogar os cabelos loiros para o lado e se apoiar na mesa, como se estivesse arquitetando um plano infalível. Por mais que tentasse manter a compostura, não pôde evitar sorrir de canto. Enquanto a loira falava, a Price disfarçou um pequeno rolar de olhos e cruzou os braços, fitando-a com a expressão de quem não cairia naquele papo, por mais que estivesse bem perto de deixar sua máscara da responsabilidade de lado e ceder. Claro, era "só uma bebida", e claro, "ninguém ia lembrar". Mas Isabel já conhecia bem a história: uma bebida sempre levava a outra, e de repente ela estaria participando de alguma loucura que envolveria memórias constrangedoras na manhã seguinte. Já tinha vivido isso uma vez e era o suficiente pra sua derrota pessoal, não precisava viver novamente. Ou precisava? De repente começou a ponderar que talvez aquilo fosse o que estava lhe faltando: diversão. Ela soltou outro suspiro, dessa vez muito mais exagerado, quase teatral. "Primeiramente, eu nem tenho segredos sombrios," respondeu num tom divertido. "E, em segundo lugar, sou realmente muito fraca para bebida," completou, percebendo que não existia argumento neste mundo que faria Sofia desistir daquela ideia. Apesar da resistência, Isabel sabia que, no fundo, se divertia com o jeito insistente da amiga. A loira tinha um talento inegável para persuadir e, de algum modo, sempre conseguia fazê-la relaxar e se soltar um pouco mais do que o habitual. “Mas algo me diz que não importa o que eu diga, você não vai desistir.”
Com o convite feito a Isabel para uma visita ao cassino comandado pelo ilustre Gato de Botas, a perdida buscava uma fuga das frustrações que, nos últimos dias, haviam minado sua paciência. No entanto, seus esforços pareciam apenas agravar o que tentava silenciar, alimentando ainda mais o fogo do ressentimento que ardia incessante dentro de si. A máquina de caça-níqueis à sua frente tornara-se um detalhe irrelevante, enquanto as írises cristalinas vagavam pelas figuras ao redor, todas indiferentes quanto a sua presença. Embora fosse um alívio não ser o alvo de mais um ataque de desprezo, como de costume, isso estava longe de apagar da memória as ofensas que Ramona fora obrigada a escutar desde o momento que havia chegado àquele ambiente corrompido pela hostilidade. Lançando um último olhar de fúria em direção ao salão, ela se voltou para sua acompanhante, pronta para deixar que seu veneno gotejasse pelos lábios. “Se já não fossem abomináveis o suficiente, ainda são viciados em jogos de azar.” Disparou, o rancor em suas palavras transbordando de desdém. “Nunca pensei que sentiria falta do nosso mundo. Pelo menos lá, estávamos em um caminho que nos levava à extinção.” Seu tom revelava uma faceta estranha e distante de sua personalidade habitual, enquanto se tornava cada vez mais consciente dos efeitos negativos da situação insana em que se encontrava.
Isabel não estava acostumada a frequentar aquele tipo de ambiente, na realidade, nunca havia entrado em um cassino antes. Seus olhos curiosos passeavam pelo local, encantada e ao mesmo tempo ligeiramente assustada com a grandiosidade de tudo que havia ali. Tão distraída quanto acreditava que Ramona também estava, foram necessários alguns segundos para retornar à realidade quando ouviu a voz da outra mulher soar lá no fundo. Seu olhar se voltou para a loira, mas Isabel ainda levou algum tempo para associar o que ela acabara de dizer. “A realidade é que eles não são muito diferentes de nós, no final das contas. Nunca tinha ido a um cassino, mas tenho certeza de que os do nosso mundo fazem tanto sucesso quanto este aqui,” afirmou, sabendo que jogos de azar eram um problema grande para as pessoas do mundo real. “Talvez seres humanos, no geral, estejam propensos a serem viciados em jogos assim. Não importa se são normais, mágicos ou… meio-bicho?” A testa se franziu numa expressão de dúvida; a realidade era que não sabia classificar os seres daquele reino por categorias. “Sendo bem sincera? Do jeito que as coisas andam aqui, não duvidaria que também estivéssemos caminhando para a extinção.” Sua fala soou séria, algo um tanto difícil de se ver. Lembrava-se dos sonhos estranhos e da sensação de morte iminente que a acompanhava nos últimos tempos, sendo capaz até de sentir um arrepio na espinha só de pensar naquilo. Ao perceber o peso das suas palavras, a morena abriu um sorriso animado; a fim de amenizar o clima tenso. “Mas, hey, não é tão ruim! A magia pode ser divertida, e aqui tem pessoas muito legais também. Não é possível que você odeie absolutamente tudo e todos que conheceu até agora… é?”
