i wanna run against the world that's turning, i'd movе so fast that I'd outpace the dawn, i wanna be gonе. i wanna run so far, i'd beat the morning, before the dawn has come, i'd block the sun if you want it done.
ㅤㅤ⸻ ei! você viu a GUINEVERE VIKER por aí? você sabe, aquela aluna da graduação que tem 33 ANOS e se parece muito com DIANNA AGRON. acho que ela formou com especialização em HISTÓRIA. dizem que ela era THE WILD CARD e toda vez que passava pelo dormitório dela, ouvia FOREIGNER'S GOD DE HOZIER tocando pela porta. todos que a conhecem dizem que ela costuma ser CARISMÁTICA, mas também poderia ser VINGATIVA. será que em 2024 ela ainda é assim?
linha do tempo. / inventário. / povs & tasks. / pinterest. / spotify. / tags. / projeto salem.
ㅤㅤo que fazia em 2014?
gwen estava envolvida na área de pesquisa da própria universidade enquanto terminava seus estudos em história, o foco da pesquisa era na vida e na técnica de sandro botticelli, principalmente no que dizia respeito ao nascimento de vênus. além disso, dividia seu tempo e aproveitava o curso de escrita criativa, sua minor, para começar a compor um livro próprio de ficção. se não bastasse tudo, estava terminando seu curso de italiano.
ㅤㅤo que faz em 2024?
regressou para os estados unidos depois de mais de cinco anos na itália trabalhando na galleria degli uffizi. seu foco está direcionado aos seus estudos e desenvolvimento de artigos sobre o renascimento italiano e seus contextos históricos. recebeu o convite da ucla para se tornar professora no curso de estudos medievais e renascentistas da universidade, ministrando a cadeira de renascentismo italiano. em segredo, tornou-se uma escritora em ascensão com o pseudônimo de ashley deneuve e tem trabalhado em seu próximo livro.
ㅤㅤo futuro do seu personagem foi alterado depois da primeira viagem para 2014?
trabalhou por dois anos no departamento de humanidades como assistente e depois como pesquisadora em teoria de crítica experimental. também foi membro de inúmeros programas de escrita, como assistente ou monitora. completou sua primeira obra, the wild cards, em 2015 e assinou contrato com a jo fletcher books em 2016, tornando-se escritora exclusiva deles em 2017. teve um breve casamento com lucien leblanc com quem teve um filho, orion viker. em 2020, sofreu um acidente de carro quando o veículo que estava com o filho, de seis anos na época, foi atingido por um caminhão desgovernado. o acidente acabou tirando a vida do filho e deixando guinevere cega e com os movimentos da mão esquerda limitados. o motorista foi indiciado na época e condenado por estar dirigindo bêbado, causando assim o acidente e o óbito. muito se especula sobre problemas no tratamento médico na época, porém nada foi confirmado.
ㅤㅤseu personagem participou da primeira viagem (projeto kali)?
não, guinevere era the wild card, a cobaia reserva de harvey wang, the versatile.
ㅤㅤseu personagem gostaria de consertar as coisas para 2024? justifique sua resposta.
é difícil dizer. guinevere se tornou uma pessoa muito dura e ríspida com o passar dos anos, sua reclusão do mundo fez com que sua mente se fechasse a muitos assuntos e os trancasse no fundo da mente. porém, existe uma pequena fagulha da sua antiga versão que provavelmente estaria disposta a tentar tudo de novo, a depender do estímulo.
ㅤㅤse seu personagem pudesse mudar a própria vida, ela faria? justifique sua resposta.
a depender do estimulo, guinevere poderia tentar mudar o que lhe ocorreu, apesar de ser uma situação difícil.
ㅤㅤatividades extracurriculares.
clube do livro, clube de astronomia.
ㅤㅤinspirações. / laszlo kreizler, lorenzo di médici, elizabeth woodvale, miranda hobbes, cameron howe, lady jessica.
NOME / guinevere elizabeth viker.
APELIDOS / liz (não usa mais), gwen.
IDADE / 33.
LOCAL DE NASCIMENTO / são francisco, califórnia.
LOCALIZAÇÃO ATUAL / los angeles, califórnia.
NACIONALIDADE / americana.
FAMÍLIA / richard viker (pai), ella deneuve (mãe), lucien leblanc (ex-marido), orion viker (filho).
GÊNERO / mulher cis.
PRONOMES / ela, dela.
SEXUALIDADE / pansexual.
PROFISSÃO / escritora.
ALMA MATTER / história ( major ) & escrita criativa ( minor ) ⸻ universidade da califórnia.
ALTURA / 1,66cm.
OLHOS / olhos esverdeados ou cor de âmbar, a depender da luz.
CABELO / loiro escuro.
PONTOS POSITIVOS / carismática, inteligente, prestativa, ágil.
PONTOS NEGATIVOS / vingativa, ambiciosa, fria, distante.
⠀⠀⠀⠀❝ there will come a 𝒔𝒐𝒍𝒅𝒊𝒆𝒓
⠀⠀⠀⠀ who carries a 𝑚𝑖𝑔𝘩𝑡𝑦 𝑠𝑤𝑜𝑟𝑑
⠀⠀⠀⠀ he will 𝑡𝑒𝑎𝑟 your city 𝑑𝑜𝑤𝑛
⠀⠀⠀⠀ oh lei, oh lai, oh lord . . . ❞
ㅤㅤㅤㅤ⸻ bem-vindo, NIELSEN TORDENSTIERNE! estamos felizes em ver que eles chegaram em segurança em sua jornada para salem. ao redor da cidade, as senhoras na porta da igreja sussurram que ele tem TRINTA ANOS e foi elogiado como ENGRAÇADO, ESPERTO E CORAJOSO, mas alguns sussurraram que ele também é IMPULSIVO, PROCRASTINADOR E EGOÍSTA. após sua chegada, fica claro que ele trabalha como NOBRE NORUÊGUES. espero vê-lo na próxima pregação para conferir se é verdade que se parece mesmo com ALEXANDER LUDWIG.
seu personagem se lembra de 2024?
