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@h4lls
The Notebook (2004)
eu mudei muito nos últimos anos, eu me reinventei de todas as formas possíveis e impossíveis pra me encaixar em qualquer lugar que não fosse em mim (coitada de mim com esse pensamento infeliz), todos os lugares do mundo pareciam melhor que minha própria carcaça. é difícil descobrir que depois de tanto tempo, a gente só corre e corre pra chegar em lugar nenhum. porque confesso que demorei pra aceitar e entender que era em mim o único lugar que eu poderia me encaixar, que eu era a única pessoa que poderia me salvar de mim, do mundo, de tudo e todos. porque a gente tem vivido demais pra fora, sem saber olhar pra dentro. mesmo que você diga que não é assim, você tem certeza? você realmente limpou tudo ai? ou ainda tem restos de dores passadas, amores incompletos e memórias estragadas? não que eu seja alguém pra dizer o que se deve carregar no peito, mas se eu pudesse dizer, eu diria carregue o mundo, o que você quiser, seja livre, seja imensidão. mas a primeira coisa que você tem que aprender a carregar é você mesmo, ai depois, bom, depois você só vai carregar coisa boa, não precisa de dica, nem de conselho do que levar; quando você aprende a se amar nada mais importa. não é fácil, não é fácil ter amor próprio verdadeiro, porque não é só amar seu corpo, ou suas atitudes, é amar sua alma, seus gostos, seus medos, seus erros, suas derrotas, suas vitórias, é amar tudo que você foi, tudo que será, amar tudo que vier de você, independente do que seja, porque quem julga o que é bom ou ruim é só você, sentir esse amor próprio verdadeiro é se amar por inteiro. e digo que, na minha concepção você só será feliz ou estará no caminho pra isso, quando quiser e quando começar de alguma forma acreditar que você é a primeira coisa que deve carrega no peito, na mente e nas mãos, o resto, ah… meu bem, o resto é conversa.
Bianca Autran
tropical blog
esse é um texto destinado a todos aqueles que não sabem para onde ir.
e terão dias que você vai parar
e perceber que não faz ideia de pra onde ir
que não faz ideia de por onde começar
terão dias que você não saberá o que exatamente há de errado, mas o desconforto estará ali, como a única coisa nítida no meio do borrão que, de vez em quando, a vida se torna.
e nesses dias, quando você se perder e se sentir esmagado pelo sistema e devastadoramente angustiado, eu te pergunto
o que é que tem não saber?
o que é que tem se dar um tempo?
que tipo de lavagem cerebral nos fizeram para pensarmos que a vida depende somente daquele famoso ciclo “entrar na faculdade aos dezessete, formar aos vinte e três, entrar no mercado de trabalho direto e ser bem sucedido aos trinta”?
isso é realmente viver? a vida não era pra ser bem mais que isso?
somos felizes seguindo essa regra tão metodicamente?
se tem algo de errado nessa história, tenho certeza que não somos nós, por mais que nos façam pensar que somos.
somos frequentemente bombardeados com pesquisas de que “a sociedade está cada dia mais adoecida psicologicamente”
e colocam o problema nos doentes
não se é pensado o que está causando esse adoecimento mental em massa
tá tudo errado e nossas opções são tão escassas
nosso modo de sociedade nos ensina que devemos estar o tempo todo organizados em nossas vidas, em todos os aspectos
mesmo isso sendo humanamente impossível
mesmo sem nos oferecer recursos suficientes e igualitários para traçar esse caminho
nos ensinam que é “tudo pra ontem”
se não conseguimos acompanhar ou simplesmente não aceitamos essas regras somos chamados de “vagabundos” e diversas outras denominações pejorativas
esse pensamento está tão enraizado em nós que chegamos a um ponto em que nem precisamos que os outros nos digam que estamos errados
nós mesmos nos martirizamos com essa ideia
nos sentimos incapazes, preguiçosos, fora da normalidade
destruímos nossa auto-estima, sempre tentando alcançar algo inalcançável
nos tratam como robôs mas se esquecem que até mesmo os robôs possuem falhas
tudo bem entrar em curto circuito de vez em quando.
c.s.
tem muito de nós na maneira em que amamos. tem muito de nós na maneira em que partimos também.
somos todos aptos pra emitir e receber toda a reciprocidade dessa vida.