Hansel ficou surpreso ao avistar Isabel adentrando o Grimms Amo Tattoo. Geralmente era Hansel quem aparecia no Sinister Mirage, e ele sempre brincava sobre como não deveria estar no estabelecimento de Malévola com a reputação de caçador de bruxas que ele tinha. Sempre estava jogando algumas brincadeiras na direção da garota para poder desfrutar de seu sorriso bonito, mas dessa vez foi ela quem fez Hansel achar graça quando ela argumentou sobre como queria comprar uma arma, antes mesmo que ele pudesse achar estranho. "Você tem cara de quem faria uma tatuagem, mas daquelas bem escondidas." Hansel assentiu, recostando-se no balcão do estabelecimento. "Certo. Então... ou você veio fazer uma tatuagem, ou você veio comprar uma arma, ou uma terceira opção secreta... você veio me ver." Ele não conseguiu conter uma leve provocação, piscando para Isabel. Hansel logo riu de si mesmo, dando a volta pelo balcão para encontrar-se com ela do outro lado. Felizmente, o Grimms estava vazio, e ele podia falar de armas livremente, já que não era todo mundo que sabia que poderia comprar ali. Isabel, no entanto, já tinha escutado Hansel tagarelar sobre quando ele estava bêbado no Sinister Mirage. Sem contar que... bem, ela devia escutar todo tipo de coisa na boate. "Seja qual for a opção, não vou te julgar." Adicionou ainda em um tom brincalhão, mas já estava andando pela loja, esperando que Isabel o seguisse. "Mas eu tenho mesmo algo que pode ser sua cara. Vem comigo." Foi até uma sala mais ao fundo, tirando um dos quadros da parede. Havia um tipo de cofre ali, e esse não era tão difícil de abrir, já que guardava algumas armas mais básicas. Ele tirou uma pequena adaga de lá, e mostrou para Isabel o cabo dela: avermelhado e com alguns corações enfeitando-o. Quando Isabel mencionou que um dia seria General, ele logo se lembrou disso. "O que acha?"
"Bom… talvez eu realmente fizesse uma tatuagem bem escondida. Se um dia perder o medo e conseguir pensar em algo que não seja totalmente brega e que não me faça querer morrer de arrependimento depois," comentou, sabendo que estava sendo exagerada. "Acha que eu tenho cara de quem faria qual tipo de tatuagem?" De repente, havia mesmo ficado curiosa sobre aquilo. Isabel já havia conversado com Hansel vezes o suficiente para se acostumar com as brincadeiras em tom de flerte que ele lhe direcionava, mas não estava acostumada. Por mais que tentasse agir com naturalidade, ainda podia sentir seu rosto esquentar todas as vezes que ele falava algo assim, e tinha certeza de que, naquele momento, suas bochechas haviam ganhado um tom rosado. "Jamais admitiria caso meu real motivo fosse essa terceira opção secreta, mas também não vou te dizer para descartar essa possibilidade. Nunca se sabe." Um riso lhe escapuliu, leve e descontraído. “Serei eternamente grata pelo seu não-julgamento,” completou, enquanto seguia o rapaz pela loja. Inicialmente, a mulher não tinha mesmo a intenção de arranjar uma arma, mas aquela ideia lhe parecia bastante útil, até mais do que ela gostaria que fosse. Fitou a adaga com admiração nos olhos, sentindo uma identificação estranha com aquela arma. “Que… esquisito. É realmente a minha cara.” Um sorriso adornou seus lábios enquanto ela desviava o olhar do objeto para o rapaz. “Ela é linda. Eu só não sei como manusear.”
