Exposição "MACRS fps - videoarte em evidência"
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Exposição "MACRS fps - videoarte em evidência"
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INSIDE – BO BURNHAM: uma relação entre humor, isolamento e luto
Dia 05 de março de 2021 minha avó materna faleceu devido às complicações que deram-se pelo vírus Covid-19. Dia 30 de maio de 2021 estreou no serviço de streaming (Netflix) o especial Inside, do comediante estadunidense Bo Burnham (1990-). Esses eventos só se conectam dentro da minha perspectiva, dentro do meu luto, meu isolamento e a presença do senso de humor em momentos difíceis. Humor este que pode ser questionado, devido ao momento atual; Burnham durante a segunda música, chamada Comedy, menciona em seus acordes: “should i be joking at a time like this?”, pois em meio a tantas incertezas, medos e turbulências políticas, encontrar um espaço para se perguntar “o que AINDA te faz rir?”, por 01 hora e 27 minutos, parece interessante e necessário, pelo menos agora, pelo menos para mim.
Inside é uma comédia musical que foi inteiramente gravada durante a pandemia (2020), e dirigida, escrita, editada, e performada pelo artista Bo Burnham, que fez tudo (pelo menos é o que ele deixa a entender) do seu quarto. O especial conta com momentos intimistas de Burnham falando sobre saúde mental, isolamento, e passar o aniversário de 30 anos sozinho; Além de, 20 músicas que relacionam assuntos que vão de problemáticas sociais contemporâneas ou até mesmo o tédio de uma chamada de vídeo com sua mãe, tudo isso misturado com batidas de Electro/Pop.
Tudo junto dá liga, tudo junto torna-se arte, ou especialmente o novo nicho chamado “arte da quarentena” como comentado pelo jornalista estadunidense Abrar Azim em sua matéria: Inside – Bo Burnham and the art of solitude (2021): “Saying that Inside, an American musical comedy special, has redefined a genre would be untrue. It has, in fact, created an entirely new genre – a form of solitary art, more appropriately phrased in these times – quarantine art”.
Tudo junto torna-se um espelho sobre os millennials (entre suas inseguranças, lutos, questionamentos, e o sistema capitalista que fazem parte) e, claro, a pandemia – é como canta Burnham em Welcome to the Internet: “A little bit of everything...All of the time”.
Neste ensaio, para ser uma conversa mais rápida e dinâmica (bom, assim espero), acabei por selecionar quatro canções de Inside, para comentar sobre sua estrutura e significados.
A segunda canção escolhida por Burnham é a chamada (e já mencionada aqui) Comedy, que conta com mais de seis milhões de visualizações no Youtube, nela o artista aborda a principal problemática da obra: O que é moralmente aceito de se fazer piada, nos tempos atuais? E a comédia por si só, pode transformar o mundo, nem que seja metaforicamente? Burnham não responde nenhuma, mas entrega um conteúdo que instiga o pensamento de seus ouvintes/espectadores, sobre o assunto.
The people rising in the streets. The war, the drought. The more I look, the more I see nothing to joke about. Is comedy over? Should I leave you alone?'Cause, really, who's gonna go for joking at a time like this? (...) I wanna help to leave this world better than I found it and I fear that comedy won't help, and the fear is not unfounded. Should I stop trying to be funny? (BURNHAM, 2021)
Além disso, a canção cita outras questões como o aquecimento global – o que é bem comum nas obras do comediante-, desigualdade e opressão social, assuntos esses em que o humor deve ser dosado e aplicado cuidadosamente. Então, Burnham acrescenta sarcasmo na letra, quando canta sobre seus privilégios: “American white guys we've had the floor for at least four-hundred years, so maybe I should just shut the fuck up...I’m bored”, e assim, essa escolha de linguagem e assuntos são englobadas nos seguintes números musicais.
A performance da faixa dois é uma ótima introdução ao especial, especificando suas esperanças e intenções. Também toca na pressão sobre os comediantes durante os momentos de conflito para ser uma fuga para tantas pessoas, e como é fácil ser emocionalmente dependente do entretenimento. Burnham aqui prepara o terreno para uma série de epifanias que podem surgir para alguns dos telespectadores, durante o especial. O que nos leva a quinta canção, que torna-se bem pessoal.