ㅤㅤsim.
conte-nos a vida do seu personagem em 1691?
ㅤㅤnielsen é o segundo filho do lorde freyr tordenstierne, nascido e criado em oslo na tradição de seu país. cresceu um homem forte, corajoso e que tinha todos os traços de seus antepassados vikings, o que fez o povo lhe chamar de velsignet av tyr ( abençoado por tyr ). precisou ir para salem a mando do pai por conta do seu comportamento selvagem, que levou a muito problemas pela região escandinava, colecionando escândalos e um dos maiores sendo uma luta com um príncipe depois de ter sido encontrado na cama com sua esposa e boatos que deitou-se com a sua filha também. a ideia inicial é ficar em salem até os ânimos se abaixarem em casa.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀starter para @draquarks em um café. ㅤ⸻ㅤ❝ i'll tell them put me back in it . . . ❞ — 𝑓𝑟𝑎𝑛𝑐𝑒𝑠𝑐𝑎, hozier.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀ESTAR SENTADA NUM CAFÉ COM QUARKS ERA IMPROVÁVEL, MAS NA ATUAL CONJECTURA DA SITUAÇÃO FAZIA SENTIDO. Como elas pararam ali, era uma história mais chata do que Guinevere estava com ânimo para contar. Sua mente vivia cheia de histórias para se importar com aquela em específico. O rosto ficou imóvel, o óculos cobrindo os olhos e apenas mexia uma mão em cima da mesa. ⸻ Olha, não quero ficar com rodeios, acho uma perca de tempo e esse é o ponto de tudo. ⸻ Começou, suspirando pesadamente como se tivesse um peso nos ombros. ⸻ Tem mais alguma coisa que você sabe sobre tudo isso que não está contando? Sei que quanto mais gente envolvida, mais caos e menos controle sobre as coisas temos. Mas, ao mesmo tempo, estou cansada de fazer o papel de cega que só tem parte das informações. Leve o trocadilho como preferir. ⸻ Com cuidado, levou a xícara de café preto até os lábios, bebericando e voltando até a mesa. ⸻ Algum motivo você deve ter tido muito tempo atrás pra dizer que eu era a sua escolha de cobaia e eu posso ajudar de alguma forma. E… ⸻ Pela primeira vez pareceu incerta. ⸻ Mesmo que você tenha dito tudo que sabe, você pelo menos tem ideia de como podemos arrumar essa bagunça? Agora lembro do Jean Luc falar sobre os efeitos colaterais e eu tenho medo que a Riley… ⸻ Pausou, mexeu a cabeça voltou. ⸻ Se este é o quarto 2024, os efeitos podem estar cada vez mais perto de começarem a surgir. Alguns, aparentemente, já sofreram o suficiente e eu não me importaria de voltar se pudesse arrumar a bagunça. ⸻ O que Gwen não verbalizou era que não veria problema de fazer isso sozinha e nem se isso significasse sacrifícios da sua parte.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀starter para jjh ( @tbtuclastaff ) projeto chronos. ㅤ⸻ㅤ❝ i won't lie, if there's something still to take . . . ❞ — 𝑒𝑎𝑡 𝑦𝑜𝑢𝑟 𝑦𝑜𝑢𝑛𝑔, hozier.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀LEMBRANÇAS ESTAVAM SENDO O ASSUNTO PRINCIPAL QUE PERCORRIA A MENTE DE GUINEVERE NOS ÚLTIMOS DIAS. Justiça fosse feita, estava precisando lidar com uma carga grande que não estava sabendo associar direito ainda e tudo isso lhe causava dores de cabeça terríveis. Como se ela não as tivesse com frequência… Porém, dentre as memórias que redescobriu, lembrou-se de algo que não contou a ninguém: O convite de JJH e a sua ida até o Projeto Chronos. Era algo que pertencia apenas a ela. Por isso, sem saber exatamente como lidar com a própria mente, seguiu até o lugar que foi a primeira vez na esperança que ainda houvesse algo ali, as realidades pareciam conflitantes vez ou outras. Quando encontrou Taj e ele lhe chamou de Ginny mais uma vez ela soube que estava certa e decidiu relevar o erro dele, mais uma vez. Mas, para sua infelicidade, parecia que o professor estava ocupado. ⸻ Sem problemas, pode avisar que ficarei esperando aqui até que ele possa me atender. ⸻ Disse, decidida e ficou parada em algum canto qualquer. Balançou a mão boa como se pedisse distância. Ainda havia algo ali que ela precisava, ainda que não soubesse exatamente o que poderia ser. [ . . . ] Depois de algum tempo, quando notou a aproximação pode saber que ele estava disponível, finalmente. Não precisava enxergar para saber que a possibilidade de ser ele era enorme. ⸻ Professor, quantos anos. ⸻ Comentou, sorrindo suavemente, por mais que o sorriso fosse estranho. Havia desaprendido a sorrir. ⸻ Não me ofereceram nem um lugar para sentar, mas tudo bem. Gostaria de falar com o senhor, se puder me emprestar alguns minutos do seu tempo. ⸻ Era mais forte do que ela usar menções à tempo quando falava com ele.
