Entre paredes e memórias: quem é a pesquisadora por trás deste blog?
Meu nome é Indayane Gomes, mas pode me chamar de Day. Sou Arquiteta e Urbanista, Mestre em Educação, e hoje, Doutoranda em Educação pela Universidade Tiradentes. Sim, a arquiteta foi parar na academia da educação (e não foi por acaso).
Sou alagoana, mas Sergipe há muito deixou de ser apenas o estado vizinho: é onde vivo, onde construí minha trajetória acadêmica e onde aprendi a me importar profundamente com a história e a cultura desse povo. Talvez seja justamente esse olhar de quem chegou de fora, mas ficou de vez, que me faz querer entender como essa história é contada e para quem.
Ao longo da minha trajetória, fui percebendo que construir espaços e construir conhecimento têm muito mais em comum do que parece. Ambos envolvem escolhas, narrativas, e sobretudo, a decisão de quem fica de fora. É exatamente essa inquietação que move minha pesquisa de doutorado.
A pesquisa
Meu estudo se debruça sobre o Museu da Gente Sergipana, esse lindo casarão histórico no Centro de Aracaju que guarda, e conta, a história do nosso povo.
A pergunta que me faz perder o sono é: esse espaço funciona, de fato, como um agente de divulgação científica? Ou ele comunica, mas sem necessariamente produzir conhecimento acessível e sistematizado para a sociedade?
O título já diz tudo: A Contribuição do Museu da Gente Sergipana para a Divulgação Científica da História Cultural de Sergipe.
Mas, por que isso importa?
Museus não são apenas lugares bonitos com objetos antigos. São instituições que decidem o que merece ser lembrado, como deve ser contado e para quem. Quando um museu faz isso bem (articulando memória, mediação cultural e ciência) ele se torna uma ponte entre o passado e o presente, entre os especialistas e a população.
A questão é que essa ponte nem sempre é sólida. Minha hipótese é que o Museu da Gente Sergipana tem enorme alcance e presença digital expressiva, mas suas práticas de comunicação podem ainda não estar suficientemente estruturadas para consolidá-lo como um espaço formal de divulgação científica, especialmente para além das suas paredes físicas.
E como vou investigar isso?
A pesquisa será qualitativa, com estudo de caso. Na prática, isso significa que estarei entre documentos institucionais, catálogos de exposições e redes sociais do museu, além de realizar visitas sistemáticas ao espaço, diário de campo na mão. A análise do material seguirá a metodologia de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin — um método rigoroso para decifrar o que está dito, o que está implícito, e principalmente, o que está sendo silenciado.
O referencial teórico passeia por nomes como Pierre Nora, Maurice Halbwachs e Jacques Le Goff (para pensar memória), e por pesquisadores brasileiros como Luisa Massarani e Wilson Bueno, que há décadas discutem como a ciência chega (ou não chega) às pessoas.
O que espero encontrar, e por que você deveria se importar?
Sergipe tem uma identidade cultural riquíssima. E o Museu da Gente Sergipana é, sem dúvida, um dos seus maiores guardiões. O que quero compreender é como esse guardião fala com a cidade e se essa conversa tem a profundidade que a nossa história merece.
No fundo, essa pesquisa é sobre pertencimento: quando as pessoas entendem a própria história, elas se reconhecem nela. E isso muda tudo.


