White Woman Instagram, com mais de 10 milhões visualizações no Youtube, mostra Burnham retratando (e interpretando) uma mulher, branca, millennial, e que, posta muitos momentos de sua vida no Instagram (o que torna ela muito relacionável). Durante a apresentação o artista faz inúmeras trocas de roupas e acessórios para demonstrar as situações da personagem que o mesmo criou para a música.
O tom dela, até sua metade, é de uma crítica bem-humorada, como: “Some random quote from Lord of the Rings, incorrectly attributed to Martin Luther King.Is this heaven? Or am I looking at a white woman's Instagram?”. Fazendo assim, o ouvinte/espectador acreditar que a personagem da canção é fútil e que a música irá seguir este caminho. Mas então, ela toma outro rumo.
Na ponte da canção é apresentado um momento de honesta vulnerabilidade da personagem instagramável, é mencionado que a mesma perdeu os pais - a mãe em especial, há pouco tempo, e a dificuldade que a mesma passa com o luto e a saudade.
Her favorite photo of her mom, the caption says: "I can't believeIt's been a decade since you've been gone. Mama, I miss you, I miss sitting with you in the front yard. Still figuring out how to keep living without ya, it's got a little better but it's still hard. Mama, I got a job I love and my own apartment. Your little girl didn't do too bad. Mama, I love you, give a hug and kiss to dad”. (BURNHAM, 2021)
Burnham humaniza a protagonista da canção, criando uma narrativa que equilibra as críticas à exposição nas redes sociais, feminismo branco e futilidade com a sequência, da mulher em questão, lutando com a perda de familiares. A mudança no rumo da canção floresce um sentimento de percepção de que só porque muitas pessoas postam o mesmo conteúdo clichê em lugares como o Instagram, elas ainda são pessoas que têm suas próprias lutas, e tudo isso é apenas uma saída criativa para tentar escapar o caos de suas vidas.
Você ainda pode rir de como isso é ridículo, mas isso não significa que a pessoa por trás disso e os episódios que ela está passaando não sejam dignos de algum respeito. Respeito esse, muitas vezes, em falta nas redes sociais. Aqui Burnham apresenta a rede social (Instagram) como um escape e mostra o lado de sua personagem que interage com o ciberespaço, um pouco demais. Já a 15° canção de Inside fala abertamente sobre a Internet; entre redes sociais, notícias e pesquisas bizarras na barra do Google - Sejam todos muito bem-vindos à Internet.
Anything that brain of yours can think of can be found, canta Burnham na primeira estrofe da música; Welcome to the internet é uma das canções mais famosas do especial, com cerca de 48 milhões de visualizações no Youtube. Nela o artista retrata o perigo e a influência da internet no nosso dia a dia, e como ficamos dependentes da mesma, ainda mais visível durante a pandemia.
A obra desenvolve-se como uma canção clássica de vilões infantis da Disney, com elementos que vão de voz mansa que tenta te convencer a utilizar o ciberespaço até uma risada maléfica de quem realizou um plano maligno e “ganhou” uma batalha contra nós ouvintes, espectadores, internautas e como sociedade. Ela é horrivelmente genial e verdadeira. No refrão Burnham canta: “Could I interest you in everything? All of the time? A little bit of everything all of the time. Apathy's a tragedy and boredom is a crime”. Desta forma, exemplificando como é exaustivo estar em todas as redes sociais, é exaustivo formar e expor uma opinião de todos os assuntos do momento – o fluxo intenso de informações pode sobrecarregar a mente e levar a episódios de ansiedade e depressão, segundo recentes estudos.
Se há uma coisa que esse especial me influenciou, como usuária da internet e suas ferramentas, foi sair, nem que seja um pouco, do site Twitter. Já passaram-se, cerca de, seis meses, coisa que a algum tempo nunca passaria pelos meus planos. Foram mais de 10 anos utilizando essa plataforma, e que culminaram em ansiedade e momentos de extremo estresse. Existem momentos em que dizer Goodbye é necessário, seja ele algum hábito que não traz nada de relevante ou que acrescente na sua saúde mental; ou uma pessoa especial na sua vida que precisou se despedir por incompetência do governo atual, em que pessoas continuam á morrer, mesmo existindo vacina para o combate ao vírus que nos assola; ou um adeus a um especial que mudou a vida de um artista estadunidense, até então, da cena mainstream de humor.