Gostava bastante de arte, ainda que fosse mais de se ater música ou a escrita, mesmo assim gostava de passear pela galeria, especialmente quando podia encontrar com a amiga perdida. Dessa vez, por um milagre não se assustou quando ela chegou de maneira silenciosa, apenas sorriu em resposta. ❝Eu gostei do nome, acredito que faz jus ao que retrata.❞ Ele reconhecia a carga emocional que cartas poderiam conter, especialmente por que ele mesmo guardava todas cartas trocadas em uma caixa, todas muito bem organizadas. Era apegado demais em todas para se desfazer, ainda se recordava das palavras de algumas das cartas que havia enviado para Christine sempre que precisava ficar longe dela por algum período de tempo quando eram casados... Apaixonado como era, a saudade sempre foi gritante em seu peito e apenas despejar aqueles sentimentos fazendo uso de bom tinteiro lhe acalentava. ❝Por mais que seja tentador, sou um pouco apegado as minhas cartas... Acho que é uma dos poucos traços meus que não consigo me desfazer.❞ O apego. Ele sempre foi muito apegado, fosse ao passado ou qualquer coisa que lhe fosse importante. ❝Achei que não faria mal fazer uma surpresa, alegrar mais o seu dia de trabalho.❞ Piscou pra ela divertido, gostava de trazer certa leveza, mesmo que o tema de tudo ali fosse tão melancólico. ❝Peço desculpas por isso, mas andei caindo na bebedeira esses últimos tempos por conta dos sonhos e memórias confusas... Fora as noites que acabo indo atrás de Carlota, mesmo sem entender o por que... Mas acho que vou ficar bem sóbrio essa semana, graças a Deus, mas e você? O que tem feito que não me mandou nenhum Scroll?❞
Isabel não conseguiu evitar que um vislumbre de sorriso surgisse no canto dos seus lábios, orgulhosa de si mesma após ter a aprovação de Raul sobre o nome dado àquela obra. Reconhecia a sensibilidade do homem e o apreço do mesmo pela arte, então ter a validação dele naquele aspecto lhe fazia sentir como se estivesse no caminho certo. "Eu jamais te diria para te desfazer das suas cartas, mas você sempre pode escrever uma nova." Um novo sorriso iluminou seu rosto, trazendo aos seus olhos um brilho sincero. Sempre havia sido uma pessoa muito solitária, então qualquer ato de cortesia e atenção, por mais simples que fosse, acabava se tornando muito significativo. Ficava feliz por saber que não estava sozinha. "Pois sua surpresa realmente alegrou meu dia de trabalho," afirmou, rindo da piscadela divertida que ele havia lhe direcionado. "Volto a repetir que não precisa ficar sozinho nesses momentos, sempre estarei disposta a te ajudar como puder. Mas, de qualquer modo, fico feliz que esteja bem esta semana." A verdade era que não tinha ideia de como poderia ajudá-lo, quando ela mesma vinha se perdendo com suas próprias memórias confusas, mas estava disposta a tentar. "Digamos que a rotina de trabalhar aqui na Galeria e no Sinister Mirage está sugando muito da minha energia. Também estou tendo umas confusões mentais e perdas de memória… tem sido um pouco difícil lidar com tanta coisa ao mesmo tempo, mas estou me adaptando… mais uma vez," suspirou. "Peço desculpas pela minha ausência e pela falta de Scrolls, juro que não vai mais acontecer," garantiu, erguendo o dedo mindinho da sua destra. "É uma promessa de dedinho. De onde eu venho, é a forma mais séria e comprometida de todas para selar acordos." Sorriu, não se importando se aquilo poderia soar infantil ou não. "É só entrelaçar seu dedo mindinho no meu e voilà."
❝Tipo, todas as fadas aqui são as do filme da Tinkerbell ou tem outras fadas... Quer dizer, a Malévola é uma fada ou estão contando com a versão que ela é tipo uma fênix, por acho que é isso que o live-action quis passar né? Que ela é uma fada negra fênix galinha flamejante?❞ Acabou ficando confusa conforme falava, mas parecia que quando mais tentava fazer sentido no que dizia pior ficava. Mas pelo menos Isabel estava sendo um anjo e lhe guiando por tudo aquilo da melhor forma que podia, agradecia todos os dias pela paciência alheia. ❝Nossa, eu não deveria estar falando isso em voz alta por aqui né? Fadas nunca me pareceram ter bom temperamento... Já teve problema com alguma por aqui?❞
Não resistiu ao impulso de rir ao ouvir as coisas que a outra mulher dizia, sentindo-se levemente culpada por rir de sua nova chefe, Malévola. "Todas as fadas existentes nesses contos, e também novas fadas que serão adicionadas, pelo que eu entendi. Temos as fadas de Tinker Bell, a própria Tinker Bell, óbvio. E também a Malévola, e a Fada Azul de Pinóquio… e algumas outras fadas que vão aparecer, mas eu não sei exatamente quais", tentou explicar. Nos últimos tempos, se esforçava para ser uma boa guia e esclarecedora de dúvidas para Sol; afinal, era algo que gostaria que tivessem feito por si quando chegou até ali. "Acho que isso pode ter soado um pouco mais ofensivo do que as outras coisas que estava dizendo", riu baixinho. "Mas, pela minha experiência, elas são… tranquilas. Nunca tive problema com nenhuma, inclusive uma delas me acolheu bastante. Mas me diga, o que você está esperando disso tudo?"
