He finally understood what being in peace means || POV
James tinha em seus braços o pequeno embrulho mais precioso que o mundo jamais havia visto, e seus olhos brilhavam de orgulho e amor ao perceber que fora capaz de fazê-lo parar de chorar e cair no sono. Por vários segundos, perdeu-se ao olhar para o rostinho delicado de Harry. Seu nariz, dizia Sirius, era idêntico ao do pai, e suas pálpebras cor de lavanda estavam bem fechadas, enquanto o garotinho repousava em um sono profundo. Ele parecia completamente em paz, e vários meses mais novo do que realmente era. Algumas pessoas diziam que James e Lily deviam se preocupar pelo fato do garotinho de um ano aparentar ter apenas uns oito meses, mas eles não se importavam. Ele era saudável, tinham certeza disso e era tudo o que importava.
Enquanto o Potter admirava seu pequeno milagre, sentiu um par de braços rodeá-lo pela cintura, tirando-o de seus devaneios. Virou-se para encarar a mulher, e mais uma vez não pôde deixar de se surpreender com a sua beleza, e nem impedir que seu coração saltasse em uma alegria prazerosa ao encarar aqueles maravilhosos olhos verdes. Lily continuava linda, como sempre fora desde a primeira vez em que aquele James de apenas onze anos colocara os olhos na pequena ruiva, mas havia uma certa diferença em admirar a beleza de alguém que você deseja e admirar tudo em alguém que você tem. Era uma sensação plena de felicidade verdadeira e completa. Toda vez que olhava naqueles olhos verdes, que foram maravilhosamente refletidos em seu amado filho, ele tinha certeza da sensação de plenitude que preenchia seu ser, resultado daquilo que só poderia ser chamado de uma coisa no universo: ser feliz.
Entregou Harry nos braços de Lily delicadamente, depositando um beijo na testa do filho e depois da mulher. Neste momento olhou no fundo de seus olhos, permitindo a si mesmo perder-se na imensidão verde que eles eram. Ainda tinha seus braços ao redor de Harry, e naqueles poucos segundos em que ambos o seguraram, o mundo inteiro parou. Havia apenas as batidas dos seus corações, e a voz de James sussurrando: - Eu te amo. - e ela sorriu, mostrando as maravilhosas covinhas, e sussurrando de volta: - Eu também te amo. - não era comum para o jovem casal tais demonstrações de carinho. Na verdade, apesar dos dias tensos que vinham vivendo, eles tentavam manter o clima sempre leve e divertido na casa, jamais perdendo o bom humor e o leve tom de provocação um com o outro que sempre tiveram desde que se conheceram. Julgavam aquilo essencial para que Harry não crescesse em um ambiente constantemente amedrontado, mas também para que ambos não enlouquecessem. Mas, naquele momento, parecera certo dizer aquilo.
Lily terminou de puxar Harry para si, e direcionou-se para a escada, enquanto James jogava a varinha num canto do sofá e se espreguiçava displicentemente. Já estava na metade desta quando um estrondo fez os três pularem. O corpo inteiro de James paralisou quando reconheceu tal som como a porta da frente sendo arrancada das dobradiças. Não, por favor, não hoje. Não agora. Ele implorou, mas sabia que nada adiantaria. Sempre soube que aquele momento chegaria, mesmo que tentassem fugir ou se esconder. Mas ele lutaria até o fim para impedir que o pior acontecesse. - Lily, pegue o Harry e vá! - gritou para a mulher, que ainda estava nas escadas. Ela o olhou em profundo pânico, e ele devolveu o olhar, tentando transmitir toda a confiança que conseguisse. - É ele! Vá! Corra! Eu o atraso… - e assim, correu para onde ouvira o som, ainda sem a varinha, fato que tentava ignorar com vigor, apesar da gravidade da situação.
Ao chegar lá, o encontrara da forma que sempre imaginara que encontraria, com a varinha levantada com superioridade, sendo apontada na direção do peito do Potter assim que este se aproximou. Ele olhou para o homem que odiava, e sentiu a morte chegando. Pôde senti-la com tanta realidade, que seu peito se fechou diante deste sentimento. Ninguém ri de Deus quando encara a ponta de uma varinha, e naquele momento ele acreditou nesta afirmação com todas as suas forças. Havia um Deus, e havia uma varinha apontada na sua direção, e tudo o que havia vivido fez um sentido absoluto para ele. Cada risada com seus pais, as vezes em que ficara de castigo por aprontar demais e quando escapara do castigo por pouco. Viu os momentos com Sirius, Remus e Peter em Hogwarts, as detenções, as risadas, mas também os momentos difíceis, como quando Sirius fora obrigado a deixar sua complicada família, m sendo acolhido de braços abertos por James, Charlus e Dorea. Lembrou-se com dor de Marlene, as apostas, as discussões sobre quadribol e as vezes em que aprontaram juntos. Pôde enxergar cada discussão com Lily em sua adolescência, cada momento desde que conseguira conquistá-la, e antes disso também. Seu casamento, o nascimento de Harry, o primeiro aniversário do menino, tudo se passou pelos seus olhos enquanto encarava aquele que lhe tiraria tudo aquilo. Levantou a cabeça, pois não morreria de cabeça baixa. Aquilo simplesmente não era ele. Recebeu a morte como uma velha amiga, como devia ser.