When: Alguns dias após a feira. - No apartamento da Gwen
Riley esperou o carro de policia passar para entrar no edifício. Olhando de um lado para o outro antes se esgueirar para dentro do prédio com cuidado. Subiu as escadas tentando ser o mais silenciosa possível, para evitar as câmeras de vigilância. Chegou no número que estava no papel e bateu na porta. "Gwen?! Tu tá aí?" Mal terminou a frase e ouviu a reclamação do bebê em seu peito, dentro do canguru, se mexendo. "Já vai, papai vai falar com uma amiga e vai trocar essa fraldinha que deve tá toda suja! Abre logo que eu tenho uma Emergência a caminho!"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀OS ÚLTIMOS DIAS TINHAM SIDO CONFUSOS E REGADOS A DOR DE CABEÇA. Por isso, fez o que era melhor fazendo: se isolou em seu apartamento e até mesmo pediu para que Melody não viesse, ela daria um jeito nas coisas. E ela deu. Guinevere era independente, de uma forma ou de outra. Estava deitada no sofá da sala, os olhos fechados e a sua versão interna estava tentando andar pelas salas da sua mente. Estava uma bagunça terrível e isso a deixava irritada, a ponto de começar a ponderar se conscientemente ela poderia organizar suas memórias e lembranças. Acabou resolvendo que iria escutar alguns audiobooks sobre psicologia e memórias para tentar fazer sentido a própria vida. Porém, tomou um susto ao escutar a batida na porta e a voz que soou. Era Riley. Agora ela conseguia reconhecer, talvez mesmo se ela não tivesse falado. Levantou-se devagar e caminhou com calma até a porta, fazendo um esforço para abrir a fechadura. ⸻ Já vai, é difícil usar as chaves… ⸻ Comentou, arqueando o próprio cenho, ainda incerta da forma que reagia as coisas. Escutou com maestria, esse era um talento que a cegueira lhe deu, Riley falando e os barulhinhos infantis. ⸻ Você está com uma criança? Riley, você teve filhos? ⸻ Abriu a porta no mesmo instante, o que daria um senso dramático para a situação somando a entonação que usou na pergunta, agravado pelo fato de Gwen ter esquecido de colocar os óculos. Saiu de perto da porta vagarosamente, virando o rosto. ⸻ O banheiro é no final do corredor, mas antes, o que houve? ⸻ Ela estar ali deveria significar alguma coisa.
Lucien sabia que tinha uma obrigação de ir até aquele evento da USCLA; não apenas porque algo dentro de si lhe instigava para presenciar o evento, mas porque seu lado racional olhava para aquela "intuição inexplicável" e soava todos os seus alarmes vermelhos dentro da cabeça. Ia de atração em atração, ao mesmo tempo tão atento e tão distraído. Havia acabado de tirar as fotos menos emocionantes de todas e saía da cabine para recuperar o papel impresso e ver se havia algo de esquisito quando se deparou com uma figura que agora havia se tornado familiar demais para seu gosto. Se arrependeu de estar usando seu perfume favorito que o tornava tão reconhecível. ─ Gwen. ─ tentou forçar um sorriso antes de se relembrar que não era necessário. Não porque a loira havia perdido a visão, mas porque não tinha mais nada para fingir ali. ─ Que... Hm. Que surpresa de te encontrar aqui. ─
⠀⠀⠀⠀⠀⠀ESTAVA PARADA EM UM CANTO PERTO DO PHOTOBOOTH. Melody havia prometido que só iria tirar uma foto e a levaria para casa. Guinevere deu o restinho de sua boa vontade, porém consciente que se ela criasse mais alguma ideia iria arranjar um jeito de ir embora para casa sozinha. O que ela não esperava era sentir aquele perfume que muitas vezes grudou na sua própria pele e escutar aquela voz tão conhecida dela, por mais que houvesse um tom melancólico que era algo um pouco mais recente. ⸻ Lucien. ⸻ Retornou o nome, sem saber exatamente como se portar naquela situação. Parecia que não haviam mais palavras para serem ditas entre eles, por mais que ela pensasse que nunca tiveram palavras. ⸻ É uma surpresa para mim também, Melody me obrigou a sair de casa. Já esse evento tem seu jeito, não posso dizer que estou surpresa de encontrá-lo aqui. ⸻ Proferiu, sendo um pouco mais comunicativa do que era naqueles tempos. Talvez o trauma conjunto a deixasse um pouco mais confortável em falar ou apenas existir perto dele. ⸻ Como está? ⸻ Perguntou, numa simpatia meio fingida.