A injustiça começava (na verdade, não chegava nem a ser o começo) só no fato de Mirana ter recebido mais quatro pessoas dedicadas a adorá-la e ajudá-la, enquanto Iracebeth só recebia uma, mas tudo bem, já estava quase conformada com o fato de que um vilão não podia se dar muito bem. Havia ainda outro detalhe: em seus dias de glória como Rainha de Copas, Iracebeth usara magia para criar e unir seu exército. Conhecia cada soldado como a palma de sua mão, visto que eles dependiam dela e ela dependia deles. Ficava mais forte a medida que eles avançavam, e quando um era derrotado, sentia em seu próprio coração, consequência da magia. Quando Jaguadarte foi morto, sentiu que ela seria a próxima não pelas mãos de Alice, mas pela dor que sentiu. Já quando olhava para Isabel, não sentia nada além de desprezo. Não a conhecia, e não sabia como ela poderia se tornar sua general. "Acho que você não entendeu que eu sou sua rainha. Ou serei, um dia. Não preciso me aproximar de você. Na verdade, sempre acreditei que é melhor ser temida que amada." Falou impassível. Nem acreditava que realmente precisava de toda aquela severidade, mas preferia deixar aquilo bem claro: "Não vou tolerar desrespeito da única pessoa que teoricamente está do meu lado. Então, eu me acalmo um pouco, e você entende isso, tudo bem?"
O arrependimento veio instantaneamente, logo após Isabel concluir sua fala. Mais uma vez, dando razão à voz da sua consciência e se reprimindo por não tê-la ouvido. Seria, sim, bem melhor que continuasse a evitar Iracebeth enquanto podia, e apenas deixasse a magia daquele mundo agir por conta própria quando fosse para ela se tornar a general da Rainha Vermelha, mas, para sua infelicidade, não conseguia ser dessa forma. Era compreensiva e curiosa demais para só ignorar toda a história por trás daquela que era contada por aí. Soube, no mesmo instante em que ouviu a resposta da outra mulher, que não seria uma tarefa fácil lidar com ela; chegando à conclusão de que, realmente, eram altas as chances de não sobrar nada de si mesma quando se tornasse a General Ás de Copas. “Esse deve ser a raiz dos seus problemas então”, comentou sem pensar muito no que dizia, algo que acontecia com mais frequência do que gostaria. “Desculpa, não quis dizer isso. É só que… um laço baseado no medo pode ser forte, mas nada é mais forte do que a lealdade. Talvez nunca tenha tido isso, uma pessoa que esteja ao seu lado por querer ser leal a você a qualquer custo. Mas estou me colocando na posição de ser essa pessoa, independente de medo, maldição, magia ou sei lá o que vai acontecer.” Continuou, suspirando. “Como vai dar um cargo tão importante a alguém em quem não confia?” questionou, fitando-a sem desviar o olhar. “Foi uma pergunta retórica, já entendi que não é assim que as coisas funcionam com você”, concluiu, bebericando o café da sua xícara. “Ingenuidade minha pensar que isso tinha qualquer chance de dar certo. Enfim, sinto muito por tomar seu tempo.”
Diaval até tentou ignorar e passar reto quando avistou Isabel conversando com um homem bem em frente ao Sinister Mirage. Enquanto saía do estabelecimento, Diaval só conseguia escutá-lo falando sobre algum relógio que podia manipular o tempo. Quis rolar os olhos para o homem que certamente estava tentando vender algum aparelho defeituoso ou falso pra ela, mas ele continuava falando sobre outros produtos que tinha, e Isabel parecia realmente interessada. Quando ele mencionou um aparelho eletrônico que poderia fazê-la se comunicar com o antigo mundo dela, Diaval teve que intervir. Até poderia mesmo deixá-la gastar seus primeiros merlos suados nisso, mas ele não conseguiu só deixar pra lá. O corvo se colocou ao lado de Isabele, tocando-a gentilmente nas costas como se chamasse a atenção dela para tirá-la dali. "É, tudo bem. Ela não está interessada." Foi o que disse para o homem, afastando-se dele e esperando que Isabele fizesse o mesmo. "Estou curioso, não existiam golpes no seu mundo?" Questionou-a quando já estavam longe, logo voltando a atenção para as mãos dela. "Espera, você não comprou nada com ele, comprou?"