Goodbye é a canção de encerramento do musical, ela segue o estilo de uma balada pop, com uma letra melancólica – que leva o ouvinte a reflexões sobre o futuro pós-pandemico e a compreender referências presentes na música sobre o especial.
When I'm fully irrelevant and totally broken, damn it, call me up and tell me a joke. Oh, shit, you're really joking at a time like this? Well, well, look who's inside again….Went out to look for a reason to hide again, well, well, buddy, you found it. (BURNHAM, 2021)
Burnham afirma, ao longo do musical, que esta foi a primeira canção a começar a ser trabalhada. Durante a parte visual da canção é possível visualizar o artista criando ela e o passar do tempo sendo identificado pelo tamanho do cabelo de Burnham, sua barba e semblante – que mostra-se, com o passar do tempo (para nós segundos) uma angústia. E, bom, não estamos todos assim?
O fim do musical não é alegre. Não tem um final feliz; e além de tudo, nem um final foi. Burnham não queria terminar o mesmo, pois se ele terminasse não trabalharia mais nele – visto que o projeto foi realizado como forma de escape do artista. As músicas, vídeos e monólogos de Burnham aos poucos foram se transformando em um fenômeno, para o seu nicho. E ai que se encontra o mistério da arte. Não é difícil de entrar no site Youtube títulos como: “How Bo Burnham Did the Impossible”, “What Makes Bo Burnham’s “INSIDE” A Masterpiece”.
É sinal de que desse conteúdo surgem várias interpretações, várias análises, várias opiniões e é isso que torna a arte dele tão presente. A arte dele me abraçou. Em um momento de luto, solidão e esgotamento – ele estava ali. Falando e cantando bobagens, falando e cantando assuntos importantes, falando e cantando no repeat.
Abertura da Exposição "Entre Pátios", no espaço Linha.
Fotos: Isadora Heimig
O projeto “Que Bicho é esse?” possui o objetivo de desenvolver um pensamento crítico sobre as diversas situações ambientais que passam os animais da fauna do Rio Grande do Sul. Para isso, foi desenvolvido o jogo denominado “Que Bicho é esse?”. Seu modelo é inspirado no jogo Perfil que possui cartas com dicas sobre pessoas, anos, coisas ou lugares, para deduzir de quem é o perfil em questão. A cada rodada, uma carta com um perfil secreto é sorteada. Um a cada vez, os jogadores vão recebendo dicas sobre o perfil secreto em questão. A apresentação do museu é essencial para a dinâmica, buscando significar a importância do museu, e as relações com as exposições de longa duração e de curta duração, presentes na instituição. Os principais pontos a serem discutidos dentro da mediação serão: a taxidermia e as ambientações criadas dentro do Museu de Ciências Naturais.
Exposição "Entre Pátios"
Local : LINHA (Porto Alegre)
Exposição - Travessia por Terra, Água e Ar
Exposição - Travessia por Terra, Água e Ar
Individual da artista Lilian Maus
Local: Pinacoteca Aldo Locatelli - Porão - Paço Municipal - Praça Montevidéu, 10 – Centro Histórico – Porto Alegre.
O imaginário também aparece em um certo "túmulo" de uma pitangueira da artista, que ficava no seu sítio em Osório, a pitangueira morreu e Lilian trouxe pedaços dela para a exposição. Trazendo um ar de mistério e curiosidade para amostra.
Exposição - Travessia por Terra, Água e Ar
Individual da artista Lilian Maus
Local: Pinacoteca Aldo Locatelli - Porão - Paço Municipal - Praça Montevidéu, 10 – Centro Histórico – Porto Alegre.
O imaginário se torna presente, o visitante é colocado como peça fundamental da exposição: O de investigador. O espaço do porão, que por muitos artistas é tido como um desafio, para Lilian pareceu uma peça que se encaixou perfeitamente na narrativa que foi realizada. Um exemplo da boa utilização do lugar é a cadeia do Paço que foi utilizada como um local mais calmo, de reflexão e calmaria -não lembrando em nada décadas passadas-, tudo bem planejado. Na reportagem que saiu dia 23/10 na GaúchaZH, Lilian fala um pouco disso para o grande público: “A arte é uma maneira de dar uma forma para esse imaginário que não é só meu. Ela torna visível algo que não é visível, dá uma estética para esses documentos, questionando o que é ficção e o que é real”.
Jardim do Museu Anchieta de Ciências Naturais.