Grossa pra caralho heim... o que tem de gostosa tem de grossa... A voz feminina que sempre ouvia quando estava ansioso ou nervoso falou não pode deixar de concordar. Mesmo a culpa sendo sua, foi um acidente, não é como ele andasse por ai pensando "hoje vou derrubar uma ce... pessoa com deficiência visual". "Se eu usasse o cérebro tinha te deixado ai mesmo." Respondeu, se arrependendo na mesma hora por ter deixado o pensamento intrusivo vencer. O que diabos estava acontecendo com ele hoje? "Desculpa, desculpa, vou pegar sua bengala, tá okay?" - Soltou um suspiro. Parecia a Grace reclamando de qualquer uma das besteiras de sempre. Seguiu a direção para onde a mão da mulher ia reparando q a bengala caiu um pouco mais a frente. Se esforçando para não fazer barulho ou encostar na mulher e empurrando a bengala com pé, antes que ela conseguisse tocar, fazendo a mesma rolar até sai. "Então, Parece que caiu no bueiro né." Franziu o cenho, estranhando o porquê de estar fazendo aquilo. Era só dar a bengala e ir embora. Só podia ser masoquista mesmo. "Tem um banco bem ali, não quer que eu te ajude a sentar lá enquanto tento tirar ou peço pro segurança ou pro bombeiro?"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀ARQUEOU O CENHO, DE FORMA INQUISITIVA COM O COMENTÁRIO QUE ESCUTOU. Não bastava estar naquela situação, agora tinha que escutar aquele tipo de comentário impertinente de alguém que sequer conhecia ou se importava? Estralou a língua no céu da boca e deu uma risada baixa, debochada. ⸻ Seria mais sensato e estaria salvando meu tempo dessa conversinha mole. Você não tem nada melhor pra fazer? ⸻ Retrucou, balançando a cabeça quando ouviu as desculpas logo após, achando terrivelmente irritante toda aquela situação. Sentia como se fosse um imã em repulsão, queria que aquilo só passasse logo porque algo fazia sentir uma sensação de precisar ficar longe. O que não fazia sentido, porém era o que sentia. Ficou no aguardo da bengala, mas quando escutou que havia caído sentiu o rosto ficar quente, provavelmente estava vermelho. ⸻ Que inferno! Está muito longe do alcance? ⸻ Falou totalmente irritada, a ponto de explodir, porém tentando manter o mínimo de calma porque tudo ali já era humilhante o suficiente para ter um ataque daquele tipo. Suspirou pesadamente e começou a se apoiar na mão boa, fazendo força para cima, na tentativa de se levantar sozinha. ⸻ Pode chamar o bombeiro para te ajudar ou essa bengala vai sumir pra sempre. Você é sempre assim ou tem um motivo para tamanha imbecilidade hoje? ⸻ Proferiu, porém logo ficou em silêncio ao escutar uma voz no fundo da cabeça comentar como estava agindo igual o seu pai. Desistiu de levantar sozinha e, em silêncio, ofereceu a mão para receber ajuda.
Anemoia (substantivo fem.): Sentimento de nostalgia por algo que você não sabe o que é ou nunca viveu.
Essa era a palavra perfeita para descrever o que Riley sentia desde que acordou há uns 15 dias atrás. Tinha visto a palavra no Google enquanto estava de bobeira no trabalho... anemoia... mas anemoia de que? Quer dizer, todo mundo dizia que a vida dele era perfeita, emprego respeitável, noiva desejável, uma filha com saúde e que ele amava, tudo bem que a banda dele estava meio mal da pernas, mas do nada, aquele sentimento brotou, e nem tocando guitarra, que era como se sentia vivo, fazia mais sentido.
Riley mentiu naquela manhã, dizendo que tinha um trabalho horrível pra fazer na Cadmus e que iria voltar tarde por isso. Ao invés de ir para o escritório, acabou no Feira da USCLA. Logo ele, que nunca foi do tipo de mentir pra ninguem, ainda mais pra ir naquela feira estúpida que tinha todos os anos. Andava sem rumo com os fones de ouvido quando sentiu o esbarrão. "Cara, me perdoa, você tá legal?" Perguntou, se abaixando rápido pra ajudar a mulher a se levantar e tirando os fones. "Desculpa de verdade. Não sei onde que estava com a cabeça. Você quer que eu chame alguém? Seu marido, esposa, pai, mãe, sei lá?"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀A MÃO BOA PASSEAVA PELO CHÃO EM BUSCA DA BENGALA, ESPERANDO QUE AQUELA HUMILHAÇÃO ACABASSE LOGO. Não se afetou com os dizeres de quem quer que estivesse ali, até porque do que adiantava agora? Estava estatelada no chão. ⸻ Estou bem. ⸻ Disse, ríspida depois de notar a voz de um homem desconhecido falando consigo. Escutou os dizeres seguintes com cuidado e um sorrisinho irônico naturalmente nasceu nos lábios, muito parecido com o que o pai costumava ter. E ainda havia quem dizia que não tinha nada do pai... Balançou a cabeça levemente. ⸻ Se usasse o cérebro para alguma coisa eu não estaria no chão. ⸻ Rebateu rápido, numa simpatia claramente fingida, afinal fazia anos que Guinevere não sabia mais fingir ou encenar pecinhas de boa vizinhança. Não tinha energia ou paciência para nada daquilo, motivo pelo qual se arrependia amargamente de ir até aquele lugar. Com a menção de família, coisa que ela não tinha e detestava ser relembrava, os lábios inconscientemente se apertaram e parou por alguns segundos. A mão esquerda, por mais estranha que estivesse, teve um reflexo inesperado, apertando e soltando um pouco, fazendo com que movimentasse a cabeça a direção, por mais que não enxergasse. Suspirou pesadamente. ⸻ Apenas me passe a bengala e eu consigo me virar.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀STARTER para @rileylostintime / main street usa.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀GUINEVERE NÃO FAZIA IDEIA DO QUE ESTAVA FAZENDO ALI JÁ QUE ERA PATÉTICO. Harmony, a mulher que cuidava da sua casa, havia conseguido a levar até ali por uma total sorte do acaso. Talvez fosse porque estava ficando irritadiça demais e o ar fresco fizesse bem. Porém, não durou muito e logo estava a reclamar da quantidade de pessoas que esbarravam nela, do barulho e como as ruas eram pouco acessíveis; isso sem contar da reclamação de ficar de braço dado com a mulher. Explodiu com ela ao escutá-la mencionar se não seria ótimo encontrar o sr. Lucien por ali, apenas a mandou ir procurar algo para comer e que lhe deixasse em paz. Por mais que estivesse parada em um canto qualquer, a espera do retorno de Harmony, as pessoas continuavam a esbarrar e ela apenas dava passos para os lados na tentativa de evitar, porém era complicado. ⸻ INFERNO! NINGUÉM OLHA POR ONDE ANDA? ⸻ Gritou assim que o corpo caiu no chão ao sentir um esbarrão maior, a mão esquerda ardeu como fogo e ela não sabia se a bengala estava por perto. Estava furiosa. Ainda assim, respirou fundo para tentar se achar mesmo com a quantidade de pessoas que zanzavam por ali. Ela iria para casa assim que encontrasse suas coisas e Harmony.