Desde que começou a ter idade suficiente para sair na rua sozinha, Isabel era alvo de vendedores ambulantes e golpistas que enxergavam a ingenuidade em sua feição delicada e se aproveitavam disso. Quando ficou mais velha, achou que isso melhoraria, mas estava enganada. Ao chegar no Mundo dos Perdidos, achou que melhoraria mais uma vez, e novamente estava enganada. Por esse motivo, evitava ao máximo dar atenção para as pessoas que tentavam pará-la na rua, mas aquele senhor havia sido insistente demais, e, além disso, ele poderia ser apenas um cliente do Sinister Mirage; ela, como hostess, tinha a obrigação de atendê-lo. Estava quase cedendo e gastando boa parte do salário que havia acabado de receber numa daquelas bugigangas que ele lhe oferecia quando foi surpreendida pela presença de Diaval. Não teve tempo de processar, apenas afastou-se do outro homem na companhia do colega de trabalho, um tanto confusa com o que havia acabado de acontecer, afinal o corvo nunca lhe dirigia a palavra, mas agora estava a livrando de uma enrascada. “É claro que existiam golpes no meu mundo. Pessoas mau caráter têm em todo canto. Mas eu meio que caía em quase todos.” A última frase saiu num tom de voz mais baixo e envergonhado. Sentia-se patética por saber que podia ser enganada tão facilmente e ainda não ter conseguido mudar isso. “Em minha defesa, eu não sei dizer não para as pessoas. Elas me pressionam e eu não quero ser mal-educada! Então acabo cedendo.” argumentou. “O quê? Não! Eu não comprei nada. Foi por muito pouco, mas não comprei. Isso é só o cartão dele… Se bem que, do jeito que as coisas estão, talvez seja um objeto de espionagem ou um rastreador pra ele saber onde estou e tentar me assaltar. Não querendo julgar as pessoas, até porque ele parecia um senhor tão bonzinho, mas já sei que não era bonzinho, porque se fosse não estaria tentando me dar um golpe, né? De qualquer modo, é melhor eu me livrar desse cartão.” disparou a falar, só depois reparando que, mais uma vez, estava tagarelando demais sobre coisas que ninguém se importava e provavelmente sendo um incômodo. “Perdão, às vezes eu falo muito. E enfim, obrigada por ter me ajudado nessa. Isso foi bem legal da sua parte.”
O comentário dela o deixou ligeiramente instigado. Os olhos estreitaram na direção desta visualizando suas feições, pois, ainda que concordasse ficava curioso para saber mais. "Algumas pessoas, pelo que soube, estão vivendo o melhor momento de suas vidas. Por que será então que nossa liberdade" movimentou o dedo para si e para ela. "não está sendo a mesma coisa? Parece besteira ficar se lamentando e não usufruir dessa realidade. É como tudo vai ser daqui pra frente, aparentemente."
Isabel sequer sabia exatamente o que quis dizer com aquilo, mas por algum motivo parecia fazer muito sentido com o que ela vinha sentindo nos últimos dias. “Sendo honesta eu sou uma das pessoas que está vivendo o melhor momento da vida… ou estava.” suspirou. “É só que… não sei, parece cada vez menos a minha vida. Talvez eu esteja com um pouco de medo de… sabe… me perder de mim mesma.” o encarou, em busca de qualquer sinal de que ele pudesse estar a julgando como louca. “Achei que tudo seria diferente. Talvez seja mais fácil para a maioria dos outros do que para nós, usufruir dessa realidade. Afinal seremos… vilões.”
Para alguém que inicialmente ficou tão maravilhada com a ideia de estar dentro de um conto, a ponto de não desejar voltar para o mundo real, Isabel estava pensando demais na sua vida fora dali. Mas também como não pensar quando as coisas vinham ficando cada vez mais estranhas? Desde o último sonho que havia tido com Jacob, não parava de tentar encontrar uma explicação para aquela conexão entre os dois mundos, sentindo o peso da frustração em seus ombros cada vez maior, assim como o medo que crescia dentro de si. Não era uma história de terror que ela esperava viver. “Você tem alguma ideia de como devem estar as coisas no meu mundo? Digo, será que eu sumi de lá fisicamente ou só estou numa espécie de coma?” Sabia que havia sido sugada para dentro de um livro, mas não sabia o quão real aquilo poderia ter sido para as outras pessoas. Eles viram ela ser sugada ou ela só desapareceu? Ela realmente desapareceu ou apenas desmaiou? Jacob havia lhe dado certeza de que ela não só havia desaparecido como também havia sido esquecida, como se nunca tivesse existido. No final, era essa a sua dúvida verdadeira: seria possível que a existência dela tivesse sido completamente apagada do mundo real? Queria muito saber, mas só de pensar em questionar Jane sobre aquilo, um nó se formava em sua garganta. “Preciso da sua opinião sincera e embasada de cientista e pesquisadora mágica sobre isso tudo que está acontecendo.”