Porto Alegre/RS
Fotos tiradas na visita técnica no Museu Anchieta (Porto Alegre), na disciplina de Educação em Museus. (08/10/2019).
Disciplina: Educação em Museus (BIB03241)
Local: CRIAMUS/FABICO. Porto Alegre/Brasil.
Atividade: Foi realizada a proposta de duplas escolherem um material educativo para lerem, executarem e pensarem sobre. O selecionado foi “ A Ventura do Moderno”, material da Pinacoteca Ruben Berta. Nele foi possível identificar 5 eixos do modernismo onde foram destacadas obras e artistas que participaram da exposição que dá nome ao material. A ideia proposta foi fazer uma releitura da exposição, identificando outros núcleos e uma nova expografia. Os eixos que escolhemos foram os já propostos na exposição, porém a curadoria foi repensada - algumas obras foram excluídas da narração e outras dando outro sentido em conjunto com as frases desenvolvidas no processo do material educativo, como: “E se nossos líderes fossem indígenas?”.
Alunas: Bruna Martin e Maura Bombardelli
Data: 01/10/2019
Exposição - Pátio Ateliê
Artista - Marília Bianchini
Local - Museu do Trabalho. Porto Alegre/RS
Exposição: BIO - I
Artista: David Ceccon
Curador: David Ceccon
Local: Sala da Fonte/ Pinacoteca Aldo Locatelli. Porto Alegre - Brasil.
Fotos tiradas na visita técnica no Jardim Botânico, na disciplina de Educação em Museus. (17/09/2019).
Allegory of Divine Providence, Pietro Berrettini/ da Cortona (1633-39)
Esta análise crítica foi produzida em cima do livro Locais de Recordação, de 2011, escrito pela pesquisadora alemã Aleida Assmann, que também é doutora em literatura inglesa e egiptologia.
O livro trata de pontos cruciais da memória e recordação, e de uma maneira bastante didática tenta explicar e exemplificar a diferença entre os dois conceitos. “Diferentemente do ato de decorar, o ato de lembrar não é deliberado: ou se recorda ou não se recorda. ” (pág.33)
O que acabei captando sobre o assunto é que memória é algo muito mais decorado, como uma formula de matemática e tem um aspecto mais compartilhado, pois um mesmo grupo pode ter a mesma memória, como no exemplo de uma matéria da escola. Por outro lado, a recordação é algo muito mais pessoal e individual, pois está ligada a um sentimento.
Segundo Aleida, a memória é como uma arca, ou seja, um espaço onde se guardam as recordações: uma espécie de arquivo, onde os registros possam ser novamente evocados.
O livro também toca no assunto de preservação da memória, e como os familiares tratam e se preocupam em garantir a salvação da alma de seus entes queridos; isso era muito mais comum e mais forte no Séc. XVII. Porém; hoje em dia, uma maneira que as pessoas encontram de “preservar” essas memórias são enviando seus acervos para museus, ou quem preferir acaba por guardar em suas próprias casas objetos que os façam recordar de uma pessoa ou momentos que já não mais pertencem ao presente, de fato. Isso por outra perspectiva pode estar ligado na obsessão do humano com a materialidade.
Outras formas de preservação dessas memórias, em relação a uma pessoa, são:
Fama
Falas
Histórias
Que se transformam em garantias que os nomes delas ainda serão citados.
Ouvi que você morre duas vezes, uma vez quando é enterrado no túmulo. E a segunda vez é a última vez que alguém menciona o seu nome.
A autora também classifica as recordações em duas dimensões: memória funcional e cumulativa. A memória funcional pode ser alterada, sendo igualmente utilizada de diversas formas. Um exemplo dessa memória, são as propostas políticas, pois são muitas vezes esquecidas pelo grande público e alteradas. A alteração da memória, sua confirmação ou anulação servem a propósitos políticos. Essa passagem me recorda do filme Laranja Mecânica, no qual o personagem principal (Alex) sofre alteração na memória, para assim mudar sua personalidade. Já a cumulativa não é alterada, e precisa de locais de recordação (bibliotecas, museus e arquivos) para seu arquivamento.