and the years passed like scenes of a show, the professor said to write what you know. lookin' backwards, might be the only way to move forward then the actors were hitting their marks. and the slow dance was alight with the sparks, and the tears fell in synchronicity with the score and at last, she knew what the agony had been for. the only thing that's left is the manuscript, one last souvenir from my trip to your shores. now and then i re-read the manuscript, but the story isn't mine anymore . . .
ㅤㅤ“THE WILD CARDS”: DAS CONTROVÉRSIAS AO NOVO LANÇAMENTO.
Escrito por Roger Smith | Publicitado em 10 de junho de 2024.
ㅤㅤO livro que é listado como best-seller do New York Times e considerado o reavivamento da literatura de ficção científica, recebeu uma atualização de status: o segundo volume, que os fãs especulavam não acontecer, recebeu a previsão de lançamento para o início de 2025 sobre o nome The Wild Cards: Paradox.
ㅤㅤApesar do sucesso estrondoso atual e dos rumores de adaptação pela Apple TV+, nem tudo foram flores na jornada da obra desde o seu lançamento oito anos atrás e trouxemos uma lista com as principais controvérsias para que você possa se inteirar de tudo antes de embarcar nessa viagem.
ㅤㅤㅤㅤ1. O PLÁGIO DE GEORGE R. R. MARTIN.
ㅤㅤNão, The Wild Cards não é uma cópia barata de Uma Canção de Gelo e Fogo, apesar da autora ter dito em inúmeras entrevistas que ama a criação do universo de George R. R. Martin e o tem como uma grande inspiração. Porém, o que muitos apontaram antes do lançamento oficial é que a obra de Viker compartilhava duas semelhanças suspeitas com outra obra de Martin: o nome e o gênero de ficção científica.
ㅤㅤNo fim das contas, o burburinho aumentou o interesse do público geral para que, assim que as primeiras avaliações do livro saíssem e os leitores pudessem devorar a história, todos entendessem que não haviam outras semelhanças em qualquer atributo de escrita e criação da autora. Enquanto a série Wild Cards de Martin se passa em uma Terra de história alternativa contando a história de humanos que contraíram o vírus "Wild Card", a história de Viker se passa em milhares de anos no futuro, com um grupo de cientistas que precisa desvendar os segredos da viagem no tempo para evitar uma catástrofe no tecido do tempo-espaço e salvarem a própria existência.
ㅤㅤㅤㅤ2. O PLÁGIO DE “DE VOLTA PARA O FUTURO”.
ㅤㅤAssim que as acusações sobre Martin caíram por terra, leitores e críticos começaram a traçar semelhanças entre a história com o clássico filme De Volta Para O Futuro (1985), dirigido e roteirizado por Robert Zemeckis. Quando comparados, é possível notar que ambos filme e livro usam veículos para a movimentação entre o tempo além de todos os problemas causados por alterações no decorrer da história, os personagens não parecem ter muita dimensão de que suas ações no seu presente atual irão influenciar futuro e passado de forma descontrolada.
ㅤㅤNo entanto, depois de especialistas em plágio comentarem sobre o assunto e darem pontos de vistas legais, ficou demonstrado que apesar das similaridades, não havia roubo de propriedade intelectual e ambos se inspiraram em teorias científicas reais para desenvolver suas histórias.
ㅤㅤA controvérsia, mais uma vez, pareceu trabalhar a favor de Viker, pois Harold Bloom, o maior crítico literário da atualidade, soltou uma nota sobre The Wild Cards em meio ao caos das acusações:
ㅤㅤAcredito ser muito ingênuo da parte de ambas as comunidades literária e cinematográfica criarem uma narrativa sobre plágio quando estamos falando de um tema tão discutido e utilizado em histórias de ficção científica como viagem no tempo. Bastava ler os primeiros capítulos da história escrita por Guinevere Viker para entender que, apesar de similaridades básica e que podem ser consideradas quase como senso comum, seu enredo está muito mais interessado em aprofundar justamente em teorias científicas sobre tempo-espaço, além de uma discussão filosófica sobre a ética e moral em experimentos. Não podemos tirar o valor de De Volta Para O Futuro e, talvez, tenha sido uma das fontes primárias para essa criação, no entanto enquanto o filme é uma fantasia juvenil, simples e divertida, The Wild Cards é uma análise sobre os mesmos temas, de forma madura e que se assemelha muito mais as narrativas de Isaac Asimov e Frank Herbert, se couber comparações [...]
ㅤㅤㅤㅤ3. EM QUEM RENCE WOODER FOI INSPIRADO?
ㅤㅤRecentemente, com a viralização do livro nas redes sociais do momento como Tik Tok, muitos jovens começaram a tentar descobrir em quem Guinevere Viker se inspirou para escrever Rence Wooder. O personagem principal de The Wild Cards caiu no gosto do público por ser um misto encantador de inteligência e alívio cômico, não se levando a sério mesmo sendo o motor que faz toda a trama girar.