starter for: @naovaleumraul
where: galleria dei cuori spezzati
Isabel sempre foi uma mulher muito sentimental, por isso sua preferência em escrever romances, e por isso também gostava tanto do seu trabalho na Galleria Dei Cuori Spezzati. Ser curadora do local não só lhe dava a chance de conhecer bem cada dor que era exposta ali através de algum objeto ou arte, como também lhe permitia se conectar com lindas e trágicas histórias de amor; era tudo que uma escritora dramática precisava. “Eu chamo essa aí de Muro da Dor. Não é o nome original, mas parece fazer mais sentido pra mim,” comentou após aproximar-se de Raul de forma silenciosa. “São cartas que expressam os sentimentos de amor perdido. Coisas que as pessoas gostariam de dizer para alguém e, por algum motivo, não podem… eles escrevem e colocam aqui. Você pode colocar a sua também se quiser, não precisa de identificação,” explicou, enquanto encarava a grande parede de vidro repleta de cartas que eram penduradas por cordas individuais. “Fico feliz que tenha levado meu convite em consideração e tenha vindo nos visitar. É bom te ver por aqui,” disse, abrindo um sorriso ao, finalmente, voltar o olhar para o homem. “Principalmente porque andou sumido. Faz tempo desde a última vez que nos vimos! O que tem feito?”
Mais uma situação estranha. Céus, perdidos eram tão diferentes! No mundo mágico, ser feio era praticamente um crime imperdoável. Ele sabia disso, afinal, foi uma das razões para seu isolamento e também o motivo pelo qual teve que construir todo um sistema de busca e entregas em seu negócio para que as pessoas não tivessem que vê-lo. Ok, ok, havia o fator força destrutiva, mas feiúra já seria suficiente. Será que no mundo dos perdidos feiúra era algo normal? Se imaginou andando num mundo cheio de pessoas feias, que se tinham cicatrizes não as escondiam com máscaras, se tinham uma mão maior que a outra simplesmente seguiam a vida e... Pareceu surreal demais. "Ah!" exclamou, surpreso "Acho que eu era pior antes" resmungou. Quando "nasceu", Aiden era bem mais assustador. Com o tempo foi aprendendo a imitar as figuras de livros, revistas e folhetos de propaganda: a cortar o cabelo, colocar roupas adequadas, aparar a barba e o bigode. Resumindo: a disfarçar para tentar se misturar. "Eu não sei... Toda a comunidade científica acha uma atrocidade, mas ele continua tendo uma clínica médica. Talvez tenha valido a pena pelo conhecimento adquirido? Minha opinião não importa muito." mas acho Victor um imbecil, pensou. Devia se sentir lisonjeado ou ofendido? Decidiu que os ambos. "Desculpe. Aqui estão seus livros. O Fantasma da Ópera é um dos meus favoritos." comentou de forma meio aleatória, fugindo de falar do cientista. "Eu aprendi a falar, vim com a capacidade, mas não sabia como fazer." deu de ombros. "Como eu podia ser tão pior que isso aqui?" indagou, curioso. Para os padrões do mundo mágico, ele era uma atrocidade. As Pessoas do outro mundo deviam ser bem criativas. Quanta ficção interessante deveria haver naquele mundo! Como será que tomavam suas grandes decisões sem Merlin pra auxiliá-los? E por que el achava que ele não saberia falar? Quer dizer, foi difícil no começo, mas apenas porque ainda não sabia usar sua capacidade de aprendizado. Seu cérebro era bastante funcional, porque Victor tinha procurado indivíduos inteligentes para usar em seu projeto. O grande problema é que Aiden acabou herdando também as emoções dessas diversas pessoas e algumas lembranças que não foram completamente apagadas, então pensava muito, tanto que era mais fácil falar só o necessário. "As... Criaturas desses filmes... Tem nomes? Eu me chamo Aiden." questionou, curioso. Ele havia escolhido o seu próprio, será que todos os outros haviam optado pelo mesmo? Ou se não sabiam falar, como teriam escolhido?