Assmann segue seu texto comparando a escrita á imagem (da ênfase para escrita). A imagem, por ser feita de materiais sensíveis á erosão, é mais transitória. A escrita, como pode ser copiada e tem seu valor nos símbolos, permanece. E além disso a escrita é tida como uma técnica de memorizar, mas serão os leitores quem decidirão o que cairá no esquecimento e o que permanecerá, exemplos desta teoria são os filmes, novamente as promessas eleitorais, e livros. No sentido de memória relacionada com imagem, me recordo do livro Imagens da Revolução Mexicana, do Camilo de Mello, que mostra todos os lados dessa revolução, e como o museu teve um papel importante para a criação da memória da mesma, e todo o processo de museografia no qual conta uma história, e a mudança que ela passava quando havia uma troca de partido no poder. Tanto nas maneiras de armazenamento da escrita quanto da imagem, podem passar por inúmeras interpretações, e significados. E em algumas vezes de manipulação do passado.
Outro fato abordado na obra foi a questão do trauma, a pesquisadora afirma que a experiência, embora latente, não está acessível ao conscientemente. A experiência de descrever a experiência passada é praticamente impossível. Devido a essas informações há um intenso debate sobre como classificar os testemunhos, como os do holocausto e da ditatura, já que pouca coisa pode ser confirmada. Há casos, ainda, em que os próprios estimuladores da recordação acabam inserindo detalhes que a pessoa não vivenciou. Assmann acredita, porém, que está não é a principal questão: não se pode confiar nem desconfiar absolutamente de um testemunho. O que se torna uma questão muito polêmica, pois deveríamos levar a razão ou emoção em consideração a estes casos?
Já finalizando, é abordado os locais, os lugares de memória, e de como eles são úteis na fixação dos eventos. Levando em conta que ninguém irá recordar do mesmo espaço da mesma maneira, um católico que for a Jerusalém não irá ter a mesma recordação que um ateu, mesmo que ambos estivessem no mesmo local na mesma hora. Pois é uma questão pessoal e cultural. Outros exemplos são lápides e ruínas, que no caso o que vai ser lembrado não está mais em forma física, mas a memória ali ainda pertence.
Autora finaliza seu livro com a conclusão de que não há ingenuidade no rememorar. Há sempre interesses políticos e sociais envolvidos na questão da conservação. O tema ainda é assombrado por importantes questões, como atestar a veracidade de um testemunho ou decidir o que deve ser conservado ou não. Assmann acredita num meio termo, sem crenças absolutas, representado pela possibilidade de confiar tanto na história como no testemunho, para juntos construírem um sentimento mais próximo da realidade.
Palestra OUTRAS NOSTALGIAS ministrada pela Me. Karla Nazareth, no dia 25/10/17, na Fabico.
A proposta da palestra foi juntar o assunto em destaque –saudade e nostalgia- com os ensinamentos da disciplina de Memória Social e Informação.
A Mestre Karla aborda no começo da sua fala os conceitos diferentes de saudade e nostalgia, para que haja uma compreensão da diferença das duas, e como elas se conectam. Em destaque relembro o instante no qual foi explicado que nostalgia em seu primeiro momento era tida como “doença”, e que muitos soldados se afastavam de combates devido essa tal nostalgia. E como o sentimento dela, tanto como o da saudade, é agridoce; pois nunca será apenas ruim ou bom.
A principal diferença entre os dois conceitos é que a nostalgia está ligada com a época, e a saudade com o lugar.
A nostalgia, em si, segundo estudos e apresentado pela palestrante, tem grande poder dentro da sociedade, grande exemplo recente dessa teoria, é a campanha do presidente Trump, que usou o passado como benefício em sua campanha “Make America Great Again” foi seu slogan de campanha. O que resultou em muitas pessoas – que se identificaram com tal passado mencionado- a votarem no mesmo, e assim ganhar a eleição.
“O boom da nostalgia veio com o romantismo” – Karla Nazareth
Outro ponto levantado é como esta saudade e nostalgia podem ser de coisas não reais/vividas, pois nossa memória e recordações muitas vezes é capaz de se confundir; o que me remete ao livro Locais de Recordação, de Aleida Assman, dado que grande parte de nossa memória é funcional, e pode ser alterada. Porém; vale lembrar que a maioria desses casos são derivados de traumas.
Por fim, a conclusão da palestra e a ligação dela com a disciplina de memória, está relacionada com o sentimento que o público terá em relação a um objeto museológico. É a transformação de um acervo material em um sentimento imaterial, e por fim, é um dos principais conceitos da museologia, uma vez que a mesma é a relação do homem com o objeto.