ㅤㅤA investigação teve como base uma resposta de Guinevere Viker dada em entrevista, resgatada por internautas:
ㅤㅤQualquer autor que dizer que não se inspira em pessoas ao seu redor para escrever está mentindo, podem ter certeza disso. Não há material mais interessante e inspirador do que pessoas, então acredito que muitos dos meus personagens sejam simbioses de inúmeros indivíduos que fizeram parte da minha trajetória. Agora, se eu posso dizer quem é quem, não tenho certeza… [risos] Acho que Noÿs, a protagonista de Astrae, é a única que sei em quem é claramente inspirada e foi na minha melhor amiga da época de faculdade, se querem saber. Elas são sarcásticas, duras, ácidas a quase todo momento, mas possuem um universo complexo em expansão dentro delas mesmas. Agora qualquer outro, não vou saber dizer.
ㅤㅤFãs mais jovens da autora começaram a buscar quem poderia ser a possível fonte da sua inspiração. A teoria mais aceita é que o personagem seja inspirado em Lucien LeBlanc, ex-marido da autora e com quem teve um filho na mesma época que o livro foi lançado. Outro concorrente forte é o cantor Hozier, visto que Guinevere comentou em inúmeras entrevistas se sentir muito inspirada pelas músicas do cantor. Existem outras teorias, porém com pouca ou nenhuma evidência, além de que muitos começaram a aceitar que um personagem complexo como Rence só pode ter nascido de uma simbiose, como a própria autora comentou.
ㅤㅤ⸻ TRECHO #OO3 / um gravação das notas de áudio de guinevere, 2024.
ㅤㅤFazem quatro anos.
ㅤㅤEla ligou hoje, é o único dia do ano que ela me liga. Antes nem isso acontecia. Até hoje não sei se é remorso por não ter estado presente quando tudo aconteceu e ter apenas ligado naquela sua frieza polida ou se é um tipo de condolência forçosa de uma consciência que diz que tudo foi com o sangue do seu sangue, por isso devia algo. Não me importa e, ainda assim, é a única coisa que me restou disso tudo...
ㅤㅤNão falamos muito, me contou sobre sua nova pesquisa com alguns detalhes e disse que irá enviar uma das primeiras cópias para mim assim que estiver pronto. Perguntou, em um interesse fingido e palpável, se eu estava trabalhando, e fingiu alegria quando disse que finalmente irei publicar depois de tudo. Fiz a mesma promessa supérflua de enviar uma cópia, ciente de que ela não irá ler. Como nunca leu coisa alguma. Perguntou sobre meu pai, com menos interesse ainda, e digo que não sei de nada novo. Depois sobre Lucien, após ter errado o nome dele três vezes. Sei menos ainda. O silêncio constrangedor correu pelas minhas veias; se morresse congelada ali mesmo não faria diferença. Para ela, eu era um cadáver também. Sabia o que vinha a seguir, vivíamos naquele roteiro imutável ano após ano e ela ainda tinha dificuldade de seguir com ele. Ás vezes tinha vontade de dizer que nunca tinha pedido pela sua compaixão frívola, mas nunca dizia nada. O que mais me restava?
ㅤㅤ"Eu sinto muito." A voz me cortava todas as vezes como uma facada no meu peito justamente pelo vazio que trazia. Faziam quatro anos, tinha tanto a se sentir ainda? Suspiro pesadamente e agradeço. Devemos agradecer pela piedade ou apenas aceitá-la? Ainda não aprendi. Ficamos no silêncio por mais algum tempo, existe algo familiar no nosso silêncio. Me lembra da infância, do cheiro dos livros, do mofo do apartamento e do perfume floral com notas cítricas dela. Damos adeus e desligamos o telefone, naquele pacto tácito de que nos falaremos do mesmo jeito de novo ano que vem.
ㅤㅤO silêncio da casa é mais conhecido e menos acolhedor, talvez seja algo inteligível da maternidade que cause isso. Ou o reconhecimento de duas mães sem filhos; uma por escolha própria e outra pelo desfortúnio da vida? Pode ser reconhecimento, ver nela o que eu fui no tempo que tive. Fria, distante, vazia. Porque eu estou registrando isso? Pode ser pela consciência de algum dia ter dito que não gostava das poesias e que não gostava de ser poética; é a única coisa que parece fazer sentido junto da melancolia eterna.
ㅤㅤOu pode ser porque, depois de tudo, continuo sentindo falta de absolutamente tudo. O que foi e o que não foi. Pela pontada no fundo da cabeça que eu sinto todo dia antes de dormir que parece me dizer num sussurro que eu preciso abrir os olhos e ver algo que está na minha frente, mas não enxergo. Parece uma ironia do meu subconsciente. Nunca mais vou enxergar como antes, literal ou metaforicamente falando.
ㅤㅤsometimes there's a thought like you choose what you're doing, but it comes to nought. when i look back through it i remember the view. streetlights in the dark blue, the moment i knew i'd no choice but to love you…
ㅤㅤi'm afraid will always be trapped within an abstract from a moment of my life. the weeds up through the concrete, the traffic picking up speed. all my love and terror, balanced there between those eyes.
Katherine Lewis: Tranquilizantes é uma excelente ideia, mas teríamos que falar com os alunos de medicina para sabermos se eles conseguem, tempo de ação e como aplicar.
Katherine Lewis: Sobre uma rota de escape, precisamos estudar os mapas da região para sabermos o que dará para fazer.