Isabel sabia que algumas vezes podia acabar sendo inconveniente e até ofensiva quando começava seu falatório; as palavras saíam de sua boca antes que ela pudesse processar e filtrar. Já havia perdido as contas de quantas vezes sentiu vergonha de si mesma por falar mais do que deveria e soltar algumas bobagens dignas de julgamentos. Por isso, já estava acostumada a receber aquele tipo de reação. Palavras soltas como resposta, olhar confuso e gestos displicentes, como dar de ombros, eram coisas que geralmente as pessoas que estavam ponderando “o que essa louca pensa que está falando” faziam. Ela tinha certeza de que naquele momento o rapaz deveria estar a julgando muito, assim como tantas outras pessoas fizeram e continuavam fazendo desde que ela chegou àquele reino. Mas não tirava a razão dele; afinal, que merda lhe tinha dado na cabeça para chamar alguém de feio daquela forma? Mesmo que fosse para dizer que ele não era tão feio, as pessoas têm sentimentos e se ofendem; ela não deveria ser tão indelicada. E ainda dizer que o cientista obcecado que o criou e depois o desprezou havia feito um bom trabalho? Ok, definitivamente precisava calar a boca. “Desculpe, eu não quis… dizer isso,” falou, uma expressão de culpa e arrependimento tomando seu rosto. Era em situações desconfortáveis como aquela, que colocava a si mesma e as outras pessoas, que a fazia considerar fortemente fingir que não existia… fosse naquele ou no seu mundo. Mordeu os lábios, balançando a cabeça em concordância enquanto se esforçava para não começar todo um discurso de como a opinião dele, na realidade, era a mais importante naquela história toda, pois não queria causar ainda mais desconforto. “Obrigada por ter me ajudado com eles, e novamente desculpa pelo tombo.” Um sorriso adornou seus lábios enquanto ela esticava as mãos para pegar os livros de volta. “Jura? Ele é um dos meus favoritos também! Estou tentando reler todas as histórias na versão original daqui, mas decidi comprar só as que mais gosto,” tagarelou novamente, ainda que ele não a tivesse perguntado nada. Franziu as sobrancelhas, olhando-o com atenção ao ouvir sua pergunta; como explicaria aquilo? “Ah… é que te descreviam e representavam realmente como um monstro, desses que dão sustos em criancinhas. Mas você só parece… um homem comum, que precisou passar por algumas cirurgias e agora tem depressão e não sai de casa pra pegar um solzinho, por isso parece que tá meio morto. Se surpreenderia com a quantidade de pessoas no meu mundo que são depressivas e parecem meio mortas.” Abriu um sorriso amarelo, meio sem graça por ainda estar falando da aparência dele. “Bom… elas são chamadas de Frankenstein, por causa do criador. Eu sei, completamente sem personalidade. Mas são as verdadeiras estrelas; as pessoas adoram,” afirmou. A expressão de Isabel mudou brevemente para uma de surpresa; ela deu um passo para o lado e usou uma das mãos para tocar o braço de Aiden, como se quisesse fazê-lo imitar sua ação, dando espaço para a pessoa que tentava entrar na livraria. “Prazer em conhecê-lo, Aiden. Me chamo Isabel.” Estendeu a mesma mão que usou para tocá-lo, a fim de cumprimentá-lo. “Você… gosta de chá? Acho que estamos atrapalhando um pouco a passagem ficando parados aqui,” convidou, só depois se lembrando que provavelmente ela o estava atrapalhando. “Quero dizer, se não for interferir nos seus planos.”
A falta de privacidade no centro de contenção de crise e a jornada dupla de trabalho vinha fazendo Isabel se afastar da escrita. Não sabia se, aos poucos, se afastava de quem era de verdade e do que gostava de fazer por conta da magia que a transformaria na General Ás de Copas, ou se realmente só estava com a rotina cheia demais. Tudo o que sabia era que escrever histórias se tornava um costume cada vez menos presente no seu dia-a-dia, por mais que sentisse vontade de anotar tudo o que lhe acontecia ela sempre acabava deixando isso para depois, e o depois nunca chegava. Por essa razão, todas as vezes que ia encontrar Christine era preenchida por uma sensação nostálgica, como se estivesse voltando a suas origens. Desde que haviam começado a se encontrar semanalmente para conversar sobre suas histórias e oferecer suporte na escrita uma para a outra, a mulher vinha sendo, de longe, uma de suas pessoas e companhias favoritas daquele mundo. “Eu estava tão ansiosa para nosso encontro dessa semana!” Seu tom era empolgado e o sorriso se alargava em seus lábios. “Por onde vamos começar hoje?”