Katherine Lewis: A igreja da minha mãe seria uma boa ideia se o Gilles não fosse um dos irmãos. Não é distante das LeBlanc Towers, temos um porão que utilizamos como local para reuniões em grupo às quartas-feiras, apenas. O que acham?
📲: Uau, vocês duas tem lugares como esconderijo? Estou realmente impressionada!
📲: Concordo que devemos pensar com calma, analisar todas as rotas, mas incluo aqui também a importância de uma defesa e até um álibi se tudo der em merda.
📲: Estou livre nos próximos dias, então só depende de vocês.
📱: posso ver com o harv, digamos que temos algo em comum nesse assunto...
📱: só uma coisinha e por mais perigoso e inconsequente que possa soar, pensem comigo: se esconder em um lugar que o predador nunca imaginaria que as presas ficariam não é algo interessante de levarmos em consideração? estaríamos tão perto dele que ele nunca pensaria em olhar justamente lá. eu acho, ao menos...
📱: sobre o álibi acho que seria bacana pensarmos em vários porque talvez todos termos o mesmo pode não colar. será que não tem nenhum evento rolando na ucla esses dias que encaixe?
O sorriso ainda permanecia ali, enquanto ouvia atentamente, achando fascinante como a mente de Guinevere trabalhava; era brilhante, de certa forma, e sentia que ali faltava pouco para desbloquear algo à mais. Entendeu, de repente, o que Riley havia visto indiretamente ali, e não pode deixar de imaginar qual futuro esplêndido a garota teria se seguisse outros caminhos. — É uma boa dedução, para falar a verdade, e um ponto de vista bastante peculiar, se me permite dizer. — Respondeu, olhando momentaneamente para o local que estavam. — Quando você tem muito sangue nas mãos, o ideal é ser racional na maioria das vezes. Algo que uma terceira parte pode não ter. — Murmurou, observando o horizonte. — Sou boa em enfrentar momentos de quase morte, ou algo que tenha que pensar rápido e agir rápido, mas prefiro analisar com calma, conhecer o terreno antes de invadir, por assim dizer. — Jocelyn deixava as palavras fluírem de seus lábios livremente, não medindo qualquer uma delas enquanto praticamente se confessava ali. — Não posso torturar alguém sem a conhecer primeiro, nem saber onde posso machucar diretamente sem saber os pontos fracos. — Deu um último olhar diretamente para Gwen, sorrindo largo, ainda na faixa de como Joji sempre se apresentava para alguém. — Gosto de você, Viker. Não confio, é claro, mas gosto desde o momento em que li sua ficha do projeto, seus trabalhos e suas notas na UCLA. Se um dia precisar de mim, estarei à seu dispor. — O sorriso desapareceu momentaneamente, a faísca de quem era de verdade. — Mas apenas se me der um retorno. Detesto relacionamentos unilaterais. Uma mão lava a outra, certo? — Jenkins encarou os olhos da loira uma última vez, demonstrando que não estava blefando em nenhum momento. Por fim se afastou, olhando para o buraco que havia descido. — Vamos? O pó desse lugar tá pior que o armário da Riley.
ㅤㅤGwen apenas assentiu com a cabeça sobre o que a outra dizia, seguindo a sua linha de raciocínio e quase tocar em algo, porém era ainda muito complexo para desvendar de uma simples conversa como aquelas. A única coisa que podia concluir era que Joji era uma equação que demoraria muito para solucionar, isso se algum dia conseguisse. Não receberia os fatores para o cálculo de mão beijada. ⸻ Bom, isso é o que faz você ser tão boa em tudo que faz. Racionalidade é muito importante, mas tem muita gente que deixa isso de lado. Até para a impulsividade é necessário lógica! ⸻ Tagarelou, era mais forte do que ela. ⸻ A gravidade ainda existe mesmo se eu decidir que voar é a melhor forma de escapar de alguma situação. ⸻ Concluiu a linha, preferindo não se estender demais. Por algum motivo, o sorriso da outra lhe causou um leve calafrio, no entanto não era tão ruim assim. Ela balançou a cabeça. ⸻ Nada mais justo, apesar de não ter muito a oferecer. Em todo caso, se precisar de algo que eu possa ajudar também pode contar comigo. ⸻ Naquele ponto, Guinevere apenas aceitou que sua vida já estava embaralhada com a dos demais, e se ela era a carta selvagem precisava começar a se portar como tal. Começou a caminhar em direção a escada que haviam descido, sem muita preocupação. ⸻ E eu tenho reunião do clube de astronomia. Além que imagino que você tem que arranjar toda a limpeza desse lugar, né?
A mente da loira ainda permanecia confusa com toda a situação, as vozes continuavam girando em sua cabeça, as imagens gritavam em diversas cores e o medo absurdo envolvia todo seu corpo. – A mamãe, ela vem...? — Murmurava ainda perdida, num tom de voz tão fino e baixo que nem ela mesma se reconhecia. Existia um motivo muito específico para que ela sempre tomasse o cuidado para não mostrar aquela faceta para os amigos, ou qualquer um que não fosse da família; Coraline perdia completamente o controle de si mesma, quebrava qualquer imagem de durona que sempre demonstrou e, o pior de tudo, ficava mais assustada e desesperada que uma criancinha perdida numa sala de espelhos. Tentou focar novamente quando ouviu a voz da melhor amiga, quase conseguindo voltar à ter consciência, mas antes que pudesse abrir a boca para responder Gwen, um trovão alto soou em seus ouvidos. Parton arregalou os olhos em extremo pavor e, não conseguindo mais segurar a própria garganta, começou a gritar em profundo desespero; acreditava fielmente que poderia se engasgar com o medo que a afundava naquele momento, numa fragilidade tão fina que um simples vento poderia a quebrar em duas, quatro, seis... Os gritos se tornavam mais agudos, enquanto as lágrimas não paravam de escorrer, molhando por completo seu rosto.
ㅤㅤTudo que Guinevere estava tentando parecia não ter efeito algum e isso a deixava incomodada. Não sabia se Franny estava vindo e agora tinha colocado a imagem da mãe no imaginário de Cora. Droga, porque ela tinha que ser tão inútil? Ver a amiga encolhida e tão frágil ao som da tempestade fazia-lhe sentir mal e totalmente inclinada a ajudar, porém ela não sabia exatamente como. Tentou aquilo que a psicologia havia falado sobre ataques como aquele, porém notava que era algo profundo e que talvez ela não conseguisse acessar tão fácil. Como a matriarca Parton fazia falta naquelas horas. E ainda havia o ponto maior: como Gwen iria ganhar do som alto e absoluto da tempestade? Parecia que não iria embora tão cedo. Os olhos esverdeados encaravam a cena na sua frente a ponto de quase encherem de lágrimas, mas não podia. Respirou profundamente e pensou em mais alguma coisa. Ela não iria desistir em trazer algum tipo de conforto. ⸻ Cora, eu preciso que você foque na minha voz e fique comigo, ta bom? Eu não vou a lugar nenhum, você não está sozinha. Por favor. ⸻ Disse, primeiro, colocando as mãos nos joelhos da outra e ficando totalmente na sua frente, talvez assim ela não ficasse mais tentada a olhar para a janela. ⸻ Porque você ama tanto seu ateliê? Porque não fecha os olhos e tenta me descrever como ele é, hein? Me fala como o sol entra pelas janelas, dos seus cavaletes. E suas tintas? Quantos desenhos você tem por lá? ⸻ A voz era suave e melódica, ainda que alta o suficiente e firme. Se Gwen não podia vencer a tempestade, ela iria levá-la para longe. O ateliê era o refúgio, sendo assim iriam para lá de uma forma ou de outra. Sabia que ela tinha uma memória perfeita, não seria difícil para ela viajar até lá e responder tudo que havia perguntado, porém precisava fincar os pés ali para que Gwen pudesse guiá-la. Seu único desejo naquele momento era que a chuva cedesse um pouco. Começou a mexer nos joelhos dela enquanto esperava resposta, tentando fazer com que o toque — por mais delicado que fosse — trouxesse alguma parte da sua mente de volta para ela.
"Ah não, não se preocupe com isso senhorita Vickers. O Senhor Valois já tentou me ajudar, mas computadores e programação nunca foram meu forte, é pra isso que temos profissionais para lidarem com esse aspecto." Henson deu uma risada divertida com o comentário que Gwen fizera, tirando um relógio antigo e dourado do bolso da calça. "Esse é o problema com o tempo, senhorita." Apertou o botão de dar corda para abrir a portinha, com os ponteiros imóveis, e colocando em cima da mesa. "Ele é como uma criança travessa, quando você acha que aprendeu a como lidar com ele, ele aparece com alguma nova peripécia." Ao terminar a frase, o ponteiro dos segundos começa a se mover, como se alguém tivesse dado corda para que voltasse a funcionar. "Não se preocupe, estava esperando que aparecesse eventualmente. Fico até feliz que tenha sido eu quem terá a graça de conversar com a senhorita." Sentou-se na cadeira onde estava seu paletó, indicando educadamente a cadeira vazia para que a mais nova se sentasse. "Engraçado, você não lembra em nada seu pai. Por favor, não leve a mal o comentário, ele pode ser brilhante em seu campo de pesquisa, mas lhe falta imaginação para pensar fora do 3D. Algo que é primordial para esse projeto e motivo principal para o convite que Jean Luc fez a você. "
ㅤㅤApertou os lábios na tentativa de conter o sorriso que queria se formar ao imaginar o porteiro tentando ensinar o homem a sua frente alguma coisa. Os olhos esverdeados ficaram ávidos com a movimentação, observando cada detalhe e gravando na memória. Arqueou o cenho, por fim. ⸻ Mas será que ele é a criança travessa ou nós que somos as crianças que a cada dia descobrem algo sobre o mundo dos adultos, que parece fantástico e definitivo até descobrirmos a próxima? ⸻ Retrucou, mais curiosa para entender como a mente dele funcionava quanto aquele assunto do que qualquer outra coisa. Era meio absurdo que ela estava se comportando como se estivesse conhecendo Einstein ou Freud quando havia questionado toda a moral daquilo dias antes. No entanto, estando ali frente a frente com JJH ela só se sentia como uma sedenta posta a frente de um poço d'água. E ela não deixaria a chance passar. Sentou-se educadamente na cadeira apontada, ponderando qual era a magnitude de seu nome soar por aqueles corredores e quanto aquela conversa poderia estar mudando seu futuro. Focou-se no que ele dizia, finalmente deixando um risinho quase infantil soar pelos lábios. ⸻ Ele diz que sou igualzinha a minha mãe, deve ser isso. ⸻ Evitou comentar o que aquilo realmente significava. ⸻ Não precisa ter tanto cuidado pra falar dele comigo, não sou cega pra não entender muito bem que meu pai é uma pessoa complexa, tenho provas o suficiente disso. Ninguém sabe o que passa naquela cabeça... E sobre o convite, a que se refere de fato? Vocês me querem no projeto, com qual propósito? A mensagem foi bem simplista e aberta.