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Haviam poucas pessoas que faziam Isabel se sentir tão confortável com a presença; uma delas era Hansel. Apesar de não entender muito bem como aquela amizade se iniciou, já que eles não tinham quase nada em comum, ela sabia que, se fosse para listar seus acontecimentos inusitados favoritos naquele mundo até agora, um deles seria tê-lo conhecido. Não tinham tanta intimidade e nem se viam com tanta frequência, mas as visitas do rapaz ao Sinister Mirage sempre tornavam sua rotina de trabalho tão mais leve que, quando ele passava muito tempo sem ir ao estabelecimento, ela sentia falta das conversas intermináveis. Por isso havia ido até ele dessa vez. "O que te faz pensar que eu vim até aqui pra fazer uma tatuagem? Eu posso só ter vindo comprar uma arma. Acho que já passou da hora de eu ter uma arma," argumentou, sabendo que não soava convincente sobre seu objetivo. "E não diga que eu não tenho cara de alguém que teria uma arma; eu sou uma general! Ou serei… ou deveria ser…" deu de ombros. Era fato que, apesar de ter notado algumas mudanças sutis na sua forma de agir, Isabel ainda não conseguia associar quem ela era com quem diziam que ela seria. "De qualquer forma, se for pra julgar o livro pela capa, eu também não tenho cara de quem faria uma tatuagem."
Era estranho para Isabel olhar pra mulher a quem teoricamente daria a vida e não sentir nada. Por tudo que já havia lido sobre ela, é claro que havia um pé atrás, mas o arrepio que percorria sua espinha sempre que estava na presença alheia nada tinha a ver com medo. Apesar de se assustar com as trocas de humor repentinas da Rainha Vermelha, a nova-iorquina não a temia, não tinha motivos para temê-la, pelo menos não ainda. Afinal, ela não poderia lhe matar estando ali, não é? É claro que não, por mais que Isabel sentisse que não era por falta de vontade. “Pode parar de me olhar assim? Dessa vez eu não vim pedir pra você me ensinar nada,” disse por fim, após alguns minutos desconfortáveis de silêncio. “Eu só quero… ouvir seu lado da história. Entender como é possível isso aqui acontecer,” gesticulou com as mãos, indicando que se referia à relação que se estabeleceria entre elas duas. Depois de muito evitar Iracebeth e tentar ignorar o seu destino de vilã, Isabel finalmente havia aceitado que aquilo aconteceria independente da sua vontade, então era melhor que começasse a se acostumar com a ideia. “Eu sei, eu sei. Vai acontecer graças à mesma magia que me trouxe até aqui. Mas não seria tão terrível se tentássemos nos conhecer melhor e nos aproximar por conta própria, seria?”
Desconfiança era uma das coisas que Isabel mais tentava praticar desde que havia chegado ao Reino dos Perdidos. No entanto, não esperava que fosse uma tarefa tão difícil. Já havia conhecido vilões e mocinhos o suficiente para, teoricamente, conseguir se situar sobre quais tipos de pessoas ela deveria ou não se aproximar. Mas acabou chegando à conclusão mais óbvia de todas: ninguém é quem parece ser; às vezes, pessoas que parecem boas são más e vice-versa. Por isso, de qualquer forma, ela precisaria arriscar. Ok, suas escolhas nunca foram as melhores, mas sua intuição sempre lhe sussurrou coisas muito verossímeis, apesar de geralmente ignorá-las. Quando se tratava de Sofia, sua intuição lhe dizia para não temer a aproximação, mesmo que ela parecesse ser exatamente o tipo de pessoa com quem normalmente nunca manteria uma amizade. Quando olhava para a outra mulher, tudo o que sentia era um afeto genuíno, e, honestamente, não sabia como podia gostar tanto de alguém que conhecera há tão pouco tempo. Mas havia algo na loira que fazia Isabel se permitir ficar aberta a experienciar coisas novas; o que era muito raro, já que ela era uma baita de uma medrosa. “Eu sei que não estou mais em horário de trabalho, mas mesmo assim não vou beber. Desista! Seria estranho beber na frente dos clientes. E se eu acabar passando vergonha? Com qual cara vou olhar pra eles quando estiver os atendendo depois?”